05 outubro 2019

Benigna Cardoso, a primeira Beata cearense – por José Luís Lira (*)


     Sinceramente, passei a semana buscando tema para esta coluna. A santidade, quem me lê sabe, é tema predileto meu. Embora, reiterando, convicto das ações que me afastam de tornar-me santo, vejo a beleza e maravilha da santidade. Hagiólogo, tendo fundado a Academia Brasileira de Hagiologia, enxergo na santidade a mais perfeita harmonia com Deus. Ser santo é cumprir mandamento bíblico: “Sede santos, porque Eu, Javé, vosso Deus, o Senhor, sou santo” (Lv 19,2). Deus separou seus santos para serem não apenas advogados nossos, mas, modelos.

      Pensava em outro tema, mas, a santidade, tão importante, reaparece. E neste momento, nossa Diocese de Sobral caminha para ter mais uma causa em andamento em seu território, a de Mons. Waldir Lopes de Castro, pároco do Marco, pois, eis que nosso Bispo, Dom Vasconcelos, requereu à Santa Sé o Nada Obsta para iniciar a Causa que será postulada pelo Dr. Paolo Vilotta.

      Na iminência de vermos tremular num dos pórticos da Basílica de São Pedro, no Vaticano, a tapeçaria clássica com a foto de Irmã Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, da Bahia, do Brasil e daquela data em diante, do mundo, no dia em que se celebra a memória dos Protomártires do Brasil ou Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes, Mateus Moreira e 27 leigos, o Brasil acordou com a notícia de que ganhará mais uma Beata Católica. Desta vez é a primeira cearense, Benigna Cardoso, de Santana do Cariri, da Diocese do Padre Cícero.

      A alegria nos invadiu. A quem se dedica a estes temas, pode assimilar a emoção dos que trabalham com a causa. Seria festa grande e intensa fosse nosso amado Pe. Cícero. Não será ele o primeiro a ser reconhecido beato, mas, é uma filha de sua região. Benigna Cardoso da Silva sofreu o martírio no dia 24 de outubro de 1941. Relaciono pequeno resumo biográfico dela no meu livro “A Caminho da Santidade”, Uberlândia (MG), Editora A Partilha, 2012, páginas 98/99:

      Nasceu em Santana do Cariri, no dia 15 de outubro de 1928. Sua história impressiona por sua pureza e sua devoção a Deus. Ficou órfã de pai e de mãe muito cedo, sendo adotada com os irmãos mais velhos por uma família da região. Extremamente religiosa, não perdia as missas. Aos 12 anos, começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves. Foram muitas investidas e todas sem sucesso. Pouco depois de completar 13 anos, Raul aproveitou o momento em que a menina foi buscar água próximo de casa, para tentar violentá-la sexualmente. Como a adolescente se recusou a ceder, acabou brutalmente assassinada. Era sexta-feira, 24 de outubro de 1941. O assassino foi preso e, 50 anos depois, voltou ao local do crime, arrependido, para pedir perdão à menina Benigna.
Último dia 3, data cheia de simbologia, Sua Santidade o Papa Francisco recebeu o Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, e autorizou a Sacra Congregação a promulgar Decretos de reconhecimentos de milagres, martírios e virtudes, entre estes o do martírio de Benigna, proclamado nos dias que antecedem sua romaria.

       Deus seja Louvado!

       Que a futura Beata Benigna abra caminho a outros cearenses e temos na fila os sobralenses Pe. Ibiapina, Dom Expedito, Mons. Arnóbio e, em breve, com a graça divina, Mons. Waldir!
   

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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