09 junho 2019

Tradição e monarquia no apoio a Bolsonaro


Fontes: excertos a partir do Site “The intercept Brasil” e edição do “Estadão” de 09-06- 2019.


Monarquistas homenageiam o Imperador Dom  Pedro II, em sessão solene na Câmara dos Deputados (11/12/2017, durante o governo de Michel Temer). Foto: Gilmar Feliz/Câmara dos Deputados

“O movimento monárquico está mais vivo do que nunca”, disse o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, em entrevista ao programa "The Noite", de Danilo Gentili (SBT). E é verdade. Cento e trinta anos após a proclamação da República, o movimento nunca esteve tão forte no Brasil e hoje, como toda fauna extremista de direita, se encontra embutido no bolsonarismo. A vitória de Bolsonaro é também uma vitória dos monarquistas.

       Para Olavo de Carvalho, um dos mandachuvas do governo, Dom Bertrand é “o brasileiro mais patriota” que já viu na vida", “o sujeito que mais estudou os problemas do Brasil, que mais busca soluções”. Assim como Olavo e o atual ministro do Meio Ambiente, Dom Bertrand é um antiambientalista que nega o inegável aquecimento global. Ele é autor do livro “Psicose Ambientalista – Os Bastidores do Ecoterrorismo para implantar uma Religião Ecológica Igualitária e Anticristã”. É também dirigente do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, uma associação ultracatólica criada para defender o legado e os valores da TFP. O site do Instituto Plínio Correa de Oliveira  diz que sua missão é “mobilizar a sociedade civil e preservar a Civilização Cristã, ameaçada pela Revolução anticristã”. O príncipe Dom Bertrand também compartilha a homofobia do atual Presidente da República: “Eu vejo o homossexualismo como um defeito”. (Site:“The intercept Brasil”)

       Já conforme a matéria do "Estadão" deste domingo:  “Era dia de manifestar apoio à pauta conservadora do governo de Jair Bolsonaro. O príncipe Dom Bertrand se encontrou com o engenheiro Adolpho Lindemberg na quarta-feira (05 de maio) no casarão que abriga a sede do Instituto em Higienópolis, no centro de São Paulo. Defendem que a fé cristã seja ensinada às tribos indígenas como forma de levar a civilização a esses povos. A outra agenda era a da “reconstrução do Brasil”. “A obra do PT nesses anos todos tinha um denominador comum: “a destruição do que restava de cristandade no País”.
       
           “Temos de tomar cuidado, pois estão querendo lançar uma discórdia entre os conservadores e nós devemos evitar isso. O momento é de reconstrução nacional, pois o País foi saqueado”, afirmou Dom Bertrand. O príncipe se encontrou com Adolpho Lindemberg na quarta-feira. A pauta conservadora do governo agrada aos dois. Eles aplaudem os compromissos da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, com a vida “desde sua concepção até a morte”, com a família tradicional formada por homem e mulher e com o direito sagrado de os pais educarem seus filhos. Também apoiam a luta travada pelo governo contra o que chamam de ecoterrorismo, o ambientalismo no qual enxergam a “insidiosa transformação de vermelhos em verdes”. Para o príncipe, “Deus criou a natureza para nós, homens”. “O homem é o jardineiro de Deus. E eles (ambientalistas) acham que o homem é o grande predador.”


         Como Bolsonaro, os dois criticam a política indigenista dos governos anteriores. Defendem que a fé cristã seja ensinada às tribos como forma de levar a civilização a esses povos. Tanto um quanto outro também compartilham das ressalvas do presidente ao “movimento negro”, a quem acusam de fomentar o racismo. “Todos temos sangue negro em nossas famílias. Até na minha. Uma pesquisa encontrou um negro chamado Ludovico Moro”, revelou o Príncipe Dom Bertrand. Seu colega concordou. “Essa insistência do movimento negro cria o problema racial no Brasil, problema que nunca houve.”
 (Estadão, 09-05-2019).

Fatos da História do Brasil não divulgados nas escolas e universidades públicas


O retorno do herdeiro da Princesa Isabel ao Brasil



    Após o golpe de Estado de 15 de novembro de 1889, que instaurou a República no Brasil, sem a participação do povo e até contra a vontade popular, o ilegítimo governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca forçou a Família Imperial Brasileira ao exílio na Europa. Toda a Família Imperial teve um coagido embarque, feito na madrugada de 17 de novembro, pois os republicanos temiam, e com razão, que tamanha injustiça causaria uma revolta popular, se feita à plena luz do dia.

     Foi o exílio político mais longo de nossa história, que durou por trinta e um anos, até que, em 1920, o então Presidente da República, Doutor Epitácio Pessoa, revogou a chamada “Lei do Banimento”, feita pelos golpistas de 15 de novembro de 1889. No ano seguinte, o Conde d’Eu veio ao Brasil, escoltando – de volta ao Brasil – os restos mortais de seus sogros, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina, falecidos longe da Pátria. E em 1922, novamente a Família Imperial veio ao Brasil, a fim de participar das celebrações do Centenário da Independência, atendendo a convite oficial do Presidente Epitácio Pessoa.

    Entretanto, o retorno definitivo se daria apenas em 1945, quando o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil entre 1921 e 1981, conseguiu finalmente reunir as condições necessárias para se transferir para o nosso País, trazendo consigo sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e os quatro primeiros filhos pequenos (estes nascidos no exílio). Os outros oito Príncipes e Princesas, filhos de Dom Pedro Henrique da Princesa Dona Maria da Baviera, nasceriam no Brasil, ao longo dos catorze anos seguintes.

   Foi uma viagem difícil, com a Europa completamente devastada pela Segunda Guerra Mundial. A Família Imperial deixou a França, onde vivera exilada por cinquenta e seis anos, e atravessou a Espanha do Generalíssimo Francisco Franco em trem fechado, sem autorização para descer. Chegando a Lisboa, capital de Portugal, no final do mês de julho, passaram seis dias hospedados na casa de amigos, antes de embarcarem, no fim de julho ou no início de agosto, a bordo do navio português Serpa Pinto, com destino ao Rio de Janeiro.

      Após passar pela Ilha da Madeira, o navio precisou desviar seu rumo para em direção a Curaçau, nas Antilhas Holandesas, a fim de reabastecer, pois ainda havia um forte racionamento de combustível, resultado da guerra. No meio da travessia, chegou a notícia da rendição do Japão, no dia 2 de setembro, e todos a bordo comemoraram o fim definitivo da Segunda Guerra. Finalmente, após algumas semanas de viagem, o Serpa Pinto adentrava a Baía de Guanabara; sobre este momento, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, então menino de sete anos de idade, narra em suas memórias ainda inéditas:

“A névoa cobria a Baía de Guanabara na manhã de nossa chegada, e por isso nós só pudemos ver nesgas da maravilhosa paisagem: um pouco do Pão de Açúcar e, de vez em quando, o Cristo Redentor aparecia entre as nuvens, como para nos dar as boas-vindas e nos abençoar. 

“Entretanto, mais uma coisa me impressionou profundamente nesse dia: foi o modo como os monarquistas brasileiros, que tinham vindo a bordo para nos receber, cumprimentavam meus Pais e a nós, crianças. Havia algo de respeito, de veneração e de esperança, mais nos seus gestos que nas suas palavras, que me fez sentir claramente que eu tinha, do mesmo modo que meu Pai, uma missão, um dever para com o País que eu via pela primeira vez. 

“Creio que, para mim, foi uma graça de Deus o fato de que o Rio de Janeiro estivesse coberto de névoa quando chegamos, pois é possível que o panorama da Guanabara, à luz de um belo dia de sol, de tal maneira me deslumbrasse, que eu não teria percebido algo de muito mais alto, que eram as almas dos brasileiros que nos acolhiam e o dever que isso significava para mim.”

Foto: Suas Altezas Imperiais e Reais o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e seus cinco filhos mais velhos, Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, e Suas Altezas Reais os Príncipes Dom Eudes, Dom Bertrand e Dom Pedro de Alcântara e a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, entre o final de 1945 e o início de 1946.

(Matéria publicada no Facebook da “Pró Monarquia e postado por Armando Lopes Rafael)