07 março 2019

Caririensidade (por Armando Lopes Rafael)


Estudos feitos sobre a flora e fauna do Cariri no século 19

1)  George Gardner

 Crato, 1859 (aquarela de José Reis)

   O primeiro a visitar o Cariri foi George Gardner, Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista inglês, nascido em Glasgow, Escócia. Muito jovem, aos 24 anos, em 1836, ele iniciou uma visita de estudos ao então vasto e importante Império do Brasil. Fruto dessa viagem – feita com o objetivo de estudar, observar e pesquisar o Império dos Trópicos – foi a publicação, em 1846, três anos antes da sua morte, de um livro somente um século depois traduzido para o Português por Albertino Pinheiro, com o título Viagem ao Interior do Brasil. (São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 p.)

    Ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura do Cariri, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, George Gardner avistou Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:

 “Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto. A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.
A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno”.

    2) Francisco Freire Alemão

   O segundo botânico a visitar o Cariri foi Francisco Freire Alemão (foto ao lado)

    Segundo monografia da professora Ediane dos Santos Nobre, e fruto da sua participação no  Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “Francisco Freire Alemão, botânico fluminense, chegou à pequena cidade do Crato, no sul do Ceará, no final de 1859, como presidente da Comissão Científica de Exploração das Províncias do Norte criada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IGHB) em 1856. A Comissão tinha como objetivo coletar dados sobre a fauna e flora brasileira. Essa iniciativa coadunava com um projeto nacionalista que visava ―conhecer em detalhe a geografia, os recursos naturais e as populações [...] como também instituir um discurso de saber, de cariz nacional e devidamente autorizado para inserir o país no prestigioso âmbito da comunidade científica internacional”.

    Chefe da seção botânica, Freire Alemão tinha como missão coletar exemplares da flora brasileira e embora a expedição não tenha concluído sua missão, os relatos deixados por ele em sua passagem pelo estado cearense interessam pela riqueza de detalhes sobre o cotidiano local (...) Na cidade do Crato, principal cidade do Cariri cearense, Freire Alemão ficou por dois meses –intercalando viagens para outros lugares –, entre dezembro de 1859 e março de 1860. 

Patrimônio histórico do Cariri: A igreja de Santo Antônio de Barbalha


A Igreja Matriz de Santo Antônio, localizada na cidade de Barbalha, é um dos templos católicos mais bonitos do Cariri. Aquela igreja barbalhense é o cenário da mais conhecida Festa de Santo Antônio, do Estado do Ceará. Bonita, limpa, bem conservada, a Igreja de Santo Antônio é uma das atrações do Centro Histórico de Barbalha, e atrai multidões, no mês de junho, nos festejos do seu padroeiro. Este templo está localizado na Rua da Matriz e ao seu lado encontra-se hasteado o famoso Pau da Bandeira, representando o tradicional evento que ocorre todos os anos na cidade e é divulgado pela mídia televisa brasileira.

História: como foi o regime de escravatura no Cariri

    No Cariri cearense, consoante tradição do imaginário popular, os escravos negros – na sua maioria – não sofriam a opressão e impiedade, como gemiam seus irmãos de raça nos cativeiros de outras províncias. Talvez por não existir no Cariri cearense uma elite econômica como ocorria nas províncias de Pernambuco, Bahia, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, dentre outras). No Cariri, os escravos (existiam as exceções, é claro) eram quase "gente da família". Esses negros compartilhavam - com humildade e submissão - os acontecimentos alegres e tristes dos seus senhores.

O episódio que denominou o Ceará de “Terra da Luz”

Monumento à libertação dos escravos no Ceará, localizado na cidade de Redenção

   Aliás, a província do Ceará foi a primeira do Brasil a abolir a escravidão da raça negra. Este episódio histórico, que ainda hoje nos enche de orgulho, levou José do Patrocínio – durante uma conferência, em favor da abolição – a denominar o Ceará de "Terra da Luz, Berço da Liberdade”. Como “Terra da Luz” ficou sendo conhecido o Ceará até os dias de hoje. Isto prova que parcela da sociedade brasileira de então também entendia que a escravidão se constituía numa gritante injustiça.

Região do Cariri não tem tradição carnavalesca

   Diferente de outras regiões brasileiras, o Cariri não inclui entre suas características culturais as tradições carnavalescas. Tirante a cidade de Várzea Alegre (onde os carnavais têm um pouco de participação popular) nas demais cidades do Sul do Ceará o carnaval se resume só a festinhas restritas com poucos “foliões”. O que vem a calhar para os tempos difíceis de hoje, quando o Brasil teve um PIB pífio (crescimento de só 1,1%) e contabiliza mais de 12 milhões de desempregados.

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