01 setembro 2019

A História do Brasil que não é mostrada aos estudantes: os fuzilamentos da ilha de Anhatomirim – por Armando Lopes Rafael


    Poucos brasileiros sabem como foi o início da “República dos Estados Unidos do Brasil” (este era o nome oficial do nosso país depois do golpe militar de 15 de novembro de 1889). Os primórdios do regime republicano brasileiro ficaram registrados na história como “A República da Espada”.

      Entre os anos de 1889 –1894, o Brasil foi governado por dois marechais: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Nenhum foi eleito pelo povo. O Brasil viveu, naquele tempo, um regime ditatorial. Durante aquele período eram comuns os levantes populares contra a República, os quais eram respondidos com violentas repressões.

        Com a renúncia à Presidência do Brasil, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto (foto à direita)  presidiu o Brasil de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894. Segundo a constituição republicana (imposta pelos militares) o vice-presidente só poderia assumir se o presidente anterior tivesse governado por mais de dois anos. Ora, Deodoro só governou 6 meses e renunciou por pressão dos seus colegas do Exército. Pressionado também a renunciar, Floriano respondeu com uma virulência como nunca houve registro na nossa história.

          A oposição queria a convocação de novas eleições. Floriano, no entanto, reprimiu todos os protestos contra ele e contra a nascente República.  Logo no início, adotou medidas para enfraquecer e combater os monarquistas. Muito sangue correu para abafar esses protestos. Iniciada no Rio de Janeiro, a chamada “Revolta da Armada” foi um movimento ocorrido em 1893, liderado por algumas unidades da Marinha Brasileira contra o governo republicano.

        Naquele episódio muitos cadetes monarquistas foram mortos a fio de espada, por ordem de Floriano Peixoto. Depois, esse sanguinário marechal derrotou também outra rebelião surgida no sul do País contra a República: a “Revolução Federalista”. Esta foi um conflito de caráter político, iniciado no Rio Grande do Sul entre os anos de 1893 e 1895, que desencadeou nova revolta armada. Esta atingiu também os estados do Paraná e Santa Catarina. Muito sangue também foi derramado nesta rebelião.

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     A propósito, existe no litoral Norte do Estado de Santa Catarina uma ilha curiosamente chamada de “Anhatomirim". No idioma Tupi “Anhatomirim"  quer dizer "pequena ilha do diabo". Um nome apropriado!
 
A ilha de Anhatomirim, em Santa Catarina
      A ilha de Anhatomirim, era o local para onde os monarquistas brasileiros (ou o que que não aceitassem o golpe republicano) eram levados  e fuzilados, em 1894,  a mando do então Presidente Marechal Floriano Peixoto. Naquele tempo, a mídia brasileira (ainda hoje a mídia mais sórdida do mundo), bajulava o ditador Floriano Peixoto chamando-o de “Marechal de Ferro”. Em 1894, a capital do Estado de Santa Catarina tinha o nome oficial de Desterro. Para humilhar ainda mais seus opositores. Floriano Peixoto mudou o nome da capital para “Florianópolis” (ou seja, Cidade de Floriano). E quem desafiasse o “Marechal de Ferro” era mandado para a da ilha de Anhatomirim.

Um comentário:

  1. O livro “Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi”, de José Murilo de Carvalho, é um clássico da historiografia brasileira no que se refere ao estudo da prática de cidadania entre o povo brasileiro no início da República. Em sua conclusão o autor explica que como não aconteceu uma República real, ou seja, o governo nunca foi uma coisa pública, a cidade não teve cidadãos, nesse sentido.

    Este livro enfatiza o impacto do novo regime no que se refere à expectativa de maior participação política do povo. Mas tais esperanças foram logo traídas. O governo tratou de calara população. Era preciso estabilidade política, a qual não seria possível se o negro, o pobre, o estrangeiro, o operário tivessem voz.

    Segundo José Murilo de Carvalho: “A população logo descobriu que o novo regime não havia trazido avanços a liberdade e a participação (...) A República não era para valer. O discurso bonito do Estado não condizia com a realidade. Quem percebia isso não era bestializado. “Bestializado era quem levasse a política (da República) a sério, bestializado era o que se prestasse a manipulação (...) Quem apenas assistia, como fazia o povo o Rio de Janeiro por ocasião das grandes transformações realizadas a sua revelia, estava longe de ser bestializado. (o carioca na verdade) Era bilontra (ou seja, gozador, espertalhão).”

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