16 setembro 2019

Caririensidade


Uma mulher que marcou o Cariri: Dona Fideralina Augusto

    Segundo a Wikipédia: “Fideralina Augusto Lima nasceu em na Vila de São Vicente Férrer das Lavras da Mangabeira, no dia 24 de agosto de 1832 e faleceu no Sítio Tatu, de sua propriedade também em Lavras da Mangabeira, no dia 16 de janeiro de 1919. Era a filha mais velha de Isabel Rita de São José e do Major e político local João Carlos Augusto. Foi casada com o Major Ildefonso Correia Lima, Capitão da 1ª Companhia do Batalhão nº 28 e Major Fiscal da Guarda Nacional de Lavras, com quem teve doze filhos.

   
     “Senhora de inúmeras propriedades rurais no município e prédios residências na Vila, muito gado e muitos negros que o serviam como escravos. Criou seus filhos sozinha, pois ficou viúva muito cedo, deu-lhes rígida educação que primava pelo respeito e obediência. A influência da matriarca fez com que filhos e descendentes fossem deputados estadual, federal, senador, intendentes e vereador ao longo do tempo. Atualmente, Heitor Férrer, trineto de Fideralina, é deputado estadual, e Roberto Cláudio, tataraneto, é prefeito de Fortaleza.

      “Gostava de trabalhos manuais, como fiar, fazer varanda de rede. Era muito religiosa, rezava o Ofício de Nossa Senhora e, quinzenalmente, assistia a missa que mandava celebrar na capela da sua propriedade (Tatu). Teve uma participação ativa na vida política e social do Ceará, com todas as prerrogativas de coronel latifundiário, sendo respeitada como tal. Fideralina levava sempre consigo um bacamarte ou garrucha, nas caminhadas andava a cavalo ou de liteira, contava para sua guarda e proteção, homens corajosos e hábeis no manejo das armas, conhecidos como “os cabras de Dona Fideralina”.

Fonte: Wikipédia / Blog Lavras da Mangabeira

Poetas caririenses: José Newton Alves de Sousa

     Há setenta anos, José Newton Alves de Sousa publicou um pequeno opúsculo, editado em 1949 pela Imprensa Oficial da Bahia, com o título – “Paisagem Lírica do Cariri (Quadros da minha terra) - 1ª série”.  Naquele opúsculo o poeta José Newton,  publicou algumas poesias sobre os horizontes do Cariri,  nas primeiras décadas do século passado. Confiram:
 
   Sobre os canaviais do Cariri: “Verde mar ondulante roçado pela música ciciante das brisas... Verde mar. Cor da esperança e da esmeralda. O Cariri é a esmeralda do Ceará”.

Sobre as noites caririenses: “Noite-de-lua no Cariri. As serras se banham de luar. As estradas estão argentinas de luar. Os açudes são pérolas gigantescas, luzindo. Os rios são boitatás enormes, serpeando molengos. As cidades adormecem tranquilamente e a brisa traz um eco de música longínqua”.

    Sobre sua cidade natal: “... e a princesa dorme. Crato adormecendo no lençol crepuscular do último adeus do sol além da serra... Crato como uma princesa encantada no leito esmeraldino do Cariri, reclinando-se sobre o travesseiro azul da Araripe, ao ritmo cantante das nascentes fecundas...”

   Sobre os sinos das igrejas de Crato: “Os sinos de Crato têm uma harmonia própria, inconfundível. Nunca ouvi em parte alguma sons como os seus, tão musicais e cristalinos; tão recordativos e poéticos. Criei-me ouvindo-lhes as tocatas. As tocatas alegres e as tocatas tristes. Umas falavam-me da vida; outras, da morte”.

   Sobre o alto do Seminário e o alto do Barro Vermelho: “No alto do Seminário está a capela de São José. No Barro Vermelho, a de São Francisco. Para mim, ambos esses santos foram poetas. O primeiro, poeta do silêncio e do trabalho, aquele que era um poema em si, o poema que se chamou: Justiça. O segundo, poeta boêmio, da boêmia espiritual dos pobrezinhos de Cristo. São Francisco de Assis escreveu também um poema, o Poema da Alegria. Alegria filha da Pobreza. Pobreza filha do Amor”.

 O melhor prefeito que o Crato já teve

   Alexandre Arraes de Alencar governou o município de Crato entre 27 de dezembro de 1937 e 15 de agosto de 1943, data sua prematura morte com apenas 48 anos de idade. Decorridos quase oitenta anos do início daquela administração, ainda perdura no imaginário popular cratense que Alexandre Arraes foi o melhor prefeito que esta cidade já teve.  

    Caiu-me às mãos, dias atrás, uma Xerox da Monografia Histórica do Crato, uma publicação da administração Alexandre Arraes, com dados colhidos pela Delegacia Regional do Recenseamento Nacional do Brasil de 1940. Naquela época, quando as comunicações eram precárias, a Prefeitura de Crato disponibilizava uma publicação contendo todos os dados atualizados do município, com o resgate histórico, evolução social, informes sobre a população, produção agrícola, comércio, indústria, relevo do solo, hidrografia, riquezas naturais, etc. Com toda a evolução que usufruímos hoje, com todas as facilidades atuais da tecnologia, não dispomos, no presente, de uma publicação similar a que foi produzida no governo de Alexandre Arraes.

     Falar sobre a administração de Alexandre Arraes ocuparia muito espaço. Limito-me a transcrever apenas um tópico da monografia citada, a de número VII, que enumera algumas conquistas da sua competente e honesta administração. A conferir.

“Por iniciativa dos Poderes Públicos, verificaram-se a instalação do Serviço de Água, Luz e força, que veio atender velha aspiração da população, resolvendo um dos mais importantes problemas da infraestrutura da cidade; criação de uma biblioteca pública; construção de um Grupo Escolar Municipal de orientação ruralista; criação de um Horto Florestal para arborizar a cidade e distribuir mudas frutíferas à população cratense; delimitação das zonas agrícolas e pastoris na Serra do Araripe; construção da praça ajardinada Dr. Francisco Sá, com uma majestosa Coluna da Hora, encimada com a estátua de Cristo Rei e uma fonte luminosa, aliás, a primeira construída no Ceará; construção de 14 obras d’arte nas rodovias municipais, instalação de um Posto Antirrábico, pavimentação de quase toda a cidade, arborização de suas ruas, instalação de um projeto piloto para irrigação mecânica no Rio Carás; aquisição de duas propriedades para instalação do campo de sericicultura e construção de moderno e confortável Mercado Público”.

     Ao tempo do Prefeito Alexandre Arraes todas as datas cívicas eram comemoradas com desfiles escolares nas ruas de Crato. Ele mesmo acompanhava ao lado dos estudantes esses momentos cívicos. Como era ele mesmo que, pessoalmente, exercia fiscalização de todas as atividades da Municipalidade. Alexandre Arraes reformou todas as praças da cidade e todas foram dotadas de projetos de jardins. Na Praça Siqueira Campos havia um canteiro de rosas La France.

      Naquele tempo o Rio Granjeiro ainda não tinha virado o canal nauseabundo dos dias atuais. Nas margens daquele rio a Prefeitura plantou bambus. Também a encosta do morro do Seminário foi arborizada para evitar erosão. 

       E tudo isso era feito com critério e honestidade. Sob Alexandre Arraes nunca se ouviu falar em corrupção.

          Enfim, tínhamos uma cidade limpa, bem cuidada, com um administrador de mentalidade à frente do seu tempo. Quanta falta faz um Alexandre Arraes nos dias de hoje...

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