29 novembro 2019

Sobre o artigo acima, postado por Antônio Morais, sobre a Princesa Isabel – por Armando Lopes Rafael


  
Caro amigo Morais:

    Fiz um comentário sobre sua postagem “Lavrador percorre 250 km com 128 rosas e homenageia Princesa Isabel”. Depois vi que meu comentário ficou longo e seria melhor eu comentar com outro artigo, dado a beleza e justeza do que você publicou.

    Daqui a dois anos (em 2021) completar-se-ão 100 anos da morte da Princesa Isabel. E a memória dela só faz crescer no imaginário do povo brasileiro. A Família Imperial foi deposta, deportada e exilada do Brasil, pela força,  – e no exterior viveu de 1889 a 1922 – no mais longo exílio que algum brasileiro já sofreu até hoje.  A Princesa Isabel morreu sem poder rever seu amado País. Sofreu, durante 33 anos que lhe restaram de vida, por um único motivo: libertou da escravidão a raça negra. Por isso passou a história como “A Redentora”.

  
     Um fato marcante, na vida da Princesa, foi o diálogo abaixo, entre ela e o Barão de Cotegipe, após a Princesa ter assinado a Lei Áurea em 13 de maio de 1888:
 Isabel perguntou: “Então, Senhor Barão, V. Excia. acha que foi acertada a adoção da lei que acabo de assinar?”. Ao que o barão, com muito carinho, respondeu: “Redimistes, sim, Alteza, uma raça, mas perdestes vosso trono...”. 

  Na partida para o exílio, a Princesa Isabel passando junto à mesa onde havia assinado a Lei Áurea, bateu nela o punho fechado e disse:
 “Mil tronos houvera, mil tronos eu sacrificaria para libertar a raça negra”.

    Foi deposta e deportada do Brasil por defender valores, como a libertação dos escravos. Ela morreu sem poder rever seu amado País.

       O jornalista Assis Chateaubriand encontrou-se certa vez com a Princesa Isabel, na França, e vendo a injustiça que fizeram contra ela escreveu, em Juiz de Fora, a 28 de julho de 1934:

“Apagada a sua estrela política, depois de vencida a tormenta da abolição, ela não tinha expressão dura, uma palavra amarga para julgar um fato ou um homem do Brasil. 

      No mais secreto de seu coração, só lhe encontrávamos a indulgência e a bondade. Este espírito de conduta, esse desprendimento das paixões em que se viu envolvida, era a maior prova de fidelidade, no exílio, à pátria distante. 

      Mais de 30 anos de separação forçada não macularam a alvura dessa tradição de tolerância, de anistia aos agravos do passado, que ela herdara do trono paterno. [...] Foi no exílio que ela deu toda a medida da majestade e da magnanimidade do seu coração. [...] Ela viveu no desterro [...] como a afirmação de Pátria, acima dos partidos e dos regimes. Debaixo da sua meiguice, da sua adorável simplicidade, quanta fortaleza de caráter, quanto heroísmo, quantas obras valorosas”. 

      Ainda hoje, 130 anos depois de expulsa da sua pátria, os brasileiros – principalmente os humildes – rendem homenagem a esta santa Princesa, cuja causa de beatificação está em estudos na Arquidiocese do Rio de Janeiro...

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