12 abril 2019

Alfinetes e borboletas - Por: Emerson Monteiro


Enquanto as borboletas voam faceiras no vento, os alfinetes só pulam de galha em galha, também faceiros, resistentes. Naquela manhã, ele acordaria de olhos acesos de quem não dormira a noite toda, ou nunca dormira em hora nenhuma de todas as noites. Pouco sabia do mistério dos alfinetes e das borboletas; de que eles seguem borboletas coloridas ou foscas que passam nas ondas do vento, de flor em flor, nas manhãs ensolaradas. Sabiam inúteis que alfinetes são afiados no sentido de ferir as borboletas e grudá-las nos quadros da ilusão que existem no salão enorme das velhas mansões escuras.

Em menos de quarenta e oito horas ali estava ele desligado, abandonado nas escadas do porão, olhos presos no depois, arrastando os farrapos de antes, porquanto fora atingido de raspão pela ponta afiada de um desses alfinetes que vivem vagando acesos nas horas do tempo. Lindos olhos, de brilho intenso na boca, afagos melodiosos na voz, e ele absorto no fascínio impetuoso dos arpões insinuantes. Quase, palavrinha mágica, fizera com que fugisse chamuscado desses crivos metálicos de um dos alfinetes. Que vantagem, jamais saberá dizer, pois o doce encantador do canto do instrumento no ar lhe despertara de sonho de séculos, de que seria, um dia, ferido pelo clarão estonteador daquela espécie de animal de cheiro entre a morte e a vida, muito próximo da paixão, porém de veneno fatal.

Desse jeito, as borboletas e os alfinetes, dois seres que aparentemente nasceram um ao outro, e entre si trocam de alimento como quem troca de cartas em jogos noturnos. O açúcar e sal das espécies, delas, os humanos; deles, o limite das existências.

Vagam soltos na floresta e nas cidades, tanto alfinetes, quanto borboletas. Exemplo dos vícios e das virtudes. Atrás de cada borboleta existe um alfinete. Atrás de todo bicho corre uma assombração. Todos que se segurem no chão das almas, que aqui permanecem no período de virar em antigas borboletas pregadas a ferro nas coleções deste mundo matemático, dois a dois, um a um.

Centenário do professor José do Vale Feitosa será comemorado em Crato


Neste sábado, 13 de abril, a comunidade cratense festejará o centenário de nascimento do Prof. José do Vale Arraes Feitosa, pessoa que muito contribuiu para o setor educacional caririense, entre as décadas 40 a 70 do século passado. Este evento está sendo promovido pela Família Feitosa, Instituto Cultural do Cariri, IFCE–Campus Crato, Associação do Ex-alunos do Seminário São José–ADSUM e Escola Prof. José do Vale Arraes Feitosa.

Confira a programação completa:

Sábado, 13 de abril de 2019

– A partir de 8h: IFCE campus Crato:
Reinauguração da Trilha Ecológica José do Vale Arraes Feitosa e Reinauguração da biblioteca José do Vale Arraes Feitosa.
Local: CE 292, km 15, logo após o  bairro Gisélia Pinheiro (mais conhecido como “Batateira”).

– 11h:  Celebração de Santa Missa, presidida por Dom Gilberto Pastana.
Local: Capela São José (Seminário Diocesano São José, em Crato).

– 15h; Homenagem dos alunos e professores da  Escola Professor José do Vale Arraes Feitosa (localizada no Bairro Nossa Senhora de Fátima, antigo Barro Branco,  Zona leste de Crato).

– 19h30: Sessão Solene do Instituto Cultural do Cariri. Exibição do audiovisual produzido pelos filhos de José do Vale A. Feitosa.
Lançamento da edição especial da Revista Itaytera 2019.
Local: Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri.

Fonte: coluna "Caririensidade", por Armando Lopes Rafael