30 março 2019

As quatro paredes do destino - Por: Emerson Monteiro


Onde estávamos mesmo? Sim, bem aqui próximo, agora lembro. Aguardava o momento exato quando a máquina abriria sua tela e permitiria fazer dp mada coisa alguma, no inventário desses dias volumosos; os reverto em palavras esquecidas no lombo da tartaruga das horas que logo irão fugir na busca das sombras da noite. Tempo, esse ente que escorre pelos dedos ainda peguentos de chocolate e inunda de pensamentos o abismo das pulsações, feito espião intermitente, sussurros aos quatro ventos da inexistência; alguém nalgum lugar da tarde; será, por isso, o ponto central do Universo inteiro, objeto único que trepida sobre as pernas e sacode braços entre as nuvens da dúvida. Lugar vazio, aqui, bem aqui e para sempre, jamais tão contundente, porém nada além disso.

Nós, assim, soltos neste oceano de ilusões, que vão e nos larga de volta, borbulhas de uma praia sideral, imensa... Peças do vestuário invisível das peças encenadas no palco das tradições abandonadas. Agora, sim, pequenos animais vagando soltos num deserto de infinitas proporções.

Tudo que fala dessas cores do tempo em formato de raízes dizem do ser que somos, razão dos códigos de todos quanto há e nas mãos de um só, contudo sendo ele o autor dos próprios roteiros e objetivos. Contar o quê, divisar aonde, aceitar que motivos de estar neste sítio de infindas proporções? Espaço sem limites, entretanto preso ao quê das dimensões, sujeito aos valores inevitáveis e fincado nas bases desconhecidas do insólito destino.

São incontáveis seres sujeitos a determinações que tangem o barco a correr nos dias; joias de um brilho sem par, entregues aos mendigos e as feras, que experimentam, copiosamente, o sabor de fazer delas o anzol dos infiéis e sorvedouro das inocências, das meras aparências, no enlevo das certezas e portos seguros dos amores definitivos.

Nós, muitas vezes pássaros suaves e asas do depois; qualidades; astros em formação nos céus da liberdade... Olhos que acedem ao cair dos mistérios e dos dias... Contudo caminhos limpos da plena existência que virá da Criação... 

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

CARIRIENSIDADE -- por Armando Lopes Rafael


 Emerson Monteiro chega aos 70 anos


    O auditório do Instituto Cultural do Cariri–ICC ficou lotado com os muitos amigos e familiares de José Emerson Monteiro Lacerda. Este ganhou uma festa-surpresa, na noite do último dia 29, por conta do 70º aniversário de idade. Emerson, embora tenha chegado a Crato com 5 anos de idade, nasceu em Lavras da Mangabeira, no dia 26 de março de 1949.

   Emerson Monteiro é um homem plural. Desde a adolescência deixou marcas de sua presença na vida cultural de Crato. Ainda estudante, foi presidente do Grêmio Farias Brito, do Colégio Diocesano, quando lá estudou. Depois escreveu crônicas para as duas emissoras de rádio da Cidade de Frei Carlos: Araripe e Educadora do Cariri. Em 1966, foi um dos jovens que mudou a linha editorial e gráfica do jornal “A Ação”, semanário da Diocese de Crato. Vem daquele tempo minha convivência com Emerson.

     Em 1967, aprovado em concurso público para o Banco do Brasil passou a trabalhar em Brejo Santo (CE). Em 1971 passou a residir em Salvador (BA) onde estudo Psicologia e Comunicação. Em 1977 retornou ao Crato e as suas origens. Aqui graduou-se em Direito e adentrou pela atividade política, sendo eleito vereador à Câmara Municipal de Crato. Foi ético e honesto nessas duas atividades, coisa rara para os tempos que marcaram a redemocratização do Brasil a partir de 1986.

       O Instituto Cultural do Cariri muito deve à dedicação e trabalho desinteressado de Emerson. Ainda hoje, depois de ter exercido todos os cargos na diretoria do ICC, Emerson é editor da revista Itaytera. Emerson Monteiro já escreveu e publicou diversos livros, dentre os quais destaco: “Sombra e luz”, “Noites de lua cheia”, “Cinema de janela”, “Crônicas e narrativas”, “É domingo” e “Histórias do Tatu”.

          Mas, e acima de tudo isso, Emerson Monteiro é respeitado pelo bom caráter de que é possuidor, pela sua mansidão, lhaneza no tratamento com as pessoas, correção no agir e profundo sentimento humanitário e filantrópico que lhe é peculiar. Um homem de bem!

O Cariri tem disso: capela a céu aberto

    Na foto acima, a capela Recanto da Divina Misericórdia, construída em Missão Velha. Ela fica situada no final da Rua Padre Cícero, naquela cidade, mais precisamente em frente à tradicional Indústria Linard.

No tempo das bodegas


     Até o início da década 60 do século passado inexistiam no Cariri os supermercados. As famílias compravam os gêneros alimentícios nas bodegas. Em Crato, no centro da cidade as mais conhecidas eram as mercearias de Zé Honor e a de Cícero Beija-flor. Naquele tempo nada era empacotado previamente, como nos dias atuais. O cliente escolhia o que queria e levava as mercadorias para casa acondicionadas em papel de embrulho. No piso das bodegas, grandes vasilhames de flandres guardavam farinha, feijão, arroz, açúcar, sal, milho, goma, dentre outros.

     Nas prateleiras de madeira ficavam o sabão, café, latas das bolachas Pilar e Confiança, conservas, etc. No balcão tinha fiteiros, onde eram expostos bombons (chamados de “confeitos”), cocadas, chocolates em forma de peixinhos e os chicletes Adams (caixinhas amarelas sabor hortelã e caixinhas vermelhas, sabor canela) e outras guloseimas. As bodegas vendiam de tudo. A maioria dos clientes fazia a feira e só pagava no fim do mês. As compras eram anotadas em cadernetas. Existia confiança recíproca entre o dono da bodega e o freguês. O “progresso” acabou com isso. Poucas bodegas, nas periferias das cidades caririenses, ainda resistem à mudança voraz feita em nome do progresso.

 Destruíram os rios e restaram as enchentes 


    Na foto acima, como era o Rio Granjeiro que passava no centro de Crato na década 30 do século passado. A foto foi feita onde hoje existe um posto de gasolina na esquina da Rua Santos Dumont com Rua Almirante Alexandrino. O que resta hoje deste cenário paradisíaco é um canal imundo, que transborda na temporada das chuvas trazendo lama ao centro da cidade e nos demais meses do ano recebe os esgotos da redondeza. 

     Em Juazeiro do Norte, o Rio Salgadinho passava próximo ao centro da cidade, e – como lembram os antigos – tinha uma água límpida, cristalina que permitia ver até os peixinhos que ali nadavm. Hoje o Rio Salgadinho é o repositório do lixo urbano que grassa nas proximidades do antigo leito.Poluído, fedorento... Triste.

Cariri perdeu Monsenhor Manuel Feitosa


       Bem disse o Bispo de Crato, Dom Fernando Pastana, na homilia da missa de corpo presente do Monsenhor Manuel Feitosa: “A Diocese e a cidade de Crato amanheceram mais pobres, nesta quinta-feira, 28 de março de 2019. 

      Nascido em 25 de novembro de 1930, na Fazenda Olha d’Água da Serra, zona rural do município de Arneirós, no Sertão dos Inhamuns, Mons. Manuel Feitosa veio ao mundo num lar pobre; no seio de uma família de agricultores, composta por pessoas profundamente imbuídas dos princípios da Igreja Católica.

     Àquela época, a região dos Inhamuns era integrante da Diocese de Crato. E a família Feitosa era um destacado clã naquelas terras do semiárido que lembram um deserto na época do verão. Os jovens da família Feitosa tinham o costume de deixar o seu torrão natal para estudar na cidade de Crato. Muitos daqueles jovens se destacaram, posteriormente, como sacerdotes cultos, professores vocacionados e como escritores”.

       Mons. Manuel Feitosa foi um deles. Foi padre durante 60 anos. Viveu a maior parte da sua vida na cidade de Crato. Mas prestou serviços à Igreja nas paróquias dos municípios de Jardim, Lavras da Mangabeira, Várzea Alegre, Granjeiro, Quitaiús e Ipaumirim, Assaré, Antonina do Norte e Tarrafas. Retornou a Crato em 2000 e seus últimos 19 anos de vida foram vividos em fazer o bem a todos que o procuravam. O corpo do Monsenhor Manuel Feitosa foi enterrado na Capela da Ressurreição, na Sé Catedral, onde estão sepultados os corpos dos quatro primeiros bispos da Diocese de Crato: Dom Quintino, Dom Francisco, Dom Vicente e Dom Newton.

27 março 2019

Considerações ocasionais - Por: Emerson Monteiro


Esses cuidados filosóficos e políticos de mudar a realidade exigem mais de nós do que dos tempos em volta. Reclamar, forçar, protestar, e nós em que fazemos a diferença diante do que aí está espalhado no vento? Pouca ou nenhuma diferença faz que criemos motivos de mudar sem que isto signifique as sérias mudanças de que carece o mundo. Por vezes, serve de rejeição ao correr dos dias, sem, no entanto, representar força necessária às grandes realizações. Bons de fala, porém grosseiros pacientes das sortes inúteis, deitados nas crostas da acomodação.

Forte de ouvir, no entanto realista parente os acontecimentos que tomam conta das pautas e enchem de urgência de transformações, o que requer a tal civilização nos praticados. Erros mil sucessivos de larga monta, desde que existem as levas humanas espalhadas neste chão parecem querer dominar e impor consequências tortas.

Fôssemos organizar os sistemas de modo amplo, quase nada ou muito pouco sobraria, no jeito que aí está. Classes, castas de poder, interesses de grupos, absurdos de guerras e fabricação de armas; drogas, prostituição, jogo; injustiça variada no meio dos povos; sobraria o que propriamente?

Assim, contudo, viver a título de obrigação, sofrimento e perdição dói que nem ferro em brasa na pele dos animais que ainda somos. Pequenas minorias privilegiadas e o resto em massa de manobra. Que território ficaria senão mergulhar em nós mesmos e buscar a revelação de outros meios de exercer a função que nos compete. Há maior inteligência a dominar o Universo. Desvendar o céu das virtudes e providenciar a justiça bem corresponde ao sentido de tudo.

As lições circulam nas mentes, batem firmes nas praias do conhecimento e oferecem os instrumentos de construir um novo ser que já transportamos; dar cor de si nas melhores chances da real felicidade. Portanto, longe de esperar dos outros, cumpramos a nossa missão de salvar a nós próprios sem com isso destruir o Planeta.

25 março 2019

As sempre novas emoções - Por: Emerson Monteiro


Meios a significar disposição de querer novas as possibilidades diante do passar das horas; escolher fórmulas recentes de tanger os dias. Isso a quem parar e resolver estruturar pensamentos de modo a colher sensações renovadoras do cotidiano que nunca se repete. Ainda que diante dos achincalhes das rotinas, permitir serem vistos acontecimentos de modo consciente e saboroso. Viver com alegria e surpreender em si mesmo métodos criativos de aceitar que seja assim o senso de existir, força poderosa, acessível a todos.

Bem isto, saborear o gesto de viver utilizando os recursos da sabedoria; adotar um jeito ativo de administrar os pensamentos e sentimentos que permita usufruir diariamente da arte que em tudo persiste, a depender tão só das atitudes dos viventes.

Numa consideração mais aprofundada, saber que entre o zero e o infinito moram todos os habitantes do Universo, e que somos eles, os autores atuais do processo vida, instrumento grandioso em nossas mãos. Tratar o tempo qual amigo de tudo quanto há, norma de lucidez suficiente a reconsiderar detalhes antes escuros sob as luzes esplendorosas de positividade e determinação. Praticar o momento sob a força de vencer prováveis obstáculos e dominar o inesperado. Sobreviver ao mistério do desaparecimento, porém dotados de possibilidade plena, amor e vontade.

...

As perguntas chegam à medida que respondemos as anteriores, e somos quais senhores do instante, uma vez que aceitemos o fator da liberdade que bate às nossas portas do modo próprio de transformar a existência em recursos de satisfação.

Por isso, dizer que o mundo é subjetivo, que lhe damos a essência na medida em que sejamos os responsáveis pelo ofício de classificar fenômenos e objetos que se nos oferecem a conhecer. Seremos, destarte, criados a fim de dar vida às vidas e os viventes. Sejamos, pois, consciências do mundo e tudo será novo sempre e agora.

Prefeitura de Teresópolis (RJ) cria a Medalha Imperatriz Teresa Cristina


A primeira cerimônia de premiação se deu no último dia 14, data do 197º aniversário natalício de Sua Majestade, Teresa Cristina, terceira Imperatriz do Brasil
Teresa Cristina Maria, terceira Imperatriz do Brasil, 
à época do seu casamento com Dom Pedro II 

 
A Prefeitura Municipal de Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro (ver brasão da cidade ao lado), recentemente instituiu a Medalha Imperatriz Teresa Cristina, honraria entregue pelo Executivo Municipal a indivíduos que prestarem serviços relevantes à cidade de Teresópolis,. A comenda homenageia a terceira Imperatriz do Brasil, que deu nome à cidade de Teresópolis.
   
 Nascida Princesa Real do Reino das Duas Sicílias, na Península Itálica, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, desde seu casamento com o Imperador Dom Pedro II, celebrado em 1843, dedicou-se inteiramente a servir e amar o Brasil. Sua bondade e generosidade lhe renderam, no consenso unânime de todos os corações brasileiros, o cognome de “Mãe dos Brasileiros”. Sua Majestade faleceu a 28 de dezembro de 1889, exilada na cidade do Porto, em Portugal, logo após o golpe que instaurou a República no Brasil, lamentando-se por nunca mais poder ver sua Pátria adotiva.

 Vista parcial da cidade de Teresópolis (RJ)

23 março 2019

CARIRIENSIDADE -- por Armando Lopes Rafael


No tempo em que se ensinava a História do Cariri

   Embora hoje não conste mais da grade curricular do ensino superior, houve um tempo em que era ministrado – na extinta Faculdade de Filosofia do Crato – a disciplina “História do Cariri”. Em 1964, o professor e historiador J.de Figueiredo Filho publicou o 1º volume (de uma série de quatro livros que viria a escrever) sobre a “História do Cariri’. A obra era destinada às aulas, por ele ministradas, na Faculdade de Filosofia do Crato, cujos cursos seriam posteriormente encampados para a formação da atual Universidade Regional do Cariri (URCA). J. de Figueiredo Filho esclareceu no primeiro volume da sua obra “História do Cariri” que sua intenção ao escrever este livro: “destina-se aos meus alunos e também servirá como orientação ao ensino da história regional, nos estabelecimentos secundários, nos grupos escolares e escolas isoladas”

Quem foi J. de Figueiredo Filho

  José Alves de Figueiredo Filho (foto ao lado), farmacêutico por formação, foi também professor, escritor, historiador, memorialista, tendo nascido em Crato em 1904. Foi um dos principais intelectuais da região do Cariri cearense. Um dos fundadores do Instituto Cultural do Cariri, em 1953, uma instituição difusora da história e da cultura da região sul-cearense. 

    Com a criação da Faculdade de Filosofia de Crato, em 1960, J. de Figueiredo Filho assumiu o cargo de professor do Departamento de Geografia e História daquela escola de ensino superior, na qual ministrou as disciplinas de História do Cariri e do Ceará. Foi, ainda, membro da Academia Cearense de Letras e sócio da ANPUH (Associação Nacional de Professores Universitários de História).

A obra cultural de J. de Figueiredo Filho

   
     Em 1958 o Ministério da Agricultura do Brasil publicou o livro “Engenhos de Rapadura do Cariri”, de J.de Figueiredo Filho, um clássico na temática da produção da rapadura.Ele deixou 16 livros publicados.

     O mais conhecido é o autobiográfico: “Meu mundo é uma farmácia”. Sua vasta obra é polivalente. Estreou na literatura, em 1937, como romancista, com a obra “Renovação”, publicado pela Editora Odeon, do Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. Na década 40 do século passado, Figueiredo Filho já escrevia – para os jornais de Fortaleza e Recife – sobre as reservas paleontológicas do Cariri.

     Ele foi a alma da fundação do Instituto Cultural do Cariri–ICC. Figueiredo Filho foi o editor, por longos anos, da revista “Itaytera”, órgão oficial do ICC. Escreveu dois livros sobre as manifestações da tradição popular no Cariri e um sobre Patativa do Assaré. Faleceu em 1973.

J. de Figueiredo Filho e o resgate da Caririensidade


    O prof. Hildebrando Maciel Alves acaba de concluir seu Mestrado – na área de História – na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Título da monografia dele: “A face historiadora de J. de Figueiredo Filho e a construção do Cariri cearense”. Hildebrando aprofundou a análise de construção do passado do Cariri, a partir dos escritos de J. de Figueiredo Filho. Este – juntamente com um grupo de notáveis carirenses – foi responsável pelo movimento da defesa intransigente da região sul do Ceará, num trabalho de valorização do torrão natal e divulgação da caririensidade.

     Essa plêiade de bons intelectuais promoveu diversas ações – nas décadas de 40 a 70 do século passado – restaurando a memória do nosso passado regional. Para tanto, escreveram livros e artigos; promoveram solenidades; reconstruíram calendários cívicos; recuperaram o panteão dos heróis caririenses; fundaram entidades culturais e o Museu Histórico de Crato, o qual, infelizmente – nos últimos anos –, vem sendo malcuidado, dada a falta de uma boa gestão por parte do Poder Público Municipal, a quem – em má hora –, o museu foi entregue. (Para ler a íntegra da monografia de Hildebrando clique: (http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/173614).

Sobre a data de nascimento do Padre Cícero 
       Este 24 de março de 2019 assinala os 175 anos de nascimento do Padre Cícero Romão Batista, na então Vila Real do Crato. Está exposto na Capela Batismal da Catedral de Crato um quadro com a Certidão de Batismo do Padre Cícero. Reproduz a fotocópia da folha 61 do Livro de Batizados de 1843 a 1845 – onde consta literalmente:

     “Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba, e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em 23 de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em 8 de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos seu avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento”.

      Há no registro um engano. Como se sabe, o nascimento do Padre Cícero foi sempre comemorado a 24 de março. Quando de sua estada em Roma, em carta datada de 24 de março de 1898, endereçada a sua mãe, o próprio Padre Cícero escreveu: “Hoje, que faço 54 anos e véspera da anunciação da Mãe de Deus…”

Um Historiador explorou essa troca de datas
Dois bispos: Dom Edimilson Neves (de Tianguá) e Dom Gilberto Pastana (de Crato) examinam a pia de batismo, da Catedral de Crato,  na qual, provavelmente, o Pe. Cícero foi batizado

     Otacílio Anselmo, no livro “Padre Cícero Mito e Realidade” enxergou nessa troca um sinal da “vaidade doentia” do famoso sacerdote. Segundo Otacílio, feito com o intuito de vincular seu aniversário natalício ao dia 25 de março, quando a Igreja Católica festeja a Anunciação à Virgem Maria. Ora se o Pe. Cícero tivesse tido essa intenção, teria logo mudado para o dia 25, data da efeméride. Já o médico-historiador cratense Irineu Pinheiro, autor de “Efemérides do Cariri” fez constar neste livro: “Sempre sua família, seus amigos e ele próprio festejaram seu aniversário natalício no dia 24 de março…”.

     Controvérsias à parte, o registro no livro de batismo dando a data de 23, ao invés de 24 de março, pode ter sido apenas um lapso normal, bastante corriqueiro nas anotações nos Livros de Batismo de antigamente, fruto, quem sabe, de pequeno engano na anotação do vigário Manuel Joaquim Aires do Nascimento, quando da transcrição.  Sabe-se que, naqueles tempos, os registros da Igreja eram anotados manualmente. Usava-se, para tanto, canetas de bico de pena, que eram mergulhadas no tinteiro. As palavras escritas eram enxugadas com um mata-borrão. Antes de efetuarem os registros dos batizados já realizados, os padres faziam rápidas anotações em folhas de papel almaço, as quais, depois, eram transcritas no Livro de Batizados.  
       O Vigário de Crato talvez tenha se equivocado anotando “23” ao invés de 24 de março no tocante a data de nascimento de Cícero Romão Batista.

Outra controvérsia: em que casa nasceu o Padre Cícero? 

Palácio Episcopal Bom Pastor, em Crato, provável local do nascimento do Padre Cícero

    Outra divergência, entre os historiadores regionais, diz respeito a residência onde teria nascido, na cidade do Crato, o Padre Cícero Romão Batista. A primeira versão - defendida por Irineu Pinheiro - diz que o famoso sacerdote veio ao mundo numa casa, do lado do sol, existente na atual Rua Miguel Limaverde. A casa pertencia ao coronel Pedro Pinheiro Bezerra de Menezes, e posteriormente fora desmembrada em duas residências. Ambas demolidas, quando do alargamento daquela rua, no início da década 1980, na fúria insana de destruir o que restava do patrimônio arquitetônico do Crato, para dar lugar à passagem de veículos automotores.

     A outra versão defende que o Padre Cícero nasceu numa casinha, no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal, na atual Rua Dom Quintino, à época denominada de Rua das Flores. Irineu Pinheiro defendia o imóvel da Rua Miguel Limaverde, como o local do nascimento do Padre Cícero, baseado em depoimento de uma escrava da família do sacerdote, conhecida como “Teresa do Padre”, mulher humilde e bastante estimada na cidade de Juazeiro do Norte, onde gozava a fama de uma pessoa virtuosa e de credibilidade.

      Entretanto, o Padre Antônio Gomes de Araújo, contestou a versão de Irineu Pinheiro escrevendo: “Teresa do Padre, já começava a mergulhar no crepúsculo da própria memória, cuja desintegração começara”. Ou seja, a boa velhinha caminhando para os cem anos de idade, já não dominava mais a própria memória, deficiência física a que estamos sujeitos todos nós, os seres humanos, quando a velhice nos domina".

       A versão de que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, onde hoje é o Palácio do Bispo, tem diversos defensores. Segundo depoimento prestado, ao Padre Antônio Gomes de Araújo,  pelo cônego Climério Correia de Macedo (incluído no livro A Cidade de Frei Carlos) afirmou o cônego: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero numa casa que foi substituída pelo palácio de Dom Francisco" (referia-se ao atual Palácio Episcopal construído por Dom Francisco de Assis Pires, segundo bispo da diocese do Crato). 

      E continua Padre Gomes no seu livro citado: “É corrente que, no chão em que se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”.

      Assim, tudo está a indicar que o Padre Cícero veio ao mundo na casinha simples, entre fruteiras, localizada no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal. Deixamos nossa sugestão para que o Governo do Ceará e a Prefeitura do Crato providenciem a colocação de uma placa, assinalando o local onde nasceu um dos mais conhecidos sacerdotes católicos do Brasil, o ilustre filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista. É uma forma de preservar a memória histórica de Crato, tão ultrajada e descaracterizada por administradores insensíveis e de poucos conhecimentos culturais...

22 março 2019

Por dentro do sonho - Por: Emerson Monteiro


Essa porta do universo mais íntimo das criaturas, os sonhos. Olhos por vezes incompreensíveis numa longa viagem aos recônditos de si mesmo. Transes de inferno ou paraíso, somos os próprios passageiros dessas paisagens sem igual aonde nos deparamos com as camadas imensas do ser. Nisso, cruzamos as notass dessa melodia abissal, luz da consciência, raiz do presente dos deuses aos sóis. Bem igualitário, nos levam a mundos ignotos, furnas sepulcrais, pois nos sonhos conversamos face a face, ainda que aprendizes dos códigos da natureza.

Muitas histórias de revelações nascem dos sonhos. Mensagens de fontes sagradas, orientações e avisos valiosos. Diversos nas civilizações, santos e heróis praticam a arte das notícias que eles trazem dos astros e saem vitoriosos nas batalhas, vida afora. Acordes no merecimento das pessoas, chegam na hora certa; os sortilégios e presságios; anelos de salvação de crises, amarguras e dúvidas.

Há notícias constantes dos sonhos quais instrumentos de transformação dos destinos de grupos inteiros, à força dos empreendimentos e movimentações. Existem, inclusive, métodos de avaliação dos símbolos oníricos a fim de mostrar o resultado das mensagens que recebem seus autores, na leitura dos sonhos. Métodos de anotar para poder depois recordar as partes que, de comum, ficariam perdidas na memória. Existem os sonhos lúcidos, daqueles que sabem que sonham e nem por isso acordam e prosseguem nas funções e descobertas no território dos sonhos, verdadeiros pesquisadores do conteúdo interior da humana existência. Viajam por dentro dos segredos da sorte e vasculham o vale das sombras, escafandristas dessa terra de ninguém em que habita o Inconsciente, matéria prima das compreensões.

Sonhos de duas espécies, os da mente em atividade diária, os sonhos de rotina, superficiais, somatório despretensioso das emoções cotidianas; e os sonhos maiores, formados de conteúdos profundos, provenientes dos mistérios superiores. Aqueles neutralizam e descarregam excessos nervosos; enquanto estes significam respostas necessárias ao processo evolutivo dos Espíritos nas lides da evolução.

19 março 2019

Um fenômeno que pensa - Por: Emerson Monteiro


Meros estágios, pois, de uma mesma onda, assim são os humanos, movimento que pensa à medida que presencia o teor das ocorrências em constante transição, eles, fronteiras entre o tudo e o nada. Detalhes de todo inexistente, avistam na ilusão o sentido de a avaliar que existem, forma de controlar o incontrolável, que, de dentro dessa aparente realidade, resiste ao fim daquilo que nada resta, nem o nada absoluto por inteiro, muito menos o tudo.

Nesse lusco-fusco das inexistências em que sobrevive um turno, aparências em queda livre, no decorrer das situações de viver, de tal modo sequenciam o aprendizado que os levará à descoberta definitiva da razão de estar aqui. Foram (serão) frações de incontáveis sustos qual mostram na face diante dos instantes e logo ali somem de ninguém mais saber aonde desapareceram. Segundos em ação no instante das percepções, que só se desfazem no ar da imaginação impertinente.

No entanto há que contar, saber das consciências que acendem e apagam o transcorrer das vivências. Enquanto formam conceitos, concepções e registros, seriam quem que anota o tempo e o espaço, meros fatores de composição em decomposição, do gesto ao inexistir. O tempo, que some; o espaço, que se desfaz à medida do tempo que fora; e a presença dos seres que reconhecem neles tais sinais, através de sensações e emoções, a formular pensamentos e sucumbir perante a própria sorte impossível de continuar e conhecer logo depois do que acontece.

Eles, nós, fenômenos naturais da humana consciência desta inconsciência, imagens das ilusões em desfalecimento, contudo persistem no querer das percepções, enquanto as ondas agitam o mar de mil histórias, detalhes e fragmentos dos átomos e das partículas desfeitas e refeitas à medida que buscam superar o desfalecimento continuado, sucessivo.

O furor intenso dos elementos, no panorama das horas, bem significa motivos originais das idas e vindas que preenchem as existências e nutrem de sabor original as circunstâncias e os prazeres da consciência na busca de dominar o fugidio, santificar a si e os segredos do Universo.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

18 março 2019

O Tiro de Guerra do Crato realizou solenidade de matrícula e a apresentação dos novos atiradores


Valdemir Correia de Sousa é o patrono da turma de 2019.




O Tiro de Guerra do Crato (10-004) realizou a Solenidade de Matrícula e a apresentação dos novos Atiradores que estarão cumprindo o Serviço Militar Inicial no ano de 2019, na sexta-feira (15), em suas instalações. Foi uma noite de muita emoção no cumprimento dos ritos do Exército Brasileiro.


A solenidade, presidida pelo Subtenente Josenildo Batista de Araújo, Chefe de Instrução do Tiro de Guerra de Crato, também contou com a participação do prefeito e diretor do TG 10-004, Zé Ailton Brasil; de Paulo Jonathan Lins Feitosa, 1º Tenente e representante do Comandante do 3º Batalhão de Engenharia de Construção – Picos/PI; do Subtenente José Dácio Lopes; Chefe da Instrução do Tiro de Guerra 10-005 – Juazeiro do Norte: do 1º Sargento Ângelo Márcio Pereira Martins, Instrutor do Tiro de Guerra 10-005 – Juazeiro do Norte; dentre outras autoridades militares; secretários municipais; amigos e colaboradores do TG, familiares e amigos do atiradores, além da imprensa local.

O Portão das Armas foi aberto, dando início a solenidade. Em seguida, o efetivo matriculado deu entrada no pátio de formatura, marcando o ingresso dos novos atiradores no Tiro de Guerra do Crato. Os atiradores adentraram em trajes civis, depois realizaram a troca pela farda camuflada, a qual ostentarão durante o ano de instrução, materializando com este ato, a transformação de civis em militares do Exército Brasileiro.

Vários amigos e colaboradores do TG 10-004 foram homenageados durante a solenidade, reconhecendo a sua importante atuação junto à instituição, dentre eles, o empresário Valdemir Correia, também patrono da turma de 2019. Também foram homenageados Francisco e Luciano Pierre, Antônio Vicelmo e César da Coelce.

O Subtenente José Dácio Lopes fez a leitura da mensagem do Comandante do Exército brasileiro para os atiradores, destacando os principais avanços nesta nova etapa da vida desses jovens. “Serão pilares para a liderança sadia no seu retorno à sociedade. Neste curto período, dediquem-se em absorver todos os ensinamentos dos militares mais antigos e mais experientes, na busca de mais oportunidades, bem como aproveitem este ciclo pessoal para seu crescimento e fortalecimento”.

O prefeito Zé Ailton iniciou suas palavras parabenizando o trabalho do TG em Crato. Em seguida, também parabenizou o patrono da turma, Valdemir Correia. “Não teria um cratense melhor para ser o patrono desta turma. Vocês (atiradores) devem estar muito felizes por terem um grande homem à frente da turma e que tem dedicado muito esforço para o bem do município do Crato”. A Banda de Música também foi destacada pelo prefeito. “A banda alegra e embeleza nossos dias, nossos eventos”.

“Hoje, como foi dito, é um dia ímpar na vida de vocês, de alegria, porque dentre muitos jovens, vocês foram os 100 escolhidos em um processo muito criterioso. É um momento de aprimorar os aprendizados que você tiveram com os pais de vocês, na igreja ou na escola. A ética, a cidadania, o amor ao próximo, o amor ao nosso país, a união, a força, a determinação, a garra, a coragem e, acima de tudo, o patriotismo serão fortalecidos entre vocês”, finalizou o prefeito.

Na ocasião, também prestigiou a solenidade a primeira dama do município, Aldalice Pinheiro.













Fonte: Governo Municipal.
Algumas fotos da autoria de Dihelson Mendonça
Via BLOG DO CRATO


17 março 2019

As dimensões da Consciência - Por: Emerson Monteiro



Os tantos níveis da compreensão dos humanos deixam margem a classificar eles serem distribuídos em diversos graus de aceitação da mesma realidade, porquanto nem os dedos das mãos são iguais Há de quase tudo nesse universo das pessoas. Até parecem espécimes de raças estranhas e em conflito. Ora reagem pelos pés, ora pela cabeça, nos diferentes campos das experiências, desde guerreiros e pacifistas, a crápulas e santos.


Do zero ao infinito, pois, vagueiam feitos senhores do inevitável e dançam nas incertezas das noites, sujeitos da sorte e do inesperado que plantam e colhem à medida que clamam por liberdade. Vadios no mar aberto das circunstâncias, só preenchem as gerações e abusam das aparências que sustentam enquanto vivem as cotas de viver.

Tais dimensões escorrem dos lábios, semelhantes aos pendores nascidos no instinto e na inteligência, quais fossem de verdade, sendo, no entanto, meros fantoches da dúvida. - Será que estou certo? Eles são muitos, de tamanhos e cores, caprichos e pendores, vilões e mocinhos, nadas em formação, nuvens do espaço e do tempo.

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Querer pensar em errado e certo agora significa tão só dois hemisférios da existência indivisível, lá na faixa estreita dos trilhos da Lei, encontro deles dois tarde ou cedo, quando ver-nos-emos face a face com a real fisionomia da Consciência. Dias enormes de chances que fecham, as portas apenas mostram o travo das palavras atiradas pela janela, vindas do coração da gente nas paixões. Seremos, sim, deuses que, contudo, já o somos, porém na proporção das realizações que as histórias determinam, habitantes dessas amarras que, soltas, voam pelo firmamento, bólides acesas em fórmulas esquecidas. O que parecia estágio definitivo vira, em poucas horas, traços nos céus, e nunca mais será o que antes fora.

Construção de cinema no Crato está paralisada há mais de um ano


Fonte: “Diário do Nordeste” – Por Antoônio Rodrigues, 17 de Março de 2019 

local onde seria construído o cinema

A previsão de inauguração das duas salas de cinema era para maio de 2018. O impasse quanto ao local de instalação da estrutura física afetou o cronograma das obras que segue sem prazo para conclusão 

Há mais de um ano, tapumes cercam parte do Largo da RFFSA, no Crato. Dentro dele, areia e tijolos abandonados assistem o mato tomar de conta. Lá, é onde deveriam ser erguidas duas salas de exibição pelo projeto Cinema da Cidade, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Porém, as obras estão paralisadas desde março do ano passado, após recomendação contrária emitida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, um novo local para sua instalação tem sido discutido.

O Crato foi uma das 10 cidades do interior cearense contempladas com a construção de um cinema. O município receberá duas salas que comportam 210 e 105 lugares em ambiente climatizado com instalações modernas. Orçada em R$ 2.169.524,00, a ordem de serviço foi assinada em outubro de 2017 e a previsão de entrega era maio do ano passado. Em contrapartida, as prefeituras municipais cederam os terrenos para a edificação do equipamento.

Inicialmente, o Mercado Central foi escolhido, mas por opção do prefeito, que pretende revitalizar o equipamento, foi descartado. Então, em audiência pública, foi escolhido o Largo da RFFSA, próxima a antiga estação ferroviária - hoje Centro Cultural Araripe.

O largo da RFFSA, onde está erguido a antiga estação ferroviária, sofreu intervenções "modernas", como as obras de urbanização e pavimentação, além da construção do Restaurante Popular e da Biblioteca Pública, ambos inaugurados em 2010. Mesmo assim, o processo da tutela pelo Iphan daquele espaço encontra-se em tramitação.

Apesar de atender algumas exigências da Secult e da Ancine - como a proximidade a centros culturais, áreas de periferia, praças, hotéis, restaurantes, pontos de transporte coletivo e fácil acesso - os técnicos do Iphan acreditam que a construção das salas no largo da RFFSA poderia comprometer a visibilidade de seu conjunto arquitetônico em suas especificidades e características, assim como sua importância histórica e econômica no contexto da cidade. A Secult acatou o parecer e decidiu suspender a obra.

Em nota, a Secult informou que a escolha do novo local que abrigará o cinema ainda está em fase de definição e análise pela Pasta e pelo Departamento de Arquitetura e Engenharia do Ceará (DAE). Contudo, o secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, acredita que o Parque Pedro Felício Cavalcante, onde acontece a tradicional Expocrato, deve ser o lugar escolhido. Vamos definir em reunião".

Já sobre os entulhos, areia, tijolos e tapumes deixados há mais de um ano no largo da RFFSA, Dedê antecipa que foi feita uma licitação para a retirada do material de construção e recuperação da área. Antes disso, por conta própria, a Prefeitura de Crato fez manutenção e limpeza no espaço. "A gente quer que resolva tudo antes do primeiro semestre. A decisão do novo local está aberta ainda", completa.

Nos outros nove municípios, a Secult informou que o projeto "Cinema da Cidade" segue com suas ações normalizadas e em andamento das atividades. O projeto encontra-se licitado em todos os municípios e em análise pela Caixa Econômica Federal (CEF) e pelo DAE. Ao todo, serão 20 salas construídas em cidades com mais de 20 mil habitantes que não possuam este tipo de equipamento. Os outros municípios contemplados são: Amontada, Aquiraz, Canindé, Cedro, Crateús, Iguatu, Itaitinga, São Benedito e Tauá. O investimento é de R$ 20 mi pela Ancine e R$ 12 mi pela Estado.
O Município do Crato é a único, dentre os dez que receberão salas de cinema do projeto "Cinema da Cidade" do Governo do Estado, que está com as obras paralisadas. O atraso já dura mais de um ano.

16 março 2019

Para você Refletir! - Por Maria Otilia.


Temos percebido que esta nova geração é a “turma “do imediatismo Não existe planejamento para as suas conquistas, e quando não conseguem seus objetivos imediatos,  na maioria das vezes buscam  externar a sua raiva,  sua decepção,  agride os outros ou  a si próprio. Dai o grande número de suicídios entre jovens. Postamos um pequeno conto para fortalecer nossa reflexão. Boa Leitura.

“Existe um ditado árabe que diz: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras”!”

Isso porque, antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. Atualmente, com as técnicas de produção modernas, esse tempo é bastante reduzido, porém o ditado é antigo e sábio.

Conta-se que certa vez um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher?”. O senhor virou a cabeça e, calmamente, respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”. Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que você vai deixar... Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que possam servir para todos e para o futuro.
Autor desconhecido


Para você Refletir ! -Por Maria Otilia


Nestes últimos dias, vivenciamos fatos lamentáveis de atentados  com grande número de vitimas fatais. Um destes foi em Suzano-SP, quando jovens invadem escola e matam muitos alunos e servidores. O outro ataque a uma Mesquita na Nova Zelandia, E ficamos nos perguntando qual a causa de tanta violência. No primeiro caso, podemos perceber que falta a efetiva vigilância dos pais em relação ao comportamento dos filhos e a segunda a forte cultura da intolerância entre os povos. Vamos refletir a partir de uma fabula sobre intolerância. Pois  esta não aceitação do outro como ele é, com suas crenças, seus valores, sua forma de pensar, até parece que agride o outro. E como pais e educadores temos o dever de trazer para dentro de nossas casas e da nossa sala de sala de aula, um repensar, a construção de uma forma diferente de ver o outro. Atitudes de respeito, de compreensão, de valorização da vida, de aceitação das diversidades. etc. Boa Leitura!
                                        O Menino que Pregava Pregos
Era uma vez um menininho que tinha um mau temperamento. O pai dele deu um saco de pregos a ele e disse que para cada vez que o menino perdesse a calma, ele deveria pregar um prego na cerca. No primeiro dia, o menino pregou 17 pregos. Nas semanas seguintes, como ele aprendeu a controlar seu temperamento, o número de pregos pregados na cerca diminuiu gradativamente… Ele descobriu que era mais fácil se segurar do que pregar aqueles pregos na cerca. Finalmente o dia chegou quando o menino não perdeu a calma mesmo. Ele então falou a seu pai sobre isto e o pai sugeriu que o menino agora tirasse da cerca, um prego por cada dia que ele não perdesse a calma. Os dias passaram e o menininho então estava finalmente pronto para dizer a seu pai que tinha retirado todos os pregos da cerca. O pai então o pegou pela mão e foram até a cerca. O pai disse: ”Você fez muito bem, meu filho, mas, veja só os buracos que restaram na cerca. A cerca nunca mais será a mesma! Quando você fala algumas coisas com raiva, elas deixam cicatrizes como esta aqui. Você pode enfiar a faca em alguém e retirá-la. Não importa quantas vezes você diz ‘desculpe-me’, a ferida ainda está lá. Um ferimento verbal é a mesma coisa que um ferimento físico.
“Convivemos e trabalhamos com as pessoas todos os dias de nossa vida”. Como tratamos estas pessoas?
Como nos relacionamos com elas?
O que esperamos delas? O que oferecemos para elas?
Quantas vezes você cumprimenta, ou agradece, ou mesmo demonstra com um gesto de carinho, a satisfação desta convivência e troca diária?
Quer ser feliz? Então, aja para isso!
Comece a mudança por você interiormente, em atitudes, que tudo ao seu redor mudará.
Pense nisso. Autor desconhecido.

Teresa Cristina: a terceira Imperatriz do Brasil, essa desconhecida --- por Armando Lopes Rafael



   Pouca gente sabe que o nome de Teresina, capital do Piauí, foi dado numa homenagem a Imperatriz Teresa Cristina. Esta, teria intermediado junto ao seu esposo, o Imperador Dom Pedro II, a ideia de mudança da então capital so Piauí, a cidade de Oeiras, localizada no alto sertão e sempre assolada por secas periódicas, para outra cidade a ser construída ao lado do Rio Poti.     Teresina é o início do nome TERESa, com o final de CristINA. Teresina foi a primeira cidade planejada que foi construída no Brasil.

   Nascida em Nápoles-Itália, em 14 de março de 1822, no berço da família Bourbon, Teresa Cristina chegou ao Brasil em 1843, com 21 anos. O casamento com D. Pedro II ocorrera por procuração, em 30 de maio daquele ano, na Real Capela Palatina, em Nápoles.


    Para que a aureola de sua esposa não fosse trocada pela coroa de espinhos, o Imperador Dom Pedro II aconselhou-a, com prudência e sabedoria, a limitar-se à sua dupla missão de esposa e mãe, e que nunca atendesse a pedidos de favores de quem quer que fosse, pois para cada pretendente servido haveria dúzias e centenas de pretensões malogradas.

    A Imperatriz Dona Teresa Cristina assim o fez. Sempre que se atreviam a importuná-la com pedidos, dizia:
– Isso é lá com o Imperador.

     Somente em 1998, quase um século depois de sua morte, é que Teresa Cristina foi homenageada pelos brasileiros – com uma exposição no Museu Imperial de Petrópolis – quando foi tratada como “A Imperatriz Silenciosa”.

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     Por fim, encerrando esta croniqueta, faço minhas, as palavras de uma postagem do Face Book da Pró Monarquia (https://www.facebook.com/promonarquia/):

“A Mãe dos Brasileiros
   Nos quarenta e seis anos em que viveu entre nós, realizou a Augusta Senhora Dona Teresa Cristina, terceira Imperatriz do Brasil, o perfeito protótipo de virtudes cristãs, pelo que lhe coube o título de “Mãe dos Brasileiros”, no consenso unânime de todos os corações do nosso povo. A Imperatriz, nascida Princesa Real das Duas Sicílias e criada naquele Reino italiano, rapidamente se adaptou ao novo ambiente. Seu completo alheamento em relação à política, sua generosidade para com os necessitados, seu sorriso terno e o trato sempre amável que ganharam a admiração do povo. A Mãe dos Brasileiros foi, sem sombra de dúvida, a mulher mais popular e respeitada em todo o Império."

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier).

15 março 2019

A roda do destino - Por: Emerson Monteiro


Numa espécie de prisão aberta a que se submetem os humanos, ora estão em cima, ora embaixo, feitos fantoches de uma roda gigante de proporções monumentais que envolvem o Universo inteiro, e mais houvesse a envolver que fosse. Todos os seres, afinal, vivem nisto, sob as iguais condições de realizar o segredo adormecido das eras. Não nos cai único cabelo da cabeça, folha de uma árvore, sem a permissão de uma Lei... 

A isso chamam carma, ou lei do retorno, ou de causa e efeito, de reciprocidade, justiça, justiça, justiça... Em que lugar aonde fugir, esconder das peripécias e armadas este mundo interno, inexistência absoluta de saída; só o imenso, silencioso, território das atitudes a sol aberto, na manhã das histórias e dos vazios contundentes.

Quem planta o bem, colhe o bem; que faz o mal, nada tem, diz o poeta. Viver permite experimentar no bom senso os resultados que a ninguém deixam de fora, no correr das aventuras siderais. A caverna de Aladim e a busca da lâmpada maravilhosa da sorte amiga. Às apalpadelas, senhores da escuridão percorrem as paredes do inesperado, quase nunca dotados de coerência, amor, paciência.

...

Plantar, experimentar, sofrer, ter prazer, sonhar, viver, continuar, sofrer, alimentar, existir, imaginar, sentir, caminhar, semear, somar, conhecer, sofrer, conhecer, vivenciar, ensinar, aprender; círculos e movimentos espiralados em volta de si e dos demais. Vez em quando, acertar, esquecer, prosseguir, investir, expandir na consciência. Descobrir a essência que em tudo contém.

Desde as primeiras impressões, as pessoas sentiram essa possibilidade da revelação de novas descobertas na face dos mistérios. Aos poucos, crescem no desejo de identificar a justa solução dos dramas com que se deparam. Nutrem sacrifícios, vaidades, experiências, em troca das virtudes que iluminam o caminho da fortuna. Desfazem as ilusões dos apegos e abrem portas aos valores de filosofar e crer. Vem sendo assim desde o início, olhos abertos, inesperado e heróis, enquanto giram os céus noites sem fim. Olhos presos nas estrelas, vasculham as entranhas da alma na busca da felicidade... Criaturas, gerações e circunstâncias; à roda destas aventuras... Enquanto giram os céus, noites sem fim.

14 março 2019

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


1) Os Bezerra de Menezes: a saga de uma família aristocrática

  
 
 Brasão da Família Bezerra
    O jornalista e escritor Carlos de Laet, em artigo publicado no “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro, edição de 15 de novembro de 1914 escreveu: “Há uma nobreza do sertão (cearense) que estuda e sabe a sua genealogia. A família Bezerra (de Menezes) é nobre, em todo o rigor da acepção. (...) Sei que a “democracia” desdenha estas cousas: – e o mais curioso é que, ridicularizando questões genealógicas, no tocante à raça humana, cuidadosamente registra as procedências ancestrais dos cavalos de corrida. Supinas congruências democráticas!”.

     Alguns membros desse clã chegaram ao Cariri cearense e aqui fizeram história, iniciada com a figura emblemática do seu mais expressivo representante– o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Este título foi outorgado a Leandro pelo Imperador Dom Pedro I, em reconhecimento à lealdade do grande caririense à causa monárquica, no episódio da Revolução Republicana Pernambucana de 1817.

       Tinha razão Carlos de Laet. Já os historiadores Daniel Walker e Renato Casimiro escreveram o livro  “A Família Bezerra de Menezes– Fundação e Desenvolvimento de Juazeiro do Norte” (ABC Editora, 2011– 319 páginas) onde conta a saga desse clã aristocrático, oriundo da península Ibérica, e que se transportou para o Brasil no início da nossa colonização.

      Alguns membros desse clã chegaram ao Cariri cearense e aqui fizeram história, iniciada com a figura emblemática do seu mais expressivo representante–o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.

2) Presença dos Bezerra de Menezes na Monarquia e na República brasileira

     Plínio Corrêa de Oliveira  definiu muito bem o papel dessas famílias rurais nos albores do Brasil: “A Coroa portuguesa, movida pelo desejo de estimular o plantio da cana-de-açúcar – e assim consolidar a colonização e o povoamento do território, como também auferir ganhos econômicos – concedeu aos plantadores, que tivessem nas suas terras os engenhos apropriados para a produção do açúcar, algumas prerrogativas da antiga nobreza. Estes plantadores – "Senhores de Engenho" – vieram a constituir uma classe aristocrática, uma nobreza de fato".

     Descendentes do Brigadeiro Leandro, os filhos do casal  José Bezerra de Menezes e Maria Amélia – que viveu em Juazeiro no século passado – ocuparam todos os cargos políticos da República, à exceção apenas da Presidência e Vice-Presidência do Brasil. Senão vejamos: Alacoque Bezerra foi Senadora; Adauto, Humberto e Orlando (cumpriram mandatos de Deputados Federais); Adauto Bezerra foi, ainda,  Governador e Vice-Governador do Ceará; Também Humberto foi Vice-Governador do Estado; Orlando e Adauto foram ainda deputados estaduais; Humberto e Orlando foram Prefeitos de Juazeiro e Leandro foi vereador nessa cidade.

Caririenses ilustres: O Juiz de Direito intelectual


   José Flávio Bezerra Morais (foto acima)  é o Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Crato. Além da fama de uma pessoa correta ele é portador da fama de ser um bom intelectual. É autor de mais de dez livros, dentre eles: “Milagres do Cariri” (1989); “Histórias que ouvi contar” (1993); “Histórias de exemplo e de assombrações” (1997); “Nas veredas do fantástico” (2002). Sobre o Padre-Mestre Ibiapina já escreveu dois livros: o romance “A Sombra do Laço” (que está na segunda edição) e a biografia “Padre Ibiapina: histórias maravilhosas”. Atualmente está escrevendo uma obra sobre o Imperador dom Pedro II, ainda hoje considerado “O maior dos brasileiros”.



    Flávio Morais nasceu em Milagres (CE) em 1970. Já foi Juiz de Direito no Estado da Bahia (entre 2004 e 2005). Mas a saudade telúrica o fez fazer concurso para exercer idêntica função no seu estado natal. Exerce também o magistério no curso de Direito da Universidade Regional do Cariri. Por conta do que escreveu participou da 44ª Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil, em Bologna, Itália. Pertence a diversas entidades culturais, dentre elas o Instituto Cultural do Cariri. Trata-se de um intelectual de valor, além de um homem de bem a toda prova.

O Cariri é um exemplo de sucesso na produção de frutas irrigada

    A empresa agrícola Sítio Barreiras, localizada no município de Missão Velha, surgiu, em 1996, fruto da ousadia dos seus fundadores. Trata-se da pioneira em bananicultura no Cariri. Hoje, a empresa mantém centros de distribuição da sua produção em Fortaleza, Recife, Salvador, Teresina e Feira de Santana. Além do centro de produção de Missão Velha, a empresa Sítio Barreiras mantém centros, também, em Cajuapara (no Maranhão) e Ponto Novo, na Bahia.

     O Sítio Barreiras foi premiado no Great Place to Work 2014 no Ceará e, em 2015, no Ceará e também na Bahia.

Municípios do Cariri: Abaiara

 Igreja Matriz do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, na cidade de Abaiara

      A elevação à categoria de vila, da atual cidade de Abaiara, ocorreu através do Dec.Lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938, com o nome oficial de “Pedro Segundo”, em homenagem ao segundo Imperador do Brasil.  Naquela época a República ainda tinha certa credibilidade e o patrulhamento ideológico contra as coisas da Monarquia era mais forte do que hoje. Daí porque o nome Pedro Segundo foi substituído por “Abaiara”, que, na língua indígena, significa: “Homem Ilustre”. Dessa maneira, ainda de forma dissimulada, Abaiara continua homenageando o Imperador Dom Pedro II. Já a sua elevação à categoria de Município deu-se consoante Lei nº 3.921, de 25 de novembro de 1957, vindo a ser instalado a 25 de março de 1959. 

        Trata-se de um município pequeno, cuja economia provém das atividades agrícolas. Tem como Padroeira o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, a única denominação de paróquia do Cariri.

Peças valiosas do patrimônio histórico-artístico-religioso do Cariri

 Imagenzinha da Mãe do Belo Amor, a primeira a ser venerada em Crato, à época da Missão do Miranda


   Existem na Catedral de Crato três imagens da Virgem Maria, as quais –ao longo da existência desta cidade – foram veneradas como Padroeira. Todas, esculpidas em madeira, encontram-se em excelente estado de conservação. A origem da atual Catedral da Diocese de Crato remonta a uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída, por volta de 1740,  por Frei Carlos Maria de Ferrara (frade capuchinho)  dedicada à Santíssima Trindade e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e a São Fidelis de Sigmaringa (Padroeira e Co padroeiro de Crato, respectivamente). Durante os 379 anos de existência de Crato, essas três imagens da Virgem Maria compartilharam do cotidiano dos fiéis católicos residentes na cidade citada.


"Imagem Histórica" de Nossa Senhora da Penha, a segunda a ser venerada

   A primeira é uma pequena estatueta, conhecida como A Mãe do Belo Amor, medindo cerca de 40 centímetros que foi venerada de 1740 – primórdios da Missão do Miranda, núcleo urbano que deu origem a Crato – até 1745, quando aqui chegou a – segunda imagem, doada pelos frades capuchinhos do Convento da Penha de Recife. Esta segunda imagem – chamada histórica – havia chegado a Recife em 1641, aprisionada que fora por corsários protestantes, na costa da Guiné – na África – e transportada para a capital do o então Brasil Holandês.
Terceira e atual imagem de Nossa Senhora da Penha, a "Imperatriz e Padroeira" dos cratenses

    A terceira (e atual) foi adquirida em 1921, pelo primeiro Bispo de Crato, Dom Quintino. No entanto essa bela escultura ficou guardada durante 17 anos, pelo fato de a população cratense não ter aceitado a substituição da segunda imagem. Introduzida no altar-mor somente em 1939, pelo segundo Bispo de Crato, Dom Francisco Pires, a atual estátua vem sendo venerada há 80 anos como “Imperatriz e Padroeira” de Crato e da Diocese.