10 abril 2019

As voragens do impossível - Por: Emerson Monteiro


Invés de só considerar valioso todo e qualquer gesto por mais tosco seja nesse mundo vão, aceitar o inevitável qual ponto de apoio e tocar adiante essa barca dos acontecimentos. Vem sendo assim desde que o mundo é mundo. As pessoas humanas consideram pouco válido o correr dos rios, no entanto alimentados os são nas cocheiras de infinitas vacilações, repasto das bestas e dos pesadelos, insistentes fatores dos desânimos continuados. Porém há que ser diferente antes do pôr do próximo sol, às cinco horas de qualquer dia.

Essas notícias que se espalham no vento, largadas fora das janelas do firmamento, alimentam, sim, mil visões dos subterrâneos da liberdade. Dizem das nuvens que jamais serão outras além dos sinais da sequência de tudo. Prudentes, passageiros, reviram a bagagem que transportam ao nada, somam os derradeiros trocados com que alimentariam as feras logo ali depois do tempo. Fixos nos desejos e esquecidos agarrados às paredes do depois, sofrem dos tratantes e das suas ingratas fortunas. Caminham à beira das novas experiências no instinto de reviver os sonhos já amarelecidos antes de ser lembranças.

Quantas vezes repetirão o impulso e susterão as aves no céu, nem eles mesmos sustentam de certezas os símbolos. Quisessem na força plena do querer, teriam descoberto a trilha da salvação, todavia jogaram fora as infinitas oportunidades. Perante, por isso, à força descomunal dos elementos em fúria, lhes resta aceitar de bom grado o resultado das loterias em que jogaram trastes e folhas mortas de árvores e livros. Quantos séculos ainda resistam ao furor das ondas nestes mares de Plutão das histórias sem fim.

Ah! Mas os tons das canções, a harmonia das cores, o ritmo das flores, isto mantém de vida o movimento, sem dores, nem maiores angústias que não a solidão das alturas, o triturar dos corações em festa. Marcas de recordações dos lindos amores e esperanças vivas, aonde foram guardar o sabor da felicidade, nem eles saberão.