15 janeiro 2019

O tempo - Por: Emerson Monteiro




O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira.                                            

                                                                                              Provérbio africano

Uma vez ouvi, lá na Bahia, que Tempo é dos mais importantes dos orixás das religiões afro-brasileiras. Logo em frente das grandes casas do candomblé, por exemplo, com ênfase em Salvador, há grande árvore de gameleira branca de raízes salientes envoltas com um alá (pano branco), sendo este um IROKO, de fundamental necessidade numa casa do culto. Por isso admirado, venerado com fervor. São por vários os sinais da sua valia no fremir dos acontecimentos deste Chão. E há uma história que narra a lenda do Tempo:

Diz o mito que no princípio de tudo, a primeira árvore nascida foi Iroco. Iroko era capaz de muita magia, tanto para o bem quanto para o mal, e se divertia atirando frutos aos pés das pessoas que passavam. (comunidademensageirosdaluz.blogspot.com)

Senhor das verdades absolutas, desliza ao sabor do movimento dos astros, fagueiro e livre, dominador das esferas e provedor dos alimentos. Ele, silencioso, firme nos páramos eternos, testemunha o fluir das luas e o reviver dos sóis entre nuvens e flores, qual donatário único da esperança e administrador das vidas e renascimentos.

Desde sempre o Tempo aqui esteve, origem das origens e fonte do equilíbrio da justiça. Ainda no blog acima citado lê-se: É também a permanência dentro da impermanência e impermanência na permanência. O ciclo vital, que não muda com o transcorrer da eternidade. A infinita e generosa oferta que a natureza nos faz, desde que saibamos reverenciá-la e louvá-la.

Dado o respeito sob o qual essa existência definitiva permanece diante das determinações das existências, assim reina e impera, flui e permanece, independente das pobres vontades humanas e das meras ocorrências virtuais que persistirão acima dos bens passageiros. Em tudo por tudo, ali está Iroko, escriturário de valores e sonhador das virtudes.

Aos gregos, detinha o título de Cronos, aquele que pare e devora os próprios filhos, autor dos dias e ceifador das eras sem fim, amém.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro),

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