07 janeiro 2019

As máquinas de rezar - Por: Emerson Monteiro



Ainda que eu falasse a linguagem dos anjos, se não tivesse amor, seria como um sino que não tem badalo.                                                                            Paulo de Tarso.



Máquinas de rezar, ou o risco do formalismo impuro, o que significa a mesma expressão; o sacerdotismo infiel às letras santas; a intenção de determinar o sagrado sob o mandonismo dos donatários temporais. Isso que lembra as máquinas de rezar dos templos budistas do Himalaia, onde os devotos fazem girar instrumentos que emitem sons de guizos e ficam rodando durante algum tempo enquanto dirigem o pensamento nas orações.

Depois, os profitentes das religiões que abraçam seus credos a ponto de se tornarem doutores da Lei, no entanto formalistas ao extremo, mais intelectuais do que profetas ou fieis praticantes daquilo que transmitem, às vezes com exatidão matemática, na linguagem dos anjos, talvez, sem, contudo, a prática correspondente no mundo das ações. Ter de Deus a ciência e retê-la só consigo, largando de lado a oportunidade principal do exercício na realidade dos acontecimentos.

Esses tais equipamentos de sintonizar o sagrado, ainda que humanos, de carne e osso, sujeitam ser os vendilhões do templo de almas cheias de impurezas e alvejado por fora. Silenciosamente emitem sons de guizos, porém longe de chegar aos níveis da consciência, porque a serviço da fama, da fortuna, das profissões religiosas, todavia sem o traje nupcial de que fala Jesus.

Isso impera sobremodo em tempos de muita teoria e pouca, ou nenhuma prática, das horas de uma civilização empacotada. Instrumentos de transmissão de pensamento e valores, entretanto ausentes de conteúdo, quais conhecemos nas lojas de hoje. Resta aguardar conteúdo de criatividade e bom gosto em igualdade de condições ao progresso tecnológico, quando espiritualidade há de corresponder aos avanços antes obtidos nas máquinas, e que propiciem aos povos a luz no coração.