30 junho 2019

“Tchau, Sofá”! – por Armando Lopes Rafael

Palavras por mim pronunciadas, na noite de sábado, 29 de junho – no Cariri Shopping – fazendo a apresentação do livro “Tchau, Sofá”, de autoria do Dr. Leonardo Távora

 Médico Francisco Leonardo Garcia Fernandes Távora

     Quem nunca escutou aquele provérbio, definindo as iniciativas de uma pessoa para deixar marcada sua passagem por esta terra: “escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho”?  Pois, agora, Leonardo Távora completou essa tríplice exigência. Se antes ele já tinha gerado filhos e plantado árvores, agora escreveu um livro, com um título curto, objetivo e antenado com a problemática dos dias atuais: “Tchau, Sofá”.

     Leo tem consciência de que não são apenas as três iniciativas – há pouco citadas – para garantir a perpetuação de um nome neste planeta Terra. São necessários outros atos para se deixar um legado, uma memória, uma reputação positiva. Dentre eles, repartir, com o nosso próximo, para que ele tenha uma qualidade de vida melhor, o conhecimento que adquirimos, ao longo das nossas vivências.

        O livro “Tchau, Sofá”, vai nessa linha! Orienta e incentiva as pessoas às mudanças comportamentais e atitudinais, a fim que tenhamos uma vida mais saudável no esvair do nosso tempo. E essas descobertas foram frutos das próprias inquietações de Leonardo Távora.

       (Abro um parêntesis para lembrar: recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estava acima do peso no ano de 2006. Em 2011, esse número já havia subido para 48,5%. Em 2015, o Brasil já tinha cerca de 18 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a 70 milhões de brasileiros, o dobro de há três décadas. Hoje, na metade de 2019, a situação deve ser bem pior. Fecho o parêntesis).

          Leo, com seu livro “Tchau, Sofá”, vem nos mostrar o óbvio: a prática regular de atividade física sempre esteve ligada à imagem das pessoas saudáveis.  

         Leo é um homem irrequieto no melhor sentido desta palavra! Aliás, diga-se de passagem, todo ser humano tem um coração irrequieto. No entanto, poucos têm coragem de administrar essa irrequietude, para, com isso, melhorar o mundo.

        Leo colocou sua irrequietude a serviço do bem e do próximo. E vem colhendo bons frutos nesse desiderato. Este livro, “Tchau, Sofá!”, é uma prova disso. A obra nos mostra que precisamos de atos físicos, de sepultar os hábitos sedentários, e, com isso, melhorar o nosso dia a dia. “Tchau, Sofá!” nos ensina a identificar as rotinas viciosas que impedem o nosso pleno desenvolvimento físico e espiritual.

           Valeu seu esforço, Leonardo Távora!
            Na sua correria pelos hospitais do Cariri (onde você consolidou a imagem de um profissional competente e humano, e é por isso que você é tão querido por seus pacientes), você sacrifica horas que podiam ser vividas com a sua exemplar família, composta de quatro mulheres (Carol, Lara, Lia e Maria) você beneficia uma vasta comunidade com seus conhecimentos.

            Parabéns, Leonardo, por mais essa vitória na sua profícua vida. Todos estamos felizes com mais essa conquista. Para usar uma linguagem dos dias atuais: “Leo, você é show” ...

29 junho 2019

O Senhor é a Lei - Por: Emerson Monteiro


O que as religiões, as filosofias, os poetas, buscam definir é o simples que de tudo emana. O equilíbrio universal. A força viva da Natureza. A essência dos elementos. Esse poder absoluto que determina o andar dos acontecimentos. Há notícia, entre os gregos antigos, no Olimpo, a casa dos deuses, de que lá havia um altar dedicado ao Deus Desconhecido. Ele, esse conteúdo inevitável que perpassa o transcurso dos dias, queiram ou não os incrédulos, representa a determinação, o senso transcendental que requer o mínimo de consciência dos humanos, ditos seres inteligentes.

Por mais que exista esforço de todas as disciplinas estudadas nas academias, provar a soberania do Poder tão evidente requer mais do que palavras, conceitos, que esbarram nos limites dos raciocínios e que condicionam a compreensão a meras quatro paredes da impossibilidade. Explicar o inexplicável. Enquanto o espírito do Tempo circunscreve inclusive a descrença dos doutos, nisso a Lei impõe, determina, fatores intangíveis, ocorrências fortuitas, aparentes coincidências, e tudo permanece de acordo, na contingência das cores desse panorama visto daqui das nossas condições restritas. Domar, conter, restringir a voragem dos séculos sustem, entretanto, que a obediência advêm dos frutos da sabedoria, adquirida no decorrer das experiências e dos pendores deste chão de almas que mourejam entre desvarios e sonhos.

Compreender, portanto, que nossos instrumentos apenas restringem a percepção desse Ente a que buscamos desesperadamente na história da Humanidade, significa acalmar pensamentos e viver os reais sentimentos de pertencimento, diante das réstias de luz que nos chegam ao Coração, pátria da humildade, setor da paciência e caminho da Verdade plena.

Os nomes de Deus vivem no íntimo de todas as criaturas. Buscar a Paz identifica o sentido a que essa harmonia original se destina, pórtico das tradições e dos mistérios, sol dos enigmas e pouso das aves do Paraíso.

Monarquistas aderem às manifestações e voltam às ruas neste domingo, 30 de junho

Fonte: Face Book Pró Monarquia

Neste domingo, dia 30, os brasileiros de bem retornarão às ruas de norte a sul do País, desta vez em defesa da Operação Lava Jato, um grande marco de nossa Justiça, ameaçada pela atuação criminosa de verdadeiros terroristas virtuais e de militantes partidários que se dizem jornalistas, mas não passam de panfletários rasteiros.

Em um momento em que milhões de brasileiros irão às ruas, incluindo um sem-número de veteranos e jovens monarquistas com suas Bandeiras do Império, a Casa Imperial do Brasil não poderia se furtar de cumprir com o seu dever histórico.

Por isso, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, participará da manifestação em São Paulo, a partir das 14 horas da tarde, no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Pamplona. Seu irmão, o Príncipe Dom Antônio de Orleans e Bragança, estará presente na manifestação no Rio de Janeiro, no Posto 5 da Praia de Copacabana, a partir das 10h30 da manhã.
Vamos todos às ruas, pelo Brasil!



28 junho 2019

O Bom Conselho para salvar o mundo

Nosso Senhora do Bom Conselho

 No momento em que a humanidade chega a uma encruzilhada, na qual se coloca para ela uma opção ineludível, é hora de pedir à Mãe do Céu seus sapienciais conselho

Em nossa época tão aflita e conturbada, incontáveis são as almas que precisam, a este ou àquele título, de um bom conselho. Nada de melhor podem fazer do que implorar o auxílio d”Aquela que a Santa Igreja, na Ladainha Lauretana, invoca como Mãe do Bom Conselho.

Entretanto, cumpre ponderar que um conselho é de tanto maior valia, quanto grande for a importância do assunto sobre o qual versa. Por isso são supremamente importantes para cada um os conselhos necessários para dentro da tenebrosa tempestade do século XX conhecer a respeito de si mesmo os desígnios de Nossa Senhora e os meios aptos para os realizar.
Aqui está uma razão para se afirmar a particular atualidade da devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho, neste século que poderá passar para a história como o século da confusão.

Todavia, se alargarmos nossos horizontes para além da esfera individual, […] não poderemos deixar de ponderar que ainda aqui a humanidade precisa como nunca de um bom conselho da Virgem das Virgens. […]

A opção para o mundo moderno é entre um porvir tenebroso, feito das últimas capitulações ante os extremos do erro e do mal, e o abraçar entusiástico da plenitude da verdade e do bem.

Como mover a humanidade de tal maneira atolada no processo histórico que a vem impelindo há tantos séculos a empreender a trajetória do filho pródigo rumo à casa paterna? Sem um possante auxílio da graça, a falar no interior de incontáveis almas, isto não se pode conseguir.

Esse bom conselho a ser proferido no íntimo de cada coração para a salvação da humanidade, que melhor modo há de obtê-lo senão implorando-se à Mãe do Bom Conselho que, por uma graça nova, converta o bárbaro supercivilizado do século XX? Só assim poderá este, à maneira do bárbaro subcivilizado do século V, queimar o que adorou e adorar o que queimou. E só assim poderá ter origem uma nova e ainda mais esplendorosa era de fé.

(Fonte: “Revista Dr. Plinio”, Maio/2002, nº. 50, pp. 26-27).

CARIRIENSIDADE


Cariri: Caldeirão Cultural do Ceará

 Banda cabaçal em Barbalha

     De há muito, a região do Cariri é considerada o Caldeirão Cultural do Ceará. Esse "caldeirão" é o somatório dos saberes e celebrações que formam o Patrimônio Imaterial da nossa região, com destaque para as manifestações religiosas do povo caririense. Parte desse acervo veio de milhares de romeiros que, atraídos pela herança espiritual do Padre Cícero, fizeram de Juazeiro do Norte o sacrário de seus costumes e tradições. Muitos deles se fixaram no Cariri, trazendo para cá suas tradições populares, as quais, se juntaram ao caldo cultural que aqui já existia desde o início de 1700, fruto da colonização portuguesa. 

      Este mês de junho que hoje finda, foi permeado das tradições católicas mais autênticas do Cariri. Começou com a festa de Santo Antônio, em Barbalha. Teve continuidade com as festas de São João e São Pedro. São as três festas joaninas. Na abertura da Festa de Santo Antônio, o centro histórico de Barbalha ficou cheio de grupos da tradição popular como as bandas cabaçais, os penitentes, os reisados e as lapinhas, dentre outros. No Cariri, essas festas são comemoradas desde a nossa povoação, no início do século XVIII, mas também sofreram adaptações e acréscimos por conta da imigração de contingentes populacionais oriundos da chamada Nação Romeira que se espalha pelo interior do Nordeste.

Festa do Pau da Bandeira, em Barbalha

O patrimônio cultural do Cariri na visão de Oswald Barroso

      Poucas pessoas definiram tão bem o patrimônio cultural do Cariri como Oswald Barroso. É dele o conceito a seguir transcrito:

      “Poucas regiões do Brasil têm, como o Cariri, uma natureza tão pródiga, uma história tão rica e uma cultura popular tão diversificada. Festas, folguedos, ritos, mitos, lendas, narrativas orais, artesanatos, mestres brincantes e de ofício, santuários e sítios sagrados, marcos históricos e conjuntos arquitetônicos, sítios naturais e redutos ecológicos, tradições culinárias, passeios e belas paisagens, feiras e mercados, enfim, um número infinito de possibilidades e atrações a serem exploradas. Junte-se a isto uma vida intelectual e acadêmica em pleno crescimento, com sólidas instituições públicas, universidades, artistas, escritores e um plantel de profissionais técnicos e liberais da melhor qualidade”. 

O que é “Patrimônio Cultural Imaterial”

Reisado no bairro do Horto, em Juazeiro

    Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura– UNESCO, o “Patrimônio Cultural Imaterial”  de um povo é transmitido de geração em geração e é constituído de “práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais a eles associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.” 

      Os bens culturais de natureza imaterial estariam incluídos nas seguintes categorias: Saberes - conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades; Formas de expressão - manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; Celebrações - rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; Lugares - mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.

História:  como surgiu a devoção a Nossa Senhora da Penha


   Não é só em Crato, Campos Sales e Maranguape (no Ceará) que Nossa Senhora da Penha tem grandes festas religiosas, já que é a padroeira dessas cidades. A origem dessa devoção, comemorada entre nós no dia 1º de setembro, surgiu quando Nossa Senhora apareceu a um agricultor chamado Simão Vela, no oeste da Espanha, numa serra chamada Penha de França., por volta de 1434. Da Espanha essa devoção passou para Portugal e desta nação veio para o Brasil, na época colonial. 

    Em outras localidades brasileiras, a festa de Nossa Senhora da Penha ocorre no dia 8 de setembro. É o caso de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, cuja comemoração é considerada, pela Igreja Católica, como a “terceira maior festa religiosa do Brasil”, ficando atrás somente da comemoração que homenageia a Padroeira do Brasil, em Aparecida (SP), e do Círio de Nazaré, em Belém, no Pará.

      Nossa Senhora da Penha é ainda a padroeira da cidade de São Paulo e Itapira (ambas em SP), Serra Talhada (PE) e Resende Costa (MG), dentre outras.

E como essa devoção veio para o Cariri

     A atual catedral de Crato remonta a uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato, criado para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao norte da Chapada do Araripe.

       Em janeiro de 1745, conforme pesquisa feita pelo historiador Antônio Bezerra, foi colocada numa das paredes da então capelinha de Nossa Senhora da Penha uma pedra com histórica inscrição. Tratava-se do registro da consagração e dedicação do pequeno e humilde templo, início da atual catedral de Crato. A inscrição foi feita por frei Carlos Maria de Ferrara, e nela constava que a capelinha fora consagrada a Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e a São Fidelis de Sigmaringa, este último oficializado – no governo episcopal de Dom Fernando Panico – como o Co-padroeiro de Crato. 

         Abaixo, o texto constante da inscrição rupestre, infelizmente desaparecida:
“Uni Deo et Trino
Deiparae Virgini
Vulgo – a Penha
S Fideli mission.º S.P.N. Fran, ci Capuccinor.m
Protomartyri de Propaganda Fide
Sacellum hoc
Zelo, humilitate labore
D. D.
Sup. Ejusdem Sancti.i Consocy F.F.
Kalendis January
Anno Salutis  MDCCXLV”.


A devoção a Nossa Senhora das Dores


   Podemos afirmar, com toda segurança, que a cidade de Juazeiro do Norte – hoje conhecida em todo o Brasil, graças à figura do Padre Cícero Romão Batista – teve seu início como fruto da devoção a Nossa Senhora das Dores. Pois, a exemplo da maioria das cidades brasileiras de antanho, Juazeiro do Norte também nasceu em torno de um templo católico. A escritora Amália Xavier de Oliveira assim descreveu os primórdios desta cidade, no seu livro “O Padre Cícero que eu conheci”:

     “Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente”.

A imagem primitiva de Nossa Senhora das Dores adquirida pelo Brigadeiro

    A primeira imagem de Nossa Senhora das Dores, venerada na capelinha de Joaseiro, foi adquirida pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro em Portugal. E foi venerada como padroeira da Fazenda Tabuleiro Grande e, posteriormente, pela povoação do “Joaseiro”, por cerca de 60 anos. 

    Zélia Pinheiro, escrevendo ¬ no opúsculo Sesquicentenário de Fé – sobre a inauguração, em 19 de agosto de 1884, da nova capela de “Joaseiro”, esta já construída pelo Padre Cícero, em substituição à primitiva, edificada pelo Brigadeiro, narra: “(…) Continuava como Padroeira Nossa Senhora das Dores e fora colocada no Altar a mesma imagem trazida de Portugal para a Capelinha da Fazenda Tabuleiro Grande. Era uma imagem em estilo bizantino, de madeira, muito bem esculpida, tendo setenta e cinco centímetros de tamanho e permaneceu no Altar-Mor até setembro de 1887, quando foi trocada pela imagem que até hoje está lá”.

O reencontro do Brasil com suas vias históricas -- Por Carlos Vitor Santos Valiense

O Brasil iniciou sua gloriosa história com uma Missa, celebrada em 1500, por Frei Henrique de Coimbra, na presença dos portugueses que aqui chegavam e dos índios que habitavam a Terra de Santa Cruz.

Quase quatro séculos depois, em 1889, o Brasil assistiu — segundo afirmou Aristides Lobo, Ministro do Interior do Governo Deodoro — “bestificado” a uma quartelada promovida por uma minoria de militares que enganaram o povo do Rio de Janeiro, o qual pensava se tratar de um desfile militar, mas na verdade proclamava a República, rompendo com um passado exitoso. O próprio marechal Deodoro da Fonseca imaginava estar simplesmente derrubando o gabinete presidido pelo seu desafeto, o Visconde de Ouro Preto.

Desde então, de desastre em desastre, chegamos à triste situação em que nos encontramos; e seria muito pior ainda, se nos tivéssemos transformado numa Venezuela bolivariana. E lá estaríamos se não tivesse havido o impeachment de uma presidente lulopetista.

Mas hoje, quinhentos e dezenove anos depois do descobrimento, em um gesto sem precedentes, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, representado pelo seu irmão, Príncipe Imperial D. Bertrand de Orleans e Bragança, promoveu uma Missa solene no pantheon do Ipiranga, reatando os caminhos da nação com suas vias históricas que jamais deveriam ter sido abandonadas.

Fotografia: Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança – imediato herdeiro dinástico e primeiro representante de seu irmão, Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil –, em momento de oração diante do túmulo de seu venerando tetravô, Sua Majestade Imperial o Imperador Dom Pedro I do Brasil.


25 junho 2019

O saber divino - Por: Emerson Monteiro


O aspecto místico das indolências pede essa libertação de si mesmo, o chamado de essência de tudo quanto há todo tempo que nunca passou. Emoções inteiras de receber a força do Infinito dentro da própria consciência. O canto de todos os sons do Universo inteiro, sem toques de que algum monstro de escravidão ou desengano um dia ferisse a vontade das vontades que expande os sóis de verdade pura na alma e nos corações em festa. A quem dizer, pois, dessa luz enquanto brilham os astros no céu?

Nisto, um ser de luz habita durante todo sempre no mistério das existências. A meta do amor é voar até o firmamento. A do intelecto é desvendar as leis e o mundo. (Rumi) Sorri nos sentimentos e abraça a condição humana qual razão de plenificar amor à vida sórdida ainda na matéria. Conhecer do presente seus segredos e fluir do mistério a condição que tudo revela, supre das palavras o prazer dos espíritos no âmago da floresta.

Quantas vezes, assim, o desejo de conhecer permite sonhar com mais pureza a liberdade, enquanto batem no peito traços últimos de sofrimento. Apenas quiséssemos vencer o medo e acabaríamos com a culpa, dois adversários ocultos sob as folhas da ilusão. Vencer os fantasmas e as noites, e dormir sobre as conquistas de um Eu bem verdadeiro.

Sim, isto de abraçar instintos, as marcas fortes do ente que acorda pouco a pouco, e transmite poderes às lendas em novas revelações; caminhos lentos em saltos monumentais; monstros em gênios; bruxas em fadas. Mares virgens da velocidade do vento que são agora meros frutos de safras inesgotáveis de humildade e aceitação, o fogo na montanha íntima da paz. Aceitar, abraçar, vencer; poucos que chegam no pouso da felicidade vencem o território inesgotável da condição de deuses que já o somos. Afinal, o êxtase de amar que nos envolve e domina.

Dom Bertrand de Orleans e Bragança, um grande brasileiro – por Armando Lopes Rafael




      Ele é um autêntico Príncipe até no nome completo. Nome longo e significativo, como é tradição na dinastia dos Bragança: Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança. Nasceu na França – em 2 de fevereiro de 1941 – durante o injusto exílio sofrido pela Família Imperial, a partir do banimento ilegal, decretado pelos golpistas republicanos, em 1889. Com quatro anos de idade, Dom Bertrand veio definitivamente para sua pátria – o Brasil – de onde nunca mais saiu.

    Na linha sucessória ao Trono Brasileiro, Dom Bertrand ocupa o segundo lugar (é o Príncipe Imperial), abaixo do sucessor, seu irmão mais velho Dom Luiz de Orleans e Bragança. Descendente de Reis, Santos e Heróis, de Fundadores de Impérios e Cruzados, o Príncipe Imperial recebeu uma educação à altura das tradições que encarna. Consta na informação oficial biográfica dele: “Desde muito jovem recebeu esmerada formação católica, sendo orientado por seu Pai para o gosto pelo estudo doutrinário e a análise dos acontecimentos nacionais e internacionais. Participou com entusiasmo, nos bancos acadêmicos, das pugnas ideológicas que marcaram o Brasil na primeira metade dos anos sessenta. Foi sua formação completada com frequentes viagens à Europa” (...) 

    “Dom Bertrand se posiciona, politicamente, no campo do conservadorismo, da propriedade privada, da livre iniciativa e do respeito ao princípio de subsidiariedade pregado pela Igreja Católica (o que o menor pode fazer, o maior não deve intervir). Fundamentando-se em que os problemas sociais são reflexo dos de ordem moral, é um defensor da instituição familiar e opõe-se ao aborto.  Quanto à soberania nacional, Dom Bertrand alerta sobre os perigos contra os direitos nacionais sobre a Amazônia. Pela mesma razão julga imperioso prestigiar o militar e o policial no que considera campanhas de descrédito que visam denegrir a imagem das nossas Forças Armadas".

       Sobre Dom Bertand assim escreveu, recentemente, o famoso ensaísta, pensador, filósofo e jornalista brasileiro Olavo de Carvalho, que contabiliza mais de 30 livros publicados: "Dom Bertrand tem mais amor ao Brasil do que toda a classe política reunida. O que afirmei de Dom Bertrand acima não é uma opinião genérica, é um fato: nunca vi um político estudar os problemas do Brasil com tanta devoção, com preocupação tão séria quanto o faz o nosso querido príncipe. Ele é um médico capaz e bondoso, que o paciente recebe a pontapés." 

          Dom Bertrand é, em síntese, um católico exemplar e um patriota que ama sua pátria, que se esforça para lhe ser útil, e age, diuturnamente, em favor e na defesa do Brasil.

22 junho 2019

Vida hoje só provisória - Por: Emerson Monteiro



Ainda que tantos insistam numa permanência mais que definitiva, ninguém viverá eternamente morando numa estação. A velocidade dos objetos voando ao vento mexem de paixão na consciência das máquinas em movimento. Vezes sem conta, nascerá o Sol. Dias menos dias e o comboio passa, trazendo e levando troços arrecadados, bolsos cheios de ilusão, nos entretantos e dúvidas. Reúnem hoje, descartem logo adiante, nos lixões da inocência. Pessoas, nós, mesmas pessoas que ontem fomos e amanhã deixaremos de ser, aqui entre ferragens, becos e concretos; muralhas, vales, cifras, céu aberto. São eles (nós) personagens do Destino, bem parecidos consigo (comigo) e com demais outros.

Porém há nisso a essência do ser em transição do nada a coisa nenhuma, consciências vivas das sementes na existência, bondades absolutas do mistério. Trabalhar o seguimento dos motivos de andar, fervilhar e sorrir preserva a inutilidade do sentido e das eras, porquanto nos é dado responder à pergunta desde o berço, guardada que foi no imo do humano coração. De certeza somos eles, os guardiões do segredo que significa exatos silêncios alimentados na dor e no prazer. Pisamos caminhos de tantos perseguidos e seremos perseguidos pelos novos pelotões. Querer pesa pouco, vez que nem de longe interrogados fomos, a encenar esta peça dos enredos desconhecidos.

Bom, bem isso, numa dessas tardes de horas cinza, horas claras, dos calendários fortuitos, e dizer aos nossos ouvidos que sabemos o que não sabemos e representamos talvez enganos mil da vaidade, olhos vistos no infinito. Entretanto parar o quê, se nem sabemos do roteiro desse trem acelerado que reclama atenção e seriedade, onde filósofos pintam portões de felicidade a tintas foscas e que pouco de si representam. Meros joguetes na própria sorte, enganam e dormem, vadios nas palavras e perdidos nas cores.

Então, resta apenas isso de indagar do tempo qual será a próxima muda de roupa a usar nas próximas cenas, e vivam os fiéis expectadores das novas temporadas. Disso ninguém duvidará, de sermos atores menores de um roteiro monumental.



21 junho 2019

O município do Crato vai completar, no dia 21 de junho de 2019, 255 anos de existência? Fake News! -- Por Heitor Feitosa(*)


    É isso mesmo! Fake News! Convencionou-se, não sei quem nem quando, que o município do Crato, ao sul do Estado do Ceará, teria sido instalado no dia 21 de junho de 1764.

    Sabe-se que, a partir de 22 de julho de 1658, a família d'Ávila, dona da Casa da Torre, na Bahia, já havia peticionado em sesmaria todo o entorno da Chapada do Araripe (Revista Itaytera, nº 47, p. 85). Porém, os índios não deixaram tal grupo tomar posse.

    Já em 1703, Manoel Rodrigues Ariosa havia se arranchado no lugar correspondente ao Crato, com o objetivo de criar gado. Este é o momento do "povoamento regular", assim denominado pelo Padre Gomes.

    Contudo, é a partir de 1738 para 1739 que o frei Carlos Maria de Ferrara, italiano da ordem dos capuchinhos, estabelece uma Missão indígena no atual Bairro do Mirandão e, depois, vai se acomodar com os índios Kariú onde hoje existe a Praça da Sé.

    Mas foi apenas no ano de 1743 que Frei Carlos recebeu do casal capitão-mor Domingos Álvares de Matos e Maria Ferreira da Silva (dos Lobato) uma légua quadrada de terra em doação (das fraldas da Chapada do Araripe até o atual distrito da Ponta da Serra), impondo-se cláusula de que, caso os índios abandonassem a Missão, as terras voltariam ao domínio do doador ou de seus herdeiros.

    Ocorre que no ano de 1764 foi inaugurada a Real Vila do Crato, para onde também foram levados os índios Jucá, oriundos da Missão do Jucá (hoje, Arneiroz/CE). Entretanto, no ano de 1779, todos os índios que se encontravam no aldeamento foram transferidos para o litoral cearense (Parangaba, Caucaia e Mecejana) e a légua quadrada de terra que ocupavam passou para a Vila do Crato, a qual as deu em aforamento (enfiteuse) e também as vendeu.

Em que pese este duplo esbulho, nesse instante, o que mais nos interessa é apresentar um documento encontrado na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, uma transcrição do antigo livro da Câmara da Vila do Crato, no qual a data apresentada para a criação da dita vila é, na verdade, 14 de junho de 1764. Vale a pena a discussão! Inclusive já publiquei em meu livro a análise histórico-jurídica sobre este fato. Portanto, eis aí o documento!


(*) Heitor Feitosa Macêdo, advogado e Presidente do Instituto Cultural do Cariri - ICC

CARIRIENSIDADE


Iniciadas as obras da 3ª etapa do Anel viário do Crajubar

 As obras da 3ª etapa do anel viário passam em cima da divisa de Crato-Juazeiro do Norte

    A terceira etapa do Anel Viário do Cariri, no trecho Contorno de Juazeiro – Barbalha, acesso pela fronteira de Crato foi reiniciada. A obra contempla a implantação de 6,84 quilômetros de rodovia duplicada, com serviços de terraplenagem, pavimentação, sinalização, drenagem e obras d’arte correntes, um viaduto e proteção ambiental.

       Segundo fontes do Governo do Ceará, essa nova avenida (que ligará o bairro São José à Barbalha) beneficiará toda a Região Metropolitana, pois facilitará o tráfego, ligando o Norte ao Sul e evitando passar pelo bairro Lagoa Seca, em Juazeiro do Norte.  Essa nova etapa vai acrescentar enorme área para o crescimento urbano do Crajubar, facilitando, inclusive, a construção de um condomínio residencial de luxo, na fronteira Crato-Juazeiro: o Alphaville. O Anel Viário do Crajubar terá, ao final, cerca 16 km de extensão. A previsão é que a obra seja concluída no segundo semestre de 2019.

Vila da Música do Belmonte muda de nome

 Vila da Música Mons. Ágio Augusto Moreira

     Durante a missa do velório de Monsenhor Ágio, ocorrida no último dia 13, o governador Camilo Santana anunciou que a Vila da Música, localizada no bairro Belmonte em Crato, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), ganhará agora um novo nome: “Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira”. A mensagem 8.398, que apresenta a proposta, já foi encaminhada à Assembleia Legislativa e aguarda tramitação. A Vila da Música do Belmonte foi o primeiro equipamento cultural construído pelo Governo do Ceará no interior do Estado. Resultou de uma parceria entre a escola de música Sociedade Lírica de Belmonte (Solibel), fundada pelo Mons. Ágio Augusto Moreira na década de 1970 e o Governo do Ceará, por meio da Secult. 

 Curso de Museologia Social   

 Museu Vivo do Padre Cícero, o museu mais visitado do Cariri. Em segundo lugar está o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri

      De repente, não mais que de repente como diria o poeta, a comunidade da conurbação Crajubar começa a despertar para a importância de preservar sua história e o patrimônio arquitetônica de suas cidades. A Universidade Regional do Cariri–URCA em parceria com a Secretaria de Cultura de Crato realizará nos próximos dias 29 de junho e 05 e 06 de julho, do corrente ano, um curso de Museologia Social, no Campus do Pimenta da URCA em Crato. As inscrições podem ser realizadas on line,  na Secretaria de Cultura de Crato, pelo link:https://forms,gle/LrdbAT2zwrmz123z6.

E por falar no patrimônio arquitetônico de Crato

 Como era e como vai voltar a ser a fachada do Palácio Episcopal

    Durante as décadas 30 e 40 do século passado, alguns prédios construídos na cidade de Crato foram erguidos dentro do estilo da “Arte Déco”. Algumas construções desse estilo, em Crato que merecem destaque: o Edifício do extinto Banco Caixeiral (hoje aproveitado como loja comercial), o Palácio Episcopal Bom Pastor, o prédio dos Correios e Telégrafos, a igreja de São Vicente Ferrer, o  descaracterizado Crato Hotel e o Edifício Lucetti. Infelizmente a maioria desses prédios sofreram o processo de descaracterização ao longo dos tempos. A igreja de São Vicente desde a década 60 foi coberta por azulejos usados em cozinhas e banheiros.

Fachada da igreja de São Vicente Férrer na década 50 do século passado

 Como ficou depois da colocação dos azulejos na década 60

       Segundo o arquiteto Waldemar Arraes de Farias; “É lamentável a falta de uma política destinada à conservação do patrimônio histórico e arquitetônico de Crato. Aqui se destrói do dia para noite porque não tem ninguém para defender".  Os que resistem, a essa destruição, não têm nenhum tipo de amparo, nem mesmo de uma Lei Municipal, que assegure essa preservação. De concreto consta apenas o tombamento (pela Secretaria de Cultura do Ceará) da Casa de Câmara e Cadeia (na Praça da Sé), da antiga estação ferroviária (no Largo da RFFSA) e do Sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, lugar onde viveu o Beato José Lourenço e sua comunidade, na zona rural do distrito Dom Quintino. 

Uma boa notícia

          Ultimamente Waldemar Arraes vem acompanhando o serviço de restauração do Palácio Episcopal Bom Pastor, antiga residência dos bispos de Crato. Este imóvel teve sua construção iniciada em 5 de junho de 1937. O projeto de arquitetura é de autoria do escultor italiano Agostino Balmes Odísio, que também foi responsável pelos serviços de direção e administração da construção desse palácio, concluída em 1940. Na falta de uma política pública de conservação de imóveis, a Diocese assumiu esta nobre missão.

Um prédio no estilo “Art Déco”    

Obras de restauro da fachada do Palácio

        Segundo Waldemar Arraes Farias, o Palácio Episcopal, patrimônio da Igreja Católica, é um dos poucos exemplares da arquitetura no estilo “Art Déco” ainda existentes na cidade do Crato. Faz parte da história da Igreja nesta cidade e, consequentemente, da história do município. O imponente edifício, lugar na memória afetiva dos cratenses e é um testemunho atual do desenvolvimento da cidade durante os anos de 1930 a 1950 do século XX. 

    Explica Waldemar: “Para iniciar qualquer projeto de restauro, precisamos conhecer bem o objeto a ser restaurado e sua história no intuito de obter suporte nas futuras decisões. O trabalho de restauração foi desenvolvido a partir de um estudo arquitetônico detalhado feito através de pesquisa histórica, iconográfica, prospecções físicas e levantamento arquitetônico. No trabalho de recuperação das fachadas do Palácio Episcopal foi tomada a decisão da retirada do revestimento de azulejos para resgatarmos a originalidade estilística do edifício, decisão esta baseada em preceitos técnicos e teóricos adequados”.

Imperador Dom Pedro II: "E a mim falta-me o sol do Brasil"


     Forçosamente exilado na Europa,  após o golpe de Estado de 15 de novembro de 1889, que instaurou a República no Brasil -- contra a vontade popular --, o Imperador Dom Pedro II foi visitar seu velho amigo, o famoso escritor português Camilo Castelo Branco, que ficara cego.

– "Console-se, meu Camilo. Há de voltar a ter vista", disse-lhe Dom Pedro II.

– Meu senhor, a cegueira é a antecâmara da minha sepultura.

– "Perdi o trono, Camilo, e estou exilado. Não voltar à Pátria é viver penando".

– Resigne-se, Vossa Majestade. Tem luz nos seus olhos.

– "Sim, meu Camilo, mas falta-me o sol de lá".

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier)


Encontro com Santo Antônio -- por José Luís Lira (*)



Corria o ano de 1232. Naquele penúltimo dia de maio, 30, o Papa Gregório IX que pouco mais de 4 anos antes canonizara São Francisco, canonizava Santo Antonio, a quem São Francisco chamava de seu “Bispo”. A investigação para a canonização durou menos de um ano. O Santo Antonio, nascido em Lisboa, Portugal, e falecido em Padova, Itália, era aclamado santo em vida, pelos inúmeros milagres obtidos pelos povos a partir de sua pregação e de seu testemunho de vida.

   Santo Antonio retornara à Casa do Pai no dia 13 de junho de 1231. A partir daí o santo passou a ser celebrado nesta data. É um dos santos mais populares do catolicismo, mesmo passados quase 800 anos. E é desta época, sem fotografias, do século XIII, que, em pleno século XXI, vem-me uma imagem. Não temos uma máquina do tempo que nos leve de volta ao passado ou nos transporte ao futuro, mas, a ciência dá sua contribuição.

    No início de maio de 2014, estive em Padova. Eu realizava estudos de pós-doutorado na Universidade de Messina, fundada pelo Papa Paulo III, por meio de bula de 16 de novembro de 1548. Num dia de folga, tomei um trem e fui a Padova. Antes, enviei um fax à Cúria Geral dos Frades Conventuais, reiterando o pedido de uma relíquia do Santo Antonio, cujo original havia enviado ainda do Brasil e não obtivera resposta. Chegando lá, fui primeiro à Basílica e experimentei a emoção de ver as relíquias do Santo. Sua língua incorrupta, os fragmentos do hábito franciscano com o qual fora sepultado e passar em seu túmulo.

    Depois, percorri a parte que é permitida visitação do Sacro Convento. Fui, então, à Cúria Geral. Lá chegando, fui gentilmente recebido pelo Superior Geral que já reservara a relíquia. Fiquei muito emocionado. Era uma fria manhã. Conversamos um pouco e indaguei-lhe onde comprar uma imagem do Santo para levar ao Brasil. Ele deu-me uma imagem de uns 30cm de presente e recomendou que aguardasse, pois, era do seu conhecimento de que estavam fazendo estudos sobre a fisionomia de Santo Antonio a partir de seu crânio.

    Em junho de 2014, de retorno ao Brasil. Vi uma matéria no Fantástico, da Rede Globo de Televisão, sobre o assunto. Fiquei imensamente maravilhado com a reconstrução facial que fora feita pelo brasileiro Cícero Moraes. Para mim, a ciência aproximando o passado do presente. O santo tinha um rosto diferente. Fiquei interessado em obter uma peça da reconstrução. Encontrei Cícero numa rede social e fizemos amizade. Em novembro de 2014, recebi a imagem impressa em 3D. Pensei então: faria um busto, mandaria pintar. O que fazer? Ano seguinte, por meio de um amigo que já está no céu, Samyr Figueiredo, encontrei o artista Fabrício Costa. Ele se propôs a fazer algo, desde que eu lhe desse tempo e permissão para trabalhar. No dia de Santo Antonio último ele me disse que estava concluindo o trabalho e nesta semana, enviou-me as fotos.

    No dia de Corpus Christi, fui à sua casa, em Fortaleza. Vi a imagem e vi um busto fiel de Santo Antonio na sua tradicional imagem com o Menino Jesus. A peça, deste modo, é única no mundo. Compartilhei a alegria com o amigo-irmão Cícero Moraes, com amigos, com meus pais. Papai sentenciou: a imagem ficará aqui em casa.

     Para mim, foi um encontro com Santo Antonio!

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.