06 abril 2019

Erivanda, uma veneranda e imprescindível mulher

Erivanda de Lima Medeiros
(1949-2019)


Carlos Rafael Dias

Os belíssimos e tocantes versos de Bertolt Brecht, que abrem a canção Sueño con serpientes, de Mercedes Sosa, bem que mereciam, em louvor a Erivanda, uma pequena adaptação:

Hay mujeres que luchan un día y son buenas
Hay otras que luchan un año y son mejores
Hay otras que luchan muchos años y son muy buenas
Pero hay las que luchan toda la vida
Esas son las imprescindibles


Erivanda se encaixa, com todas as letras e todas a lutas, na terceira categoria de mulheres, as que lutam por toda a vida. Por isso, são imprescindíveis.

Na sua transcendência, Erivanda não encontrou a paz na sua integralidade. Mas, isso, não lhe foi um demérito. Ao contrário, sua paz não dependia de seu próprio bem-estar ou de uma busca espiritual egocêntrica. Não se pode conceber a paz sem que a justiça seja respeitada enquanto um valor intrínseco ao ser humano.

Erivanda era um ser coletivo em todo os sentidos. Se fez povo e pelos mais humildes e necessitados ela empenhou sua vida e sua luta. Então, como ela poderia encontrar o nirvana neste mundo caótico em que vivemos?

Ontem, fui prestar-lhe uma última reverência e observando o pesar que se abatia sobre as pessoas que a estavam velando, confirmei o que sempre achava: a gente colhe o que planta, mas tem pessoas que são mais do que isso. Algumas são sementes. Erivanda, agora, é a própria colheita.

Erivanda, literalmente, uma veneranda mulher. Deixou um imenso e indelével legado que a fará sempre presente onde tiver uma injustiça a ser reparada.

Erivanda Marielle Margarida da Penha, presente!

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