02 novembro 2019

Finados – por José Luís Lira (*)




     O quarto Príncipe dos Poetas Cearenses, Artur Eduardo Benevides, disse em poema que, “em poesia, o que não for saudade é liturgia”. A data religiosa e cívica que se vivencia neste sábado, une saudade e liturgia, posto que todos temos alguém que já faleceu e de quem sentimos saudades e que por ela celebramos, seja na esfera religiosa ou pessoal.

  O Dia dos Fiéis Defuntos (defunctus - latim, aquele que cumpriu sua missão), Dia de Finados ou Dia dos Mortos é celebrado na Igreja Católica, no dia 2 de novembro, se constituindo data cívica pelo feriado.

   O costume de rezar pelos mortos, vem desde o século II, quando os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires. No século V, a Igreja dedicou um dia do ano para se rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Consta que no século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015), determinaram a dedicação de um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1º de novembro é a Festa de Todos os Santos.

   Na América a mais destacada celebração é a do México, onde o Dia dos Mortos tem origem indígena e começa no dia 31 de outubro. É tão próprio e de tão grande alcance o Dia dos Mortos do México que a UNESCO o declarou Patrimônio Imaterial da Humanidade.

    Existem passagens bíblicas que mostram a oração pelos mortos Em Tobias 12,12, lemos “Quando tu e Sara fazíeis orações, era eu que apresentava vossas súplicas diante da Glória do Senhor e as lia; eu fazia o mesmo quando enterravas os mortos”; em II Macabeus 12,44-46: “De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado”; outros trechos do Velho Testamento e do Novo Testamento têm inúmeras reflexões acerca. Lembremo-nos de que Jesus orou por Lázaro e o ressuscitou e lembrou que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Paulo, apóstolo, afirma que “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor”.

    A nós ocidentais, ainda é muito difícil encarar a morte, a separação, o adeus. Por isso iniciei essa coluna lembrando Artur Eduardo Benevides sobre saudade e liturgia na poesia. Os orientais fazem festa para seus mortos no rito de despedida. Lembro-me de Antonio Olinto contando sobre essas tradições. Fica a saudade, mas, a tristeza não deve se fazer presente, embora que nem sempre a controlemos.

    Jesus Cristo, ao ressurgir dos mortos, deu-nos a certeza da ressurreição. Um dia todos nós ressurgiremos e ingressaremos no local ao qual nossas ações humanas na terra nos conduziram. Mas, ainda assim, existe a misericórdia de Deus e ela é maior que tudo. Um dia, com Cristo, diremos que a morte não existe.

    Rezemos por nossos falecidos, exaltemos seus méritos, até choremos, porque somos humanos, mas, lembremos de que a Vida continua, pois, quem crê em Cristo, ainda que esteja morto, viverá!
    Que a Luz Perpétua os ilumine!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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