03 agosto 2019

Crônica do fim-de-semana

 Um general francês em terras caririenses -- por Armando Lopes Rafael

    


       O General Pierre Labatut foi um militar francês que deixou seu nome inscrito na história. Ele participou das Guerras Napoleônicas, entre 1807 e 1814, tendo atuado na Península Ibérica. Também combateu na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, ao lado do Marquês de La Fayette.  Atuou, ainda, na Colômbia, ao lado de Simon Bolívar. Finalmente, Labatut veio para o Brasil, contratado no posto de Brigadeiro pelo Imperador Dom Pedro I, dada a escassez de oficiais experientes no Exército Brasileiro, recém-organizado pós independência, e para ajudar na guerra da nossa independência. Aqui, Labatut ordenou o Exército Pacificador e combateu as tropas leais a Portugal, – contrárias a nossa independência – na Província da Bahia. E lutou na Revolução Farroupilha, já no período das Regências.

      Em 7 de julho de 1832, a Regência que governava o Império do Brasil designou o General   Labatut para chefiar uma expedição ao Ceará. Tinha ele por objetivo prender o caudilho Pinto Madeira e devolver a paz aos habitantes da Província. Chegou Labatut ao nosso Estado no dia 23 de julho, trazendo 200 homens, quase todos negros. Mas somente em 31 de agosto, veio ele ao teatro da chamada “Guerra do Pinto”, iniciando sua missão pela Vila de Icó. Encontrou a revolta praticamente encerrada, graças ao empenho do presidente da Província do Ceará, José Mariano de Albuquerque.

    Em setembro, Labatut já estava no Cariri, fazendo seu quartel no Sítio Correntinho, (localizado no município de Barbalha). Dali ele lançou uma proclamação aos revoltosos convidando-os à rendição, mediante promessa de clemência. Ofereceu garantias de vida a Pinto Madeira e ao Padre Antônio Manuel de Souza para estes se entregarem, o que ambos fizeram, em 12 de outubro de 1832, com a promessa de serem enviados ao Rio de Janeiro, onde teriam um julgamento imparcial.

     Chegando ao Cariri, Labatut logo sentiu o exagero das notícias chegadas à capital do Império sobre a “Guerra do Pinto". Constatou ele que Pinto Madeira, mesmo obtendo algumas vitórias, nunca ultrapassou os limites de Icó. A capital da província, os portos cearenses, a rota entre Aracati e Icó nunca saíram das mãos do governador da Província. Além do mais, Labatut não precisou derramar uma gota de sangue cearense, pois a Guerra do Pinto já havia sido vencida pelo governador da província, José Mariano. Tudo isso tranquilizou o general francês pois sua missão não necessitava promover lutas e sim viabilizar o apaziguamento da população.

Foi o que ele fez, tendo oportunidade de cumprir, com isenção, sua missão. Para evitar que os dois chefes rebeldes fossem massacrados por seus inimigos do Ceará, enviou-os a Recife, sob a guarda de um oficial de sua plena confiança. Em 14 de outubro, Labatut fez um equilibrado e sereno ofício ao Ministro da Guerra da Regência, pedindo um julgamento imparcial para Pinto Madeira. alegando:  

   “Como, pois, poderão ser julgados os réus por juízes inçados da mesma opinião dos partidos que assolam a província? Por isso rogo a V. Excia. se digne de atender ao meu último oficio do Icó, em que, conhecendo cabalmente os males que acabrunham a nova comarca do Crato, eu pedia juízes íntegros, justos e sábios por não haver um só letrado, em toda ela, os de paz e ordinários são mui leigos e pertencem a um e outro partido”. (...)    

        Infelizmente, não atenderam ao pedido do General Labatut. E o desenrolar do julgamento de Pinto Madeira foi a aberração jurídica como atestam os registros da história...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.