06 junho 2019

Caririensidade


Em que lugar da cidade de Crato nasceu o Padre Cícero?

     Duas versões são defendidas, entre os historiadores regionais, no que diz respeito a residência onde teria nascido – na cidade do Crato – o Padre Cícero Romão Batista. A primeira versão - defendida por Irineu Pinheiro - diz que o famoso sacerdote veio ao mundo numa casa, lado do sol, existente na atual Rua Miguel Limaverde. A casa pertencia ao coronel Pedro Pinheiro Bezerra de Menezes, e posteriormente fora desmembrada em duas residências. Ambas demolidas, quando do alargamento daquela rua, na fúria insana de destruir o que resta do patrimônio arquitetônico do Crato, e para dar lugar à passagem de veículos automotores. A outra versão, defendida pelo historiador Padre Antônio Gomes de Araújo – a que nos parece mais certa – defende que o Padre Cícero nasceu numa casinha, no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal Bom Pastor, na atual Rua Dom Quintino, à época Rua das Flores.


     Irineu Pinheiro defendia o imóvel da Rua Miguel Limaverde, como o local do nascimento do Padre Cícero, baseado em depoimento de uma escrava da família do famoso sacerdote, conhecida como “Teresa do Padre”, mulher humilde e bastante estimada na cidade de Juazeiro do Norte, onde gozava a fama de uma pessoa virtuosa e de credibilidade. 

A versão do Padre Antônio Gomes de Araújo


Palácio Episcopal Bom Pastor, na cidade de Crato, cuja fachada 
vem passando por restauração para voltar  ao desenho original.
Neste local teria nascido o Padre Cícero.

     Esse sacerdote escreveu: “Teresa do Padre, já começava a mergulhar no crepúsculo da própria memória, cuja desintegração começara”, quando fez a afirmação a Irineu Pinheiro.  Ou seja, a boa velhinha caminhando para os cem anos de idade, já não dominava mais a própria memória, deficiência física a que estamos sujeitos todos nós, os seres humanos, quando a velhice nos domina. 

     Mas a versão de que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, onde hoje é o Palácio do Bispo, teve outros defensores. Segundo depoimento prestado pelo cônego Climério Correia de Macedo ao Padre Antônio Gomes de Araújo, e incluído no livro “A Cidade de Frei Carlos”, o cônego declarou: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero numa casa que foi substituída pelo palácio de Dom Francisco" (referia-se ao Palácio Episcopal, já mencionado, construído por Dom Francisco de Assis Pires, segundo Bispo da Diocese do Crato).

      E continua Padre Gomes no seu livro citado: “É corrente que, no chão em que se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”. 

     Assim, tudo está a indicar que o Padre Cícero veio ao mundo na casinha simples, entre fruteiras, localizada no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal Bom Pastor, atualmente em serviços de restauração da sua bonita fachada, que voltará a ter o aspecto original da década 40 do século passado. 

Boa notícia: Palácio Episcopal Bom Pastor está sendo restaurado


 Fachada original do Palácio Episcopal Bom Pastor na década 40 do século passado

    Segundo o arquiteto e engenheiro responsável pela obra de restauração da fachada do Palácio Bom Pastor, Waldemar Arraes de Farias Filho, a finalidade desse trabalho é preservar a edificação na sua forma original. Segundo Waldemar: “O estilo arquitetônico será completamente mantido contribuindo para a preservação da história do edifício”. O certo é que este prédio histórico continuará sendo uma segunda opção para a residência oficial dos bispos da Diocese de Crato, enquanto a parte burocrática continuará funcionando na Cúria Diocesana, situada na Rua Teófilo Siqueira. Esta, fica atrás do velho palácio. Ambos os prédios possuem comunicação interna.


       Seria muito oportuno que o Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes mandasse confeccionar uma placa, para ser colocada na fachada do Palácio, informando que ali nasceu o Padre Cícero.

O Bispo-emérito de Crato
    
         Duas notícias (boas) sobre Dom Fernando Panico, 5º Bispo de Crato e responsável pela reconciliação da Igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Primeira: desde 21 de maio último e até o próximo dia 18 de junho, Dom Fernando permanecerá recluso no Mosteiro São Bento, no Rio de Janeiro. Lá, Dom Fernando se prepara para ser um “oblato secular beneditino”.

     O “Oblato beneditino” é um cristão que, impulsionado pelo desejo de levar uma vida mais perfeitamente de acordo com o ideal do Evangelho, filia-se àquela família monástica, por um laço de ordem espiritual, a fim de poder, graças a esta filiação, participar dos bens espirituais daquela comunidade. Com isso, consolida uma comunhão vital, um acréscimo de fervor e de generosidade no serviço de Deus. Dom Fernando sempre teve profunda admiração pela Ordem de São Bento. E até pensou em ser beneditino antes de sua ordenação sacerdotal na congregação dos Missionários do Sagrado Coração.

Segunda notícia

       Pelos próximos três anos (2019–2021), Dom Fernando Panico será pároco (6 meses a cada ano) da Paróquia do Sagrado Coração do Sufrágio. Esta é a única igreja de Roma construída em estilo gótico e pertencente aos Missionários do Sagrado Coração. Dom Fernando ficará morando em Roma de novembro a abril. A igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano. Mas, o mais interessante, é que revelo a seguir.  Na igreja que Dom Fernando vai ser pároco, existe um Museu das Almas do Purgatório. Estão expostos lá uma coleção de sinais do além, deixados por essas almas, que na maioria das vezes apareceram ardendo internamente a parentes ou irmãos de religião. Sempre pedindo orações para saírem do Purgatório, onde pagavam penas devidas a seus pecados, antes de irem para o Céu. Os brasileiros que visitarem Roma entre novembro e abril poderão visitar Dom Fernando e conhecer o único museu do mundo ligado ao tema do purgatório.

Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio,
em Roma, que terá Dom Fernando Panico como Pároco

Seminário sobre o Crato de Portugal e o Crato do Brasil
O Crato português, situado na região do Alentejo
O Crato brasileiro, localizado no Cariri cearense

     Será realizado, na cidade de Crato, nos dias 3 e 4 de outubro de 2019, o Seminário "O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação". O evento ocorrerá no Senac de Crato, como parte da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar”, ministrada na Universidade Regional do Cariri–URCA, pela professora Ariza Rocha. Esta, coordenará também o mencionado Seminário, que se propõe a divulgar fatos relacionados as duas cidades; a portuguesa e a brasileira.

      A história nos ensina que a atual cidade brasileira de Crato foi fundada em 1740, a partir da criação da Missão do Miranda. Essa “missão” surgiu para o aldeamento das populações indígenas que viviam no vale do Cariri. Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à vila homônima, existente na região do Alentejo, em Portugal. Com isso se cumpria o “Aviso de 17 de junho de 1762”, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. 

        Já o Crato português é uma vila do Distrito de Portalegre e fica localizada na região do Alentejo. O Crato português foi conquistado dos mouros, em 1160, pelas tropas de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. 

Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, em Crato, será ampliada
Procissão de Nossa Senhora de Fátima que acontece no dia 13 de maio em Crato

   É antiga e intensa a devoção a Nossa Senhora de Fátima na cidade de Crato. O médico-historiador Irineu Pinheiro – no seu clássico “O Cariri”, página 272 – registra o abaixo transcrito:

 “No dia 3 de outubro de 1942 à tarde, trouxeram em procissão da Sé para o novo templo (igreja de São Vicente Ferrer) em andores, as imagens de São Vicente Férrer e Nossa Senhora de Fátima, em meio de fogos, vivas e palmas entusiásticas”. Noutro livro, “Efemérides do Cariri”, Irineu Pinheiro assim descreve a visita, em 1953, da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à cidade de Crato: “Foi a maior manifestação religiosa a que assistiu o Crato desde sua fundação”.   

     Fruto dessa visita, entre outras coisas, foi a inauguração, em Crato, do Aeroporto de Fátima (em plena Serra do Araripe) e a construção da Igrejinha de Fátima, localizada na Rua Nossa Senhora de Fátima, no Pimenta. Em 1967, o Prefeito de Crato, Humberto Macário de Brito, construiu um monumento a Nossa Senhora de Fátima, no velho Aeroporto, cuja escultura é de autoria do renomado escultor jardinense, José Rangel. Recentemente, foi inaugurada em Crato a maior estátua, de todo o mundo, de Nossa Senhora de Fátima. O bairro onde se ergue este monumento também foi denominado oficialmente de “Nossa Senhora de Fátima”.

      No último dia 13 de maio, foi anunciado que igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, sede da paróquia (a única com essa denominação na Diocese de Crato) vai ser ampliada numa campanha que envolverá todos os devotos da Virgem de Fátima na cidade de Crato.

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