03 dezembro 2019

Aprendizes do Destino - Por: Emerson Monteiro


Quanta possibilidade no querer dos humanos, e nem por isso levada em conta no transcorrer das civilizações. Recursos vários quais honestidade, justiça, harmonia, no entanto são facilmente atirados na sarjeta da mediocridade. A necessidade vem sendo por demais, sobretudo de exemplos entre as lideranças, no seio do poder e das instituições. O cidadão preenche um cargo e esquece a finalidade, a responsabilidade, que lhe foi entregue e acha que vive só de crescer nas fortunas familiares, por vezes ou quase sempre desnorteados naquilo a que ascenderam.

A conclusão disso fica evidente na pura ignorância dos reais valores da existência e abandono das conquistas da espécie; isto depois de tantas experiências nefastas e desvios de conduta que pecam e destroem, sendo eles meros escravos dos vícios da fama e da destruição, longe dos compromissos assumidos.

Bom, mas ver de frente impõe visualizar essa ausência de conhecimento que gerar sacrifício de milhões. É certo saber que há um movimento constante das forças da Natureza também dentro das pessoas, e que as escolas ensinam a importância de praticar o senso da espiritualidade a que de muitos exige atitude. Houvesse amor verdadeiro e tudo o mais revelaria o quanto de poder dispõe o ser humano, ainda que desejem a satisfação temporária dos apetites materiais.

Daí, hoje já se conhece motivos outros de praticar o poder, porém a vulgaridade fruto do imediato reclama o domínio da inteligência. Somos aprendizes do Destino, cavaleiros andantes da sorte, no mar do Tempo. Durante o passar das gerações, desfrutamos do direito à vida, raramente exitosa, contudo necessária ao crescimento dos indivíduos no seio das sociedades, a fim de transformar a si e ao mundo, até que um dia evidenciemos a causa de existir. Outros nos observam, professores que representamos na escola da Eternidade. Amar, pois, vamos nisto descobrir a força de sintonizar com a luz de Quem nos trouxe até aqui e observa os nossos praticados.

02 dezembro 2019

Há 194 anos nascia o Imperador Dom Pedro II (por Armando Lopes Rafael)




   Em 1825, no dia 2 de dezembro, nasceu no Rio de Janeiro o menino Pedro de Alcântara (que viria, posteriormente, a ser reconhecido como “O Maior dos Brasileiros). Era filho de Dom Pedro I e de dona Leopoldina que foram os primeiros imperadores do Brasil.

     Sobre Dom Pedro II, transcrevo, abaixo, um trecho que li na apresentação, feita no último dia 13 de novembro, do livro do Dr. José Flávio Bezerra Morais, que versa sobre o segundo imperador dos brasileiros. A conferir.

Sobre o Imperador Dom Pedro II

     Josemaria Escrivá, o santo-fundador do Opus Dei, disse, em certa ocasião, esta frase:
"Verdadeiramente a crise do mundo é “crise de santos”!

     Isto é, a crise do mundo decorre do pouco número daqueles que hoje se sacrificam e oram por si e pelos outros.

     Mutatis mutandis, podemos afirmar que a crise do Brasil atual é uma “crise de estadistas”. Esta sim, é a nossa principal crise – da qual decorrem as demais – e ela advém da ausência de boas lideranças políticas. Muitas das atuais, que pululam por aí, são carentes de elevada estatura moral, de tirocínio, de probidade e retidão. Nossos administradores têm hoje pouca habilidade e pouco discernimento, o que se reflete negativamente na administração do Estado e na gerência das questões políticas.

        Por isso, a data 15 de novembro, que ocorrerá depois de amanhã, assinalante dos cento e trinta anos de aniversário do golpe militar que implantou a forma republicana na nossa pátria, nunca foi comemorada pela população brasileira. Todos os anos, repórteres dos noticiários televisivos saem às ruas para perguntar ao povo a razão do feriado de “15 de novembro”. A grande maioria dos consultados responde simplesmente que não sabe.

         Talvez por isso, 128 anos depois da morte do nosso último Imperador, ele ainda sobreviva   – no imaginário popular - como “O maior dos brasileiros”. O que justifica que esse soneto, atribuído a Dom Pedro II, que tem por título: “Terra do Brasil”, escrito quase ao fim da existência terrena do velho imperador, ainda comova a muitos. Permita-me ler o soneto:

“Espavorida agita-se a criança,
De noturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio,
Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de lá me veio
Um pugilo de terra; e neste creio
Brando será meu sono e sem tardança...

Qual o infante a dormir em peito amigo,
Tristes sombras varrendo da memória,
ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de glória,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da história!”

      É também, atualíssimo, o parágrafo abaixo, tirado de uma anotação escrita por Dom Pedro II, poucos dias antes da sua morte, ocorrida em 5 de dezembro de 1891, durante o seu banimento e exílio forçado, na França, que agora leio:

          “No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia que subi ao trono; no fim, quando faleci. Deixem todo o intervalo em branco, para o que ditar o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis injustiças que tive de suportar em silencio, sem poder jamais defender-me”.

      As reminiscências, registros e manifestações de tantos memorialistas, jornalistas, escritores e historiadores, consolidaram um juízo favorável ao velho soberano, cuja atuação austera e competente marcou durante quase 50 anos a história do Brasil. Ele foi, verdadeiramente, um homem consciente da sua missão histórica, a qual exerceu com honestidade e ética. Serviu, ele e a sua Família Imperial, de arquetípicos de uma sociedade ainda em formação”.

1825 -- 2 de dezembro -- 2019


01 dezembro 2019

ERRAR A MÃO -- por David Zylbergeld Neto (*)




Após a magna decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) colocando nos devidos lugares o processo Lula e o sítio de Atibaia, confirmando os crimes praticados e, naturalmente, elevando a pena aplicada em primeira instância, surge nas manchetes que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmam que o TRF-4 “errou a mão”.

Isso significa que, possivelmente, tais ministros já estejam conversando entre si visando a encontrar uma forma de, novamente, salvar o criminoso-mor brasileiro da prisão, dando mais um “tapa na cara” do cidadão brasileiro trabalhador, honesto e de bem. Restam, pois, algumas perguntas para os senhores doutos ministros responderem à sociedade brasileira: estes criminosos que roubaram e dilapidaram o Brasil assustadoramente por anos a fio, que são os maiores responsáveis pela falência da educação, da saúde, da segurança públicas, da infraestrutura do País, etc., erraram ou não erraram “as mãos”?

Os crimes de corrupção ativa e passiva devem ter a punição a mais severa, seguindo o máximo rigor da lei, indistintamente, para todos, ou a punição será amena para alguns privilegiados sabe-se lá por quê? Infelizmente, este é o nosso Brasil!

(*) David Zylbergeld Neto
 E-mail: dzneto@uol.com.br
São Paulo

Crônica do domingo: Memórias de um empregado da Princesa Isabel no exílio



Durante o exílio imposto à Família Imperial Brasileira após a quartelada republicana de 15 de novembro de 1889, a Princesa Dona Isabel de Bragança, tendo se tornado Chefe da Casa Imperial do Brasil, contratou, em 1895, para ser seu criado particular, o jovem e fiel francês Albert Latapie. Em suas memórias, ele nos informa que “A Princesa me disse que eu estaria ao seu serviço como empregado e prometeu ao meu pai que tomaria muito cuidado comigo; o que ela fez durante toda a vida”.

A Redentora saia muito e, geralmente, Latapie ia sempre junto, sentado na boleia do landó. Uma vez por mês, às sete horas da manhã, Sua Alteza ia a Versalhes, onde tinha seu confessor. Tomava café da manhã na casa paroquial, e de lá ia de encontro à sua grande amiga de infância, a Baronesa de Muritiba, nobre brasileira que havia acompanhado a Família Imperial em seu penoso exílio. Passeavam por Paris até a hora do almoço, quando, muitas vezes, o cocheiro aproveitava para trocar os cavalos para o período pós-meio-dia. Nesses passeios, a Chefe da Casa Imperial do Brasil visitava hospitais, clínicas e as casas dos pobres e, com frequência, faltava-lhe dinheiro, por serem tantas as esmolas que desejava distribuir.

Nas noites de inverno, uma vez por semana, Sua Alteza ia à Ópera de Paris – a “Imperatriz exilada do Brasil” era a única pessoa, além do Presidente da França, autorizada a entrar de carruagem no pátio interno da Ópera. Lá ocupava o camarote do Príncipe Henrique de Orleans, Duque d’Aumale, tio de seu marido, o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu. Quando ia à Comédia Francesa, usava o camarote de Dona Eufrásia Teixeira Leite, rica dama brasileira, também residente em Paris. Todas as vezes, a Redentora pagava uma entrada para Latapie, que, anos e anos depois, soube que Sua Alteza o fazia para que ele não ficasse por longas horas, à noite, pelas ruas da capital francesa.

(Baseado em trechos da palestra “Quem foi a Princesa Isabel?”, que o Professor José Ubaldino Motta do Amaral ministrou durante Sessão Solene realizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a 20 de maio de 2014, em homenagem à Princesa Dona Isabel e ao 126º aniversário da Assinatura da Lei Áurea, na presença de Suas Altezas Reais o Príncipe Dom Antônio e a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança).


Abaixo, foto tirada na velhice de Sua Alteza Imperial a Princesa Dona Isabel de Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, durante seu longo exílio (1889-1921).