29 maio 2019

Esses tempos magnéticos - Por: Emerson Monteiro


De quando as malhas do sentimento envolvem de perfume os largos mistérios da natureza e os traços, antes humanos, viraram passadas de animais pré-históricos nas lamas das ruas e dos becos, até parecendo que nunca fomos os mesmos de quando abríramos o horizonte metros e metros de saudade. Bem possível já haver vivido isso tudo e nem de longe imaginar que precisássemos viver outra vez. Nas letras, nos filmes, nos jornais, e essa fome sem igual de revelar o que somos e ninguém jamais poder acompanhar o enredo e a melodia das visões que tivemos a cada manhã.

Depois de tudo, os instrumentos aceleraram o processo da comunicação entre os seres a ponto de existir muito mais do além sob o manto sórdido da artificialidade, no entanto possível sendo achar criaturas que conspiram a favor do Bem e da Verdade maior por meio dos celulares, das transmissões virtuais e dos discos abstratos. A tanto foram noites e noites de angústia ao som dos rocks da pesada transmitidos aos planetas distantes, ecos das ansiedades e do desespero contido nas bocas. Heróis do silêncio que viajaram entre as teclas dos computadores e mergulharam entre os tubarões sequiosos de sangue e desalinhados na dor dos aventureiros de plantão.

Perguntar, pois, donde vêm os novos tempos seria o tanto suficiente de consultar os oráculos dos céus de pedir orientação de quais portas abrir pelos corredores da imaginação. Quais dúvidas de que seja dessa maneira a fórmula mágica da Salvação; viver, observar os movimentos das sombras ao fundo da caverna e deixar de lado métodos antigos de sobrevivência e paixão. Admitir que a hora chegou e somos os parceiros do desconhecido diante das horas inacabadas. Peças do próprio destino à busca de saber a razão de seguir adiante, independente de toda e qualquer limitação. Seres de luz à busca de si mesmos, eis o que somos e do que seremos ao final dos limites do Sol.

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