29 novembro 2019

Lavrador percorre 250 km com 128 rosas e homenageia Princesa Isabel - Postagem do Antônio Morais


Com 72 anos, ele saiu de Desterro de Melo, no interior de Minas Gerais, com 128 botões de rosas na bagagem, um para cada ano de liberdade. João Paulino é descendente de escravos.

O avô veio da África para Minas Gerais e morreu com 110 anos. Para o lavrador, o ato é de gratidão pela libertação dos escravos.

"Ela teve o prazer de lutar por essa raça, por esse povo, de fazer a união de cada pessoa. Sempre que eu tiver a oportunidade de vir e for recebido como tenho sido, pra mim é uma grande honra", disse o lavrador.

Desde 2012, o destino final de João é a Catedral São Pedro de Alcântara, onde fica o túmulo da Princesa Isabel. Nesta sexta, 13 - o peregrino assistiu a missa e pediu para que o padre abençoasse as rosas. Em seguida, os buquês foram colocados sobre o mausoléu.

Muitos se emocionaram ao presenciar o ato.
"Muito interessante. É uma forma de agradecer a liberdade que os negros tiveram. Uma coisa que as pessoas têm que ter consciência", disse Rita Correa, secretária.

Carina Rocha, conta que acompanha essa trajetória de João com a mala e suas rosas.
"Uns quatro anos que ele vem aqui. Ele vai lá na Catedral e vem aqui tomar um café e conversar. Eu acho muito interessante porque é uma forma de agradecer, né", afirmou a comerciante Carina Rocha.

Lei Áurea

A escravidão foi abolida no Brasil pela Princesa Isabel no dia 13 de maio de 1988. O processo de abolição foi gradual e começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizada pela Lei Áurea em 1888.

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura.

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