28 setembro 2019

Crônica do sábado

Mais um livro sobre o Imperador Dom Pedro II – por Armando Lopes Rafael


“No alto de uma folha de papel escrevam a data do meu nascimento e o dia que subi
 ao trono; no fim, quando faleci. Deixem todo o intervalo em branco, para o que ditar
 o futuro; ele que conte o que fiz, as intenções que sempre me dominaram e as cruéis
 injustiças que tive de suportar em silencio, sem poder jamais defender-me”
Dom Pedro II, 1888.


     O renomado escritor-historiador Paulo Rezzutti lançou, dias atrás, seu último livro: “D. Pedro II– A história não contada”, 543 páginas, uma das melhores biografias já escritas sobre o magnânimo imperador brasileiro. O autor deu, assim, continuidade à trilogia já publicada, de sua autoria, sobre as biografias de Dom Pedro I, da Imperatriz Leopoldina e da Marquesa de Santos.

    
         Lançado pela Editora Casa da Palavra–LeYa, o livro tem excelente impressão gráfica, além de um rico acervo de fotografias, valorizando ainda mais o rico conteúdo da obra. Rezzutti demonstra a sobeja força do segundo imperador brasileiro, realçando suas qualidades como homem público, comprometido com o desenvolvimento do país e, acima de tudo, com a educação.

     Na verdade, durante 49 anos como imperador, Dom Pedro II ajudou a transformar o Brasil num país desenvolvido, com destaque nas áreas da cultura e educação. Ressalte-se o compromisso do nosso segundo imperador com a honestidade, dando inúmeras provas de lisura, transparência e cuidado com o trato das coisas públicas.

         Consta no comentário sobre este livro: “Paulo Rezzutti lança mão de cartas e documentos inéditos para revelar a história não contada do último imperador do Brasil. Do príncipe que se tornou regente ainda menino ao monarca e que morreu no exílio. A obra preenche muitas lacunas com uma extensa pesquisa em documentos, cartas e diários para iluminar a vida um homem que esbanjava cultura e cuja intimidade era bem mais intensa do que as barbas brancas em seus retratos mais famosos podem fazer supor”.

          O livro é, enfim, um compêndio, o qual, ao lê-lo, nos transportamos para o período mais glorioso da história do Brasil, ou seja, o século XIX, quando a população respeitava seus imperadores, homens sérios, probos, cultos e, acima de tudo, comprometidos com o progresso e grandeza da nossa pátria. Vale a pena adquirir esta obra.

 

Virgílio Távora, cem anos! – por José Luís Lira (*)

    Neste domingo, 29, celebraria cem anos o político brasileiro, Virgílio Távora. Militar por formação, Virgílio de Morais Fernandes Távora, chegou ao posto de Coronel no Exército Brasileiro e ingressou na política, sendo eleito deputado federal em 1950 e 1954. Foi Ministro dos Transportes, no gabinete parlamentarista de Tancredo Neves e deixou o cargo para disputar o governo do Ceará. Em sua gestão criou a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, em 9 de agosto de 1966. Virgílio era governador quando do movimento militar de 1964.

    Dedicou-se à política e nela fez muito pelo Ceará e pelo Brasil, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, no Governo do Ceará, enfim, gerando uma legião de eleitores e admiradores. Eu, pessoalmente, não conheci o Senador Virgílio Távora. Dona Luiza, vi uma vez. Mas, sempre ouvi falar deles em variados meios e, também, por meio de Matusahila Santiago que admira muito o casal, em especial, Dona Luiza Távora. Outro dia tive a honra de receber a herdeira do casal do Távora, Tereza Távora, no Museu Diocesano Dom José, o qual tenho a honra de dirigir.

     Há algumas semanas, recebi o livro “Virgílio Távora, o Estadista Cearense”, do sobralense César Barreto Lima, em có-autoria com Saulo Barreto Lima. Houve lançamento em Fortaleza, Sobral e Viçosa do Ceará. A obra foi muito bem recebida pela crítica especializada e desde o trabalho do meu confrade na Academia Fortalezense de Letras, convidado por mim para integrar aquela Academia, Marcelo Linhares, não tínhamos visto trabalho tão completo quanto este sobre Virgílio Távora.

      Na nota introdutória, Cesar Barreto nos diz que procurou “mostrar outro Virgílio Távora, o lado escondido do ser humano maravilhoso, do pai amoroso e do marido sem igual”. No prefácio do eterno Senador Mauro Benevides, vi, com surpresa de quem não viveu aquele tempo, a convivência e amizade declarada dos dois homens públicos. Diz o Acadêmico Mauro Benevides: “Com ele convivi de perto, sobretudo pela minha condição de Presidente da Assembleia Legislativa, em momentos de dificuldades institucionais...”

     Dr. Mauro confessa, sobre o período de instabilidade política vivido naquele 1964, quando conspirou-se a deposição de Virgílio Távora do governo do Ceará: “Não concordei com a tentadora e inusitada proposta de assumir o Governo do Estado como fui firme na minha argumentação fitando no fundo dos olhos dos conspiradores: - O Governador Virgílio Távora, além de ser um governante sério, é sobrinho do Marechal Juarez F. Távora, herói do Exército Brasileiro”.

     A primeira parte do livro se dedica a um esboço histórico do biografado, iniciando por estudos desde Portugal, passando pela saga familiar dos Távoras, o surgimento do estadista, o casamento e o Ceará, paixão do biografado. Acrescem-se notas e vem um capítulo de muito afeto e de revelações que só quem com Virgílio conviveu pode fazer. São os depoimentos, trinta no total, iniciado por sua filha, Tereza Távora, uma lady, na acepção da palavra; Ubiratan Aguiar; Lúcio Alcântara, Mônica Arruda; Gonzaga Mota; Eudoro Santana, para citar alguns.
 
     Concluindo com rica iconografia e referências que credenciam a obra como uma das melhores sobre o estadista Cearense, Virgílio Távora. Parabéns aos seus autores!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

20 setembro 2019

Crônica da sexta-feira

Operários salvos  pela reza do  Terço

          O jesuíta alemão Helmuth Kaiser conta este caso ilustrativo da piedade mariana, acontecido nos princípios do século XX, em terras germânicas. Duas jovens irmãs, alunas de um colégio interno, costumavam passar as férias com a avó no sitio da família. E sempre rezavam o terço com ela após o jantar, diante de uma imagem da Mãe do Céu. E contaram este “fatinho” real.

          “Quando rezávamos o terço, não sentíamos o tempo passar. A avó tinha um lindo rosário de pérolas guardado na caixinha, mas preferia usar o de contas grandes, gastas, de marrom desbotado.
          Muito curiosas, perguntamos-lhe ao fim da reza:

          -- Avó, por que a senhora reza com esse rosário velho e feio?
       -- É porque ele traz para mim uma saudade muito grande. Era do seu avô, que o rezava tranquilamente todas as manhãs, enquanto caminhava pela estrada para chegar ao serviço nas minas de pedra lousa.

          Ele demorava meia hora até chegar no local de trabalho. Precisava ser muito pontual porque tinha a chave do portão por onde entravam os operários. Estes desciam pelos corredores com suas pás, picaretas e carrinhos de mão. Certa manhã, o avô tinha andado meio caminho e ia começar a rezar o terço. Mas ao enfiar a mão no bolso, não o encontrou. Tinha esquecido no outro casaco. Coisa que acontece com tanta gente.

          Ele não teve dúvida. Deu meia volta, voltou para casa, pegou o terço, e apressou-se para não atrasar demais. Mesmo assim, chegou com quase trinta minutos de atraso, nunca antes acontecido. Os operários estavam todos esperando no portão e ficaram admirados desse atraso numa pessoa sempre tão pontual. Eles o rodearam, curiosos por saber o motivo do atraso. Um falatório daqueles.

          O avô abriu o portão, e toda gente começou a descer para as minas. De súbito, um grande estrondo se ouviu, parecendo um trovão no fundo da terra. Quando tudo se acalmou, desceram cautelosamente. E viram que se tivessem descido cinco minutos antes, todos teriam sido esmagados por uma avalanche de pedras que desabara, enchendo de entulhos os vastos corredores da mina. Os operários ficaram assustados e agradecidos à Mãe do Céu, ajoelhando-se ali mesmo. Um terço esquecido em casa salvara da morte dezenas de pessoas. Maria os protegera através de um devoto mariano, o avô.

          Este caso reavivou neles a sua devoção a Nossa Senhora e ao rosário.
          Ouvindo esta história, ficamos muito impressionadas, em silêncio, pensativas. Só a luzinha junto a imagem de Nossa Senhora tremulava e parecia que a Mãe do Céu sorria para nós.”

  Fonte: “O Santo Rosário e os Santos”, do  Pe. Stefano Maria Manelli, publicado pela  revista "Cruzada" – Braga - Portugal

16 setembro 2019

Caririensidade


Uma mulher que marcou o Cariri: Dona Fideralina Augusto

    Segundo a Wikipédia: “Fideralina Augusto Lima nasceu em na Vila de São Vicente Férrer das Lavras da Mangabeira, no dia 24 de agosto de 1832 e faleceu no Sítio Tatu, de sua propriedade também em Lavras da Mangabeira, no dia 16 de janeiro de 1919. Era a filha mais velha de Isabel Rita de São José e do Major e político local João Carlos Augusto. Foi casada com o Major Ildefonso Correia Lima, Capitão da 1ª Companhia do Batalhão nº 28 e Major Fiscal da Guarda Nacional de Lavras, com quem teve doze filhos.

   
     “Senhora de inúmeras propriedades rurais no município e prédios residências na Vila, muito gado e muitos negros que o serviam como escravos. Criou seus filhos sozinha, pois ficou viúva muito cedo, deu-lhes rígida educação que primava pelo respeito e obediência. A influência da matriarca fez com que filhos e descendentes fossem deputados estadual, federal, senador, intendentes e vereador ao longo do tempo. Atualmente, Heitor Férrer, trineto de Fideralina, é deputado estadual, e Roberto Cláudio, tataraneto, é prefeito de Fortaleza.

      “Gostava de trabalhos manuais, como fiar, fazer varanda de rede. Era muito religiosa, rezava o Ofício de Nossa Senhora e, quinzenalmente, assistia a missa que mandava celebrar na capela da sua propriedade (Tatu). Teve uma participação ativa na vida política e social do Ceará, com todas as prerrogativas de coronel latifundiário, sendo respeitada como tal. Fideralina levava sempre consigo um bacamarte ou garrucha, nas caminhadas andava a cavalo ou de liteira, contava para sua guarda e proteção, homens corajosos e hábeis no manejo das armas, conhecidos como “os cabras de Dona Fideralina”.

Fonte: Wikipédia / Blog Lavras da Mangabeira

Poetas caririenses: José Newton Alves de Sousa

     Há setenta anos, José Newton Alves de Sousa publicou um pequeno opúsculo, editado em 1949 pela Imprensa Oficial da Bahia, com o título – “Paisagem Lírica do Cariri (Quadros da minha terra) - 1ª série”.  Naquele opúsculo o poeta José Newton,  publicou algumas poesias sobre os horizontes do Cariri,  nas primeiras décadas do século passado. Confiram:
 
   Sobre os canaviais do Cariri: “Verde mar ondulante roçado pela música ciciante das brisas... Verde mar. Cor da esperança e da esmeralda. O Cariri é a esmeralda do Ceará”.

Sobre as noites caririenses: “Noite-de-lua no Cariri. As serras se banham de luar. As estradas estão argentinas de luar. Os açudes são pérolas gigantescas, luzindo. Os rios são boitatás enormes, serpeando molengos. As cidades adormecem tranquilamente e a brisa traz um eco de música longínqua”.

    Sobre sua cidade natal: “... e a princesa dorme. Crato adormecendo no lençol crepuscular do último adeus do sol além da serra... Crato como uma princesa encantada no leito esmeraldino do Cariri, reclinando-se sobre o travesseiro azul da Araripe, ao ritmo cantante das nascentes fecundas...”

   Sobre os sinos das igrejas de Crato: “Os sinos de Crato têm uma harmonia própria, inconfundível. Nunca ouvi em parte alguma sons como os seus, tão musicais e cristalinos; tão recordativos e poéticos. Criei-me ouvindo-lhes as tocatas. As tocatas alegres e as tocatas tristes. Umas falavam-me da vida; outras, da morte”.

   Sobre o alto do Seminário e o alto do Barro Vermelho: “No alto do Seminário está a capela de São José. No Barro Vermelho, a de São Francisco. Para mim, ambos esses santos foram poetas. O primeiro, poeta do silêncio e do trabalho, aquele que era um poema em si, o poema que se chamou: Justiça. O segundo, poeta boêmio, da boêmia espiritual dos pobrezinhos de Cristo. São Francisco de Assis escreveu também um poema, o Poema da Alegria. Alegria filha da Pobreza. Pobreza filha do Amor”.

 O melhor prefeito que o Crato já teve

   Alexandre Arraes de Alencar governou o município de Crato entre 27 de dezembro de 1937 e 15 de agosto de 1943, data sua prematura morte com apenas 48 anos de idade. Decorridos quase oitenta anos do início daquela administração, ainda perdura no imaginário popular cratense que Alexandre Arraes foi o melhor prefeito que esta cidade já teve.  

    Caiu-me às mãos, dias atrás, uma Xerox da Monografia Histórica do Crato, uma publicação da administração Alexandre Arraes, com dados colhidos pela Delegacia Regional do Recenseamento Nacional do Brasil de 1940. Naquela época, quando as comunicações eram precárias, a Prefeitura de Crato disponibilizava uma publicação contendo todos os dados atualizados do município, com o resgate histórico, evolução social, informes sobre a população, produção agrícola, comércio, indústria, relevo do solo, hidrografia, riquezas naturais, etc. Com toda a evolução que usufruímos hoje, com todas as facilidades atuais da tecnologia, não dispomos, no presente, de uma publicação similar a que foi produzida no governo de Alexandre Arraes.

     Falar sobre a administração de Alexandre Arraes ocuparia muito espaço. Limito-me a transcrever apenas um tópico da monografia citada, a de número VII, que enumera algumas conquistas da sua competente e honesta administração. A conferir.

“Por iniciativa dos Poderes Públicos, verificaram-se a instalação do Serviço de Água, Luz e força, que veio atender velha aspiração da população, resolvendo um dos mais importantes problemas da infraestrutura da cidade; criação de uma biblioteca pública; construção de um Grupo Escolar Municipal de orientação ruralista; criação de um Horto Florestal para arborizar a cidade e distribuir mudas frutíferas à população cratense; delimitação das zonas agrícolas e pastoris na Serra do Araripe; construção da praça ajardinada Dr. Francisco Sá, com uma majestosa Coluna da Hora, encimada com a estátua de Cristo Rei e uma fonte luminosa, aliás, a primeira construída no Ceará; construção de 14 obras d’arte nas rodovias municipais, instalação de um Posto Antirrábico, pavimentação de quase toda a cidade, arborização de suas ruas, instalação de um projeto piloto para irrigação mecânica no Rio Carás; aquisição de duas propriedades para instalação do campo de sericicultura e construção de moderno e confortável Mercado Público”.

     Ao tempo do Prefeito Alexandre Arraes todas as datas cívicas eram comemoradas com desfiles escolares nas ruas de Crato. Ele mesmo acompanhava ao lado dos estudantes esses momentos cívicos. Como era ele mesmo que, pessoalmente, exercia fiscalização de todas as atividades da Municipalidade. Alexandre Arraes reformou todas as praças da cidade e todas foram dotadas de projetos de jardins. Na Praça Siqueira Campos havia um canteiro de rosas La France.

      Naquele tempo o Rio Granjeiro ainda não tinha virado o canal nauseabundo dos dias atuais. Nas margens daquele rio a Prefeitura plantou bambus. Também a encosta do morro do Seminário foi arborizada para evitar erosão. 

       E tudo isso era feito com critério e honestidade. Sob Alexandre Arraes nunca se ouviu falar em corrupção.

          Enfim, tínhamos uma cidade limpa, bem cuidada, com um administrador de mentalidade à frente do seu tempo. Quanta falta faz um Alexandre Arraes nos dias de hoje...

Quem diria...A Monarquia da Noruega é a mais popular da Europa


     Num continente cheio de monarquias – algumas com milênios de existência –, o Reino da Noruega, é um País jovem. Mas, desde a Idade Média, ao longo de mais de 500 anos, a Noruega já existia,  ora  em união ora com a Dinamarca, ora com a Suécia. Em 1905, ao se tornar independente como nação soberana, o Parlamento da Noruega votou a forma de governo a ser adotada naquele país. A Monarquia foi escolhida por  100 votos contra 4. 

         Nansen, o Presidente do Parlamento, justificou o resultado dizendo:

 – “Optamos pela Monarquia por 3 razões básicas: é muito mais barata, concede mais liberdade, além de ter mais autoridade para defender os interesses nacionais”.

      O Parlamento Norueguês convidou o Príncipe Carl, segundo filho do Rei Frederik VIII da Dinamarca, a subir ao Trono. A escolha do novo Soberano, que se tornou Rei da Noruega com o nome de Haakon VII, foi logo aprovada em referendo popular, no qual 79% dos noruegueses votaram pela Monarquia.

       Popularíssimo, o Rei Haakon VII reinou até sua morte, em 1957, liderando a Noruega nas duas Guerras Mundiais. Sucedeu-o seu filho (nascido, ainda antes da ascensão do pai, quando ainda era o Príncipe Alexander da Dinamarca), adotando o nome de Rei Olav V, que, também muito popular, veio a falecer em 1991, sendo sucedido por seu único filho varão, o atual Soberano, o Rei Harald V, atualmente considerado o Monarca mais popular da Europa. Segundo uma pesquisa de 2012, 93% dos noruegueses aprovavam o desempenho de Sua Majestade enquanto Chefe de Estado. Contando agora com 82 anos de idade, o Rei Harald V tem como imediato herdeiro dinástico seu filho, o Príncipe Herdeiro Haakon, de 46 anos. Este, como todo herdeiro, passou por longos anos de estudos – não só no ensino regular, mas também tendo lições de História, Direito e Relações Internacionais, idiomas e recebendo extenso treinamento nas três Armas – e, de forma mais prática, já exerceu algumas a regência em algumas ocasiões, participa do Conselho de Estado e representa o País em importantes missões diplomáticas e econômicas no exterior. 


Com um Soberano longevo e um herdeiro bem preparado, a Casa Real Norueguesa agora vem deitando especial cuidado sobre a educação da próxima geração, vez que, devido a uma mudança nas regras de sucessão na década de 1990, a filha mais velha do Príncipe Herdeiro, a Princesa Ingrid Alexandra, de 15 anos, será a primeira mulher a ascender ao Trono da Noruega desde sua remota “tia-avó”, a Rainha Margaret I, que reinou sobre a Dinamarca, a Noruega e a Suécia entre 1387 e 1412, no período em que a Escandinávia esteve sob a chamada União de Kalmar.

Se enquanto nas Repúblicas os políticos vêm e vão ao sabor da opinião pública, pensando sempre em um projeto de poder, e não de nação, nas Monarquias, os Príncipes e Princesas, que já nascem, a bem dizer, nos degraus do Trono, são preparados desde a mais tenra infância para exercerem a mais alta das funções humanas, o governo, pois a Coroa, tal como a nação, é perene, e aqueles que a Divina Providência chama a cingi-la devem sempre servir como exemplo e espelho das melhores virtudes de seu povo, velando sobre o bom funcionamento das instituições e inibindo as más-tendências dos homens e mulheres públicos.

Texto baseado numa postagem do Facebook da Pró Monarquia.

Foto: Sua Majestade o Rei Harald V da Noruega, acompanhado de seu filho, Sua Alteza Real o Príncipe Herdeiro da Noruega, e de sua neta, Sua Alteza Real a Princesa Ingrid Alexandra da Noruega.
Postado por Armando Lopes Rafael

15 setembro 2019

Assaré comemora neste dia 15 a festa de Nossa Senhora das Dores

Sobre a Paróquia de Assaré

    Em 1838, no dia 1º de agosto, a região do entorno da atual cidade de Assaré foi criada uma Paróquia, pelo Bispo de Olinda. Entretanto o local escolhido para a sede da paróquia não foi o Assaré, mas Santana do Brejo Grande (atual Santana do Cariri), à época, um lugar despovoado, sem vias de comunicação. Bem ao contrário de Assaré que além de ser mais povoado oferecia melhores condições para a sede da freguesia.

      Somente em 04 de dezembro de 1850, pela Lei Provincial nº.520, é que foi de é transferida a sede de Freguesia de Santana do Brejo Grande para o Assaré. Hoje a Paróquia de Assaré serve de modelo para outras paróquias do Cariri-Oeste. Segundo o site da Diocese de Crato, a Igreja Matriz de Assaré, além dos festejos de sua padroeira – neste dia 15 – experimentou a alegria de ver “a restauração da Imagem da padroeira, Nossa Senhora das Dores, que teve seus traços originais retomados. A Igreja Matriz também passou por reformas no teto, no forro e em toda parte elétrica, iluminação e pintura. De acordo com o pároco, Padre Paulo Costa, foram quatro meses de trabalhos”.

       Abaixo, como ficaram Igreja Matriz e a imagem da Padroeira depois da restauração

Igreja Matriz de Assaré
 Interior da Igreja depois das obras feitas
 Interior da Igreja depois das obras feitas

Altar-mor da Igreja, em madeira-de-lei, Belíssimo!

Imagem de Nossa Senhora das Dores restaurada

Do seriado "Coisas da República"


1 – Justiça Republicana: Casa de Mãe Joana – por Ricardo C. Siqueira  (*)

Este vergonhoso “prende e solta” é o retrato do Brasil: uma chicana. Desmandos, incompetência, falta de consenso e tudo o mais que se aplique à nossa Justiça, que emite sinais de precariedade, calamidade, merecendo mesmo a avaliação de abaixo da crítica. Urge repensá-la, requalificá-la e redemocratizá-la para que desça do pedestal e sente-se à mesa com todos os brasileiros, que merecem, no mínimo, explicações mais francas sobre a febre de autoritarismo e isolamento que acomete o Poder Judiciário.   
                
(*) Ricardo C. Siqueira – e-mail: ricardocsiqueira@globo.com

2 – Mais “mistérios” na Justiça Republicana – por  Aparecida Dileide Gaziolla  (*)

Lendo a notícia de que certo juiz negou a quebra do sigilo bancário e fiscal do deputado federal Davi Miranda (Psol-RJ), substituto do ex-deputado fujão Jean Wyllys,  e “marido”  do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do The Intercept Brazil (Ó tempos, Ó costumes!)  sob a alegação de que isso poderia prejudicar a imagem do indivíduo, gostaria de perguntar, se isso não ofender (ainda...), o porquê de tantos mistérios, segredos e que tais envolvendo este pessoal. Hum... sei não, mas existem mais mistérios entre o céu e os porões do PSOL do que podemos imaginar, não?

(*) Aparecida Dileide Gaziolla – e-mail: aparecidagaziolla@gmail.com

3 – E por falar no deputado Davi Miranda ... – por Nelson Penteado de Castro  (*)

O juiz alegou cautela no caso Davi Miranda! Realmente, é preciso muita cautela ao examinar a modesta movimentação de R$ 2,5 milhões (suspeita, segundo o Coaf) nas contas de um indivíduo que nem conseguiu ter votos suficientes para se eleger e exerce um mandato só porque um parceiro de tramoias renunciou ao cargo para falar mal do Brasil no exterior. Uma vergonha, para não mencionar o fato de que este Miranda é marido de Glenn Greenwald, notório divulgador de notícias obtidas de forma criminosa, mas que devem ter sido muito bem pagas. Quem sabe uns R$ 2,5 milhões?

(*) Nelson Penteado de Castro – e-mail:  pentecas@uol.com.br

Nossa Senhora das Dores nas origens de Juazeiro do Norte – por Armando Lopes Rafael (*)


Hoje é o dia da festa de Nossa Senhora das Dores, Rainha e Padroeira de Juazeiro do Norte. Daqui a oito anos essa tradicional devoção completará 200 anos naquela cidade


    Podemos afirmar, com toda segurança, que a cidade de Juazeiro do Norte teve início como fruto da devoção a Nossa Senhora das Dores. Embora a maioria das pessoas atribua ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte, renomados historiadores afirmam ter sido o cratense Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador do núcleo primitivo, que deu origem da atual cidade. Amália Xavier de Oliveira, no livro O Padre Cícero que eu conheci, esclarece o que motivou a construção de uma capela na Fazenda de propriedade do Brigadeiro Leandro.

“Ordenara-se sacerdote, o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o noveL sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da fazenda, perto da casa já existente. A capela foi consagrada a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem foi trazida de Portugal. (livro citado, páginas 33-35)

    Deve-se, pois, ao Brigadeiro Leandro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – ainda conhecida por Tabuleiro Grande – com a edificação da Casa Grande, de uma capela, além de residências para os escravos e agregados da família. A realidade histórica nos mostra: quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, como sexto capelão, já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores.

      Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. No povoado – à época da chegada do Padre Cícero – residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves. É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela Beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”.

 (*) Armando Lopes Rafael é historiador

14 setembro 2019

Coisas da República


Gilmar Mendes solta mais dois corruptos –  Por Marcelo G. Jorge Feres (*)

Pela terceira vez o ministro do STF Gilmar Mendes concedeu liberdade a dois grandes empresários envolvidos nos desvios de dinheiro público na área da saúde. Mendes usou, novamente, da argumentação de que os fatos criminosos não são contemporâneos (sic).  
Pergunta-se: as mortes e os danos oriundos dos desvios desse dinheiro público são contemporâneos? A impunidade e as injustiças são contemporâneas? A indignação de todos é contemporânea? E, ainda, em todos os tempos futuros esses fatos inexplicáveis do chamado Direito nacional serão contemporâneos? 

(*) Marcelo G. Jorge Feres – e-mail: marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Petrolão: Cortesia com chapéu alheio – por  Izabel Avalonne (*)

Tanto se falou em corrupção na Petrobrás, bilhões e bilhões foram roubados. Quando a Operação Lava Jato levantou o maior esquema de corrupção de que se tem notícia, condenou e prendeu alguns e recuperou uma pequena parte do que foi roubado. Com esse dinheiro recuperado, não faltaram pais para adotar o filho, como a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Câmara dos Deputados. Como dizia minha avó, depois do prato feito não falta quem queira comer. 

E com esse prato pronto chegou a vez de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre o acordo entre PGR, AGU e Câmara. Não é preciso ser mágico para adivinhar: perderão os que investiram na estatal (acionistas) e o povo. Não fosse a força-tarefa da Lava Jato, nada teria sido descoberto. E apesar de todo o esquema de corrupção, ainda há setores que não reconhecem o trabalho realizado, mas na hora de fazer cortesia como chapéu alheio não faltam candidatos. A conferir o que fará o STF. 

(*) Izabel Avalonne  – e-mail: izabelavallone@gmail.com

Grau de corrupção no Brasil – por Paulo Roberto Gotaç (*)

Perturbador, porquanto lamentavelmente verdadeiro, o resultado de pesquisa feita em 27 países dirigida a temas relacionados a populismo e nacionalismo, elaborada pelo Ipsos, uma das mais respeitáveis empresas de inteligência de marcado no mundo, visando a avaliar a imagem que os habitantes têm a respeito do grau de corrompimento de suas sociedades. 

O Brasil, triste conclusão, ocupa a segunda pior posição, atrás somente da Polônia, empatado com a África do Sul. E ainda é retratado como politicamente restrito, a contar com um pouco confiável grupo humano encarregado de conduzir seus destinos, mal qualificado por consistir de autoridades econômicas que primordialmente desenvolvem políticas com foco no favorecimento dos mais ricos e de políticos, que pouco se preocupam com as pessoas comuns. Em resumo, os dados obtidos parecem indicar que temos um longo caminho até atingir uma situação de razoável justiça social e de desenvolvimento sustentável. 

(*) Paulo Roberto Gotaç – e-mail: pgotac@gmail.com

Será realizado o Simpósio “O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação”


Nos dias 3 e 4 de outubro do corrente ano, na sede do Senac, na Praça da Sé, será realizado o I Seminário da Disciplina Etnoconhecimento e Educação Escolar com o título “O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação”, organizado pelo Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri. Nesse sentido, a coordenação do evento tem a satisfação de convidar a todos  a participarem desse Seminário.



Da exaltação da cruz à santidade! – por José Luís Lira (*)



    Todo dia 14 de setembro, os cristãos católicos, celebramos a Exaltação da Santa Cruz. Para mim, uma das melhores definições dessa exaltação, já que no Império Romano era a mais ultrajante forma de condenação, a morte na cruz, é de São Paulo. Ele nos diz em sua 1ª carta aos Coríntios: “... a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Cor 1,18). A celebração tem origem no século IV, quando, a Verdadeira Cruz de Jesus foi descoberta, em 326, pela Imperatriz Santa Helena, mãe do Imperador Constantino I, durante peregrinação à cidade de Jerusalém.

    A santa descobriu as três cruzes usadas na crucifixão de Jesus e dos dois ladrões. Um milagre revelou qual das era a cruz verdadeira, a Vera Cruz de Cristo. Em 13/09/335, ocorreu a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro de Jerusalém e a Cruz foi exposta no dia 14, propondo reflexão sobre Jesus que n’ela sofreu.

     Santo Eusébio, São Cirilo, Santo Ambrósio, foram alguns dos que aclamaram a descoberta da Santa Cruz, mas, Calvino e Lutero zombaram das parcelas da verdadeira Cruz espalhadas pelo mundo como relíquias. Essas parcelas, diziam, dariam para construir um edifício. No livro “Fisionomia dos Santos” (1875), o francês Ernest Hello, conterrâneo do santo padroeiro dos advogados, Santo Ivo, trata de uma pesquisa de Charles Rohault de Fleury, arquiteto francês. Eis a conclusão da pesquisa sobre todas as relíquias da Cruz: “... a cruz de Jesus Cristo deveria ter cerca de cento e setenta e oito milhões de milímetros cúbicos”.

     Diz ele que espalhados pelo mundo há cerca de 15 milhões de milímetros; o que não perfaria a décima parte da cruz e afirma que a Cruz tem madeira resinosa e provavelmente fora feita de pinheiro. A elevação da Santa Cruz refere-se à mudança de signo da Cruz, de infame para sinal de vitória. Para nós, cavaleiros e damas da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém é dia indulgenciado e de celebração.

    
    Nós, sobralenses, presentes à Missa da Sé das 18h30min deste dia, glorificaremos a Jesus que na Santa Cruz se ofereceu pela salvação da humanidade e daremos graças pela abertura oficial da Causa de Beatificação e de Canonização do Servo de Deus Joaquim Arnóbio de Andrade (foto ao lado), com a presença do Sr. Bispo Diocesano, Dom Vasconcelos, clero, religiosos e religiosas, com destaque às Madres Antonieta Portela, atual, Odete Neves, emérita, e Maria de Jesus que também foi Madre das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, e todo o povo de Deus, além do Tribunal constituído, tendo a participação do postulador, Dr. Paolo Vilotta; Pe. Agnaldo Temoteo da Silveira, juiz da causa; Dr. Ronaldo Frigini, juiz civil; Pe. Nonato Timbó de Paiva, promotor; Margarida Almeida Lopes, leiga; e Pe. João Paulo Aguiar Bezerra, vice-chanceler. A Comissão Histórica será constituída pelo Cavaleiro José Luís Lira, Dra. Ana Lúcia Frigini e Ir. Carminda Carvalho.
    Após esta importante celebração, haverá o traslado dos restos mortais do Mons. Arnóbio que estavam na Igreja do Menino Deus, atualmente em manutenção, para a Capela de Santo Antonio, na Rua Pe. Fialho, tornando mais acessível aos fiéis, até que possam retornar ao Menino Deus. Ao final entoaremos: Vitória, tu reinarás; oh Cruz, tu nos salvarás!



   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

13 setembro 2019

Rotas de fuga - Por: Emerson Monteiro


Depois dos tempos atuais, na hora morta de depois, virão as feras que buscavam regressar às cavernas primitivas sob cujas paredes desenhavam as primeiras magias simpáticas antes de saírem à caçada dos bisões. Sim, são essas as rotas de fuga de nós mesmos diante do silêncio do futuro. Correr aonde o tempo perca seu império e dormir na cama que escolhessem, de Manuel Bandeira. Anoitecer e não amanhecer face ao movimento dos astros lá de longe nas marés dos oceanos. Olhar o verde das matas e sorrir aos sonhos da véspera, na firmeza de que a saudade acalmaria e os momentos deixariam de doer tanto. Apaziguar, pois, o mistério de existir e aceitar tão só o ser de que somos semente.

Sumir no limbo da solidão e viver contente qual vocação das esferas de que compomos o quadro sideral. Amar, afinal, porquanto outro sentido não restará a todos os bichos e objetos. Adotar o impossível numa espécie de norma de sobrevivência, no entanto ciente de que os laços da matéria foram apenas laços da matéria, rompidos e úteis naquele período quando a humana consciência buscava a porta de sair rumo das estrelas.

Chegar em casa, eis o objetivo das naus nos mares bravios da incoerência. Passo ante passos e a história que faz transcorrer as lutas insanas. E o porquê disso tudo ficará distante aos olhos de quem escolhe as alternativas de repetir os mesmos corredores da Antiguidade Clássica. Enquanto realizavam o roteiro da libertação, eles venderam a alma tantas vezes, a ponto de querer possuir a propriedade de si, sem contudo nem conhecer os meandros da natureza mãe.

Agora desejam a qualquer custo receber donativos da sorte e salvar do inevitável os frutos que hão de colher. Buscam as raízes do que não plantaram. Ou plantaram. Autores reais da criação e do futuro dormem de olhos fixos nos pratos que balança o Destino.

11 setembro 2019

Reflexões sobre o Crato nos tempos monárquicos e republicanos



Oficialmente o Crato tem 279 anos de existência



   Mais da metade desse tempo, a população cratense viveu sob o regime da Monarquia (1740–1889, ou seja, 149 anos) e o restante (1889-2019, ou seja,  130 anos) sob a forma de governo republicana. Mas, no imaginário do cratense, não ficou nada marcado da atual República. A começar pelas comemorações populares. O aniversário do golpe militar que implantou a República – em 15 de novembro de 1889 – nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de setembro, 21 de Junho, 1º de setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de março (São José) festeja as datas de São Francisco, dentre outras. Agora, “comemoração” no dia 15 de Novembro – data da “Proclamação” da República – nunca se viu.

Lançamento da mais completa biografia da Princesa Isabel

    Por falar em monarquia, o Instituto Cultural Dona Isabel a Redentora, sediado em Brasília, e a editora Linotipo Digital, de São Paulo, lançarão no próximo dia 28 de setembro – aniversário da Lei do Ventre Livre, em 1871, e também da Lei dos Sexagenários, em 1885 – o maior livro já escrito sobre a “Princesa Isabel”, no próprio palácio onde ela residia, em Petrópolis (RJ). A obra tem 888 páginas e mais de 70 ilustrações.

    O nome do livro é pomposo, como a biografada: “Alegrias e Tristezas: estudos sobre a autobiografia de D. Isabel do Brasil”.  Fruto de mais de vinte anos de pesquisas da historiadora e arquivista Maria de Fátima Moraes Argon e do historiador e advogado Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, o livro contém muito material inédito para os leitores que, nas últimas décadas, foram apresentados a uma princesa ora alienada, ora inapta e, por fim, praticamente ausente do processo que levou ao fim da escravidão no Brasil. Ponto alto dos estudos que Bruno chama de “isabelistas” é identificar que o golpe da República em 1889 não foi contra D. Pedro II e sim contra a filha, que no Pós-Abolição poderia ter sido a real garantidora dos direitos dos negros.

 Influência da imperatriz exilada

Mausoléu da Família Imperial, no interior da Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis. Lá, se acham sepultados os Imperadores Pedro II e Teresa Cristina e a Princesa Isabel e o Conde d'Eu

   Nesse livro existe documentos inéditos mostrando que mesmo do exílio a Princesa Isabel influiu na vida social brasileira, de modo restrito. Foi dela a “promessa”, em pleno momento do banimento da família imperial, de que no alto do Corcovado seria erguida uma estátua a Jesus Cristo. Suas amigas fiéis, no Rio de Janeiro, sobretudo a filha do Almirante Tamandaré, idealizaram o Cristo Redentor, na década de 1900, algo que absolutamente nunca se comentou. O monumento teria ainda uma estátua em tamanho menor da Princesa Isabel como “redentora” do Brasil. 
   As novas autoridades republicanas não incentivaram essa outra estátua. Por fim revela-se, no livro, que a adesão à República de 1889 não foi grandiosa como se acredita e que muitos nobres, sobretudo os titulados pela princesa em suas regências, morreram desgostosos, no ostracismo, sem jamais reentrar para a política.

Crato não possui nenhuma rua com o nome da Princesa Isabel

   Diferente de Juazeiro do Norte e Barbalha, a cidade de Crato não possui nenhuma rua denominada de “Princesa Isabel”. Existem na Cidade de Frei Carlos três ruas, denominadas oficialmente de “Imperador Dom Pedro I”, “Pedro II” e “Imperatriz Leopoldina”. Mas nenhuma homenageando a Princesa Isabel. Quando será que os vereadores de Crato terão sensibilidade de corrigir essa injustiça?

Sobre a Rua Imperatriz Leopoldina

    Oficialmente, existe em Crato a Rua Imperatriz Leopoldina (foto ao lado). Trata-se de uma artéria urbana, com início paralelo ao lado direito da Avenida Padre Cícero – sentido Crato-Juazeiro. A Rua Imperatriz Leopoldina dá acesso ao Parque Getúlio Vargas/Morro da Coruja, localizado no atual bairro Nossa Senhora de Fátima (ex-Barro Branco). a denominação dessa rua foi dada através da Lei nº. 1.774 de 10 de junho de 1998, aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pelo então prefeito Raimundo Bezerra. Até hoje não foi providenciada as placas para serem colocadas nessa rua localizada no atual bairro Nossa Senhora de Fátima.

Por: Armando Lopes Rafael

09 setembro 2019

FIQUE POR DENTRO !- Por Maria Otilia

 A Lei Maria da Penha será implementada nas escolas da rede municipal do Crato. Esta ação efetiva do estudo da lei, de forma didática vai proporcionar aos estudantes, conhecer e discutir na sala de aula, bem como a formação da cultura do respeito, da cidadania  , da valorização da vida, em especial das mulheres e situação de vulnerabilidade. Participemos deste Seminário que será realizado no dia 11 de agosto. 

08 setembro 2019

Dom Pedro I: a real face de um Herói da Pátria – por José Luís Lira


    Nos últimos tempos temos uma fragilidade danada de verdadeiros heróis. Dom Pedro I é um destes grandes heróis que necessitam de maior reconhecimento de todos. Dom Pedro se apaixonou de tal modo pelo Brasil que promoveu a nossa Independência de Portugal, rompendo relações com um reino do qual era herdeiro. Tornou o Brasil um Império e ao invés de declarar-se Imperador, foi aclamado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil.

    Desde que comecei a conversar com o amigo Cícero Moraes, manifestei-lhe o desejo de ver a real – literalmente real - face de Dom Pedro I. Um dia deu certo. Fizemos. Contamos com o apoio de muitas pessoas, entre as quais a querida madrinha Rita de Sá Freire e seu marido Dr. Antônio Augusto, Dra. Hayley Rocco, Dr. Sepúlveda e, é claro, dos descendentes do Imperador, D. Luiz de Orleans e Bragança e D. Bertrand de Orleans e Bragança.

     Foi um trabalho de amor ao Brasil e ao fundador da Pátria Amada, Dom Pedro I, que tive a honra de coordenar e foi executado pelo maior designer 3D do Brasil, Cícero Moraes, com perícia do Dr. Marcos Paulo Salles e arte, no busto, da grande artista Mari Bueno.
Salve ao nosso primeiro Imperador, Dom Pedro I, herói brasileiro!

Fonte: Face book do Dr. José Luís Lira

07 setembro 2019

Notícias do sábado

Monarquistas realizam o 4º Bandeiraço Nacional da Independência

Neste sábado, 7 de setembro, Dia da Pátria, por ocasião das comemorações dos 197 anos da proclamação da Independência do Brasil, participarão – de Norte a Sul, de Leste a Oeste do Brasil – do IV Bandeiraço Nacional da Independência. Em um dia em que tantos e tantos veteranos e jovens monarquistas irão às ruas com suas Bandeiras do Império e outros materiais visando esclarecer a opinião pública acerca das vantagens do regime monárquico. 

Com toda certeza, mais este Bandeiraço Nacional da Independência será uma grande oportunidade não só de honrarmos a rica e gloriosa História de nossa Pátria, mas também de mostrar que um número cada vez maior de brasileiros, sobretudo os mais jovens, vê com grande simpatia a restauração do regime monárquico como uma solução natural para os problemas que afligem o nosso tão querido, e hoje tão sofrido Brasil.
Na foto, Bandeiraço em Cuiabá (MT) em 2018

No próximo sábado, 13 de setembro, Madre Feitosa chegará aos 98 anos de idade

 Por se encontrar atualíssimo, transcrevo abaixo, excertos da crônica publicada no dia 13 de setembro de 2007, sobre Madre Feitosa, escrita por Prof. Carlos Rafael Dias, professor da URCA e doutorando em História pela Universidade Federal Fluminense:

“Hoje é um dia de júbilo para a cidade do Crato. Madre Feitosa completa 86 anos de vida (NR– neste 2019 ela chega aos 98 anos) com a graça e as bênçãos de Deus. Pela sua extrema generosidade e vida dedicada ao serviço religioso e à caridade, Madre Feitosa é uma unanimidade. A simplicidade é a sua grande característica, o que lhe imprime, indubitavelmente, a marca maior do verdadeiro cristão. Não poderíamos deixar de prestar homenagem a esta mulher exemplar, e o faz numa forma de agradecimento pela contribuição diuturna que ela presta à nossa cidade e ao mundo. Parabéns Madre Feitosa”.

***   ***   ***
"Abaixo, sua biografia, escrita pelo jornalista J. Lindemberg de Aquino e publicada na revista especial do Rotary Club do Crato, editada por ocasião da entrega da Comenda do Mérito Rotário Jefferson de Albuquerque e Souza a Madre Feitosa, no último dia 22 de julho de 2007:

"Maria Carmelina Feitosa nasceu em Tauá, em 13 de setembro de 1921, filha de Crispim Morais e Maria Josina Feitosa de Morais. Quando criança foi aluna da professora Maria Dólares Petrola de Melo Jorge, cuja lembrança a acompanha até os dias de hoje, num misto de exemplo indelével e grande admiração. Madre Feitosa costuma recordar que aquela professora lhe proporcionou tudo, incluindo uma excelente formação cristã.

"Com este rico incentivo, Maria Carmelina Feitosa cursou o ensino secundário e o curso normal no Colégio Santa Teresa, ingressando depois na Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus. Ali, iniciou a prática do magistério, sempre voltada para os princípios cristãos, com destaque para a fé e a caridade.

"Foi diretora do Colégio Santa Teresa de Jesus, secretária geral da Congregação, sendo eleita vice supervisora geral em três mandatos consecutivos, num total de dezoito anos.
Em 1961, assumiu a direção da Casa de Caridade de Crato, Ginásio Madre Ana Couto e do Patronato Padre Ibiapina, pertencentes a Diocese de Crato.

"Graduou-se em Pedagogia pela antiga Faculdade de Filosofia de Crato, tendo também lecionado nessa instituição de ensino superior. Em 1969, fundou o Colégio Pequeno Príncipe, que nasceu da sua vocação de educadora e que cresceu sob sua orientação. Hoje, o Colégio Pequeno Príncipe é intitulado o “Colégio do Cariri”, tanto pela excelência do seu ensino como pelo projeto pedagógico ali implantado.

"Madre Feitosa ainda hoje mantém a Casa de Caridade de Crato, entidade concebida e criada, no terceiro quartel do século 19, pelo Padre Ibiapina, um homem e um religioso à frente do seu tempo.
Como este, Madre Feitosa também é uma mulher à frente do seu tempo. Tanto como educadora, administradora e religiosa, que enxerga no seu semelhante, principalmente, a dignidade humana; e a quem vem prestando – há longas décadas – um serviço generoso e gratuito, notadamente aos mais carentes e necessitados”.

Nova concessionária do Aeroporto de Juazeiro do Norte procurou Banco do Nordeste para se informar sobre financiamento de melhorias naquele terminal 

Fonte: “Diário do Nordeste”

A espanhola Aena Desarrollo Internacional, nova concessionária do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, de Juazeiro do Norte, já procurou o Banco do Nordeste (BNB) para conhecer as linhas de financiamento para as obras de expansão do terminal do Cariri cearense e demais terminais arrematados pela companhia. A informação foi confirmada pelo presidente do BNB, Romildo Rolim, que acrescentou que ainda não há nada definido entre as partes. Ontem (6), os vencedores do leilão da 5ª rodada de aeroportos participaram em Brasília de assinatura dos contratos de concessão com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

06 setembro 2019

Crato tem uma Rua Imperador Dom Pedro I – por Armando Lopes Rafael



   Existe no conjunto habitacional Mutirão (localizado logo após o bairro Alto da Penha) em Crato, uma pequena rua denominada Imperador Dom Pedro I. Essa justa denominação deveu-se a um projeto do então vereador Emerson Monteiro, aprovado em 1992, e atendeu aos pedidos de monarquistas cratenses feitos aquele edil, o qual – diga-se de passagem –, teve uma honrada e fecunda atuação na Câmara Municipal de Crato.

    Dom Pedro I, na opinião de João de Scantiburgo, foi “O maior clarão do Novo Mundo”! Já o historiador Pedro Calmon escreveu que o primeiro imperador brasileiro foi “O maior príncipe do mundo no século XIX”. São opiniões modestas sobre Dom Pedro I! Este, (que aos 24 anos de idade garantiu lugar na história como o homem que fez a Independência do Brasil), por sete vezes recusou outras coroas que lhe foram oferecidas por três países: Grécia (1822 e 1830); Portugal (1826 e 1834) e Espanha (1826, 1829 e 1830). Nessas ocasiões optou por continuar no que ele chamava “Meu amado Brasil”...

    Na vida privada Dom Pedro I foi militar autodidata, poeta, músico, jornalista, geopolítico, abolicionista, liberal, legislador, marceneiro, domador de cavalos, um espírito versátil e intuitivo, leal aos amigos, franco e sincero para com todos. Hoje só fala nas suas conquistas amorosas, como se isso fosse um desdouro para um homem viril, do porte de Dom Pedro de Alcântara.

    Deve-se a Dom Pedro I, dentre tantas e tantas coisas que ainda hoje marcam o Brasil, o Hino da Independência (de sua autoria) a Bandeira do Brasil Império (a qual, com algumas medíocres adaptações, é a mesma da atual República), as cores nacionais: o verde (da Casa de Bragança) e o amarelo (da casa de Habsburgo da Imperatriz Leopoldina); a Constituição de 1824 (a que mais durou – 67 anos – dentre as sete que já tivemos) e o início das nossas poderosas Forças Armadas. Graças a tudo isso o Brasil não se fragmentou em dezenas de republiquetas insignificantes como ocorreu na América Espanhola.

     Sobre a Constituição Imperial de 1824 os mais desavisados dizem que ela foi “outorgada”. Desconhecem que a mesma foi submetida à aprovação de todas as Câmaras Municipais do Brasil, incluindo a de Crato, cidade que – graças ao vereador Emerson Monteiro – denominou uma rua, no arrabalde do Mutirão (antigo Cafundó), de Imperador Dom Pedro I...

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Pátria Amada Brasil! – por José Luís Lira (*)

    O País celebra os 197 anos de Independência do Brasil. Nossa Pátria é jovem e sua independência foi promovida por gente mais jovem ainda, posto que tinha 24 anos incompletos, o jovem Príncipe Regente do Brasil e herdeiro do trono de Portugal, cidadão português, Dom Pedro, que chegara ao Brasil em 1808, aos 10 anos. Contrariando seus patrícios, Dom Pedro proclamou a independência do Brasil e de Colônia o transformou em Império.

     Corria o ano de 1822, no dia 7 de setembro, o libertador chegava às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, que apresentava problemas políticos que fizeram o Príncipe ir apaziguar os ânimos. No Rio de Janeiro, cinco dias antes, a Princesa Leopoldina de Áustria, Regente do Brasil, presidiu a reunião do Conselho de Ministros que aprovara a Independência, a separação do Brasil de Portugal.

A futura Imperatriz enviou uma carta a Dom Pedro, além de comentários de Portugal criticando a atuação do marido e de Dom João VI, exigindo o retorno de Dom Pedro e de sua família a Portugal, o que ele rejeitara antes. Ela, então, recomendou que Pedro proclamasse a Independência e, na carta, o advertiu: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". D. Pedro I, corajosamente, realizou a Independência e nos tornamos uma nação soberana. Passavam-se apenas 322 anos de nossa descoberta. Nosso povo já falava a língua que se constitui a última Flor do Lácio, o Português, mas, com peculiaridade brasileira.

     Nossa bandeira foi feita com o verde da Casa de Bragança, de Dom Pedro I, e o amarelo da casa de Habsburgo, de Dona Leopoldina. Musicista que era, o Imperador compôs melodia à letra do poeta Evaristo da Veiga, cujo refrão nos estimula: “Brava Gente Brasileira/ Longe vá, temor servil;/ Ou ficar a Pátria livre,/ Ou morrer pelo Brasil”. O Hino Nacional, em sua estrofe inicial, exalta a grandeza do feito de 1822: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/ De um povo heroico o brado retumbante,/ E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,/ Brilhou no céu da Pátria nesse instante”.

     Aproveito o tema para registrar que semana passada tive a grata alegria de conhecer o Museu do Corpo de Fuzileiros Navais, localizado na Fortaleza de São José – Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Eu estava acompanhado do defensor público federal cearense, Carlos Eduardo Paz, meu amigo e colega de turma na Faculdade de Direito. Fomos recebidos pelo Comandante Alexandre Barbosa, contando com a mediação do Capitão de Corveta (T) Valdir Gouvêa, encarregado do Museu do CFN e participação de outros militares, entre os quais o restaurador Rodrigo Schneider, do CFN, aos quais agradeço e elogio publicamente pelo trabalho que desempenham.

      Fiquei deveras emocionado com a homenagem que aqueles Heróis da Pátria fizeram à sua Madrinha que também é minha, Rachel de Queiroz, que tem busto no Museu, o mais fiel da imortal que já vi. E com as sempre sábias palavras da eterna Rachel de Queiroz, presentes no final do livro “Fuzileiros Navais – Da praia de Caiena às ruas do Haiti”, do Almirante Carlos Augusto Costa, não sem antes ecoar um Viva à Pátria, concluo este texto: “Quando se houverem acabado os soldados no mundo - quando reinar a paz absoluta - que fiquem pelo menos os fuzileiros como exemplo de tudo de belo e fascinante que eles foram!”.

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

01 setembro 2019

A História do Brasil que não é mostrada aos estudantes: os fuzilamentos da ilha de Anhatomirim – por Armando Lopes Rafael


    Poucos brasileiros sabem como foi o início da “República dos Estados Unidos do Brasil” (este era o nome oficial do nosso país depois do golpe militar de 15 de novembro de 1889). Os primórdios do regime republicano brasileiro ficaram registrados na história como “A República da Espada”.

      Entre os anos de 1889 –1894, o Brasil foi governado por dois marechais: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Nenhum foi eleito pelo povo. O Brasil viveu, naquele tempo, um regime ditatorial. Durante aquele período eram comuns os levantes populares contra a República, os quais eram respondidos com violentas repressões.

        Com a renúncia à Presidência do Brasil, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto (foto à direita)  presidiu o Brasil de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894. Segundo a constituição republicana (imposta pelos militares) o vice-presidente só poderia assumir se o presidente anterior tivesse governado por mais de dois anos. Ora, Deodoro só governou 6 meses e renunciou por pressão dos seus colegas do Exército. Pressionado também a renunciar, Floriano respondeu com uma virulência como nunca houve registro na nossa história.

          A oposição queria a convocação de novas eleições. Floriano, no entanto, reprimiu todos os protestos contra ele e contra a nascente República.  Logo no início, adotou medidas para enfraquecer e combater os monarquistas. Muito sangue correu para abafar esses protestos. Iniciada no Rio de Janeiro, a chamada “Revolta da Armada” foi um movimento ocorrido em 1893, liderado por algumas unidades da Marinha Brasileira contra o governo republicano.

        Naquele episódio muitos cadetes monarquistas foram mortos a fio de espada, por ordem de Floriano Peixoto. Depois, esse sanguinário marechal derrotou também outra rebelião surgida no sul do País contra a República: a “Revolução Federalista”. Esta foi um conflito de caráter político, iniciado no Rio Grande do Sul entre os anos de 1893 e 1895, que desencadeou nova revolta armada. Esta atingiu também os estados do Paraná e Santa Catarina. Muito sangue também foi derramado nesta rebelião.

***   ***   ***

     A propósito, existe no litoral Norte do Estado de Santa Catarina uma ilha curiosamente chamada de “Anhatomirim". No idioma Tupi “Anhatomirim"  quer dizer "pequena ilha do diabo". Um nome apropriado!
 
A ilha de Anhatomirim, em Santa Catarina
      A ilha de Anhatomirim, era o local para onde os monarquistas brasileiros (ou o que que não aceitassem o golpe republicano) eram levados  e fuzilados, em 1894,  a mando do então Presidente Marechal Floriano Peixoto. Naquele tempo, a mídia brasileira (ainda hoje a mídia mais sórdida do mundo), bajulava o ditador Floriano Peixoto chamando-o de “Marechal de Ferro”. Em 1894, a capital do Estado de Santa Catarina tinha o nome oficial de Desterro. Para humilhar ainda mais seus opositores. Floriano Peixoto mudou o nome da capital para “Florianópolis” (ou seja, Cidade de Floriano). E quem desafiasse o “Marechal de Ferro” era mandado para a da ilha de Anhatomirim.