28 janeiro 2019

O brasileiro é um povo sem memória – por Armando Lopes Rafael



   Algum de vocês ainda se lembra daquele bispo católico que, em 2007, fez uma greve de fome, alertando para a preservação do Rio São Francisco? Há doze anos, Dom Luís Flávio Cappio, ainda hoje Bispo Diocesano de Barra (BA) denunciou: o chamado Rio da Integração Nacional passava por inúmeros problemas ambientais, incluindo o assoreamento resultando aquele curso de água ficar, a cada dia que passa, mais raso. Dom Flávio Cappio dizia que o projeto faraônico (hoje também comprovado: projeto corrupto destinado a fornecer propinas para figurões políticos que usufruiam do poder) projeto da transposição das águas do Rio São Francisco corria o risco de naufragar devido ao pouco volume de água.

     Dom Flávio Cappio tinha razão. Naquele ano a “petralha” ainda tinha força e manipulava a opinião pública. Petistas e puxa-sacos de plantão caíram em cima do Bispo que sofreu toda espécie de ataques. Muitos escreveram que Dom Cappio era um desumano, que não queria dividir a água com os sertanejos do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Foi um Deus nos acuda...

     Mas o fato era que, antes de desviar as águas do rio para a transposição, o governo precisava de um projeto paralelo de recuperação ambiental com o objetivo de melhorar a qualidade da água daquela bacia hidrográfica. Outra providência que se impõe é o reflorestamento das margens na tentativa de recuperação da mata ciliar, impedindo a erosão, que em muitos pontos está entupindo os canais, gerando assoreamento, causando problemas para a navegação e diminuindo a concentração de espécies nativas. Outra iniciativa que precisa ser feita é a coleta e tratamento das águas dos esgotos das cidades ribeirinhas na Bahia e Pernambuco, na tentativa de diminuir a poluição hoje presente no rio.

   “O tempo é o Senhor da Razão” diz um ditado português. O dado concreto é que a transposição – 15 anos depois de iniciada – ainda se arrasta sem perspectivas de conclusão. Denúncias de desvios de recursos naquela obra chegaramm a centenas. Lula (e muitas autoridades daquela época) estão na cadeia. No ano passado, o PT levou uma "surra" de votos, fato  inimaginável em 2007,  e perdeu o poder para um deputado pouco conhecido, capitão da reserva do Exército Brasileiro, que não teve tempo na televisão, nem fez campanha de rua;  que não chegou a gastar o dinheiro necessário para eleger um deputado estadual no Ceará... mas ganhou a eleição presidencial   – com folga – nos centros mais politizados do Brasil. São as voltas que o mundo dá...

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