17 março 2019

As dimensões da Consciência - Por: Emerson Monteiro



Os tantos níveis da compreensão dos humanos deixam margem a classificar eles serem distribuídos em diversos graus de aceitação da mesma realidade, porquanto nem os dedos das mãos são iguais Há de quase tudo nesse universo das pessoas. Até parecem espécimes de raças estranhas e em conflito. Ora reagem pelos pés, ora pela cabeça, nos diferentes campos das experiências, desde guerreiros e pacifistas, a crápulas e santos.


Do zero ao infinito, pois, vagueiam feitos senhores do inevitável e dançam nas incertezas das noites, sujeitos da sorte e do inesperado que plantam e colhem à medida que clamam por liberdade. Vadios no mar aberto das circunstâncias, só preenchem as gerações e abusam das aparências que sustentam enquanto vivem as cotas de viver.

Tais dimensões escorrem dos lábios, semelhantes aos pendores nascidos no instinto e na inteligência, quais fossem de verdade, sendo, no entanto, meros fantoches da dúvida. - Será que estou certo? Eles são muitos, de tamanhos e cores, caprichos e pendores, vilões e mocinhos, nadas em formação, nuvens do espaço e do tempo.

...

Querer pensar em errado e certo agora significa tão só dois hemisférios da existência indivisível, lá na faixa estreita dos trilhos da Lei, encontro deles dois tarde ou cedo, quando ver-nos-emos face a face com a real fisionomia da Consciência. Dias enormes de chances que fecham, as portas apenas mostram o travo das palavras atiradas pela janela, vindas do coração da gente nas paixões. Seremos, sim, deuses que, contudo, já o somos, porém na proporção das realizações que as histórias determinam, habitantes dessas amarras que, soltas, voam pelo firmamento, bólides acesas em fórmulas esquecidas. O que parecia estágio definitivo vira, em poucas horas, traços nos céus, e nunca mais será o que antes fora.

Construção de cinema no Crato está paralisada há mais de um ano


Fonte: “Diário do Nordeste” – Por Antoônio Rodrigues, 17 de Março de 2019 

local onde seria construído o cinema

A previsão de inauguração das duas salas de cinema era para maio de 2018. O impasse quanto ao local de instalação da estrutura física afetou o cronograma das obras que segue sem prazo para conclusão 

Há mais de um ano, tapumes cercam parte do Largo da RFFSA, no Crato. Dentro dele, areia e tijolos abandonados assistem o mato tomar de conta. Lá, é onde deveriam ser erguidas duas salas de exibição pelo projeto Cinema da Cidade, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Porém, as obras estão paralisadas desde março do ano passado, após recomendação contrária emitida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, um novo local para sua instalação tem sido discutido.

O Crato foi uma das 10 cidades do interior cearense contempladas com a construção de um cinema. O município receberá duas salas que comportam 210 e 105 lugares em ambiente climatizado com instalações modernas. Orçada em R$ 2.169.524,00, a ordem de serviço foi assinada em outubro de 2017 e a previsão de entrega era maio do ano passado. Em contrapartida, as prefeituras municipais cederam os terrenos para a edificação do equipamento.

Inicialmente, o Mercado Central foi escolhido, mas por opção do prefeito, que pretende revitalizar o equipamento, foi descartado. Então, em audiência pública, foi escolhido o Largo da RFFSA, próxima a antiga estação ferroviária - hoje Centro Cultural Araripe.

O largo da RFFSA, onde está erguido a antiga estação ferroviária, sofreu intervenções "modernas", como as obras de urbanização e pavimentação, além da construção do Restaurante Popular e da Biblioteca Pública, ambos inaugurados em 2010. Mesmo assim, o processo da tutela pelo Iphan daquele espaço encontra-se em tramitação.

Apesar de atender algumas exigências da Secult e da Ancine - como a proximidade a centros culturais, áreas de periferia, praças, hotéis, restaurantes, pontos de transporte coletivo e fácil acesso - os técnicos do Iphan acreditam que a construção das salas no largo da RFFSA poderia comprometer a visibilidade de seu conjunto arquitetônico em suas especificidades e características, assim como sua importância histórica e econômica no contexto da cidade. A Secult acatou o parecer e decidiu suspender a obra.

Em nota, a Secult informou que a escolha do novo local que abrigará o cinema ainda está em fase de definição e análise pela Pasta e pelo Departamento de Arquitetura e Engenharia do Ceará (DAE). Contudo, o secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, acredita que o Parque Pedro Felício Cavalcante, onde acontece a tradicional Expocrato, deve ser o lugar escolhido. Vamos definir em reunião".

Já sobre os entulhos, areia, tijolos e tapumes deixados há mais de um ano no largo da RFFSA, Dedê antecipa que foi feita uma licitação para a retirada do material de construção e recuperação da área. Antes disso, por conta própria, a Prefeitura de Crato fez manutenção e limpeza no espaço. "A gente quer que resolva tudo antes do primeiro semestre. A decisão do novo local está aberta ainda", completa.

Nos outros nove municípios, a Secult informou que o projeto "Cinema da Cidade" segue com suas ações normalizadas e em andamento das atividades. O projeto encontra-se licitado em todos os municípios e em análise pela Caixa Econômica Federal (CEF) e pelo DAE. Ao todo, serão 20 salas construídas em cidades com mais de 20 mil habitantes que não possuam este tipo de equipamento. Os outros municípios contemplados são: Amontada, Aquiraz, Canindé, Cedro, Crateús, Iguatu, Itaitinga, São Benedito e Tauá. O investimento é de R$ 20 mi pela Ancine e R$ 12 mi pela Estado.
O Município do Crato é a único, dentre os dez que receberão salas de cinema do projeto "Cinema da Cidade" do Governo do Estado, que está com as obras paralisadas. O atraso já dura mais de um ano.

16 março 2019

Para você Refletir! - Por Maria Otilia.


Temos percebido que esta nova geração é a “turma “do imediatismo Não existe planejamento para as suas conquistas, e quando não conseguem seus objetivos imediatos,  na maioria das vezes buscam  externar a sua raiva,  sua decepção,  agride os outros ou  a si próprio. Dai o grande número de suicídios entre jovens. Postamos um pequeno conto para fortalecer nossa reflexão. Boa Leitura.

“Existe um ditado árabe que diz: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras”!”

Isso porque, antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. Atualmente, com as técnicas de produção modernas, esse tempo é bastante reduzido, porém o ditado é antigo e sábio.

Conta-se que certa vez um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher?”. O senhor virou a cabeça e, calmamente, respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”. Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que você vai deixar... Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que possam servir para todos e para o futuro.
Autor desconhecido


Para você Refletir ! -Por Maria Otilia


Nestes últimos dias, vivenciamos fatos lamentáveis de atentados  com grande número de vitimas fatais. Um destes foi em Suzano-SP, quando jovens invadem escola e matam muitos alunos e servidores. O outro ataque a uma Mesquita na Nova Zelandia, E ficamos nos perguntando qual a causa de tanta violência. No primeiro caso, podemos perceber que falta a efetiva vigilância dos pais em relação ao comportamento dos filhos e a segunda a forte cultura da intolerância entre os povos. Vamos refletir a partir de uma fabula sobre intolerância. Pois  esta não aceitação do outro como ele é, com suas crenças, seus valores, sua forma de pensar, até parece que agride o outro. E como pais e educadores temos o dever de trazer para dentro de nossas casas e da nossa sala de sala de aula, um repensar, a construção de uma forma diferente de ver o outro. Atitudes de respeito, de compreensão, de valorização da vida, de aceitação das diversidades. etc. Boa Leitura!
                                        O Menino que Pregava Pregos
Era uma vez um menininho que tinha um mau temperamento. O pai dele deu um saco de pregos a ele e disse que para cada vez que o menino perdesse a calma, ele deveria pregar um prego na cerca. No primeiro dia, o menino pregou 17 pregos. Nas semanas seguintes, como ele aprendeu a controlar seu temperamento, o número de pregos pregados na cerca diminuiu gradativamente… Ele descobriu que era mais fácil se segurar do que pregar aqueles pregos na cerca. Finalmente o dia chegou quando o menino não perdeu a calma mesmo. Ele então falou a seu pai sobre isto e o pai sugeriu que o menino agora tirasse da cerca, um prego por cada dia que ele não perdesse a calma. Os dias passaram e o menininho então estava finalmente pronto para dizer a seu pai que tinha retirado todos os pregos da cerca. O pai então o pegou pela mão e foram até a cerca. O pai disse: ”Você fez muito bem, meu filho, mas, veja só os buracos que restaram na cerca. A cerca nunca mais será a mesma! Quando você fala algumas coisas com raiva, elas deixam cicatrizes como esta aqui. Você pode enfiar a faca em alguém e retirá-la. Não importa quantas vezes você diz ‘desculpe-me’, a ferida ainda está lá. Um ferimento verbal é a mesma coisa que um ferimento físico.
“Convivemos e trabalhamos com as pessoas todos os dias de nossa vida”. Como tratamos estas pessoas?
Como nos relacionamos com elas?
O que esperamos delas? O que oferecemos para elas?
Quantas vezes você cumprimenta, ou agradece, ou mesmo demonstra com um gesto de carinho, a satisfação desta convivência e troca diária?
Quer ser feliz? Então, aja para isso!
Comece a mudança por você interiormente, em atitudes, que tudo ao seu redor mudará.
Pense nisso. Autor desconhecido.

Teresa Cristina: a terceira Imperatriz do Brasil, essa desconhecida --- por Armando Lopes Rafael



   Pouca gente sabe que o nome de Teresina, capital do Piauí, foi dado numa homenagem a Imperatriz Teresa Cristina. Esta, teria intermediado junto ao seu esposo, o Imperador Dom Pedro II, a ideia de mudança da então capital so Piauí, a cidade de Oeiras, localizada no alto sertão e sempre assolada por secas periódicas, para outra cidade a ser construída ao lado do Rio Poti.     Teresina é o início do nome TERESa, com o final de CristINA. Teresina foi a primeira cidade planejada que foi construída no Brasil.

   Nascida em Nápoles-Itália, em 14 de março de 1822, no berço da família Bourbon, Teresa Cristina chegou ao Brasil em 1843, com 21 anos. O casamento com D. Pedro II ocorrera por procuração, em 30 de maio daquele ano, na Real Capela Palatina, em Nápoles.


    Para que a aureola de sua esposa não fosse trocada pela coroa de espinhos, o Imperador Dom Pedro II aconselhou-a, com prudência e sabedoria, a limitar-se à sua dupla missão de esposa e mãe, e que nunca atendesse a pedidos de favores de quem quer que fosse, pois para cada pretendente servido haveria dúzias e centenas de pretensões malogradas.

    A Imperatriz Dona Teresa Cristina assim o fez. Sempre que se atreviam a importuná-la com pedidos, dizia:
– Isso é lá com o Imperador.

     Somente em 1998, quase um século depois de sua morte, é que Teresa Cristina foi homenageada pelos brasileiros – com uma exposição no Museu Imperial de Petrópolis – quando foi tratada como “A Imperatriz Silenciosa”.

***   ***   ***


     Por fim, encerrando esta croniqueta, faço minhas, as palavras de uma postagem do Face Book da Pró Monarquia (https://www.facebook.com/promonarquia/):

“A Mãe dos Brasileiros
   Nos quarenta e seis anos em que viveu entre nós, realizou a Augusta Senhora Dona Teresa Cristina, terceira Imperatriz do Brasil, o perfeito protótipo de virtudes cristãs, pelo que lhe coube o título de “Mãe dos Brasileiros”, no consenso unânime de todos os corações do nosso povo. A Imperatriz, nascida Princesa Real das Duas Sicílias e criada naquele Reino italiano, rapidamente se adaptou ao novo ambiente. Seu completo alheamento em relação à política, sua generosidade para com os necessitados, seu sorriso terno e o trato sempre amável que ganharam a admiração do povo. A Mãe dos Brasileiros foi, sem sombra de dúvida, a mulher mais popular e respeitada em todo o Império."

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier).

15 março 2019

A roda do destino - Por: Emerson Monteiro


Numa espécie de prisão aberta a que se submetem os humanos, ora estão em cima, ora embaixo, feitos fantoches de uma roda gigante de proporções monumentais que envolvem o Universo inteiro, e mais houvesse a envolver que fosse. Todos os seres, afinal, vivem nisto, sob as iguais condições de realizar o segredo adormecido das eras. Não nos cai único cabelo da cabeça, folha de uma árvore, sem a permissão de uma Lei... 

A isso chamam carma, ou lei do retorno, ou de causa e efeito, de reciprocidade, justiça, justiça, justiça... Em que lugar aonde fugir, esconder das peripécias e armadas este mundo interno, inexistência absoluta de saída; só o imenso, silencioso, território das atitudes a sol aberto, na manhã das histórias e dos vazios contundentes.

Quem planta o bem, colhe o bem; que faz o mal, nada tem, diz o poeta. Viver permite experimentar no bom senso os resultados que a ninguém deixam de fora, no correr das aventuras siderais. A caverna de Aladim e a busca da lâmpada maravilhosa da sorte amiga. Às apalpadelas, senhores da escuridão percorrem as paredes do inesperado, quase nunca dotados de coerência, amor, paciência.

...

Plantar, experimentar, sofrer, ter prazer, sonhar, viver, continuar, sofrer, alimentar, existir, imaginar, sentir, caminhar, semear, somar, conhecer, sofrer, conhecer, vivenciar, ensinar, aprender; círculos e movimentos espiralados em volta de si e dos demais. Vez em quando, acertar, esquecer, prosseguir, investir, expandir na consciência. Descobrir a essência que em tudo contém.

Desde as primeiras impressões, as pessoas sentiram essa possibilidade da revelação de novas descobertas na face dos mistérios. Aos poucos, crescem no desejo de identificar a justa solução dos dramas com que se deparam. Nutrem sacrifícios, vaidades, experiências, em troca das virtudes que iluminam o caminho da fortuna. Desfazem as ilusões dos apegos e abrem portas aos valores de filosofar e crer. Vem sendo assim desde o início, olhos abertos, inesperado e heróis, enquanto giram os céus noites sem fim. Olhos presos nas estrelas, vasculham as entranhas da alma na busca da felicidade... Criaturas, gerações e circunstâncias; à roda destas aventuras... Enquanto giram os céus, noites sem fim.

14 março 2019

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


1) Os Bezerra de Menezes: a saga de uma família aristocrática

  
 
 Brasão da Família Bezerra
    O jornalista e escritor Carlos de Laet, em artigo publicado no “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro, edição de 15 de novembro de 1914 escreveu: “Há uma nobreza do sertão (cearense) que estuda e sabe a sua genealogia. A família Bezerra (de Menezes) é nobre, em todo o rigor da acepção. (...) Sei que a “democracia” desdenha estas cousas: – e o mais curioso é que, ridicularizando questões genealógicas, no tocante à raça humana, cuidadosamente registra as procedências ancestrais dos cavalos de corrida. Supinas congruências democráticas!”.

     Alguns membros desse clã chegaram ao Cariri cearense e aqui fizeram história, iniciada com a figura emblemática do seu mais expressivo representante– o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Este título foi outorgado a Leandro pelo Imperador Dom Pedro I, em reconhecimento à lealdade do grande caririense à causa monárquica, no episódio da Revolução Republicana Pernambucana de 1817.

       Tinha razão Carlos de Laet. Já os historiadores Daniel Walker e Renato Casimiro escreveram o livro  “A Família Bezerra de Menezes– Fundação e Desenvolvimento de Juazeiro do Norte” (ABC Editora, 2011– 319 páginas) onde conta a saga desse clã aristocrático, oriundo da península Ibérica, e que se transportou para o Brasil no início da nossa colonização.

      Alguns membros desse clã chegaram ao Cariri cearense e aqui fizeram história, iniciada com a figura emblemática do seu mais expressivo representante–o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.

2) Presença dos Bezerra de Menezes na Monarquia e na República brasileira

     Plínio Corrêa de Oliveira  definiu muito bem o papel dessas famílias rurais nos albores do Brasil: “A Coroa portuguesa, movida pelo desejo de estimular o plantio da cana-de-açúcar – e assim consolidar a colonização e o povoamento do território, como também auferir ganhos econômicos – concedeu aos plantadores, que tivessem nas suas terras os engenhos apropriados para a produção do açúcar, algumas prerrogativas da antiga nobreza. Estes plantadores – "Senhores de Engenho" – vieram a constituir uma classe aristocrática, uma nobreza de fato".

     Descendentes do Brigadeiro Leandro, os filhos do casal  José Bezerra de Menezes e Maria Amélia – que viveu em Juazeiro no século passado – ocuparam todos os cargos políticos da República, à exceção apenas da Presidência e Vice-Presidência do Brasil. Senão vejamos: Alacoque Bezerra foi Senadora; Adauto, Humberto e Orlando (cumpriram mandatos de Deputados Federais); Adauto Bezerra foi, ainda,  Governador e Vice-Governador do Ceará; Também Humberto foi Vice-Governador do Estado; Orlando e Adauto foram ainda deputados estaduais; Humberto e Orlando foram Prefeitos de Juazeiro e Leandro foi vereador nessa cidade.

Caririenses ilustres: O Juiz de Direito intelectual


   José Flávio Bezerra Morais (foto acima)  é o Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Crato. Além da fama de uma pessoa correta ele é portador da fama de ser um bom intelectual. É autor de mais de dez livros, dentre eles: “Milagres do Cariri” (1989); “Histórias que ouvi contar” (1993); “Histórias de exemplo e de assombrações” (1997); “Nas veredas do fantástico” (2002). Sobre o Padre-Mestre Ibiapina já escreveu dois livros: o romance “A Sombra do Laço” (que está na segunda edição) e a biografia “Padre Ibiapina: histórias maravilhosas”. Atualmente está escrevendo uma obra sobre o Imperador dom Pedro II, ainda hoje considerado “O maior dos brasileiros”.



    Flávio Morais nasceu em Milagres (CE) em 1970. Já foi Juiz de Direito no Estado da Bahia (entre 2004 e 2005). Mas a saudade telúrica o fez fazer concurso para exercer idêntica função no seu estado natal. Exerce também o magistério no curso de Direito da Universidade Regional do Cariri. Por conta do que escreveu participou da 44ª Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil, em Bologna, Itália. Pertence a diversas entidades culturais, dentre elas o Instituto Cultural do Cariri. Trata-se de um intelectual de valor, além de um homem de bem a toda prova.

O Cariri é um exemplo de sucesso na produção de frutas irrigada

    A empresa agrícola Sítio Barreiras, localizada no município de Missão Velha, surgiu, em 1996, fruto da ousadia dos seus fundadores. Trata-se da pioneira em bananicultura no Cariri. Hoje, a empresa mantém centros de distribuição da sua produção em Fortaleza, Recife, Salvador, Teresina e Feira de Santana. Além do centro de produção de Missão Velha, a empresa Sítio Barreiras mantém centros, também, em Cajuapara (no Maranhão) e Ponto Novo, na Bahia.

     O Sítio Barreiras foi premiado no Great Place to Work 2014 no Ceará e, em 2015, no Ceará e também na Bahia.

Municípios do Cariri: Abaiara

 Igreja Matriz do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, na cidade de Abaiara

      A elevação à categoria de vila, da atual cidade de Abaiara, ocorreu através do Dec.Lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938, com o nome oficial de “Pedro Segundo”, em homenagem ao segundo Imperador do Brasil.  Naquela época a República ainda tinha certa credibilidade e o patrulhamento ideológico contra as coisas da Monarquia era mais forte do que hoje. Daí porque o nome Pedro Segundo foi substituído por “Abaiara”, que, na língua indígena, significa: “Homem Ilustre”. Dessa maneira, ainda de forma dissimulada, Abaiara continua homenageando o Imperador Dom Pedro II. Já a sua elevação à categoria de Município deu-se consoante Lei nº 3.921, de 25 de novembro de 1957, vindo a ser instalado a 25 de março de 1959. 

        Trata-se de um município pequeno, cuja economia provém das atividades agrícolas. Tem como Padroeira o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, a única denominação de paróquia do Cariri.

Peças valiosas do patrimônio histórico-artístico-religioso do Cariri

 Imagenzinha da Mãe do Belo Amor, a primeira a ser venerada em Crato, à época da Missão do Miranda


   Existem na Catedral de Crato três imagens da Virgem Maria, as quais –ao longo da existência desta cidade – foram veneradas como Padroeira. Todas, esculpidas em madeira, encontram-se em excelente estado de conservação. A origem da atual Catedral da Diocese de Crato remonta a uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída, por volta de 1740,  por Frei Carlos Maria de Ferrara (frade capuchinho)  dedicada à Santíssima Trindade e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e a São Fidelis de Sigmaringa (Padroeira e Co padroeiro de Crato, respectivamente). Durante os 379 anos de existência de Crato, essas três imagens da Virgem Maria compartilharam do cotidiano dos fiéis católicos residentes na cidade citada.


"Imagem Histórica" de Nossa Senhora da Penha, a segunda a ser venerada

   A primeira é uma pequena estatueta, conhecida como A Mãe do Belo Amor, medindo cerca de 40 centímetros que foi venerada de 1740 – primórdios da Missão do Miranda, núcleo urbano que deu origem a Crato – até 1745, quando aqui chegou a – segunda imagem, doada pelos frades capuchinhos do Convento da Penha de Recife. Esta segunda imagem – chamada histórica – havia chegado a Recife em 1641, aprisionada que fora por corsários protestantes, na costa da Guiné – na África – e transportada para a capital do o então Brasil Holandês.
Terceira e atual imagem de Nossa Senhora da Penha, a "Imperatriz e Padroeira" dos cratenses

    A terceira (e atual) foi adquirida em 1921, pelo primeiro Bispo de Crato, Dom Quintino. No entanto essa bela escultura ficou guardada durante 17 anos, pelo fato de a população cratense não ter aceitado a substituição da segunda imagem. Introduzida no altar-mor somente em 1939, pelo segundo Bispo de Crato, Dom Francisco Pires, a atual estátua vem sendo venerada há 80 anos como “Imperatriz e Padroeira” de Crato e da Diocese.

12 março 2019

A teia dos pensamentos - Por: Emerson Monteiro


Máquinas de criar existências, eis o que somos de juntar pedaços de significados e elaborar os dias inevitáveis do horizonte; instrumentos da natureza de retrabalhar os elementos dos sentidos e dizer a nós próprios a que viemos. Conter a química dos momentos e aferventar a ração diária das horas em forma de realidades, em detrimento da grande realidade que permanece incógnita sob a pele do firmamento, enquanto a que criamos quando muito ficará restrita às memórias de quem escreve, fotografa, grava, filma, e larga às hostes do passado, deixando, nas plataformas do tempo, estações sucessivas que se vão intermitentes pela janela do comboio.

Nós, entretanto, fazemos caso do pouco que nos cabe desses valores em movimento; corremos contra a fluidez dos episódios insistentes, lições continuadas de persistência; desejos de prosseguir além das barreiras do depois; só desejo, mera soma de fatores e fragilidades; nós, cavaleiros errantes do presente, sombras que deslizam apressadas na tela dos pensamentos. Às vezes pergunto o que restará dos fragmentos nas refeições de todo dia, quando nem de ontem nos lembraremos de mais?

Bom, mas insistem os pássaros a cantar, a flores a florir, o Sol a percorrer os céus; aonde dirigiremos tanta aflição de permanecer durante a faina do constante desaparecimento? Quantas músicas, livros, filmes, histórias, esperam de nós a compreensão, sabor e felicidade? Expedicionários do destino, pois, tangemos esses rebanhos das circunstâncias e sonhamos viver eternamente diante do fugidio que, esplendoroso, passa ritmado.

Ainda assim herdeiros da beleza universal que desfrutamos, no mistério do Paraíso das existências e usufruir do poder de ser infinito sem saber, à medida que interpretarmos o enigma da Consciência seremos parceiros fieis da Criação e tocaremos a valsa do instante, senhores de Si, porém que haverão de conhecer o segredo das virtudes logo ali nas dobras do caminho. Luzes em crescimento, nisso elaboramos a finalidade que nos traz aqui e alimenta, generosa, o jardim das nossas almas, filhos diletos do Amor maior.


(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Mundo de ficção - Emerson Monteiro


Mas, que outro se não esse daqui, palco da mais pura ficção, aonde os seres jamais morrem, e sim se encantam feitos pedras sagradas?! Eles, os alienígenas do espaço que fogem apressados quais farsas debaixo das nuvens, nas horas, e só desaparecem livres. Somem, simplesmente, astros de outras histórias que, de uma hora a outra, resolvem aceitar que autores os excluam da memória dos deuses e do capítulo seguinte, aqueles tais que antes fizeram a alegria de gerações inteiras, nos programas de auditório dos domingos à tarde, ou das tiras matutinas dos jornais, nas segundas-feiras. Surpresas desfeitas no ar, espécies de mágica de saltimbancos alucinados em feiras distantes, e nem apresentam as derradeiras cenas de despedida; só vão embora pelas portas dos fundos, e nunca mais.

São que nem peças de museus abandonados depois das guerras; elas viram sucatas de ponta de rua, largadas nas calçadas dos ferralheiros embriagados, ainda com o odor esquisito de fumo velho misturado a incenso das farras escurecidas, sombras das chuvas ao soluço do Verão. Isto que significa longas trajetórias das epopeias clássicas, heróis adormecidos e amarrados na popa dos barcos, a que nunca escutem o canto das sereias, restos de paixão e desengano.

Esses tais passageiros da agonia quando aqui descobrem, pois, que podem encantar-se nos mistérios gozosos, souvenires de antigas civilizações, saem conduzidos no bojo das naves interplanetárias. Bom saber quando descobrem o senso dessa imortalidade ainda durante o correr das luas; nisso, bem viver os acordos de paz e dormir sobre as vestes imundas de si póprios, lá longe dos temores e pesadelos. Mártires de lendas fantásticas alimentadas séculos para sempre, serão senhores de vida e morte, agora que encenam felizes diante da Eternidade. Nós, criaturas às vezes desumanas que passeiam pelas veredas da Sorte, os salvos que a isto esperam até o momento de regressar aos braços carinhosos da divina Consciência. 

(Ilustração: Foto, Emerson Monteiro).

11 março 2019

Jornalista Huberto Cabral agraciado com o Doutor Honoris Causa da URCA


O reconhecimento a uma das personalidades históricas do Crato e do Cariri ocorreu na última sexta-feira, 8, com a entrega do Título de Doutor Honoris Causa ao jornalista e cerimonialista, Huberto Cabral, considerado uma ‘enciclopédia viva’ da história regional. Aprovado por unanimidade pelo Conselho Superior da Universidade Regional do Cariri (URCA), a outorga ocorreu em solenidade presidida pelo Reitor da Instituição, José Patrício Pereira Melo.

Durante a cerimônia, Huberto Cabral também recebeu a Comenda Bárbara de Alencar, a maior do Município do Crato, entregue pelo prefeito do Município, José Airton Brasil, além dos diplomas da Câmara Municipal do Crato, Mérito Legislativo e Jornalista João Brígido dos Santos, e a Comenda Irineu Pinheiro, do Instituto Cultural do Cariri – ICC. A solenidade contou com a presença de autoridades como o vice-reitor da URCA, Francisco do Ó Lima Júnior, Bispo Diocesano, dom Gilberto Pastana, além do prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, familiares, amigos e intelectuais da região, jornalistas e convidados.

O título foi sugerido pelo artista, cantor e escritor Luiz Carlos Salatiel, com reunião do Consuni presidida pelo vice-reitor da URCA. A apresentação do outorgado foi realizada pelo proponente, professor da URCA e historiador, Carlos Rafael.

A abertura e condução da solenidade foi realizada pelo jornalista Antônio Vicelmo, colega de rádio de Cabral, que destacou um pouco da trajetória do comunicador, além historiador e cronista. “O seu trabalho constituiu o resgate das efemérides históricas, políticas e educacionais do Crato e do Cariri”, afirmou.

Huberto Cabral foi lembrado em suas funções, quando esteve à frente da assessoria de comunicação da URCA, prefeitura do Crato e Diocese, entre outras atividades desenvolvidas em grande parte de forma voluntária, sem remuneração, em prol do fortalecimento e divulgação das instituições e do Cariri.




Saudações ao outorgado - As saudações ao agraciado foram realizadas pelo médico e escritor, José Flávio Vieira, integrante do Instituto Cultural do Cariri. Ele destacou a importância da preservação da história pela universidade, ao citar o relevante trabalho desenvolvido por Huberto Cabral, concedendo o título de doutor a uma das mentes mais privilegiadas nascidas ao sopé da Chapada do Araripe.

Ele pontuou que Cabral foi figura presente nos grandes acontecimentos do Crato, nos últimos 60 anos. “A URCA hoje não reverencia apenas o mais importante repórter de nossa história, o mais importante memorialista, uma testemunha viva da história dos últimos 60 anos, mas oficializou-se um grau de doutor, que já lhe tinha sido outorgado pelos intelectuais e pela população mais humilde deste vale”, disse ele.

O escritor José Flávio utilizou-se do humor refinado em seu discurso, ao destacar, no auge dos 82 anos de vida do homenageado, que o Geopark Araripe acabou de descobrir o fóssil raro de pterossauro, o Humbertossauro Cabralis, destacando a relevância do novo doutor da universidade.

O proponente do título, professor Carlos Rafael, estimulado pela solicitação do artista Luiz Carlos Salatiel, destacou na trajetória profissional, importantes momentos da história do Cariri vivenciados por Huberto Cabral, incluindo a sua relevância para a comunicação do Crato e da região do Cariri, presente na instalação dos meios de comunicação da região, incluindo a primeira rádio dos Diários Associados inaugurada no interior do Estado, a Rádio Araripe do Crato, com a presença do magnata da comunicação brasileira, o paraibano Assis Chateaubriand, dono de um dos maiores conglomerados de veículos de comunicação da história do Brasil.


Ela ainda salientou que o título, ao lado de outras honraras recebidas por Cabral, refletem o brilhantismo de sua história, devotado à causa pública e ao progresso cultural e intelectual de nossa região.

O Reitor Patrício Melo, ao conceder o título de Doutor Honoris Causa em Ciências Humanas a Huberto Cabral, relatou a aprovação por unanimidade em 21 de novembro de 2018, em reconhecimento aos seus importantes serviços prestados à comunidade caririense, ao Estado do Ceará e à URCA, nas áreas da história, comunicação e cidadania.

Surpresa e emoção - Ao destacar a surpresa de saber do título e a emoção de estar na solenidade de entrega da honraria, o outorgado agradeceu a proposição do Departamento de História. “Ao tomar conhecimento da honraria, fiquei pensando a razão e a causa desta honra”, disse ele.



O novo doutor da universidade destacou que em toda a sua vida, nunca tinha visto uma formatura tão rápida. “Entrei nesse salão de atos com muita pompa, portando apenas o meu diploma de formado na faculdade de ciências ocultas e letras apagadas da universidade da vida, e vou sair como Doutor Honoris Causa, sem vestibular. Figurando, ainda, na galeria de honra das mais importantes personalidades já agraciadas com a honrosa comenda, considerando assim a maior desta universidade”, afirmou.


Fonte: Assessoria de Imprensa da URCA.

SAUDAÇÃO FEITA PELO ESCRITOR JOSÉ FLÁVIO VIEIRA A HUBERTO CABRAL POR OCASIÃO DA ENTREGA DO TÍTULO DE “DOUTOR HONORIS CAUSA” PELA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI- URCA, DIA 08 DE MARÇO DE 2019.

Parece que tudo passa para que recomece
desde o princípio, como se fosse novo, ou se observe
sem levar em conta algo que já existiu
e tampouco aquilo que virá, infindável.
Uma grande destruição, como se tudo se apagasse atrás de nós
a história, as lembranças, os valores existentes
e as imagens que nos governavam.
Alguém nos confidencia: rápido o passado se afasta de nós,
você vê como ele se transmuda, depois põe-se além do horizonte
e talvez nem mais exista, renuncia a tudo que é inútil,
se ainda recordações você preserva.
Mas, se a história passa
(ela própria é narrativa sobre a transitoriedade), algo permanece:
de cada conceito antigo uma ou outra raiz
e os rituais do culto de outrora límpidos em nós,
o diálogo entre nós e os filosofemas anteriores é possível.
No meio da charada contemporânea emerge o algarismo original.
.............................................................................................
Seremos capazes de devolver ao espírito cada centelha,
se agora testemunharmos que “tudo vive”:
o passado dentro do futuro, a sabedoria na loucura,
o conhecimento nas trevas,
e que tudo aquilo que na vida é rubro, vermelho escuro,
branco raiado de paixão, jamais se acinzente.
Miodrag Pávlovitch (1928-2014)
Tradução: Aleksandar Jovanovié


 Eis-nos todos, neste dia festivo, tepidamente abrigados pelos umbrais da Universidade Regional do Cariri, no doce mister de ungir, com o dignificante Título de Doutor, uma das mentes mais privilegiadas nascidas ao sopé da Chapada do Araripe. A honraria parece emergir em mão dupla, quando percebemos, com clareza, que a Academia, desde o seu nascedouro, pôs-se a imantar todo o sul cearense de ciência e sabedoria, mas, principalmente, trouxe consigo a possibilidade única e redentora de ampliar os horizontes humanos, dando instrumentos a pobres e desafortunados, apontando o único Shangrilá possível para o Brasil: A Educação. Um país ainda embebido nas distorções do Colonialismo e que, estranhamente, volta a sonhar com pesadelos que se tinham por superados:  a Escravidão, a perseguição de movimentos libertários e sociais, a chacina de minorias, a censura, a justiça com exoftalmia, o ar rarefeito e plúmbeo. A Universidade, antídoto de tantos desses males, o reverso desta moeda, sofre o garrotilho vil e previsível. Professores são achincalhados, patrulhados, submetidos a salários aviltantes, impelidos a dar ordens unidas ao invés de aulas.  O Conhecimento será sempre revolucionário, a Academia faz-se   o inimigo natural dos déspotas. E aqui estará ela sempre a apontar, alheia aos sátrapas, aos tiranos e aprendizes de verdugos que a Educação é, sim, o verdadeiro Golden Shower de que a Nação necessita.

    Tocou-me o coração, nestes dias, o poema do sérvio Miodrag Pavlovicht, quando a URCA, sem relutância e talvez temerariamente, me pôs nas mãos a difícil missão de saudar o nosso agraciado, nesta solenidade. Pus-me a refletir sobre a postura derradeira de alguns personagens da história. O que teria levado o Soldado de Pompéia a manter seu posto, inflexivelmente, mesmo percebendo a chegada inevitável da lava do Vesúvio?  Que força teria levado tranquilidade ao último índio Cariri, quando enxotado das suas terras para o litoral, e percebeu a chamada de Tupã e o fim inevitável da sua raça? Talvez ambos tenham sentido que era preciso que tudo terminasse para que logo depois tivesse seu recomeço. Ali testemunhavam a vitalidade a cercá-los e a extinção como simples continuação do mesmo ciclo, uma mera mudança vital de estação.  O pêndulo da história transita entre memória e esquecimento. Vezes os pinos de luz incidem em detalhes de um cenário, vezes em outro, ao bel prazer dos iluminadores de plantão, mas a história tem seus próprios ciclos periódicos, seus movimentos de rotação-translação. Há, no entanto, visionários, pessoas que entendem a importância inequívoca destes ciclos e fazem-se testemunhas e repórteres desta gangorra vital. Têm como profissão de fé o manter acesa esta centelha, cientes de que tudo vive, mas que é preciso, cuidadosamente -- como um lírio que se asperge toda manhã -- como disse nosso Miodrag: não deixar que se acinzente tudo que é rubro, vermelho escuro, branco raiado de paixão.

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.

Ricardo Reis, in "Odes" 

Hoje, a Academia, em festa, abre portas e janelas para reverenciar uma destas figuras icônicas, um verdadeiro totem da Memória caririense. Huberto Cabral dedicou a maior parte dos seus pródigos oitenta e dois anos a acompanhar, registrar e catalogar as histórias oficial e privada do sul cearense. Poderia, simplesmente, ter aceitado, candidamente, o cair das folhas do outono da existência. Refestelar-se-ia na cadeira de balanço, envergando o pijama de bolinha como farda, ao chegar àquela idade tão bem definida por Mário Quintana:

“Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas”

Tomou para si, no entanto, os anseios de um outro poeta visionário, o irlandês William Buttler Yeats, no “Velejando para Bizâncio”:

“’Um velho é apenas coisa irrelevante.
Trapos sobre um bastão ele é na essência,
A menos que a alma aplauda e alegre e cante
Acima dos farrapos da existência”.

Simplesmente, Cabral buscou o galho mais alto da árvore da vida e pôs-se a entoar seu canto, enquanto o palácio ia ruindo à sua volta.   E fê-lo como uma epifania, sem esperar qualquer reconhecimento ou vantagem quer política, quer financeira. Prestou constante assessoria à maior parte das instituições públicas e privadas da cidade do Crato, nos últimos sessenta anos. Negou-se, peremptoriamente, a receber cargos e comissões. Manteve-se presidente vitalício do seu próprio partido político: PCG - Partido do Crato Grande. Cônscio da história gloriosa da Vila de Frei Carlos, continua lutando diuturnamente para que o nosso passado heroico tenha a força de iluminar e colorir o presente meio dégradé e opaco.

A casa era por aqui…
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida… nos desenganos…)
A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa…
– Mas o menino ainda existe.

Manoel Bandeira

Cabral foi figura onipresente em todos grandes acontecimentos do Crato, nos últimos sessenta anos. Fez-se cerimonialista eterno dos nossos maiores eventos: Todas as Exposições Agropecuárias; a inauguração da Amplificadora Cratense; a fundação da Maternidade Dr. Teles e das Rádios Educadora e Araripe; a abertura do Jornal “A Ação”; a instalação do Aeroporto Nossa Senhora de Fátima e do Cine Educadora; a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora da Penha; a alternância dos bispos diocesanos, o advento do Museu Vicente Leite. Fez-se ainda um combatente no front da guerra pela implantação da Universidade Regional do Cariri, junto com as irmãs Sara e Irene. Nos incontáveis episódios de sabotagem política contra o município, esteve eternamente vigilante e pronto a pôr os tanques de guerra em campo pela defesa dos nossos pleitos. Como jornalista, tornou-se o repórter mais importante da história do Cariri e também o mais longevo, acompanhando o desenvolvimento do Futebol cratense, dos nossos carnavais mais tradicionais, das nossas festividades mais populares. Entrevistou os ex-presidentes Castello Branco, Juscelino Kubitschek, Geisel e Sarney; o Papa João Paulo II; a escritora Rachel de Queiroz; inúmeros artistas como Sérvulo Esmeraldo, Bruno Pedrosa, Orlando Silva, Gilberto Alves, Nélson Gonçalves, Gilberto Milfont, Vanderley Cardoso, Luiz Gonzaga; além de incontáveis ministros e praticamente todos os governadores cearenses nas últimas seis décadas.   Deu assessoria e consultoria  por mais de um quartel de século, de forma sempre voluntária, inclusive negando-se, terminantemente, a receber quaisquer tipos  de subsídios,  a nossas mais importantes instituições: Instituto Cultural do Cariri, Sociedade de Cultura Artística do Crato, Diocese do Crato, Câmara Legislativa, Clube de Diretores Lojistas, Crato Tênis Clube, Clubes de Serviços , Associação Comercial de Crato, Tiro de Guerra, Colégios Pequeno Príncipe e Diocesano , CEJA/Crato, CREDE 18, Rádio Educadora, Jornal “A Ação”, Rádio Araripe.

    Huberto, dizem os amigos, tem o HD do Crato, meticulosamente registra uma agenda infindável das nossas datas comemorativas. Se o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares, o Crato também tem o seu descobridor, coincidentemente também um outro Cabral. Se devemos a Irineu Nogueira Pinheiro o registro de nossas Efemérides até 1954, o ano da sua partida para o voo celestial, a partir daí as Efemérides Cratenses estão escritas na memória prodigiosa do nosso mais importante jornalista que sequer deu-se ao trabalho de firmá-las em livro. 

No galpão guardamos as enxadas enferrujadas.
E lá elas esperam a morte, como os velhos nos asilos.

Esta foice não está mais afiada. Este ancinho
já não sabe limpar o cisco do pomar.

Mas não nos desfazemos de nada — é a nossa lei.
No depósito escuro onde repousam escorpiões
está até a chave que não abre nenhuma porta.

Ledo Ivo

     As outorgas de títulos de Doutor Honoris Causa carregam consigo o risco potencial de polêmicas próprio das Academias, onde as opiniões estão sempre em efervescência e a colisão entre elas, no fundo, consubstancia a própria essência viva da Universidade. Este clima, no entanto, não contagia este momento único, o nosso homenageado, criador de quase todas as medalhas honoríficas do município, faz-se, renitentemente, avesso a quaisquer honrarias que a ele sejam dirigidas. Ante quaisquer iniciativas no sentido de laureá-lo, Cabral fecha-se como Tatu-Bola, fica inacessível como pequi verde. Acredito, no entanto, que o dia de hoje carrega consigo o gosto do fruto de há muito desejado; paira nos cratenses uma sensação de Déjá-Vu, como se todos nós, professores, alunos, amigos, estivéssemos presenciando o momento histórico de uma crônica de há muito anunciada. A revelação de uma profecia que pressentíamos prestes a eclodir, como a pupa saltando do seu casulo. A Memória são os líquidos fios com que se tecem as frágeis paredes da fortaleza da história de um povo. O guardião deste templo, como uma criança na praia, constrói os castelos que em pouco serão lambidos pelas ondas do Tempo.

O palácio está em ruínas.../Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo...
Ninguém ergue o olhar da estrada/ E sente saudades de si ante aquele
              lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase
              mais bela cortada...
[...]
Há tão pouca gente que ame as paisagens
              que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo
    mundo amanhã — como nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja
             nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio,
             auréola negra...

Fernando Pessoa (Mensagem)

Este é o afã frustrante e desapontador do memorialista: escrever com o giz no quadro negro, enquanto a mão do tempo usa o apagador à medida que as palavras se vão sucedendo.  Vale a pena o esforço aparentemente inútil e desigual?  Ah! mas sobre a superfície do quadro ficarão rabiscos, como uma Pedra da Roseta, escritas rupestres que serão depois desvendadas pelas futuras gerações. Algumas poucas testemunhas, ainda, terão gravadas nos olhos as palavras esparsas da lousa, antes do trabalho esmaecedor das horas. Jorge Luiz Borges definiu bem esta luta inglória, no seu poema “Fragmentos de um Evangelho Apócrifo”:

“Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fosse pedra a areia...”

A Universidade Regional do Cariri, assim, hoje, não reverencia apenas o maior repórter da sua história, nosso mais importante memorialista, uma testemunha viva do Cariri nos últimos sessenta anos. Oficializa-se um grau de Doutor que já lhe tinha sido, por mérito, outorgado pelos intelectuais e pela população mais humilde deste Vale. Temos a sensação clara que o nosso Geopark Araripe acaba de descobrir um fóssil raro de um pterossauro (o Hubertossaurus cabralis) e, o mais incrível e surpreendente: ele está vivo e lépido, livre das suas pétreas amarras, pronto a alçar voo e contar a novas gerações e a outros povos a saga milenar da sua trajetória.

Onde começo, onde acabo,
se o que está fora está dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?
Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.
Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.
Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que já não ouvem nem falam.
Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.
Ah, ser somente o presente:
esta manhã, esta sala.

Ferreira Gullar

 A casa é a mesma, parece até a   tapera da Rua das Flores que te acolheu nos primeiros bulícios, muitos anos atrás. O menino não mudou muito, é o pirralho malino de outrora, o guri de Dona Pia e seu Zé Leite, com algumas cicatrizes e alguns espólios de guerra. Talvez, por isso mesmo, nem carece de gritar “Ô de Casa! ”  As portas e janelas defenestrem-se, sem estranheza, para receber neste momento o filho pródigo, “depois de um longo e tenebroso inverno”.  
“No meio da charada contemporânea emerge o algarismo original! ”

Bem-vindo à sua casa, 
Dr. Francisco Huberto Esmeraldo Cabral!

Crato, 08/03/2019

J. Flávio Vieira

08 março 2019

O que foi o Brasil sob a Monarquia, e o que tem sido sob a República -- Armando Lopes Rafael (*) -- 1ª Parte



“O país cujo povo é o mais feliz no mundo é o da Dinamarca; a Nova Zelândia é o país do mundo que mais investe em tecnologias limpas; o Parlamento onde o número de homens e mulheres é mais igual é o da Suécia. Todos estes países possuem regimes monárquico-parlamentaristas. Mas, de acordo com a desinformação da mídia brasileira, dos livros de história e de “republicanos desinteressados” no bem comum do Brasil, “a monarquia é coisa do passado”...  ( Agência de Notícias “Press Periódico” em 29-08-2016)

      Preâmbulo

   A imensa maioria dos brasileiros não sabe a diferença entre “forma” e “sistema” de governo. Isso, não obstante, um plebiscito, aqui realizado em 1993, quando a população brasileira deveria optar por uma nova forma e novo sistema de governo para o Brasil. Prevalece, após o plebiscito,  a ignorância – do nosso povo – sobre tão relevante matéria.

    As formas de governo são duas: República e Monarquia.  Essas formas abrigam os   sistemas, que são dois: Presidencialismo e Parlamentarismo. Ao longo da sua existência, o Brasil já foi governado sob as duas formas e os dois sistemas acima citados. Nossa Pátria viveu sob a forma monárquica de governo, desde o seu descobrimento, ou seja, de 1500 até 1889.  O Brasil foi monarquia, durante 389 anos, os quais – na feliz expressão do Prof. Denizard Macedo – vivenciaram “... todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo”.

             Após nossa independência de Portugal, o Brasil continuou sob a forma de governo   monárquico-parlamentarista. E sob ela funcionou (e funcionou muito bem) durante 67 anos, de 1822 a 1889. Somente em 15 de novembro de 1889, foi implantada – por meio de um golpe militar, sem consulta ao povo e sem apoio popular – a república presidencialista ora vigente. Deu no que deu.  



O que foi o Brasil sob a Monarquia, e o que tem sido sob a República -- Armando Lopes Rafael (*) 2ª parte

A monarquia brasileira foi o período áureo na nossa história

 
Residência de verão da Família Imperial Brasileira, na cidade de Petrópolis (RJ)
 
 
 
     O atual Chefe da Casa Imperial Brasileira, Príncipe Dom Luiz de Orleans de Bragança, sintetizou – em 1989 – muito bem o que foi o vasto e grandioso Império do Brasil. Disse ele. “Cem anos já se passaram, e os contrastes entre o Brasil atual e o Brasil Império só têm crescido. No tempo do Império, havia estabilidade política, administrativa e econômica; havia honestidade e seriedade em todos os órgãos da administração pública e em todas as camadas da população; havia credibilidade do País no exterior; havia dignidade, havia segurança, havia fartura, havia harmonia”. 

   O Império Brasileiro era tão democrático, estável e respeitoso para com os seus cidadãos que o Presidente da Venezuela, em 1889, Rojas Paul, ao saber do golpe militar de 15 de novembro de 1889, no Brasil, declarou: “Foi-se a única República do Hemisfério Sul.”

   Nos reinados de Dom Pedro I e de Dom Pedro II, o Brasil passou por um grande surto de progresso. Tivemos, sob a monarquia, uma inflação média anual de apenas 1,58%. A título de ilustração, transcrevemos o que publicou o jornal “O Globo”, edição  de 14.11.2011 (sob a manchete: “O país que domou a inflação de 13,3 trilhões por cento”):  “13 trilhões e 342 bilhões por cento (13.342.346.717.617,70%) foi a inflação acumulada nos 15 anos que antecederam o Plano Real, em 1994” (grifo nosso). No tempo do Império, o Brasil tinha uma moeda estável e forte (o “Real”) que correspondia a 0,9 (nove décimos) de grama de ouro, e era equivalente ao dólar e à libra esterlina. Em 130 anos, sob a República, o Brasil teve 9 moedas, algumas que não duraram nem 1 ano de existência. Fato inédito na história dos povos. Aliás, numa dessas mudanças, o “Real” voltou a ser o nome de nossa moeda, a partir de  1994.

     No período monárquico, o nosso Parlamento era comparado com o da Inglaterra. E a diplomacia brasileira era uma das mais importantes do mundo de então. Diversas vezes, o Imperador Dom Pedro II foi chamado para ser o árbitro de questões envolvendo a Itália, França e Alemanha.

     Sob a monarquia, o Brasil possuía a segunda Marinha de Guerra do mundo.  E foi  o  primeiro país do continente americano a implantar a novidade dos Correios e Telégrafos. O Brasil monárquico foi o segundo país do globo a ter o selo postal.

O que foi o Brasil sob a Monarquia, e o que tem sido sob a República -- Armando Lopes Rafael (*) 3ª parte


A república que não deu certo

“(Você) Já parou para pensar por que o país do futuro permanece no futuro? Parece que o Brasil nunca realmente anda pra frente. Sempre que dá um passo adiante, tem-se a sensação de que mais adiante o país dará dois passos atrás. Temos tudo para dar certo: talentos, conhecimento, apesar da educação ser uma porcaria, criatividade de monte, bens naturais… mas, por que o país não anda?” – Ronaldo Faria Lima (1)

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         A atual república presidencialista brasileira, foi- nos enfiada goela abaixo, em 15 de novembro de 1889. No dia seguinte ao golpe militar, o jornalista republicano Aristides Lobo escreveu num jornal: “Os brasileiros não compreenderam e assistiram bestializados à Proclamação da República, pensando que era uma parada militar” (2).   A atual República foi marcada, na maior parte da sua existência, ou seja, nos últimos 130 anos, por crises políticas, golpes, conspirações, deposições de presidente e por dois longos períodos ditatoriais (1930-1945 e 1964–1984).

   Já tivemos 43 presidentes da República. Destes apenas 12 eleitos cumpriram seus mandatos; 02 sofreram impeachment (Collor de Melo e Dilma Rousseff); 7 eleitos foram depostos; 1 eleito renunciou; 1 assumiu pela força. Tivemos 2 juntas militares no lugar de um presidente; 4 vice-presidentes que terminaram o mandato de presidentes eleitos (os dois últimos foram Itamar Franco e Michel Temer); 1 eleito e impedido de tomar posse; 5 interinos, 5 presidentes em regime de exceção; 1 eleito se tornou ditador.  Nos últimos 64 anos apenas 3 presidentes civis – eleitos diretamente pelo povo – terminaram seus mandatos (Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva).

       Ao longo da fase republicana no Brasil, tivemos 12 estados de sítio (suspensão das garantias constitucionais), 17 atos institucionais (que permitem ao governante da vez violar a Constituição), seis dissoluções forçadas do Congresso, 9 golpes de estado e 6 Constituições. A atual Constituição foi promulgada, há apenas 30 anos. Também ocorreram censuras à imprensa e aos meios de comunicação, com o fechamento de jornais.

    Dói dizê-lo: O povo não confia mais nas instituições, nos políticos e nos poderes constituídos desta república. Os níveis de corrupção são alarmantes. A Transparência Internacional deu nota 3,8 ao Brasil, no ano 2011. Trata-se de uma escala de 0 a 10, sendo 10 o valor atribuído ao país percebido como menos corrupto. O Brasil é um país de analfabetos funcionais e ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados no exame internacional, o PISA (3). Em artigo, o Prof. Cesar S. Santos afirmou: “A República apresenta um saldo extremamente negativo. Devemos discutir outras possibilidades de regime político, pois uma conclusão se impõe: a República faliu e ameaça levar consigo o que resta dos valores e das forças positivas da nação brasileira” (4)


O que foi o Brasil sob a Monarquia, e o que tem sido sob a República -- Armando Lopes Rafael (*) 4ª e última parte

Conclusão

    O Rei ou Imperador, por ser vitalício e hereditário, está acima das disputas políticas, e se constitui num fator de unidade da sociedade e do Estado. Todas as correntes políticas da nação têm no Rei uma autoridade imparcial, respeitada e que serve de exemplo para a população. É por isso que a Monarquia, por ser o ponto de encontro das correntes políticas, e estando à margem das disputas, assegura a estabilidade das instituições, o que não ocorre numa República, onde, a cada 4 anos, surge um presidente-de-plantão.

    Não se improvisa um governante. Tem que existir um longo preparo para essa função. Na República, qualquer aventureiro ou despreparado pode chegar ao cargo supremo de Chefe de Estado e Chefe de Governo. Já tivemos exemplos disso no Brasil, e as consequências foram danosas. Já o Rei é alguém que recebe, desde o nascimento, uma educação especial preparando-o para governar, não ocorrendo assim o risco de se ter governantes demagogos/despreparados e corruptos.

    De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido em todos os países do mundo, e divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2013, dos  10 países com melhor índice de IDH, 7 são monarquias (Noruega, Austrália, Holanda, Nova Zelândia, Suécia, Japão e Canadá), cabendo o primeiro lugar à Noruega e o segundo à Austrália. Ou seja, 75% das monarquias ocidentais estão na liderança dos países com melhor desenvolvimento social do mundo. Embora os países com regimes monárquicos sejam menos de um quarto dos países do mundo, eles representam metade dos 30 melhores países, no índice das Nações Unidas de bem-estar global.

(*) Armando Lopes Rafael, licenciado em História pela Universidade Regional do Cariri. Membro do Instituto Cultural do Cariri e Sócio correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

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1 - Notas de fontes digitais
 
(1)    https://ronaldolima.eti.br/por-que-o-brasil-não-dá-certo-70909bcab73e
(2) https://monarquiaconstitucional.jusbrasil.com.br/artigos/411022674/o-que-foi-de-verdade-a-nossa-monarquia-ou-a-republica-deu-certo-mesmo?
(3)     (http://www.brasilescola.com/educacao/educacao-no-brasil.htm).
(4)    http://www.causaimperial.org.br/?p=1726

2 - Referências Bibliográficas

ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas preliminares in Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, Fortaleza, 1978.

SANTOS, Armando Alexandre dos. Ser ou ser monarquista–Eis a questão. Artpress, Indústria Gráfica e Editora Ltda. São Paulo, 1990.

XAVIER, Leopoldo Bibiano. Revivendo o Brasil-Império. Artpress, Indústria Gráfica e Editora Ltda. São Paulo, 1991.

Comunicador cratense será agraciado com o Título de Doutor Honoris Causa da URCA



A Universidade Regional do Cariri (URCA), irá conceder título de Doutor Honoris Causa ao cerimonialista e jornalista Huberto Cabral. O reconhecimento se deu após proposição e análise junto ao Conselho Superior da Universidade (Consuni) pelos relevantes serviços prestados e contribuições para a Região do Cariri. A solenidade acontece neste dia 08 de março, no Salão de Atos da URCA, às 17 horas, no campus do Pimenta, em Crato.

O processo de Huberto Cabral foi aprovado através de solicitação da 8ª reunião extraordinária do Departamento de História, no dia 4 de junho passado, pelo docente do curso, Carlos Rafael Dias. No documento de avaliação com os seus dados biográficos, Huberto Cabral é descrito como jornalista-memorialista-historiador-radialista, funções que se fundem num comunicador que se notabilizou pelos serviços que têm prestado nessas áreas à História do Cariri e do Crato, além de sua presença marcante em importantes cerimoniais públicos e privados da cidade cratense e região.

Suas funções estão sendo exercidas na área, inclusive já tendo passado pela URCA como Assessor de Imprensa, no início da criação da universidade, e da assessoria da prefeitura do Crato, tem sido organizador de inúmeros eventos de caráter cultural e histórico no Município, a exemplo da ExpoCrato. O homenageado nasceu em Crato, em 1936, tem atividade permanentes junto à Diocese do Crato e a Rádio Educadora, com atividades em jornais, como O Levita, que foi um dos editores, que passou a editar ainda no Seminário, e depois a Ação, porta-voz da Diocese do Crato, fundado em 1939. Também atuou na amplificadora cratense, pioneiro no serviço de auto-falante da região do Cariri.

Com a fundação da Rádio Araripe do Crato, primeira emissora do interior cearense, Huberto Cabral passou a atuar na emissora dos Diários Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina.

Chamado de ‘enciclopédia viva do Crato’, Huberto passou a ser uma testemunha ocular de episódios históricos da cidade, e uma das fontes essenciais de muitos acontecimentos. É um guardião e documentos de notável relevância, além de ser requisitado com frequência por pesquisares de universidades da região, além da imprensa, para dar depoimentos relevantes para pesquisar acadêmicas e matérias que são veiculadas junto à imprensa.

Segundo o Vice-Reitor da URCA, Professor Francisco do Ó Lima Júnior, que presidiu a reunião do CONSUNI em que o título foi concedido por unanimidade dos seus membros, os muitos amigos e admiradores de Huberto Cabral prometem realizar uma significativa comemoração na vindoura solenidade.

Texto: Assessoria de Imprensa da URCA
Foto: Elizangela Santos

07 março 2019

Caririensidade (por Armando Lopes Rafael)


Estudos feitos sobre a flora e fauna do Cariri no século 19

1)  George Gardner

 Crato, 1859 (aquarela de José Reis)

   O primeiro a visitar o Cariri foi George Gardner, Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista inglês, nascido em Glasgow, Escócia. Muito jovem, aos 24 anos, em 1836, ele iniciou uma visita de estudos ao então vasto e importante Império do Brasil. Fruto dessa viagem – feita com o objetivo de estudar, observar e pesquisar o Império dos Trópicos – foi a publicação, em 1846, três anos antes da sua morte, de um livro somente um século depois traduzido para o Português por Albertino Pinheiro, com o título Viagem ao Interior do Brasil. (São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 p.)

    Ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura do Cariri, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, George Gardner avistou Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:

 “Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto. A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.
A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno”.

    2) Francisco Freire Alemão

   O segundo botânico a visitar o Cariri foi Francisco Freire Alemão (foto ao lado)

    Segundo monografia da professora Ediane dos Santos Nobre, e fruto da sua participação no  Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “Francisco Freire Alemão, botânico fluminense, chegou à pequena cidade do Crato, no sul do Ceará, no final de 1859, como presidente da Comissão Científica de Exploração das Províncias do Norte criada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IGHB) em 1856. A Comissão tinha como objetivo coletar dados sobre a fauna e flora brasileira. Essa iniciativa coadunava com um projeto nacionalista que visava ―conhecer em detalhe a geografia, os recursos naturais e as populações [...] como também instituir um discurso de saber, de cariz nacional e devidamente autorizado para inserir o país no prestigioso âmbito da comunidade científica internacional”.

    Chefe da seção botânica, Freire Alemão tinha como missão coletar exemplares da flora brasileira e embora a expedição não tenha concluído sua missão, os relatos deixados por ele em sua passagem pelo estado cearense interessam pela riqueza de detalhes sobre o cotidiano local (...) Na cidade do Crato, principal cidade do Cariri cearense, Freire Alemão ficou por dois meses –intercalando viagens para outros lugares –, entre dezembro de 1859 e março de 1860. 

Patrimônio histórico do Cariri: A igreja de Santo Antônio de Barbalha


A Igreja Matriz de Santo Antônio, localizada na cidade de Barbalha, é um dos templos católicos mais bonitos do Cariri. Aquela igreja barbalhense é o cenário da mais conhecida Festa de Santo Antônio, do Estado do Ceará. Bonita, limpa, bem conservada, a Igreja de Santo Antônio é uma das atrações do Centro Histórico de Barbalha, e atrai multidões, no mês de junho, nos festejos do seu padroeiro. Este templo está localizado na Rua da Matriz e ao seu lado encontra-se hasteado o famoso Pau da Bandeira, representando o tradicional evento que ocorre todos os anos na cidade e é divulgado pela mídia televisa brasileira.

História: como foi o regime de escravatura no Cariri

    No Cariri cearense, consoante tradição do imaginário popular, os escravos negros – na sua maioria – não sofriam a opressão e impiedade, como gemiam seus irmãos de raça nos cativeiros de outras províncias. Talvez por não existir no Cariri cearense uma elite econômica como ocorria nas províncias de Pernambuco, Bahia, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, dentre outras). No Cariri, os escravos (existiam as exceções, é claro) eram quase "gente da família". Esses negros compartilhavam - com humildade e submissão - os acontecimentos alegres e tristes dos seus senhores.

O episódio que denominou o Ceará de “Terra da Luz”

Monumento à libertação dos escravos no Ceará, localizado na cidade de Redenção

   Aliás, a província do Ceará foi a primeira do Brasil a abolir a escravidão da raça negra. Este episódio histórico, que ainda hoje nos enche de orgulho, levou José do Patrocínio – durante uma conferência, em favor da abolição – a denominar o Ceará de "Terra da Luz, Berço da Liberdade”. Como “Terra da Luz” ficou sendo conhecido o Ceará até os dias de hoje. Isto prova que parcela da sociedade brasileira de então também entendia que a escravidão se constituía numa gritante injustiça.

Região do Cariri não tem tradição carnavalesca

   Diferente de outras regiões brasileiras, o Cariri não inclui entre suas características culturais as tradições carnavalescas. Tirante a cidade de Várzea Alegre (onde os carnavais têm um pouco de participação popular) nas demais cidades do Sul do Ceará o carnaval se resume só a festinhas restritas com poucos “foliões”. O que vem a calhar para os tempos difíceis de hoje, quando o Brasil teve um PIB pífio (crescimento de só 1,1%) e contabiliza mais de 12 milhões de desempregados.