19 abril 2019

Para você Refletir ! - Por Maria Otilia

Nestes últimos dias tem sido veiculado  nos diversos instrumentos de comunicação, a violação do direito da liberdade de expressão. Enfatizemos o que seja liberdade de expressão: e é o direito de qualquer um manifestar, livremente, opiniões e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura por parte do governo ou de outros membros da sociedade.E ainda mais: A liberdade de expressão é um direito humano, protegido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e pelas constituições de vários países democráticos.Mas parece desconhecer, os membros da corte do STF, que sem nenhum pudor, violam este direito, censurando matérias escritas por jornalistas pelo simples fato de querer deixar no anonimato fatos que supostamente envolvem membros do Supremo.Ferindo desta forma o direito de exercer  a função social da imprensa em divulgar, dar opinião e socializar notícias de interesse público. Para aprofundar a nossa reflexão, posto uma bela fábula que faz uma releitura nesta  época em que muitos querem a volta da "lei da mordaça" vivenciada nos tempos da ditadura.Boa Leitura.                               
                         
 A fábula do leão e da palanca


 Um dia os animais revoltaram-se e expulsaram o ditador. Durante os primeiros tempos tudo correu bem. Até que houve um ano em que as chuvas se atrasaram e o capim começou a faltar.
“Antigamente é que era bom” — comentou uma palanca velha, enquanto roía uma raiz: “Antigamente, no tempo do Rei Leão. A gente apanhava, mas a gente comia”.
Um elefante lembrou que no tempo do Rei Leão as chuvas também se atrasavam, e o capim escasseava. A Palanca encolheu os ombros magros e continuou a protestar: “Antigamente é que era bom!” A partir dessa altura a Palanca passou a responder com aquela frase a qualquer coisa que lhe perguntassem: “Como vai a senhora?” “Antigamente é que era bom!” “Você gosta de samba?” “Antigamente é que era bom!” “O que você pensa da situação na Grécia?” “Antigamente é que era bom!” A frase espalhou-se como um mantra. Até jovens gazelas, nascidas muito depois da queda do Rei Leão, começaram a defender o regresso da ditadura:
“Antigamente é que era bom. Queremos o Rei Leão. A gente apanha, mas a gente gosta”.
A notícia de que havia bichos na savana clamando pelo seu regresso chegou aos ouvidos do Rei Leão. O velho ditador riu-se muito, dando grandes patadas no forte peito, rebolando-se na poeira; riu-se até lhe virem lágrimas aos olhos: “É lá possível! Não podem ser tão estúpidos!” Pensou melhor. Não há nada tão certo quanto a estupidez. Não há nada tão sólido quanto a estupidez. Decidiu então regressar à savana disfarçado de hipopótamo. Precisava confirmar com os próprios olhos, com os próprios ouvidos, a veracidade da notícia. Surpreendeu-se ao encontrar a savana muito melhorada. A bicharada reunia-se para debater, horas a fio, ideias diferentes, e com isso conseguia encontrar boas soluções para os problemas do dia a dia. A seca era grave, sim, mas não havia ninguém morrendo de fome. No tempo dele os bichos morriam de fome até durante a estação das chuvas. Se uma seca semelhante tivesse ocorrido durante o seu reinado metade da população teria morrido.
O Rei Leão continuou o seu caminho e depressa encontrou a Palanca, a qual, por essa altura, já liderava um pequeno grupo de descontentes.
“Afinal o que querem vocês?” — perguntou-lhes o Rei Leão.
A Palanca, que não o reconheceu, tão bem disfarçado estava ele, resfolegou irritada: “Ordem! Autoridade! Antigamente é que era bom!” Uma das gazelas retorquiu que antigamente o capim era mais verde e mais macio. Outra, muito excitada, proclamou que não só queriam o regresso do Rei Leão, mas também dos caçadores.
“Dos caçadores?!” — espantou-se o Rei Leão. Não há nada tão certo quanto a estupidez, voltou a pensar, nem tão sólido, nem tão imenso. A estupidez é mais vasta e mais escura do que a soma de todas as noites, desde o princípio dos tempos. A estupidez é a prova definitiva de que Deus não existe.
“Os caçadores são fofos!” — gritou a gazela, em êxtase. “São fofos! São fofos!” — gritaram as outras.
Aquilo foi a gota de água. O Rei Leão arrancou a fantasia de hipopótamo que lhe cobria o corpo, derrubou a Palanca com uma forte patada e começou a devorá-la. As gazelas bailavam em redor, cantando, “Ordem! Autoridade! O Rei Leão voltou! Viva o Rei Leão! Viva o Rei Leão!”
“E agora?” — perguntou o Rei Leão à Palanca, quando mais nada restava dela senão a cabeça e os curvos e imponentes cornos. — “Agora ainda achas que antigamente é que era bom?”
“Sim, sim, excelência!” — confirmou a cabeça da Palanca, num murmúrio respeitoso. “Antigamente é que era bom!”
O Rei Leão afastou-se, sacudindo desesperado a vasta juba, e voltou para o exílio.
“Pior do que ter inimigos inteligentes é ter aliados estúpidos” — explicou mais tarde aos filhos. — “Por outro lado, a carne dos estúpidos é tão gostosa quanto a dos inteligentes. Assim, se não conseguirem comer os vossos inimigos, comam os vossos aliados. O importante é comerem”.

Autor desconhecido

Algumas palavras mais - Por: Emerson Monteiro


Porquanto há sons que vagam no ar desta manhã e feitos música avançam dentro da gente à busca das respostas, o sentido de tudo que isto daqui percorre as veias do Infinito que nós somos. Trocar sons em palavras que digam o que eles possam dizer. Esclarecer o motivo de andar nesse tempo/espaço, restos de ontem/desejos de amanhã e uma multidão que anseia. Corpos em queda livre ao nada, de olhos fixos nas ausências, esquecidos estão das presenças e das vidas em movimento vindos dalgum lugar.

Isto de saber das Sextas-Feiras da Paixão e perguntar a quê Jesus contar sua história de vencer o mundo e regressar ao Mistério. Corpo filho de Deus à busca da Salvação. Nós, esses corpos em busca da Salvação. E Ele a mostrar ser possível. Percursos interiores dessa longa jornada, vamos nós, de olhos fixos nas ausências, esquecidos, por vezes, das presenças e das vidas em movimento.

O caminho, o amor, o Amor, no coração da gente. Despertar a nossa natureza de libertação do nada, instrumentos de vencer as irreverências desse Chão onde a busca segue leis impostas pelas determinações originais. Preciso que assim seja, cavalheiros andantes das existências, constituímos almas em sonho de realidade pura. Em nós, por isso, o laboratório da verdade que transportamos junto do peito e padecemos os dias quais senhores em formação.

Já foram tantas vivências, padecimentos, equívocos, e seguimos adiante sob o crivo da Razão, pedintes da mesma porta, autores da Plenitude absoluta, porquanto herdeiros do Paraíso. Agora, vencer o passado, limpar a leira e plantar o fruto de esperança em nós. Cá estamos no lugar certo em meio às contingências que compõem o quadro vivo da consciência humana. Reinterpretar o sentimento e rever os caminhos. Minúsculos seres do Universo ilimitado, transportamos a essência do poder da Criação e vivemos a conquista da nossa missão, o instante da mais eterna Felicidade.