18 abril 2019

Cantora lírica cratense, Tatiana Vanderlei, fará concerto neste domingo na praça da Sé

Um dos grandes nomes da música erudita ligados ao Crato é o da cantora lírica Tatiana Vanderlei Figueiredo. Descoberta quando era estudante da Universidade Regional do Cariri (URCA), pela então reitora Violeta Arraes, estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba, onde graduou-se em Canto e fez pós-graduação em Performance do Canto Lírico. 



Na Itália, onde mora até hoje, fez mestrado, também em Canto, pelo Conservatório Alfredo Casella, obtendo nota máxima. Dona de uma grande extensão vocal, visto que é soprano coloratura, o mais agudo deste naipe, tem hoje uma consolidada e premiada carreira internacional.

16 abril 2019

Manhãs de sol intenso II - Por: Emerson Monteiro


À busca de respostas, eles viajam seres entre seres, minúsculos fragmentos dos tantos que passam livres na imensidão das noites. Sonhos multiplicam tantas horas de angústia, expectativas, e as histórias cortadas nas lâminas afiadas que sustentam dragões e realidades no correr das existências. Ação em tudo. Só ação de movimento insano. Vontades férreas, no entanto, de ver brilhar o sol constante do desejo de amar e ser amado, que domina as massas humanas. Vagas assustadas das luas e dos olhos presos aos depois, contudo são ferragens nas horas e nas cidades metálicas. Guerrilheiros da felicidade, resistem de todo custo a essas garras do Tempo; sustentam a fleuma de vencer os instintos e chegar aos Céus da realização, independente do que sofram durante o percurso, indiferentes aos custos da festa. Justificam as aparências do quanto lutam até vencer o desconhecido, superar o fugidio. De certeza, padecem da fome de sucesso, do prazer incontrolado e do apego ao chão.

Mas as manhãs igualmente mostram faces radiosas de luz, aves que balbuciam a brisa nas árvores, marulhar dos riachos lá fora; nisso, no palpitar dos instantes, caixas e caixas do invisível percorrem o mar imenso do espaço das palavras e dos sentimentos; a largueza do vazio silencioso, contundente, revira o turbilhão das horas, enquanto a natureza todos conforta e domina. Saber-se existindo e sorver o momento, eis a razão principal de tudo quanto circula nos humanos por vezes alegres, cheios de vida, que saem aos dias frios envoltos no manto dourado que os aguarda. Com isso, em face das fragilidades que ainda cobrem o mais íntimo coração, percorrem as calçadas quase que cientes da Verdade, e mergulham o impossível à cata de pedras preciosas e paz; de alma larga, sentidos ligados aos motivos de pisar a lama desses pântanos, eles descobrem pouco a pouco serem coautores da Libertação que lhes espera logo ali adiante no abismo do Infinito.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Curso de produção de mudas de pequi é ofertado para produtores rurais de Crato


Com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva do pequi no município, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Recursos Hídricos e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFCE, campus Crato, está desenvolvendo um projeto inovador cujo objetivo é a produção de mudas de Pequi na Floresta Nacional do Araripe – FLONA.

Os produtores de quatro comunidades, em sua maioria mulheres, participaram na sexta-feira, 12, e no sábado, 13, no Sítio Cruzeiro, de uma capacitação. O momento reuniu 20 participantes da Baixa do Maracujá, Santo Antônio e Cruzeiro, para aprender com os bolsistas Jouynbert Rodrigues e César Araújo, técnicas de produção do pequi, como processos, higienização, retirada da casca, secagem à sombra, entre outros passos.

 
 Uma das participantes, Margarida da Hora, não escondeu a alegria da realização do curso. Ela e o esposo, Antônio da Hora, já trabalham plantando mudas de pequi, no entanto, eles ainda não conheciam a técnica. Logo na abertura do curso, dona Margarida reforçou o agradecimento a Deus, a Prefeitura e ao IFCE pela concretização de um curso tão importante.

De acordo com a Professora Francinilda Araújo, uma das idealizadoras do projeto, a ideia é fortalecer a cadeia produtiva do Pequi no município e agregar valor para assim garantir a permanência do homem do campo no campo. A pesquisadora destaca a importância do pequi para a gastronomia
e tratamentos terapêuticos. “Esse curso de produção de mudas é a parte mais importante do processo. É a garantia da permanência do Pequizeiro aqui”, afirma.

Segundo o Secretário de Desenvolvimento Agrário e Recursos Hídricos, Zilcélio Alves, o principal objetivo da pasta é trabalhar o fortalecimento da cadeia produtiva do pequi, para isso o órgão e
parceiros incentivam a reflorestação da Chapada do Araripe. Além do curso e a produção de mudas, a industrialização do pequi também faz parte das ações do projeto.

Fonte: Gazeta do Cariri

15 abril 2019

Alienação permitida - Por: Emerson Monteiro


Bem longe disso daqui, em mundos lá distantes no infinito cósmico dos dias, chega de mala e cuia o anseio tosco de se imaginar ainda mais distante. Isto por conta do mau gosto que resolveu taramelar nas pernas dos pontos de encontro da pobre sociedade capitalista que quer dominar o mundo de hoje. Queira olhar isso e veja o que mostram os oráculos em que viraram as televisões e seus filmes esquisitos, de negro extremo, só assunto de causar espanto, e que nem um pouco me interessam, sejam quais forem eles desde que preguem o medo de viajar no tempo. Porque decidi, de alma lavada, escorar nos cantos dos anonimatos o ser ansioso que imprimia vontades de transformação social e que chegou assim troncho, de péssimo gosto, o resultado que oferecem agora. Foram décadas de luta. Horas clandestinas. Porres de esquecer o universo daquelas horas amarguradas. E em que os tais prometedores de revisão do quadro até parece que esqueceram de vez daquilo que antes disseram que fariam depois das possibilidades adquiridas a longas penas. No entanto resolvo deixar de lado o que me apresentam de renovação, e imponho a mim mesmo o forte impulso de esconder a cara nos vagões de bagagem que deslizam rumo ao desconhecido, porém querendo achar meios de alegrar a consciência na busca de valores maiores, fruto da religiosidade que mora dentro de toda criatura. Espécie de apocalipse pessoal, devolvo às eras findas o território da esperança em forma de realização do pensamento em amor aos semelhantes e práticas que acalmam os dentes do animal que impõe as condições sócio-políticas, culturais e ambientais desse momento, o que serve de alimento às feras que fabricam e vendam as armas das guerras fraticidas, corrompem as gerações no uso de drogas, jogos e prostituição, vítimas do desejo insano de nutrir a pouca imaginação que corrói o sentimento feito lama de esdrúxulos pesadelos perdidos no véu das escuridões abandonadas.

Chega, chega de vender a paz a troco de querer acompanhar o ritmo dos vilões que imperam nos teatros da ilusão. Há fortes indícios de tranquilidade quando a gente decide preencher o espaço da existência por meio do gosto bem bom de novos sonhos recentes, na arte de amar e viver a própria vida com carinho possível e claro.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

14 abril 2019

Duas noticias divulgadas esta semana pela mídia

1 – Deputado diz que Vice-Presidente Mourão concorda: legado de Bolsonaro deve ser mudança de regime para monarquia

Monarquistas iniciam ocupação dos espaços de poder na Capital e planejam para o futuro tornar Brasília a Capital do Império Brasileiro

Fonte: Blog de George Marques

    Monarquistas estão animados com a perspectiva de mudança de regime no país. Durante o II Encontro Monárquico de Brasília ocorrido nesta quinta-feira (12) em um hotel no centro de Brasília, o deputado federal Luiz Philiphe de Orleans e Bragança confessou a cerca de 200 pessoas que o vice-presidente Hamilton Mourão teria concordado com uma mudança de regime do presidencialismo para a monarquia. Segundo ele, esse seria o legado futuro da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Mudança no regime tem que ser o legado.

    Previdência não deixa legado. É isso que a gente tem que fazer. E Mourão concordou”, disse o deputado federal Luiz Philiphe, o 29º da lista para assumir o trono.
Presente no encontro, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) enalteceu os “novos tempos” do Brasil. “Temos um presidente conservador, o ministro Moro, a Damares, o Ricardo Salles, são pessoas diferenciadas, pessoas patriotas com valores diferenciados”.Zambelli elogiou matéria da BBC News, que, segundo ela foi positiva para quebrar o “preconceito” da sociedade contra o movimento monárquico.

Monarquia é o melhor regime

No evento era clara a defesa da mudança de regime do presidencialismo para a monarquia. “Acredito que seja o melhor sistema para resolver as bases da família”, defendeu Zambelli. Para a parlamentar um monarca possui um perfil melhor para “cuidar” do país.
No final de março, um adepto da causa, o procurador Gilberto Callado de Oliveira, foi nomeado representante da sociedade civil no Inep (Instituto Nacional de Estudos Educacionais Anísio Teixeira), órgão responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensimo Médio). “Se o Bolsonaro colocou gente monarquista no governo, significa que ele não tem preconceito. Temos que presenteá-lo. Para instalarmos o parlamentarismo-monárquico, eu acho que a gente tem que se infiltrar em todos os partidos. É uma estratégia de guerra”, disse Zambelli.

2 – Tremula na Avenida Paulista, centro de São Paulo, a bandeira mais bonita do mundo

    No último domingo, dia 7, uma grande Bandeira do Império tremulou sobre a Av. Paulista, em São Paulo, tal qual um farol de esperança em dias melhores, enquanto milhões de brasileiros iam às ruas de norte a sul deste grandioso País, a fim de protestar contra a corrupção generalizada de nossas instituições.

     Muitos monarquistas estiveram presentes nas manifestações, com objetivo de mostrar aos nossos patrícios que não existe solução de longo prazo dentro do atual regime, mas apenas possíveis paliativos, e que somente a restauração da Monarquia Constitucional poderá devolver o Brasil ao glorioso caminho que vínhamos trilhando, e que foi interrompido pela quartelada republicana de 15 de novembro de 1889.

    A Família Imperial apoia integralmente os brasileiros em sua luta – sempre ordeira e benfazeja – por um País melhor, na plena certeza de que devemos promover para o primeiro plano tudo aquilo que nos une, em um esforço comum para soerguer o Brasil, de modo que, restaurados o regime monárquico e nossos valores e tradições perenes, esta possa ser, verdadeiramente e sempre mais, a Terra de Santa Cruz!

13 abril 2019

A voz da consciência - Por: Emerson Monteiro


Andar neste mundo de olhos e ouvidos ligados às ondas dos mares azuis, e vezes sem conta a indicar oportunidades mil de amar, escutar o tempo nos sons maviosos de vozes distantes aqui bem perto, a voz da consciência. Ela que diz de amar, dos sentimentos fortes da pura beleza inigualável, que eles os poetas sabem disso e alimentam no martírio dos corações que ainda doem. São sinais viajando na brisa que nos invade pouco a pouco almas adormecidas no vendaval de si mesmas, naus das procelas dos grandes navegadores a dobrar lugares nunca imaginados, pousos de remota paz, alimento dos deuses que insistem de querer chegar mais longe, além das próprias forças.

A voz que fala de mim, de ti, de todos. O poder infinito do Amor que a tudo pode, que transforma o coração das gentes e modifica o sabor dos acontecimentos. Amar, verbo definitivo das ações dos humanos, eco das paragens da perene Salvação aonde quem ama evolui o mundo em Si, compõe o quadro da Esperança, irmã gêmea da Felicidade verdadeira.

Sempre contigo vem esse dispositivo de pudor inimaginável, elixir das carências e das dores, sabor de mel e sonho impossível de agora cruzar as fronteiras das emoções e chegar na pátria da tranquilidade ansiada. Portas abertas do Paraíso, nas histórias arcaicas, ela traz consigo o clarão e o trilho de viver as luzes no íntimo da existência. Consciência, o saber de Si.

Por isso, de sonhos e realidades consistentes, passo a passo nos corredores dessa caverna de eternidades, vão seres entonteados da luz que os aguarda logo ali, aqui, adiante no fervor dos céus. A braços, pois, com o afã das ocasiões, vamos reunindo os recursos da consciência que nos fala de claridades e conduz indivíduos aos sóis de paz.

12 abril 2019

Alfinetes e borboletas - Por: Emerson Monteiro


Enquanto as borboletas voam faceiras no vento, os alfinetes só pulam de galha em galha, também faceiros, resistentes. Naquela manhã, ele acordaria de olhos acesos de quem não dormira a noite toda, ou nunca dormira em hora nenhuma de todas as noites. Pouco sabia do mistério dos alfinetes e das borboletas; de que eles seguem borboletas coloridas ou foscas que passam nas ondas do vento, de flor em flor, nas manhãs ensolaradas. Sabiam inúteis que alfinetes são afiados no sentido de ferir as borboletas e grudá-las nos quadros da ilusão que existem no salão enorme das velhas mansões escuras.

Em menos de quarenta e oito horas ali estava ele desligado, abandonado nas escadas do porão, olhos presos no depois, arrastando os farrapos de antes, porquanto fora atingido de raspão pela ponta afiada de um desses alfinetes que vivem vagando acesos nas horas do tempo. Lindos olhos, de brilho intenso na boca, afagos melodiosos na voz, e ele absorto no fascínio impetuoso dos arpões insinuantes. Quase, palavrinha mágica, fizera com que fugisse chamuscado desses crivos metálicos de um dos alfinetes. Que vantagem, jamais saberá dizer, pois o doce encantador do canto do instrumento no ar lhe despertara de sonho de séculos, de que seria, um dia, ferido pelo clarão estonteador daquela espécie de animal de cheiro entre a morte e a vida, muito próximo da paixão, porém de veneno fatal.

Desse jeito, as borboletas e os alfinetes, dois seres que aparentemente nasceram um ao outro, e entre si trocam de alimento como quem troca de cartas em jogos noturnos. O açúcar e sal das espécies, delas, os humanos; deles, o limite das existências.

Vagam soltos na floresta e nas cidades, tanto alfinetes, quanto borboletas. Exemplo dos vícios e das virtudes. Atrás de cada borboleta existe um alfinete. Atrás de todo bicho corre uma assombração. Todos que se segurem no chão das almas, que aqui permanecem no período de virar em antigas borboletas pregadas a ferro nas coleções deste mundo matemático, dois a dois, um a um.

Centenário do professor José do Vale Feitosa será comemorado em Crato


Neste sábado, 13 de abril, a comunidade cratense festejará o centenário de nascimento do Prof. José do Vale Arraes Feitosa, pessoa que muito contribuiu para o setor educacional caririense, entre as décadas 40 a 70 do século passado. Este evento está sendo promovido pela Família Feitosa, Instituto Cultural do Cariri, IFCE–Campus Crato, Associação do Ex-alunos do Seminário São José–ADSUM e Escola Prof. José do Vale Arraes Feitosa.

Confira a programação completa:

Sábado, 13 de abril de 2019

– A partir de 8h: IFCE campus Crato:
Reinauguração da Trilha Ecológica José do Vale Arraes Feitosa e Reinauguração da biblioteca José do Vale Arraes Feitosa.
Local: CE 292, km 15, logo após o  bairro Gisélia Pinheiro (mais conhecido como “Batateira”).

– 11h:  Celebração de Santa Missa, presidida por Dom Gilberto Pastana.
Local: Capela São José (Seminário Diocesano São José, em Crato).

– 15h; Homenagem dos alunos e professores da  Escola Professor José do Vale Arraes Feitosa (localizada no Bairro Nossa Senhora de Fátima, antigo Barro Branco,  Zona leste de Crato).

– 19h30: Sessão Solene do Instituto Cultural do Cariri. Exibição do audiovisual produzido pelos filhos de José do Vale A. Feitosa.
Lançamento da edição especial da Revista Itaytera 2019.
Local: Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri.

Fonte: coluna "Caririensidade", por Armando Lopes Rafael

11 abril 2019

“República”: uma forma de governo mais cara do que a Monarquia – por Armando Lopes Rafael


     No Brasil os golpistas que implantaram a República, em 1889, justificavam a queda da Monarquia argumentando – entre outros sofismas – que a forma de governo monárquica saía cara aos cofres públicos. Não era verdade. Naquela época, os impostos dos brasileiros  sustentavam apenas uma família. Hoje pagamos a manutenção do atual Presidente da República, e mais 06 (seis) ex-Presidentes:  José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

       Na época da Monarquia, desde 1841 (e durante 48 anos longos anos), a dotação da Família Imperial Brasileira era de 67 contos de réis por mês. Nunca aumentou. E veja que o Orçamento Geral do Império do Brasil cresceu dez vezes, naquele período, pois o país tinha progresso. Uma das primeiras medidas do marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do presidente da República para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial! 

      Ademais, desde 2003, há 16 anos, uma lei aumentou os direitos para ex-Presidentes do Brasil. Fernando Henrique Cardoso aproveitou uma Medida Provisória, que definia o processo de transição do governo dele para o de Lula da Silva, e ampliou os direitos e mordomias dos ex-presidentes da República, incluindo as dele próprio. Hoje os ex-Presidentes têm à sua disposição 06 (seis) seis servidores e 02 (dois) dois carros oficiais (com motoristas). Todos com salários salários elevadíssimos.

       Tem mais: independente da elevada aposentadoria que  recebem os ex-Presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, eles podem nomear até 08 (oito) oito servidores para trabalhar diretamente com eles, sendo que dois desses funcionários ocupam cargos de DAS 5, com vencimentos de mais de R$ 7 mil mensais. 

           Não é à toa, que foi publicada uma notícia: só os custos com o Palácio do Planalto (um dos quatro que existem em Brasília)  são mais caros do que todos os custos do Palácio de Buckingham, da Família Real Inglesa.
Palácios republicanos em Brasilia
Palácio do Planalto
Palácio da Alvorada
Palácio do Jaburu
Palácio Granja do  Torto


Caririensidade



Turismo ecológico: nova atração do Cariri


   Inicialmente o turismo no Cariri restringia-se às romarias feitas ao Padre Cícero Romão Batista. A pequena vila que o Padre Cícero encontrou ao lá fixar residência, a partir de 11 de abril de 1872, depois do episódio que passou à histórica como o “Milagre da Hóstia” cresceu tanto, que hoje é a maior cidade do interior cearense, possuindo cerca de 270 mil habitantes. Depois, foram as descobertas das riquezas paleontológicas que criaram novo fluxo turístico ao Cariri.  Hoje, graças as belas paisagens da Mata Atlântica, existentes na Chapada do Araripe, surge o turismo ecológico atraindo visitantes de todo o Nordeste. 

       Esse novo viés turístico, vem sendo explorado através de trilhas (percorridas a bicicleta ou a pé), como também por outras atrações como rapel e balonismo.  É cada vez maior o número de pessoas que procuram a Floresta Nacional do Araripe–Flona, para caminhadas, pedaladas ou pratica de esportes. Grupos de Educação Ambiental vêm sendo criados e o filão é responsável pela ocupação dos dois hotéis que foram construídos no supedâneo da Chapada do Araripe: o Encosta Hotel da Serra e o Pasárgada Hotel. 

Patrimônio histórico-religioso do Cariri: a Capela do Santíssimo Sacramento da Catedral de Crato


    Construída em 2011, pelo então Cura da Sé de Crato, e hoje Bispo de Tianguá, Dom Francisco Edimilson Neves Ferreira, o projeto desta capela é do arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho. Ele a projetou para ser um ambiente simples, mas imponente. Ao fundo daquele espaço, fica um retábulo de madeira em estilo colonial rústico. Lá, está colocado um grande sacrário de metal branco, com desenhos dourados em alto relevo, do século passado. O sacrário está ladeado por dois Querubins, esculpidos em de resina, no estilo sulpiciano, obra do artesanato de São João del Rey, Minas Gerais. A lâmpada do Santíssimo Sacramento, em estilo gótico, foi também restaurada, pois já servira à antiga capela do Sagrado Coração de Jesus da mesma catedral.

  Na parede direita da capela foram colocadas duas pinturas em madeira com motivos litúrgicos. Ali também foram colocados dois artísticos e belos vitrais. Um deles, com o desenho da Mãe do Belo Amor, homenageando a primeira imagem mariana venerada na conurbação Crajubar. A imagem original, que inspirou a do vitral – segundo piedosa tradição – foi trazida para a Missão Miranda, por volta de 1740, pelo fundador de Crato, Frei Carlos Maria de Ferrara. Diga-se, de passagem, que a pequena imagem da Mãe do Belo Amor ainda existe, em excelente estado de conservação, guardada na Casa Paroquial. O segundo vitral da Capela do Santíssimo reproduz São Fidelis de Sigmaringa, oficializado por Dom Fernando Panico como “Co-padroeiro” de Crato.

Centenário do Prof. José do Vale Arraes Feitosa

   Neste sábado, 13 de abril, a comunidade cratense festejará o centenário de nascimento do Prof. José do Vale Arraes Feitosa, pessoa que muito contribuiu para o setor educacional caririense, entre as décadas 40 a 70 do século passado. Este evento está sendo promovido pela Família Feitosa, Instituto Cultural do Cariri, IFCE–Campus Crato, Associação do Ex-alunos do Seminário São José–ADSUM e Escola Prof. José do Vale Arraes Feitosa.

Confira a programação completa

Sábado, 13 de abril de 2019

– A partir de 8h: IFCE campus Crato
Reinauguração da Trilha Ecológica José do Vale Arraes Feitosa e Reinauguração da biblioteca José do Vale Arraes Feitosa
Local: CE 292, km 15, logo após o  bairro Gisélia Pinheiro (mais conhecido como “Batateira”)

– 11h:  Celebração de Santa Missa, presidida por Dom Gilberto Pastana.
Local: Capela São José (Seminário Diocesano São José, em Crato)

– 15h; Homenagem dos alunos e professores da  Escola Professor José do Vale Arraes Feitosa (localizada no Bairro Nossa Senhora de Fátima, antigo Barro Branco,  Zona leste de Crato)

– 19h30: Sessão Solene do Instituto Cultural do Cariri. Exibição do audiovisual produzido pelos filhos de José do Vale A. Feitosa.
Lançamento da edição especial da Revista Itaytera 2019.
Local: Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri

Temporada das chuvas no Cariri em 2019


O estrago deixado pelas chuvas em duas fortes chuvas que caíram na cidade de Crato
 
  Em setembro de 2018, o Centro de Previsão Climática do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), dos Estados Unidos, anunciou que o Ceará em particular – e a Região Nordeste, de um modo geral – poderiam ter chuvas abaixo da média histórica em 2019. Isso porque, segundo aquele instituto, a possibilidade da ocorrência do fenômeno climático El Niño (no fim de 2018 e início de 2019) chegaria a 70%, de probabilidade. Errou feio a previsão. Neste ano tivemos uma das maiores temporadas de chuvas no Cariri, nas últimas décadas.

      Em 2019, na cidade de Crato, os pluviômetros do bairro Lameiro (situado próximo ao supedâneo da Chapada do Araripe) registraram os seguintes números no tocante às chuvas caídas: em janeiro, 192,.8mm; em fevereiro, 219,2mm; em março, 391,8mm, e em abril (até a manhã do dia 10) já tinha chovido 338,2mm. Choveu, portanto,  1.142mm em Crato, até o presente.

As chuvas no Cariri de outrora

      A exemplo de todo o semiárido do Nordeste brasileiro, também na Região do Cariri cearense a regularidade da chuva é o principal fator que afeta a vida de sua população. No entanto, o Vale do Cariri sempre possuiu uma precipitação de águas pluviais maior do que a registrada nos sertões nordestinos.  

        Tendo em seu território parte considerável da Chapada do Araripe, o município de Crato (excetuando os anos de seca generalizada) sempre teve uma das melhores distribuições de chuvas do Sul do Ceará, com uma média anual de 1.142 mm.
     
         Irineu Pinheiro, no seu clássico livro “O Cariri”, editado em 1950, escreveu que: “É o Cariri uma estreita faixa de terreno sertanejo com fontes que nunca secam. Para a vida humana, o Cariri é um presente da Chapada do Araripe”. Infelizmente, o desmatamento na Chapada do Araripe e sítios próximos a ela, a destruição da mata ciliar dos rios e riachos, resultou na diminuição das chuvas no Cariri.  A maioria das fontes perenes secou. O crescimento vertiginoso da população na conurbação Crajubar (Crato-Juazeiro-Barbalha) também contribuiu para que hoje a água esteja rareando. A bem dizer, o Cariri não é mais aquele oásis de que falavam nossos pais e avós.

Humberto Mendonça recebe homenagem -- por Armando Lopes Rafael


   Promovido pela Universidade Regional do Cariri–URCA, através da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico do Cariri (Fundetec), foi realizado na cidade de Crato o Seminário para o Desenvolvimento Industrial do Cariri. Os promotores desse evento concederam a José Humberto Mendonça o Certificado de Reconhecimento Empresarial, em reconhecimento pelos serviços que Humberto Mendonça prestou ao desenvolvimento industrial do Cariri. 
 
     Humberto Mendonça nasceu em Brejo Santo, mas passou a infância em Juazeiro do Norte, auxiliando meu pai, Aurino Mendonça, que era comerciante na Terra do Padre Cícero.  Jovem, casou-se com Maria Antonieta, sua companheira até os dias atuais. Foi com o sogro, o industrial Antônio Alves de Morais Júnior, que Humberto Mendonça iniciou suas atividades empresariais.

       Crato foi o palco das principais atividades de Humberto Mendonça. Nessa cidade ele obteve graduação universitária em Direito. Lá acumulou responsabilidades em órgãos representativos das classes produtoras, a exemplo das Presidências da Associação Comercial do Crato e da Associação de Maquinistas de Algodão do Nordeste (AMANE). Por longos anos foi sócio do Rotary Clube de Crato. Atuou em diversas instituições sociais e culturais voltadas para a promoção do progresso do Sul do Ceará. Também participou da vida política de Crato quando foi eleito Vice-Prefeito dessa cidade.

         Ademais, visando estimular a criação de novas oportunidades para o progresso e desenvolvimento do Cariri, Humberto escreveu centenas de artigos que foram publicados na imprensa cearense. Coordenou e promoveu encontros com as mais altas autoridades do Nordeste, a exemplo da realização, em Crato, da reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, em 1982. Contribuiu para concretização de eventos e seminários diversos, todos com o objetivo de mudar, para melhor, as condições de vida do homem caririense.

          De modo que a homenagem que lhe foi prestada pela URCA, expõe os talentos que Deus concedeu a José Humberto Mendonça. Tais talentos não foram utilizados só para o proveito próprio. Humberto os repartiu em favor do próximo e para o engrandecimento da região do Cariri.

10 abril 2019

As voragens do impossível - Por: Emerson Monteiro


Invés de só considerar valioso todo e qualquer gesto por mais tosco seja nesse mundo vão, aceitar o inevitável qual ponto de apoio e tocar adiante essa barca dos acontecimentos. Vem sendo assim desde que o mundo é mundo. As pessoas humanas consideram pouco válido o correr dos rios, no entanto alimentados os são nas cocheiras de infinitas vacilações, repasto das bestas e dos pesadelos, insistentes fatores dos desânimos continuados. Porém há que ser diferente antes do pôr do próximo sol, às cinco horas de qualquer dia.

Essas notícias que se espalham no vento, largadas fora das janelas do firmamento, alimentam, sim, mil visões dos subterrâneos da liberdade. Dizem das nuvens que jamais serão outras além dos sinais da sequência de tudo. Prudentes, passageiros, reviram a bagagem que transportam ao nada, somam os derradeiros trocados com que alimentariam as feras logo ali depois do tempo. Fixos nos desejos e esquecidos agarrados às paredes do depois, sofrem dos tratantes e das suas ingratas fortunas. Caminham à beira das novas experiências no instinto de reviver os sonhos já amarelecidos antes de ser lembranças.

Quantas vezes repetirão o impulso e susterão as aves no céu, nem eles mesmos sustentam de certezas os símbolos. Quisessem na força plena do querer, teriam descoberto a trilha da salvação, todavia jogaram fora as infinitas oportunidades. Perante, por isso, à força descomunal dos elementos em fúria, lhes resta aceitar de bom grado o resultado das loterias em que jogaram trastes e folhas mortas de árvores e livros. Quantos séculos ainda resistam ao furor das ondas nestes mares de Plutão das histórias sem fim.

Ah! Mas os tons das canções, a harmonia das cores, o ritmo das flores, isto mantém de vida o movimento, sem dores, nem maiores angústias que não a solidão das alturas, o triturar dos corações em festa. Marcas de recordações dos lindos amores e esperanças vivas, aonde foram guardar o sabor da felicidade, nem eles saberão. 

09 abril 2019

Jesus qual salvador da Humanidade - Por: Emerson Monteiro


Após reconhecer a sua desobediência, Lúcifer foi abordado por Deus a seguir o caminho do Bem, no que recusou terminantemente, achando-se superior ao nosso Superior. Disso, dessa posição de rebeldia, decidiu confrontar as leis de Deus e quis determinar a si um território na existência donde pudesse fazer frente aos poderes maiores e reinar conjuntamente. No entanto, face à total impossibilidade daquela pretensão, e diante da bondade do Poder, Lúcifer viu-se na condição única de enfrentar as determinações que os fatores do equilíbrio determinam, portanto seria, por isso, chamado a campo de batalha e ter de enfrentar as hostes do Bem numa grande e extrema batalha, levando ao confronto os exércitos de anjos decaídos que consigo trazia. Alegou, porém, a desigualdade, consignada pela desproporção das forças, conquanto o poder de Deus é infinito, o tanto não acontecendo com as forças do Mal.

Visto o senso de justiça que predomina junto ao Bem, foi proposta o teste da vinda de Jesus a viver as mesmas contradições da vida material, a fim de experimentar de igual para igual as condições vividas por Lúcifer e seus anjos, desafio proposto por ele. Decerto aceita essa condição, vista a bondade do Pai e sua infinita Misericórdia, Jesus veio a enfrentar, pois, todos os limites da vida na matéria, inclusive submetendo-se às tentações sucessivas de Lúcifer, senhor do reino da Terra, que o seguiu durante a passagem neste chão.

Nisso, Jesus trouxe consigo a Salvação, isto é, salvar pelo exemplo de sua história viva a incorrer nas circunstâncias humanas no mundo material e suas fragilidades, com isso demonstrando a fórmula exata de se libertar das condições terrenas e ganhar os níveis superiores, conquista obtida em definitivo no plano espiritual pelos seus seguidores que quiserem largar os apegos da matéria e o segmento de Lúcifer. Eis o modo pelo qual significa a Salvação que veio aqui propagar entre nós seres humanos, de vencer o mundo e resgatar os espíritos a Deus. Daí dizer-se que Jesus morreu por nós e resgatou nossos pecados na Cruz, sem, mesmo assim, dispensar que devamos, também, fazer a nossa parte e seguir os seus passos, seus ensinos, na vida material através das práticas da virtude e do Bem. Do jeito que precisou aceitar as condições de ter de vir à Terra e confrontar as fraquezas da matéria e vencer o mundo, os espíritos carece de renunciar ao eu velho e permitir que nasça em si Jesus, o Eu Maior. Não existe salvação sem a aquiescência e o entrega total dos humanos. Vencer o eu inferior e despertar o Eu Superior, o divino Espírito Santo, em nós, esta a missão das existências humanas que representa todas as oportunidades reencarnatórias a que vêm os espíritos nas suas tantas vezes que recebem o corpo físico, a fim de resgatar a si mesmo para Deus. Fazes por ti que os Céus te ajudarão, no dizer da linguagem popular.

Destarte, que cada um de nós faça sua parte a seguir Jesus no seu empenho que de vencer o mundo físico e ganhar a vida definitiva, razão essencial de todos os momentos enquanto aqui estivermos. Somos o campo das transformações do tanto espera a grande família humana por meio de todos os seres humanos, à luz da Eternidade, a aceitação da Salvação propiciada por Jesus.

CRATO: Oposição ao prefeito Zé Ailton Brasil - Grupo se prepara para 2020



O grupo de oposição ao prefeito do município do Crato Zé Ailton Brasil intensifica as ações na cidade e se reúnem para discutir um projeto futuro para o município.

Nesse final de semana quem esteve visitando o grupo foi o deputado federal Capitão Wagner ( PROS ). Na oportunidade, o deputado parabenizou o grupo que por sua vez é liderado pelo jovem médico Aloísio Brasil. No encontro, estiveram presentes os vereadores Jales Veloso, Nando Bezerra e o ex-vereador Darcio Luís. De acordo com Aloísio Brasil, um forte grupo está sendo montado para apresentar outro modelo de gestão para a cidade. O médico espera a vinda do ex - prefeito Samuel Araripe, que dará outra estruturação e rumos a esse grupo.

Fonte: Badalo
Via Blog do Crato


Abraham Weintraub, defensor do combate ao "marxismo" nas universidades, toma posse como Ministro da Educação nesta terça-feira


Fonte: “Diário do Nordeste”, 09/04/2019.

  O Governo Bolsonaro deu carta branca para o novo ministro da Educação e espera que a troca de comando retire o MEC da berlinda. Como sinalizado desde o fim de março, o filósofo colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido, nesta segunda-feira (8), e Abraham Weintraub, economista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), assumirá o cargo.

     Em seu currículo Lattes, na plataforma CNPq, o novo ministro informa que já atuou como CEO da Votorantim Corretora no Brasil e que atua há 20 anos no mercado financeiro. Abraham é especialista em Previdência e tem 15 livros publicados. Ele se define como liberal, seguidor da Bíblia. Quando indagado sobre o fato de ser nome desconhecido, responde que ele e o irmão são conhecidos no exterior. O irmão já foi pesquisador em Harvard, nos EUA. O novo ministro da Educação contou por diversas vezes que começaram a ser perseguidos dentro da universidade depois que o vínculo com Bolsonaro se tornou público.

Perfil

    Abraham já defendeu combater o "marxismo cultural nas universidades". Foi justamente esse perfil ideológico do ex-secretário-executivo da Casa Civil que fez com que o presidente Jair Bolsonaro o confirmasse para o cargo, apurou a reportagem com uma fonte do Palácio do Planalto. "Foi uma das pessoas que muito cedo acreditou na candidatura de Jair Bolsonaro.

     Foi, junto com muitas outras pessoas, um dos formuladores do plano de governo de Bolsonaro e é uma pessoa muito importante nas tomadas de decisões de rumo do nosso Governo", disse o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil). 

    Para o ministro, o presidente ganha com um "aliado leal" e capaz no MEC, "um administrador competente e honesto que sabe que a educação brasileira precisa ser transformada para verdadeiramente ser o caminho para que crianças e adolescentes possam construir uma vida melhor para si e para suas famílias".

Liberdade de Expressão nas Universidades

Por Roger Scruton

Religiões oferecem certa comunidade. Elas preenchem o vazio do coração humano com a presença mística do grupo, e se elas de fato não fornecerem esse benefício, elas murcharão e morrerão, como as religiões do mundo antigo durante o período helenístico. Portanto, é da natureza de uma religião proteger-se de grupos rivais e das heresias que os promovem.

Os estudantes universitários de hoje têm pouco tempo para religião e tempo algum para grupos exclusivos. Eles são particularmente insistentes nessas distinções associadas à sua cultura herdada – entre sexo, classes, e raças; entre gêneros e orientações; entre religiões e estilos de vida – tudo deve ser rejeitado, em prol de uma igualdade que compreenda e permita que cada um seja quem realmente é. A “não discriminação” é a ortodoxia dos nossos dias. No entanto, essa aparente abertura da mente é tão determinada a silenciar o herege quanto qualquer religião estabelecida.

Pode não haver conhecimento prévio de como novas heresias podem ser cometidas, ou o que exatamente elas são, já que a ética da não-discriminação está constantemente evoluindo para desfazer as distinções que eram apenas ontem parte do tecido da realidade. Quando Germaine Greer fez a passageira observação de que, em sua opinião, as mulheres que se consideravam homens não eram, na ausência de um pênis, reais membros do sexo masculino, isso foi considerado tão ofensivo que uma campanha foi montada para impedi-la de falar na Universidade de Cardiff. A campanha não teve sucesso, em parte porque Germaine Greer não é qualquer pessoa. Mas o fato de ela ter cometido uma heresia era desconhecido para ela na época e, provavelmente, isso só ocorreu aos ouvidos de seus acusadores durante a prática do “ódio de dois minutos” daquela manhã.

Mais bem-sucedida foi a campanha para punir Sir Tim Hunt, o biólogo vencedor do Prêmio Nobel, por fazer uma observação indelicada sobre a diferença entre homens e mulheres no laboratório. Uma caça às bruxas em toda a mídia levou Sir Tim a se demitir do seu cargo de professor na University College London; a Royal Society (da qual ele é um membro) quando a denúncia se tornou pública, e por conta disto foi isolado pela comunidade científica. Uma vida de distinto trabalho criativo terminou arruinada.

A ética da não discriminação nos diz que as mulheres são tão adaptadas a uma carreira científica quanto os homens. Não sei se isso é verdade, mas duvido que seja, e o comentário indelicado de Sir Tim sugeriu que ele também não acredita. Como eu descobriria quem está certo? Certamente, pesando as opiniões concorrentes no balanço de uma discussão ponderada. A verdade surge por uma mão invisível sob nossa variedade de erros, e tanto o erro como a verdade devem ser permitidos para que o processo funcione. A heresia surge, no entanto, quando alguém questiona uma crença que não deve ser questionada dentro do território favorecido de um grupo. O território favorecido do feminismo radical é o mundo acadêmico, o lugar onde carreiras podem ser feitas e alianças formadas através do ataque ao privilégio masculino. Um dissidente dentro da comunidade acadêmica deve, portanto, ser exposto, assim como Sir Tim, à intimidação pública e ao abuso; e na era da Internet essa punição pode ser ampliada sem custo para aqueles que a infligem.

Este processo de intimidação deve lançar dúvidas, na mente de pessoas razoáveis, sobre a doutrina que a inspira. Por que proteger uma crença que está em seus próprios pés? A fragilidade intelectual da ortodoxia feminista está aí para todos verem, no destino de Sir Tim. De fato, a University College London e a Royal Society demonstraram, em sua recusa em proteger Sir Tim da chocante nuvem de idiotas, o triste estado do mundo acadêmico que hoje está perdendo todo o sentido e o papel como guardião da vida intelectual. Como Jonathan Haidt argumentou com louvor, no exato momento em que as universidades defendem a diversidade como um valor acadêmico fundamental – significando por “diversidade” tudo o que incluí sob o termo “não discriminação” – a verdadeira diversidade pela qual uma universidade deveria ter uma posição, ou seja, a diversidade de opinião que tem sido constantemente corroída, e, em muitos lugares, completamente destruída.

A educação tradicional tinha muito a dizer sobre a arte de não ofender. A educação moderna tem muito mais a dizer sobre a arte de se ofender. Isso, em minha experiência, tem sido uma das conquistas dos estudos de gênero, que mostra aos alunos como se ofender com o comportamento, com as palavras, os pronomes, as instituições, os costumes, e até os fatos, sempre que a “identidade de gênero” é questionada.  Não foi preciso muita educação para que as mulheres antiquadas se ofendessem com a presença de um homem no banheiro feminino. Mas é preciso muita educação para ensinar uma mulher a ver como ofensivo um banheiro feminino onde os homens que se “identificam” como mulheres são excluídos.

Semelhantemente, os estudantes de hoje são encorajados a exigir “espaços seguros“, onde suas vulnerabilidades cuidadosamente nutridas não serão “inseridas” em algum tipo de crise. A resposta correta para isso, é convidar os alunos a procurar um espaço seguro em outro lugar que não aquele que as universidades parecem considerar, visto que, afinal, cada aluno é um ativo nas contas e censura é de graça.

Acredito que uma instituição na qual a verdade possa ser procurada imparcialmente, sem censura, e sem quaisquer penalidades impostas a quem discordar da ortodoxia vigente, é um benefício social além de qualquer um que possa ser alcançado por meio do controle sobre opiniões alheias. Se a universidade renunciar a seu chamado quanto aos argumentos direcionados à verdade, corre o risco de se tornar um centro de doutrinação sem doutrina, um modo de fechar as mentes sem o grande benefício conferido pelas religiões, que embora também fechem a mente, o fazem em torno de uma comunidade moral e real.


Artigo Original: Free Speech and Universities
Tradução de Natan Falbo
Fonte: http://contraosacademicos.com.br/

07 abril 2019

As razões do coração - Por: Emerson Monteiro


As tempestades da alma e os conflitos dos sentimentos indicam tais raciocínios da filosofia, de deparar nas horas a fio mergulhos noutras dimensões do ser aonde só bem poucos hão de exercitar a coragem de chegar mais adiante. Viagens às profundidades da consciência, incursões aos abismos da essência primordial donde advêm as larvas e respostas ao exercício de viver.

Esses padrões de mergulhar nas águas do Infinito ocasionam descobertas pouco vistas no comodismo, quando muitos desistem de saber além da superfície; permanecem no lodo e pescam peixes menores. As circunstâncias abissais, por isso, deixariam cicatrizes e exigiriam o mínimo de heroísmo face aos metais da solidão, do silêncio, isolamentos e prudência.

...

Esses místicos que desaparecem vez por outra num abrir e fechar de olhos, avatares, profetas, santos, significam, pois, meros desbravadores ocasionais, senhores do inesperado e arautos arremessados pelo furor das determinações históricas; abraçam leis inexplicáveis aos mortais e seguem rumo do desconhecido pelas entranhas do impossível. Todo tempo marcam época e definem a sequência dos acontecimentos. Fogem do determinismo e preveem novas legendas aos humanos arrastados nas ondas.

E nesse procedimento das explicações, vêm os vários nomes do Poder da imortalidade, as notícias que eles, os precursores, dão das incursões que promovem aos píncaros da eterna gloria. De lá, trazem notícias variadas, as ditas razões do coração, de contar de presenças dos entes com que se deparam nas encruzilhadas do mundo invisível, gigantes, aves de proporções inigualáveis, de sombra que cobre toda a superfície da Terra, animais que vomitam fogo das narinas, dançarinos de ritos fantasmagóricos, batalhas siderais de anjos armados e espadas de fogo, naves munidas a energia vinda captadas nas correntes atmosféricas, lontras munidas de mil cabeças e conduzidas aos deuses inevitáveis da sorte...

Daí o esforço da razão de reconhecer o quanto valores do coração predominam e superam quaisquer justificativas do médio raciocínio da espécie, sucumbindo ao absurdo e reconhecendo profecias de final dos tempos conhecidos.

O tempo é o Senhor da razão: Lula, Doutor Honoris Causa da URCA – por Armando Lopes Rafael

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...”

(do soneto Via Láctea, de Olavo Bilac)


  
No dia 7 de abril de 2011, há exatos 8 anos, publiquei o artiguete abaixo, sobre a enxurrada de títulos de “Doutor Honoris Causa” que eram entregues ao ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

***   ***   ***

    “Permita-me quebrar um pouco deste enlevo – pelo menos nesta única ocasião – para tratar de um assunto que traz discrepância e dissensão: a concessão de sucessivos títulos de Doutor Honoris Causa, por diversas universidades públicas (daqui e d’além mar), ao ex-presidente da República Luiz Inácio da Silva. A priori, lembro que tão logo foi eleito, em 2002, Presidente da República Federativa do Brasil, a Universidade Regional do Cariri – por iniciativa da então reitora Violeta Arraes – concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula. Talvez por ser uma universidade pequena, de pouca projeção, Lula nunca se dignou vir receber a homenagem. Diferentemente do que fez com outras universidades mais famosas  que lhe concederam idêntica honraria...

 (abro aqui um parêntesis, nesta transcrição de oito anos atrás: assolado por uma série de denúncias de corrupção, Lula veio percorrer – em 2017 – o Nordeste, numa daquelas “caravanas petistas”. E recebeu 15 anos depois, por oportunismo político,  numa solenidade mais política do que acadêmica, o título  concedido pela URCA. E o recebeu em cima de um palanque, no pátio externo do Centro de Convenções do Cariri).

     Reconheço que ao discordar dessas concessões terei o repúdio dos admiradores (alguns reles bajuladores) do ex-presidente, um homem de inegável inteligência que chegou ao mais alto posto da República. Não faltarão os que me tacharão de invejoso, preconceituoso, como sói acontecer com qualquer crítica – por mais justa que seja – feita ao político Luiz Inácio da Silva.

      Faço minhas as palavras do ilustre professor Délcio Vieira Salomon, da Universidade Federal de Viçosa (MG) quando protestou por idêntica honraria concedida a Lula, por aquela instituição:

     “A bajulação política não só banalizou a outorga do título “doctor honoris causa”. Transformou em princípio pedagógico e ético o que antes era comportamento repudiável. Que fique bem claro: historicamente um Doutor honoris causa (ou Doctor honoris causa) recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram um doutorado acadêmico de forma convencional e é conferido a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário, mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc.), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Sublinhe-se: transcendam e não atinjam, por demagogia ou por efeito de marketing, patamar do elogio gratuito”.

     “Afinal para quem acompanhou o governo Lula como observador, sem implicações interesseiras, sabe muito bem que aquilo que o Conselho Universitário da UFV chama de “defesa das causas sociais” é, no frigir dos ovos, nada mais que pura e deslavada demagogia. Quando este país aplicar honesta apuração das contas do governo passado, verá, lamentavelmente, que gastos públicos com bolsa família, bolsa escola e programas equivalentes a constituir “defesa de causas sociais” não passam de engodo já varrido para debaixo do tapete, do mesmo modo que se varreu o mensalão e quejandos malabarismos, a despistar a transparência, que nunca houve nos dois governos Lula Inácio da Silva”.

      Esta a minha opinião, na qualidade de simples e anônimo cidadão, no tocante ao seriado de títulos de Doutor Honoris Causa que pipocam, de forma orquestrada e unicamente com motivação política, ora concedidos ao Sr. Luiz Inácio Lula...

Texto: Armando Lopes Rafael, publicado em 7 de abril de 2011.

Irmã Edeltraut, um exemplo de vida – por Armando Lopes Rafael


 
  Faz mais de nove anos, no dia 16 de janeiro de 2010, participei, à noite, de uma solenidade – no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha – de lançamento do livro de Irmã Edeltraut, “Um pouco de perfume”. Aliás fiz a apresentação daquele livro, editado pela Realce Editora e Ind. Gráfica, Fortaleza (CE), 242 páginas, que resgatou alguns escritos de Irmã Edeltraut Lerch. A obra teve como editor, coordenador e revisor, o advogado e escritor Emerson Monteiro. E  recebeu apoio cultural dos empresários Raimundo Tadeu e Luiziane Alencar.

         Àquela época eu ainda não trabalhava na Cúria Diocesana de Crato, mas Dom Fernando Panico – então Bispo Diocesano de Crato – convidado especial para o evento, pediu-me para representá-lo, já que tinha um compromisso assumido antes e não podia ir à solenidade.

           Dois trechos do livro “Um pouco de perfume” que anotei:

       “Um japonês de 18 anos jogou-se de um rochedo, deixando como despedida este bilhete lacônico:
“Suicidei-me por não saber o sentido de minha vida”.
O que é afinal a vida?
        A vida é o que dela fazemos. Cada pessoa recebe de Deus uma chance. Livres, podemos valorizar ao máximo, ou jogar fora essa oportunidade que o Criador nos enseja.
Definimos a vida de acordo com a nossa filosofia existencial, segundo nosso lucro de valores. É a nossa mentalidade que empresta as dimensões a tudo. Somos o que pensamos”.

***   ***   ***

      “Torna-se velho quando se deixa de progredir na vida. Cabe a cada um interrogar-se. Não passamos a ser velhos por ter vivido certo número de anos. “Passamos a ser velhos quando abandonamos o nosso ideal de vida” (General MacArthur)
         Alguém é velho quando os pesares tomam nele o lugar dos sonhos…”

06 abril 2019

Erivanda, uma veneranda e imprescindível mulher

Erivanda de Lima Medeiros
(1949-2019)


Carlos Rafael Dias

Os belíssimos e tocantes versos de Bertolt Brecht, que abrem a canção Sueño con serpientes, de Mercedes Sosa, bem que mereciam, em louvor a Erivanda, uma pequena adaptação:

Hay mujeres que luchan un día y son buenas
Hay otras que luchan un año y son mejores
Hay otras que luchan muchos años y son muy buenas
Pero hay las que luchan toda la vida
Esas son las imprescindibles


Erivanda se encaixa, com todas as letras e todas a lutas, na terceira categoria de mulheres, as que lutam por toda a vida. Por isso, são imprescindíveis.

Na sua transcendência, Erivanda não encontrou a paz na sua integralidade. Mas, isso, não lhe foi um demérito. Ao contrário, sua paz não dependia de seu próprio bem-estar ou de uma busca espiritual egocêntrica. Não se pode conceber a paz sem que a justiça seja respeitada enquanto um valor intrínseco ao ser humano.

Erivanda era um ser coletivo em todo os sentidos. Se fez povo e pelos mais humildes e necessitados ela empenhou sua vida e sua luta. Então, como ela poderia encontrar o nirvana neste mundo caótico em que vivemos?

Ontem, fui prestar-lhe uma última reverência e observando o pesar que se abatia sobre as pessoas que a estavam velando, confirmei o que sempre achava: a gente colhe o que planta, mas tem pessoas que são mais do que isso. Algumas são sementes. Erivanda, agora, é a própria colheita.

Erivanda, literalmente, uma veneranda mulher. Deixou um imenso e indelével legado que a fará sempre presente onde tiver uma injustiça a ser reparada.

Erivanda Marielle Margarida da Penha, presente!

05 abril 2019

Paz que vem de dentro - Por: Emerson Monteiro


Navegar esses mares imensos quando o sonho é a realidade e a realidade é só sonho. Vagar pelas galáxias e desvendar o quanto de mistério resta bem guardado nas estrelas e no coração, mergulhar oceanos de profundidades abissais... Naves únicas da presença de viver.

Tal e qual as aventuras humanas, lá um dia saíram todos à procura do fogo e descobrirão as cavernas do ser, espécie de percepção de uma primeira consciência, indício inevitável das camadas superiores ali dentro, depois das tantas agonias desfeitas em tantos nada. Isso perante uma tarde ao fim, durante a despedida melancólica do Sol no poente. Olhos postos nos farelos desses antigamente, quantas dores ficaram ali siderais abandonadas, motivo sincero da alegria de agora chegar à calma dos que revelam novos segmentos e querem dominar as fibras do sentimento.

Filmes, pois, das memórias somadas que indicam o prêmio da persistência no querer, os desejos incontidos gritam das origens que carecem da vontade no prosseguir fortemente rumo à essência do único pouso consistente diante de tudo, e que descerá nas quedas do desaparecimento e da ilusão de antes erguer aos infinitos o Eterno. Contemplar apreensões do desespero e sorrir além da inexistência.

Era este um ser em movimento, valores na elaboração das horas em simples felicidade. Nisso contemplar as sombras da caverna inda fria do labirinto, tocar às levezas nas mãos do passado e continuar através das notas da canção, sabores de viver em harmonia das certezas de possibilidades intensas.



Nos toques perpendiculares da luz nas folhas, os raios do dia adormecem penitentes ao sabor só de poucos, até então que regressem a mundos conhecidos em nova consciência. Será, no entanto, o padrão da libertação bem logo mais, na medida em que acalmem o senso de achar as pérolas e as razões de estar aqui. Nessa ocasião esplêndida, os frutos dourados da perfeição lhes tocarão os frutos da paz e reverterão processo de céus, terras e mares na descoberta de um Si definitivo.

03 abril 2019

Os autores das lendas - Por: Emerson Monteiro


Quase não temos movimentos maquinais cuja causa não possamos encontrar em nosso coração se soubermos procurar bem. 
                                                                           Jean-Jacques Rosseau

Às vezes me pego a ouvir por dentro músicas de antes, lá do tempo de detrás, das épocas quando vivia mais intensamente sonhos e melodias, e surgem, de repente, largados pelas paredes distantes do tempo essas vagas no vento, as mesmas, iguais, emoções daquelas horas. São pedaços inteiros de harmonia que restam assim gravados nem sei onde, contudo quais vivos traços de existências que jamais morreram e viajam gravados nos porões da memória, de mim escondidos, penhores daquelas ocasiões inesquecíveis.

Dia desses conversava com Gabriel, meu neto, que falou existirem estudos da permanência das ondas emitidas pelas máquinas humanas que sobrevivem nalgum lugar, firmes nas formas em que são feitas, que nunca desaparecerão. Sinto algo parecido quando ouço essas músicas que me marcaram com força, sobremodo as que tocam mais dentro as fibras do coração, mexem com a gente, quisesse ou não. Resistem nas notas, frases melódicas, com tal intensidade que regressam em frases inteiras de sentimento, saudade, ansiedade, valores, sintomas daqueles eus que fora naqueles momentos.

Nisso as lendas, senhoras madrinhas de longas histórias de um passado interno das criaturas que persistem para sempre nos refolhos dos mistérios assim bem guardados. Quais feiticeiros dos contos fantásticos, elas recontam as noites estreladas no passeio pelo eterno. Revivem próprios os roteiros das vivências e suas lições, tocam suavemente com a ponta dos dedos os sulcos da permanência e trazem de novo o sabor das viagens e aventuras.

Calados, quietos, velhos bruxos de antanho, em fases obscuras, mantém silêncios sepulcrais, no entanto entes imortalizados das horas fervilhantes, o coração das sombras no vales que fertilizaram os céus. Estranhos seres de outras dimensões, sujeito andarem aqui junto de nós, porém reservados sacerdotes dos reinos do Porvir, habitantes do país das lendas a que todos nós pertencemos.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

02 abril 2019

Há luzes na imensidão - Por: Emerson Monteiro


Pouco. Quase nada. Nada que seja. Isso que justifique a escuridão enquanto nós aqui sustentamos no barco a trilha das ondas monumentais. Esses heróis de si mesmos, vadios almocreves de perdidas ilusões, largados nesse mar sem dimensão, infinito cósmico, filhos das desconhecidas órbitas escondidas nas matas. E essa necessidade constante de achar a qualquer custo as pedras mais preciosas entre ostras abandonadas no fim de encher de cor as conchas do deserto da alma. Nós, argonautas do mistério.

Vez em quando, damos de cara nos rochedos, mas cheios de sonhos e tontos de paixão. Aprendizes da perfeição, tocamos praias do escuro continente, firmamos os pés nas areias e saltamos, outra vez, aos braços secos dos desejos, borboletas encandeadas na purpurina das estrelas.

Sabemos, talvez, o quanto dorme dentro do peito a certeza dos dias, sua claridade, seus cânticos maviosos de beleza e furor, a brisa que lava de paz o coração dos infiéis... Conhecemos de manchete a fome da visão, contudo fortes em querer espinhos quais alimento, e dói no sentimento o tanto que balbuciamos de prazer, esquecidos de buscar em nós próprios, de bem perto, só de estirar a mão, e saber que a Luz vive no íntimo das variações e nas horas que somem de tudo e deixam sempre fiapos grudados entre os dentes e o céu da boca. Amor, o amor, a matéria prima da felicidade, irmã maior da esperança e consciência absoluta de todo momento.

Isto, sim, o Criador na forma de suavidade que impera no Tempo, força descomunal, poder sem limites, razão das existências... Enquanto a gente prende os braços na ribanceira e fica assistindo restos de cenas fora do objetivo da missão de viver. Sei que preciso acordar sempre, os animais durmam o sono dos justos. Acalmar o firmamento pelas dobras destes segredos que fazem da gente espécimes de novas realizações, desde que aceitemos sonhar com as luzes de real intensidade.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).