30 maio 2019

Caririensidade


O violino do Padre Cícero
    Este famoso sacerdote – nascido em Crato e existência quase toda vivida em Juazeiro do Norte – continua sendo o arquetípico do caririense: religioso, temente a Deus, caritativo e de boa índole.  Episódios da vida desse invulgar sacerdote continuam a ser “redescobertos”. A fama do Padre Cícero só faz crescer, principalmente depois da “reconciliação” que a Igreja Católica adotou no tocante à herança espiritual do sacerdote.

       Tempos atrás foi publicado por Joaquim Arraes de Alencar Pinheiro Bezerra de Menezes (carrega no DNA a boa índole de paz, honradez e benquerença do pai, Cesar Pinheiro Teles. Joaquim tem também no sangue os ideais políticos da defesa social dos pobres,  herança da família materna, cujo exemplo maior foi seu tio, o ex-governador  Miguel Arraes de Alencar) um artigo sobre um violino que o Padre Cícero adquiriu quando de sua única visita à Roma, para se defender das acusações e sanções impostas pelo Bispo de Fortaleza.

         Como dizia, Joaquim Pinheiro resgatou, naquele escrito, que o Padre Cícero trouxe de Roma dois violinos. Um deles foi presenteado a um parente do sacerdote. O outro, Pe. Cícero deu, em 1929, ao seu afilhado (por quem o sacerdote tinha grande afeto) o tabelião Antônio Teófilo Machado (mais conhecido por Machadinho), titular de um cartório em Crato durante décadas no século passado.

Sobre o violino


      Trata-se de um Maggini, modelo 1715, provavelmente adquirido de segunda mão, uma vez que a marca havia deixado de ser fabricada décadas antes de ser adquirido pelo Padre Cícero. Segundo Joaquim Pinheiro, no fundo do instrumento, embaixo da tampa, foi colado um papel e nele consta: “Adquirido pelo Pe. Cícero em Roma – Itália 1898. Of. a Antônio Machado em 26/03/1929 – Ceará – Juazeiro”.

     Antônio Machado tinha grande amor pelo violino, mas cedeu-o gratuitamente ao músico Paulino Galvão que passava uma temporada em Fortaleza. Indo morar no Rio de Janeiro, Paulino Galvão foi colega de orquestra do violinista cratense Virgílio Arraes, um “spalla” da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ambos tocaram em outras orquestras e trabalharam juntos em muitas ocasiões, inclusive em gravações de cantores famosos brasileiros. Paulino Galvão requereu sua aposentadoria e mudou-se para uma cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, deixando de tocar profissionalmente. Uma curiosidade: apesar de raro e do valor incalculável, o violino jamais foi comercializado, após chegar ao Brasil. Por isso passou, sucessivamente, de mãos em mãos, sempre a título de presente ou doação.

Nas mãos de Virgílio Arraes
Virgilio Arraes

       Passados alguns anos, Virgílio Arraes resolveu visitar Paulino Galvão na cidade onde estava morando e manifestou desejo de adquirir o violino que pertencera ao Padre Cícero. O músico aposentado respondeu que o instrumento era valioso demais para ser vendido e por esta razão não o venderia. Mas, na hora da despedida, pediu para o visitante aguardar um pouco. Voltou ao interior da casa e retornou com o instrumento raro, e o entregou a Virgílio Arraes, dizendo que era presente. Apenas pediu que cuidasse bem dele.

           Depois disso, o violino do Padre Cícero, foi presenteado a várias pessoas. Nunca foi vendido. E ainda hoje está bem guardado e bem conservado. Dias atrás, Joaquim Pinheiro me deu a notícia de que – mantendo a tradição – o violino mais uma vez trocou de mãos. Ele foi doado, por Virgílio Arraes, a uma profissional da música erudita, no caso a Professora Yeldes Machado, que vem a ser descendente do tabelião Antônio Teófilo Machado (Machadinho).

Saiba mais sobre Virgílio Arraes Filho 
     Damos a palavra a Joaquim Pinheiro: “O ex-proprietário do violino do Padre Cícero, Virgílio Arraes Filho, merece comentário à parte. Nascido no Crato, filho de Virgílio Arraes e de Marcionilia de Alencar Arraes, surpreendeu sua mãe quando, aos oito anos, afinou e tocou o bandolim a ela pertencente, sem nunca ter tido uma única aula de música. Diante do prodígio, seus pais procuraram o maestro da banda municipal para que lhe transmitisse noções da 1ª arte. 

Ainda criança, ouviu uma música no rádio e sentiu-se atraído pelo som do violino, que jamais havia visto. Comunicou aos pais que não queria mais tocar bandolim e sim violino. “Seu” Virgílio (proprietário da primeira sorveteria do Crato – Sorveteria Brasil - e ex-prefeito de Campos Sales, onde nasceu) mandou buscar o instrumento no Rio de Janeiro. Resolvido um problema, surgiu outro: não havia professor no Cariri. A família mudou-se para Fortaleza. Os mestres da capital cearense perceberam o enorme talento do aluno e aconselharam o aluno brilhante ir estudar na então capital brasileira, o Rio de Janeiro.

      No Rio de Janeiro a carreira foi meteórica: primeiro lugar no vestibular na escola de música da UFRJ (1953), primeiro colocado no concurso público para a orquestra do Teatro Municipal, onde foi o primeiro violonista (“Spalla”) durante muitos anos. Músico da Orquestra Sinfônica Brasileira, da orquestra da TV Globo e muitos outros feitos. Único músico a tocar no cinquentenário (1959) e centenário do Teatro Municipal do RJ. Em seu currículo constam performances nos mais importantes palcos do mundo, inclusive com a orquestra do Royal Ballet de Londres, onde foi aplaudido pela realeza Inglesa e recebeu cumprimentos pessoais da princesa Anne, filha da Rainha Elizabeth II.

      Participou de gravações com consagrados nomes da MPB, como Roberto Carlos, Chico Buarque de Holanda, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Simone, Fagner, Djavan, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e muitos outros”.

 Mestres da Cultura do Cariri

   Dos onze Mestres da Cultura, selecionados recentemente pela Secretaria de Cultura do Ceará, 6 (seis) são do Cariri. A conferir. De Juazeiro do Norte: Mestre de Reisado Antônio, Mestre de Banda Cabaçal Expedito Caboco e Siará, Mestre Cabaceiro. De Crato: Mestre de Luxeria em Lixo Reciclável Aécio de Zaíra e o Mestre em Dança de Coco Dona Edite do Coco. Da cidade Aurora foi selecionado o Mestre em Esculturas Gil D’Aurora, que também fabrica rabecas. Eles são chamados de “tesouro vivo da cultura popular cearense”.

O que são os Mestres da Cultura

   Anualmente, a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) seleciona e diploma pessoas, grupos ou comunidades que realizam com maestria o delicado trabalho de preservar as tradições culturais que nasceram e se firmaram de forma espontânea no nosso Estado. Eles são chamados de “Mestres da Cultura”. Entre as dezenas de mestres que existem nas cidades e comunidades cearenses, a Secult realiza uma seleção via edital desde o ano de 2004, quando este programa foi criado pelo ex-governador Lúcio Alcântara. Os escolhidos para o título de Mestre da Cultura recebem do Estado auxílio vitalício de um salário-mínimo por mês.

Um “Mestre da Cultura” de Barbalha

 "Seu" Jaime

     Jaime Arnaldo Rodrigues, “Seu” Jaime, 76 anos, possui um fábrica de mosaicos na cidade de Barbalha. Hoje, as novas gerações só conhecem os revestimentos de pisos feitos com ladrilho-cerâmico industrializado. Mas, até a década 70 do século passado, os pisos no Cariri eram revestidos com mosaicos artesanais. Existiam muitas fábricas de mosaicos no Cariri. Todas desaparecem com a chegada do piso-cerâmico. O artesão Jaime Arnaldo Rodrigues passou mais de 40 anos produzindo – na cidade de Barbalha – mosaicos artesanais. E voltou a fabricá-los há poucos anos. Por isso recebeu o título de “Mestre da Cultura” da Secult-Ceará.

Por que o mosaico tem valor?
 Mosaicos fabricados em Barbalha

     Alguns leitores podem perguntar: e qual a importância artística do mosaico?. Embora não seja mais fabricado, o mosaico, além de ecológico, possui valor artístico e histórico que merece preservação. Trata-se de um ladrilho, feito de placa de cimento, areia, pó de mármore e pigmentos com superfície de textura lisa. O mosaico é um dos traços da cultura do Cariri que nos liga forte e imediatamente à península ibérica e seus valores não apenas europeus, mas fortemente orientais, via universo moçárabe. O mosaico vem do processo de fabricação onde a cura se dá na água, sem qualquer processo de queima, que agrida o meio ambiente. Além do mais, o mosaico possui alta resistência ao desgaste. 

     Tem um formato quadrado, de 20 x 20 cm, com acabamento liso e cores firmes, além de ser um produto artesanal, hoje raríssimo. Dai a importância de se preservar a produção do mosaico na cidade de Barbalha. O antigo Palácio Episcopal Bom Pastor, residência dos bispos de Crato, ainda conserva pisos de diversos desenhos de mosaicos, fabricados pelo escultor italiano Agostino Balmes Odísio, que residiu em Juazeiro do Norte entre 1934 a 1940.

29 maio 2019

Esses tempos magnéticos - Por: Emerson Monteiro


De quando as malhas do sentimento envolvem de perfume os largos mistérios da natureza e os traços, antes humanos, viraram passadas de animais pré-históricos nas lamas das ruas e dos becos, até parecendo que nunca fomos os mesmos de quando abríramos o horizonte metros e metros de saudade. Bem possível já haver vivido isso tudo e nem de longe imaginar que precisássemos viver outra vez. Nas letras, nos filmes, nos jornais, e essa fome sem igual de revelar o que somos e ninguém jamais poder acompanhar o enredo e a melodia das visões que tivemos a cada manhã.

Depois de tudo, os instrumentos aceleraram o processo da comunicação entre os seres a ponto de existir muito mais do além sob o manto sórdido da artificialidade, no entanto possível sendo achar criaturas que conspiram a favor do Bem e da Verdade maior por meio dos celulares, das transmissões virtuais e dos discos abstratos. A tanto foram noites e noites de angústia ao som dos rocks da pesada transmitidos aos planetas distantes, ecos das ansiedades e do desespero contido nas bocas. Heróis do silêncio que viajaram entre as teclas dos computadores e mergulharam entre os tubarões sequiosos de sangue e desalinhados na dor dos aventureiros de plantão.

Perguntar, pois, donde vêm os novos tempos seria o tanto suficiente de consultar os oráculos dos céus de pedir orientação de quais portas abrir pelos corredores da imaginação. Quais dúvidas de que seja dessa maneira a fórmula mágica da Salvação; viver, observar os movimentos das sombras ao fundo da caverna e deixar de lado métodos antigos de sobrevivência e paixão. Admitir que a hora chegou e somos os parceiros do desconhecido diante das horas inacabadas. Peças do próprio destino à busca de saber a razão de seguir adiante, independente de toda e qualquer limitação. Seres de luz à busca de si mesmos, eis o que somos e do que seremos ao final dos limites do Sol.

28 maio 2019

Depoimento de Jackson Bantim sobre instalação da Rádio Universitária URCA


Eu, Jackson Bantim, estou contagiado de grande felicidade. A sensação é a do nascimento de um filho. 

Há 16 anos venho lutando pela instalação da Rádio Universitária URCA. Sexta-feira, dia 25 de maio de 2019, às 16 horas, juntamente com membros da equipe responsável pela instalação desta emissora, dentre eles Emerson Monteiro, Rômulo Sampaio, Baden Powell, Victor Kaiak, João Carlos e Kairan, entrou no ar em fase experimental, com o prefixo 94,3, a RÁDIO UNIVERSITÁRIA URCA. 

Tive o prazer de escutar pela primeira vez, dentro da programação experimental, músicas de minha autoria em parceria com Cícero do Assaré e Quinteto Violado. 

Nasce a oportunidade de conhecermos grandes compositores e intérpretes da região do Cariri. Como expressa uma das vinhetas da Rádio Universitária URCA - “AQUI SE OUVE O CARIRI!”.

Parabenizo o empenho do Reitor Patrício Melo por este MARCO HISTÓRICO, em sua administração e na trajetória radiofônica de nossa região.


25 maio 2019

No dia da Arma de Infantaria, Tiro de Guerra 10 004 de Crato, presta homenagem a colaboradores do Exército brasileiro



A solenidade aconteceu na sede do Tiro de Guerra 10 004 em Crato, na noite desta sexta-feira, 24 e contou com a participação de diversos convidados, representantes dos poderes Executivo e Legislativo municipais e do Judiciário, além de amigos e colaboradores do Tiro de Guerra e Exército Brasileiro, e parentes e amigos dos atiradores.

A solenidade começou com a entrega dos braçais aos atiradores que participaram do curso de Cabo, e que estão exercendo a função de monitor. Em seguida foram entregues as boinas verde-oliva a todos os 100 atiradores por terem cumprido a primeira fase das atividades que serão concluídas no final de novembro. O atirador Jackson disse o que representava para ele servir a sociedade, através do Exército. Também destacou o que tem aprendido com as instruções militares...


O empresário Valdemir Correia de Sousa que já tinha sido homenageado no começo do ano, quando foi escolhido para ser o patrono da turma de atiradores do TG 10 004 de 2019, recebeu mais uma homenagem nesta sexta-feira. 

A comenda Duque de Caxias – Patrono do Exército Brasileiro muito lhe emocionou, como disse à reportagem do Jornal da Princesa. Valdemir considera o Exército Brasileiro como uma das maiores instituições do país, responsável pela formação do caráter e do espírito de solidariedade do cidadão brasileiro.

Um dos convidados especiais para participar da solenidade foi o empresário cratense, amigo e colaborador do Tiro de Guerra, Francisco Pierre. Chico Pierre como é mais conhecido afirmou que já recebeu várias comendas do Exército, inclusive a mais importante da instituição, a do Mérito Militar. Chico Pierre ressaltou que no interior do estado, até o momento, só ele recebeu essa comenda e também falou sobre a importância da instituição. O Sub Tenente Josenildo é o chefe de instrução do Tiro de Guerra 10 004, um mais antigo do Ceará. Ele falou sobre a importância do Exército e daquele momento de reconhecimento. Pediu o apoio da sociedade para o trabalho do Exército pois a instituição dará de volta homens bem formados e disciplinados.

Outras fotos do evento:
















  







Texto: Marcus Silva - Princesa FM
Fotos: Dihelson Mendonça

BLOG DO CRATO
Desde 2005 registrando todo dia a história para a posteridade


A Catedral Católica de Westminster – por Armando Lopes Rafael


     A priori, não devemos confundir a Catedral de Westminster com a Abadia de Westminster. Esta última é a igreja anglicana onde ocorrem os eventos da Família Real do Reino Unido. Já a Catedral de Westminster ou Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo é um templo da Igreja Católica Apostólica Romana na cidade de Londres. É o principal templo Arquidiocese de Westminster.

       Depois das perseguições de que foi vítima, no episódio da chamada “reforma” (a qual “criou” a Igreja Anglicana, em 1534), somente no final do século 19 a hierarquia católica foi restaurada na Inglaterra e Escócia. Era um recomeço difícil.  Partiu do zero. Em 1884 o Cardeal Manning, Arcebispo de Westminster adquiriu o terreno para a construção da atual catedral. A construção foi iniciada em 1895. A cerimônia de consagração teve lugar em 28 de junho de 1910.

         Belíssima e imponente igreja! Os arquitetos a projetaram no estilo da arquitetura neo-bizantina. Suas colunas internas foram erguidas em mármore, entalhados com capitéis de carrara branco. No entanto, mais de 120 variedades de mármore  decoram a Catedral de Westminster, certamente mais do que qualquer outra construção da belíssima e civilizada cidade de Londres.  Assistir à uma missa naquele templo é elevar nossa alma em busca de Deus.

          Existe no interior dessa igreja um alabastro medieval inglês do século XV com uma pequena escultura de pedra de Nossa Senhora de Westminster. Sabe Deus como esta imagem foi escondida durante as perseguições decorrentes da “reforma” do Rei Henrique VIII. Todas as propriedades da Igreja passaram a mãos reais. Centenas de católicos resistiram e foram assassinados. Muitos desses mártires já foram beatificados ou canonizados. Dentre eles São Thomas More e o bispo John Fisher.

            Em 1995, a atual Rainha da Inglaterra, Elizabeth II – acompanhada do seu esposo – esteve na celebração do centenário do início da construção da Catedral de Westminster. Foi a primeira vez que um soberano inglês participou de uma liturgia católica desde a Reforma Protestante. Hoje cerca de 8% da população do Reino Unido se declara católica.


24 maio 2019

A solidez da monarquia britânica – por Armando Lopes Rafael



   Muitos ficam a se perguntar: por que neste mundo conturbado, confuso, desordenado, e sem visão de futuro (a não ser o caos generalizado) a monarquia do Reino Unido, segue firme e forte?    Eu mesmo, recentemente, me fiz essa pergunta. E relembrei um discurso – feito em 2002, há 17 anos – pela Soberana dos ingleses, Elizabeth II, atualmente com 93 anos de idade, 63 anos como Rainha. 

   Naquela ocasião disse a Rainha Elizabeth: “As instituições nacionais, sobretudo a monarquia e o Parlamento, têm que evolucionar para que as futuras gerações confiem nelas. Quero declarar, sobretudo, minha disposição de continuar, com o apoio da minha família, servindo o povo desta nossa grande nação o melhor possível através de momentos de mudanças no futuro", afirmou a rainha naquela ocasião.

     Elizabeth II destacou que seu país estava orgulhoso de sua "tradição de imparcialidade e tolerância, e a consolidação multicultural da sociedade britânica" E acrescentou: "Somos gente moderada e pragmática, lidamos melhor com a prática que com a teoria. Somos inventivos e criativos. É preciso pensar no número de invenções dos últimos 50 anos e em nosso próspero presente na arte".   

        É verdade.  A monarquia é uma forma de governo orgânica, que continua a evoluir para melhor. Ademais, nas monarquias parlamentaristas, o Soberano é suprapartidário. Arbitra os partidos e as forças políticas com isenção o que garante a primazia para o o interesse nacional. Os Reis, ou as Rainhas, recebem uma formação específica para o cargo desde a infância. Chegam preparados ao poder. Aprimoram-se para o exercício da função da Chefia do Estado.

      Por isso, o Rei é a garantia da preservação dos valores morais da Nação, permitindo a coesão e harmonia sociais. Já nos súditos, o sentimento de orgulho nacional constitui uma força de alma coletiva. E o mais interessante: as monarquias são bem mais baratas do que as perdulárias repúblicas. Não existem nas monarquias o que é rotina nas repúblicas: a substituição dos Chefes de Estado de 4 em 4 anos com as consequentes pensões vitalícias. E, o pior, a crescente corrupção republicana desenfreada, feita para garantir a eleição dos presidentes de plantão, às vezes pessoas despreparadas para a função. 

        Talvez por isso, uma  pesquisa realizada em 2017, na Inglaterra apontou os seguintes números: 65%  dos ingleses pensa que a monarquia deve continuar a existir; 70% pensa que o mundo respeita e admira mais a Grã-Bretanha por causa da monarquia; 65% da população do Reino Unido acha que ainda há espaço para a monarquia nos tempos modernos; 66% acredita que a monarquia ajuda a economia do país.
 

23 maio 2019

Empresário Valdemir Correia de Sousa recebe nesta sexta-feira comenda Duque Caxias – Patrono do Exército Brasileiro






O Tiro de Guerra 10 004, realiza nesta sexta-feira, dia 24, às 19h, na própria sede da instituição, localizada na Avenida José Alves de Figueiredo, em Crato, a solenidade alusiva ao Dia da Arma de Infantaria.
A programação constará da conclusão do curso de formação de Cabos e entrega de boinas aos atiradores da turma de 2019, que tem como patrono o empresário Valdemir Correia de Sousa.
Um dos momentos importantes da programação de amanhã, será a entrega da comenda Duque de Caxias – o patrono do Exército Brasileiro ao empresário Valdemir Correia.
Valdemir que tem relevantes serviços prestados ao Exército, não só em Crato, mas também em Picos – Piauí e em Crateús, no Ceará, afirmou à reportagem do Jornal da Princesa que não esperava homenagem tão importante. Embora tenha a consciência de que prestou serviço ao Exército, principalmente nos anos de 1970 e 1972, períodos de seca, o empresário considera de alta relevância a comenda, pelo que representou Duque de Caxias para o Exército.
Sobre o que representa o Exército, Valdemir falou que não apenas para ele, mas para 87% da população brasileira, a instituição militar goza de grande credibilidade pela sua atuação na segurança do país e participação em campanhas de acolhimento e apoio, bem como na execução de obras importantes.
Valdemir Correia de Sousa incentivou os adolescente e jovens a abraçarem a carreira militar, principalmente no Exército, Marinha e Aeronáutica. Ele disse que além da instrução de educa e disciplina, é uma carreira que assegura um futuro brilhante.

Fonte: Marcus Silva
Fotos: Dihelson Mendonça


Panteão dos Bragança: um pedaço da história de Portugal e do Brasil -- por Armando Lopes Rafael

Bandeira do Reino de Portugal
que deixou de ser usada em 1910, quando ocorreu o golpe republicano
   Embora pouco divulgado pela mídia, um dos “points” mais indicados para se visitar, quando se vai à Lisboa, é o Panteão Real da Dinastia de Bragança. Ele fica localizado anexo ao mosteiro da Igreja de São Vicente de Fora e lá se encontram os restos mortais de muitos dos monarcas, príncipes reais e infantes da quarta e última dinastia real portuguesa. Estive lá no último dia 17 de maio. E vi, emocionado, o local onde estão sepultados, à espera da ressurreição final, tantos personagens da nossa história.

    Segundo o site da Monarquia Portuguesa: “O Panteão situa-se hoje no antigo refeitório do mosteiro. Seus túmulos são em maioria gavetões de mármore situados nas laterais da grande sala que ocupa, os dos monarcas portugueses são ornados com coroas na parte superior e os nomes e títulos dos seus ocupantes gravados em letras douradas na parte frontal. Destacam-se os túmulos de D. João IV, de D. Manuel II, da rainha D. Amélia de Orleães, de D. Carlos I, do príncipe herdeiro D. Luís Filipe.

     “O Panteão está aberto a visitas, incluídas no roteiro do Mosteiro. Alguns Bragança que não estão lá sepultados são: D. Maria I, que faleceu no Brasil, mas teve seus restos mortais levados de volta a Portugal por Dom João VI,  que se encontra na Basílica da Estrela, D. Pedro IV, rei de Portugal (e Imperador do Brasil como D. Pedro I, que foi trasladado do Panteão para o Monumento do Ipiranga em São Paulo, Brasil), e cujo coração se encontra na capela-mor da Igreja da Lapa, na cidade do Porto, e a rainha D. Maria Pia de Saboia, que ainda jaz no Panteão dos Saboias, na Basílica de Superga em Turim, na região do Piemonte, Itália.

     “O arranjo atual do panteão data de 1933, quando também se ergueu junto aos túmulos de D. Carlos I e de seu filho D. Luís Filipe uma estátua de uma mulher simbolizando a pátria a chorar pelos seus mártires, sendo que ambos foram assassinados no atentado republicano, em 1 de fevereiro de 1908”.

Fonte de consulta: https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo.pt/panteao-real-dos-bragancas-52365



Caririensidade


Cariri, poderá virar Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco
 Sede da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda

        Próximo mês de junho acontecerá, na Fundação Casa Grande – na cidade de Nova Olinda – o “Seminário Internacional de Patrimônio Cultural Imaterial na Chapada do Araripe”.  Trata-se evento destinado ao reconhecimento, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), do Cariri cearense – mais precisamente a Chapada do Araripe e seu entorno – como Patrimônio Cultural Imaterial do povo brasileiro. Além da Secretaria de Cultura do Ceará (Secult), Fundação Casa Grande, SESC e as universidades da região (URCA e UFCA) compõem o grupo realizador desse evento.

      Para Alemberg Quindins, presidente da Fundação Casa Grande de Nova Olinda: “Estamos tendo um cenário aonde o Cariri e o Ceará vivem hoje um bom momento entre as políticas culturais e avanços na Cultura Popular. O Cariri é um território mágico, mitológico, paleontológico, arqueológico. Ele une quatro estados brasileiros e atende importantes critérios da Unesco como patrimônio mundial: integridade, autenticidade e universalidade”.

        Já Fabiano Píuba, Secretário da Cultura do Ceará, ratificou: “Pensar em patrimônio cultural para o Cariri tem que estar associado ao patrimônio natural. O Cariri e sua Chapada do Araripe é um território profundamente marcado pela cultura popular e tradicional, ambiente de expressões e manifestações riquíssimas; ao tempo que hoje se tornou um polo acadêmico com uma rede de universidades públicas e privadas, tendo a URCA e a UFCA como as principais instituições; além de ser uma zona de desenvolvimento econômico em pleno crescimento e ser um destino turístico dos mais procurados no Brasil, seja por seus aspectos culturais e ambientais”. 

Um exemplo que vem de Londres

    Há 153 anos teve início, em Londres, um projeto de colocação de pequenas placas redondas, na cor azul, em algumas fachadas de casas daquela cidade. Essas placas esféricas preservam o legado de pessoas que nasceram ou viveram em Londres, e que – de alguma forma –deixaram sua marca na história daquela cidade. Antes de ser colocada a placa, a sugestão passa por um critério rigoroso. Aliás, as placas só são colocadas após 20 anos da morte do nomeado, ou se já tiver passado 100 anos do seu nascimento. Que bom exemplo para as cidades caririenses preservarem sua memória.

      Na foto ao lado, uma das "placas azuis" existentes em Londres. Esta assinala o prédio no qual morou, durante certo tempo, Mahatma Gandhi, o homem que conseguiu libertar a Índia do domínio inglês.


O desprezo pela memória do Cariri

Bangalô aristocrático que existiu em Juazeiro do Norte

     Vem de longe a destruição da memória (arquitetônica, histórica e de reminiscências) da região do Cariri. Crato e Juazeiro do Norte destruíram o seu patrimônio arquitetônico. Barbalha foi a única cidade do Cariri a cuidar dos antigos casarões.  Infelizmente, a destruição da memória ocorre de forma mais intensa em Juazeiro do Norte, a maior cidade do Cariri. Se fosse adotado, em Juazeiro, o projeto das placas azuis, que existe em Londres, não teríamos mais os locais para colocar placas homenageando pessoas como Amália Xavier de Oliveira, Padre Climério, Mestre Noza, Mons. Juviniano Barreto, Mauro Sampaio, Mons. Murilo de Sá Barreto e tantos outros que foram importantes, em certas épocas,  para a vida de Juazeiro.

      Tempos atrás, o jornalista Jurandy Temóteo escreveu o texto abaixo na revista “A Província”: “As más administrações públicas, a falsa ideia de modernismo, a ganância financeira, a indiferença de considerável parcela da nossa população e a impunidade estão fazendo do Crato uma terra sem memória arquitetônica.
“Prédios públicos e particulares, de inestimáveis valores históricos e arquitetônicos continuam sendo destruídos ou mutilados sem que providências realmente sérias e eficazes se concretizem. Que “Cidade da Cultura”, que “Município Modelo” é este que extermina seus valores culturais, mutila suas ruas, praças, monumentos? O que se tem feito e se continua a fazer contra Crato é um crime, uma barbárie. Até quando?”.

 Vinho “Terras do Crato”

     No último dia 15 de maio eu me encontrava na cidade de Fátima (Portugal) e entrei num restaurante (“O Recinto”) para almoçar. 

    Ao lado da minha mesa tinha uma prateleira expondo bons vinhos portugueses. Entre eles, havia o tinto “Terras do Crato”, fabricado no Crato português, cidade localizada na região do Alentejo. A uma pergunta sobre as características do vinho “Terras do Crato”, o funcionário do restaurante, no conhecido sotaque português explicou: “Trata-se de vinha na cor rubi, com aroma de notas de fruto vermelho maduro, complexo e intenso. Paladar equilibrado, taninos suaves e boa persistência. Vais a querer?” 

     O preço da garrafa era elevado. Desisti. Mas fica registrado,   para mostrar aos habitantes do Crato brasileiro, que o pequenino Crato do Alentejo português (com menos de quatro mil habitantes), produz excelentes vinhos.

Maria Caboré

    Ainda hoje presente no imaginário do povo de Crato, Maria Caboré, é tida como “santa” nas camadas mais simples da população cratense, 83 anos depois da morte dela.  Muita gente pede graças à alma de Maria Caboré e – alcançado o pedido – manda celebrar missas para ela. Recentemente, o advogado de Fortaleza, Geraldo Duarte, articulista do “Diário do Nordeste” publicou – naquele jornal – uma interessante crônica sobre Maria Caboré, que republicamos abaixo na íntegra.  A conferir:

“Espírito de anjo ornado em trapos

Túmulo de Maria Caboré ,no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, em Crato

    "Este, o verso primeiro de poesia do Padre Raimundo Augusto, completado com “Perambulando pela rua ao léu, / Companheira fiel até dos sapos, / Ela tinha por lar o azul do céu.” (quadra inicial do poema “Maria Caboré”, ode daquele pároco dedicado ao, talvez, mais querido personagem do Crato das décadas de 20 e 30 do século passado, publicado na revista Itaytera. Filha de Caboré, coveiro, e Calumbi, roceira, moradores do distrito Matinha, Cícera Maria da Silva Almeida os viu morrer precocemente. Aluou-se. Deu-se a perambular na terra-natal do Padre Cícero e ganhou a apelidação de Maria Caboré.

    "Morena, estatura mediana, utilizava uma espécie de turbante e adornada de miçangas. Na Rua da Vala, hoje Tristão Gonçalves, onde mais vivia, supria as casas com água, retirava o lixo, servia de recadeira e, em troca, ganhava alimentação, roupas usadas e alguns trocados. Suas ética e lealdade, a toda prova, mereciam o respeito e a estima de todos. Honestidade e boa índole a complementavam.
No mundo ilusório era noiva do “Rei do Congo”, a quem sempre dedicou fidelidade. Dizia-se católica, frequentava a Igreja e confessava-se. Certa feita, notou que o sacerdote vestia calça sob a batina. Surpresa, declarou nas andanças: “Vige Maria, padre é homi!”. Encontrou um feto num dos entulhos daquela artéria. Levou-o à delegacia, entretanto, não envolvendo ninguém, alegou haver esquecido o local.

    "Vítima da peste bubônica que, em 1936, afligiu a cidade, foi interna no hospital improvisado no Seminário Diocesano São José, quando “faleceu piedosamente com a morte exemplar de um justo”, asseverou Padre Augusto. Para muitos cratenses e, até, nascidos noutras localidades caririenses, Maria Caboré é considerada espírito milagreiro deveras evocado. Seu túmulo, no Cemitério N. S. da Piedade, possui visitação frequente durante o ano, destacando-se no Dia de Finados”.

A celebração da primeira Missa do país mais católico do mundo


 Primeira Missa no Brasil, quadro de Victor Meirelles / Imagem: Domínio público

     Há 519 anos, no dia 26 de abril de 1500 – domingo da oitava de Páscoa –, era celebrada a primeira Missa daquele que viria a ser o país com o maior número de católicos batizados no mundo, o Brasil.
A Santa Missa foi presidida por Frei Henrique de Coimbra e concelebrada por outros sacerdotes em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia, sobre o ilhéu da Coroa Vermelha.

    Em sua carta ao rei Dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um “altar mui bem arranjado” e que, segundo observou, “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.

    Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, nas 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral, o qual, avistando do mar um monte, chamou-o de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa. Àquela terra, inicialmente, colocou o nome Terra de Vera Cruz.

    Após desembarcarem em terra firme e terem os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha. Foi neste local que celebraram a Santa Missa.

    Terminada a celebração, conforme relata Pero Vaz de Caminha, o sacerdote subiu em uma cadeira alta e “pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção”.

     Conforme indicam os relatos, o escrivão Caminha acreditava que a conversão dos índios seria fácil, pois demonstraram respeito quanto à religião. Neste sentido, pediu ao rei que enviasse logo clérigos para batizá-los.

      A representação mais famosa da celebração é o quadro “A Primeira Missa no Brasil“, feito em 1861 pelo pintor catarinense Victor Meirelles de Lima.

      Após esta, a segunda Missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. Os anos se passaram e, hoje, o Brasil é o país com o maior número de católicos batizados no mundo.
Segundo o Anuário Pontifício 2018 e o Anuário Estatístico da Igreja 2016, no Brasil vivem 173,6 milhões de católicos, o que representa 13,3% de fiéis do mundo e 27,5% da América do Sul.

Fonte: ACI digital


20 maio 2019

Uma e outra realidade - Por: Emerson Monteiro



A realidade verdadeira, aquela que habita o coração das pessoas, caixa de ressonância das vidas e válvula de compressão da Eternidade, a ela no conduzirá no decorrer das emoções de existências sucessivas, a pisar neste Planeta solar. Isto é, a realidade real sem nenhuma alternativa se não abraçá-la e sonhar consigo, mesmo a cruzar as raias do Destino e aos poucos adentrar a felicidade definitiva, morada e aspiração dos humanos no decorrer de todo tempo. Será assim momento a momento, independente das opiniões contrárias. 


Porquanto as perdições de eras sem fim, essa disposição de desvelar os mistérios da Criação e trazê-los ao presente exigi no mínimo sinceridade de par em par, do indivíduo em si, de querer buscar o senso absoluto invés de aceitar a ilusão qual moeda de troca dos séculos e corpos. Muitos, talvez, ignorem as normas que compõem a Natureza, ainda que desejem possuir, grosso modo, dotes de sabedoria. E nisso viajam longas caravanas de inutilidades e prazeres, parceiros da perdição do bem mais precioso da inteligência diante dos dias, a vida que possuem sem nem saber a origem. 

Seremos, destarte, instrumentos de sortes imprevisíveis caso queiramos confrontar a realidade principal que logo ali no aguardará de braços abertos, porém que mereçamos galgar píncaros de esforço próprio em plantar sementes de coerência e paz, com os valores da austeridade, sem que joguemos fora o dom da verdadeira realidade. Conquanto um único não venha aqui apenas desfrutar privilégios, há no determinismo das leis superiores a medida de nossas conquistas espirituais, o cetro do amor, ou a graça do Poder soberano, Senhor de tudo e equação da Fortuna aonde desejemos chegar, nesse trocar de passadas entre o passado e o futuro, que denominamos o Presente, persistirá, pois, a justiça dos Céus no sentido das criaturas humanas. Elas, no íntimo, sabem a que vieram.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

15 maio 2019

Filipe II de Espanha - Por: Emerson Monteiro


Considerado o homem mais poderoso do século XVI, Filipe II reinaria desde 25 de julho de 1554 a 13 de setembro de 1598, tendo sob o seu crivo os Reinos da Espanha, Portugal e Algarves, Nápoles, Sardenha e Sicília, mantendo hegemonia praticamente sobre todo o continente da Europa.

Estadista de reconhecida capacidade administrativa, sustentou guerras com os diversos povos, donatário de riquezas sem conta, reverenciado por todos os monarcas de então; conquistaria o coração de lindas mulheres e casar-se-ia pelo menos três vezes, anexando, destarte, novas propriedades aos seus territórios, deixando inúmeros herdeiros e largas posses.

Aos 72 anos, viu-se acometido de grave enfermidade, o que lhe impediu de andar pelos reinados ou mesmo de levar vida regular, deslocando-se com dificuldade, mal que agravaria seu estado clínico a ponto de ter todo o corpo coberto de ulcerações de tratamento doloroso e insuficiente através dos meios daquele tempo. Durante pelos menos 63 dias amargurou de febre intensa e padeceu sob a guante dos tumores de que fora vitimado. Nem banho, que fosse, podiam lhe administrar, de tantas dores e malefícios face à gravidade da moléstia que o eliminaria em pouco período.

Considerado o Sábio e o Prudente, do seu reinado fizera parte também o Brasil, quando seria, em 1585, fundada a "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves", hoje denominada João Pessoa, capital do Estado da Paraíba; em 1588 adquiriu o nome de "Filipeia de Nossa Senhora das Neves", em homenagem ao rei Filipe II. (Filipe II de Espanha – Wikipédia)

Ao término da faustosa existência material, Filipe passaria o torno ao sucessor e na ocasião diria as seguintes palavras: "Quis que vós estivésseis presente para que vejais em que vêm parar os reinos e senhoria deste mundo e saibais que coisa é a morte, aproveitando-se disso pois amanhã havereis de começar a reinar.» 

14 maio 2019

O que move o mundo - Por: Emerson Monteiro


Sim, o motor essencial das ações humanas... O que motiva pessoas e coletividades a desenvolver suas ações na face desse mundo por vezes ingrato... Razão principal dos movimentos que fazem dos dias a sobrevivência das espécies... Será, por certo, a fonte da paixão de viver aqui e sustentar as barreiras do destino.

Atrás da vontade, justificativa de todas as iniciativas, impera, pois, tais motivos, o que mantém o homem vivo, a se sujeitar a intempéries, frustrações e fracassos, e juntar migalhas, pouco a pouco, a alimentar tradições e entregar, ao término, o corpo, no final das jornadas. Nem tudo, entretanto, significa só desafio e aprendizado, porquanto ninguém é de ferro. Existe a hora dos miseráveis, do repouso e das alegrias, se não ninguém contaria as vantagens das noites de lua.

Porém a justificativa essencial que supomos de tudo quanto há de produções no afã da multidão vem na causa das vaidades humanas, qual disse o Rei Salomão, Vanitas vanitatis (Tudo é vaidade). Contudo nisso persiste o apego de prazer, a fome de amor e a cegueira da ignorância, nas palavras de Sidarta Buda. Juntar detalhes e formar o todo de continuar, dia após dia, a tanger o barco, nas marés e nos sóis das manhãs.

Ao frigir de tudo, lá nos estertores das riquezas que, por vezes, espalham angústias, desesperos, guerras, no fogo das aventuras e dos gestos, ali impera uma lei de continuidade, seiva dos infinitos sonhos individuais, quando as chamas de encontrar o lenitivo de estar aqui falam mais alto. Bem nesse foco inesgotável de bênçãos, habita o Sol das existências, reino de uma Verdade absoluta. Enquanto isto, dentro da gente fervilha a força maior do querer que transformar a relatividade em poder e domina o fugidio, causa primeira de havermos vindo e prosseguir até descobrir a nós mesmos.

12 maio 2019

O mistério da transformação - Por: Emerson Monteiro


De água em vinho, as humanidades aqui vieram no sentido exclusivo de encontrar a transposição desse tudo buliçoso de matéria no Nada de espiritualidade definitiva que lhes aguarda logo ali na esquina do Infinito, quando as luzes da carne se apagam e resta tão só o rastro surdo daquilo que todos um dia foram e praticaram, no decorrer dos séculos sem fim, amém. Largados nesse mar da desesperança dos flandres daqui do Chão, olham de paixão às paragens lá de dentro da consciência feitos zumbis das próprias sombras que percorrem noites insones de prazer tão unicamente na intenção pura e simples de rever qual será o prumo que os passos lhes carregam diante do abismo dos momentos que traspassam de dor os que deixam de lado a esperança e fogem feitos almas penadas aos pomos das discórdias, os humanos, braços toscos do Destino.

Assim compreender fica bem mais fácil deglutir as rotinas do Universo às portas do desejo sem controle da racionalidade dos animais da Criação, pequenas gotas a pedir o perdão divino. Sabedoria dos séculos, carregam às costas essa missão monumental de revelar a natureza secreta aos pares, ânsias em movimento perante o precipício do Tempo, que jamais aceitará o silêncio da indiferença, a julgar as ações dos objetos em mudança.

Fôssemos imaginar fórmulas outras que não essa de transformação, da mutação do nosso eu material noutro instrumento de poder, o Eu Superior, a personalidade original dos Espíritos, e estaríamos de justificar a materialidade qual razão principal, quando assim jamais será, porquanto chegáramos depois de os termos do processo da Salvação haverem sido determinados, meros sujeitos que o somos, partículas infinitesimais da existência de Tudo quanto existir.

Daí que obedecer significa algo além da pura atitude impensada dos homens de viver por viver, senão providência inigualável de achar as portas da Eternidade e repousar nos braços amoráveis do Perdão.



10 maio 2019

Tecnologia da Salvação - Por: Emerson Monteiro


Tecnologia, palavra que bem define a que todos estamos neste Chão, no fim de resolver a humana
perecividade face ao desconhecido, vez que ninguém nasce uma semente. Vimos e vivemos, depois vem aquilo que conhecemos de entregar corpos ao barro de onde procedemos. E daí? A que existimos, afinal? Nessa hora chega a função de encontrar a resposta principal de tudo quanto aqui nos trouxe..

A matéria traz em si respostas que tantos nem de longe imaginam. Feita do jeito da perfeição de onde procedemos, eis ente maravilhoso que revela a porta de vencer o enigma defrontado todo tempo ao fim do longo corredor de viver. Em resumo, de tamanha perfeição nascerá algo mais perfeito, porquanto somos Espíritos, seres inteligentes da Criação destinados a níveis superiores, no processo evolutivo.

Qual praticar a consciência se reserva aos indivíduos, trabalhar os segredos guardados debaixo de sete capas. Desvendar a essência que mora em nós. Decidir utilizar os instrumentos fundamentais à missão de Salvação, somos dotados do que necessitamos no sentido de obter êxito na sagrada missão de transpor os limites da materialidade e galgar pórticos da Redenção.

No que pesem as fragilidades, humanos dispõem já hoje dos mecanismos de ultrapassar a condição sob que o mantém a racionalidade pura e simples e penetrar o íntimo de sua natureza imortal, inclusive a isso merecendo receber dos mestres e santos as noções fundamentais do exercício dessa habilidade, por força das orientações superiores.

Ainda que submetidos aos pressentimentos da força bruta, são constituídos da ciência de libertação do mundo físico e podem desenvolver a vocação de vencer a inércia dos objetos e crescer aos Céus a que fomos constituídos desde sempre. A Vontade significa, portanto, a esperança e o amor, energia que alimenta os movimentos que produzem mais Luz no coração das pessoas.