01 março 2019

Mecanismos da oração - Por: Emerson Monteiro


Orar é a respiração da alma. 
                                                Gandhi

Quando deparo o extremo das crises espirituais, ali perante o eterno ser vivente que há em tudo, assustado, permaneço quieto qual quem saberá sair de mais um transe; revejo os meios ao dispor, no longo das estradas dos pensamentos, enquanto o corpo dói nalgum lugar da geografia silenciosa do sentimento; e observo em volta, semelhante aos que se perdem nos lugares desconhecidos. Analiso as partes do todo. 

Nessa hora, crio as mínimas condições de imaginar que não seja comigo o que vivencio, que persiste aqui do lado um eu que sara as culpas que carrego e deposita em lugar fora de mim aonde possa rever e corrigir em dado momento futuro, reencontrar o que possa substituir na evolução em frente e conter a fúria das interrogações de agora, o que não suportaria naquelas ocasiões de quando errara.

O que tantos chamam de fé, que existe nos que na têm... Energia soberana da natureza de que somos formados, que alimenta nas dores e oferece os instrumentos de reconstituir o caminho até então ignorado, por isso contrariado pelas ações impensadas.

Cabe descobrir o território de si próprio que ofereça melhores recursos de sobrevir diante dos limites da paz em polvorosa. Vêm as ofertas da religiosidade, os sonhados mecanismos da cura espiritual de que ouvira falar no decorrer do tempo, de que outros obtiveram frutos doces e coexistem no seio de nós mesmos. 

Erguer aos céus os olhos da alma e clamar misericórdia, alento no coração da tempestade avassaladora... Baixar a cerviz e exercitar os músculos da esperança de ser, um dia, recebido nas mãos da Graça superior e aceitar o poder infinito da prece, das luzes celestiais na Consciência. 

Sem desespero ou revolta, ou medo, ou agonia, elevar o padrão mental a um estado de concentração que possa permitir encontrar a força suficiente de exercitar as certezas de um Bem maior que rege e domina todo o Universo em nós.

(Ilustração: Angelus, de Jean-François Millet).

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