28 janeiro 2019

Padre Cícero pensou ser missionário na China -- por Armando Lopes Rafael

 
A repórter Elizângela Santos, em matéria divulgada em 18 de março de 2009 no antigo “Diário do Nordeste” (nos dias atuais, este jornal adotou o formato de tabloide.  Isso me fez perder o atrativo pela leitura do “Diário do Nordeste”) publicou que, entre os livros remanescentes da biblioteca do Padre Cícero, consta um exemplar de um “dicionário Português–Chinês.

     À primeira vista trata-se de uma coisa estranha. Padre Cícero interessado, em um idioma da China?

      Mas para quem já leu um pouco sobre a vida daquele sacerdote, este fato não surpreende. No primeiro capítulo do seu livro “O Patriarca de Juazeiro”, à página 23, (2ª edição, Editora Vozes Ltda., 1969) o Padre Azarias Sobreira escreveu:

“Nos dois últimos anos que precederam sua ordenação de presbítero, o clérigo Cícero Romão Batista andou lendo jornais e revistas do Velho Mundo, que pintavam, de maneira impressionante, os esforços titânicos da Igreja, através da “Propaganda Fide”, para a evangelização dos chineses. E tais entusiasmos a grandiosa perspectiva gerou em sua alma, que, sem mais hesitar, deliberou oferecer-se, como voluntário, para as temerosas missões da China. 

Já estava acertando o projeto da partida, quando João Brígido, amigo particular de sua família, no Crato, veio a tomar conhecimento daquela inesperada e atordoante resolução.
Foi quanto bastou para que o desabusado e indomável panfletário, conhecido, já então, pelo seu agnosticismo, perdesse a calma e se desentranhasse em protestos furibundos, aptos para desnortear uma vontade resoluta.

– Não sei (teria dito João Brígido) não sei que religião é essa, que vocês aprendem no seminário. Religião contraditória, que manda amar o próximo, como a si mesmo, e bate palmas a um filho que vai abandonar a mãe viúva, tendo nele o seu único arrimo e cuja única fortuna são duas filhas órfãs. Arrenego desse seu espírito missionário, que se larga, assim, para ensinar o cristianismo aos pagãos do fim do mundo, quando nós temos um milhão de selvagens sem batismo e milhões de batizados que não conhecem a Deus e ainda menos o abecê. O plano de evangelizar o Oriente caiu por terra, não resta dúvida” (...)

     A matéria publicada no “Diário do Nordeste”, ainda acrescenta: “(segundo o padre José Venturelli) alguns dos livros (da biblioteca do Pe. Cícero) são do período em que o sacerdote era estudante”. Ele supõe isto, já que a assinatura nos livros não consta o costumeiro “Pertence ao Padre Cícero”.  Fica explicado a razão de o Padre Cícero possuir em sua biblioteca um dicionário Português-Chinês, remanescente do tempo quando ainda era estudante....

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