31 janeiro 2019

Caririensidade -- por Armando Lopes Rafael

História do Cariri: 2 episódios ocorridos no século 19

1 – A Revolução Pernambucana de 1817

       Qual a postura das famílias caririenses na época do Brasil-Colônia? Os clãs viviam sob a forte influência da Igreja católica. Isso, certamente, teve influência para o fracasso dos revolucionários republicanos de Pernambuco de 1817 na sua investida no Sul do Ceará. Os revolucionários de Recife enviaram ao Cariri o subdiácono José Martiniano de Alencar, filho desta região, para levantar o povo contra a Família Real que residia no Rio de Janeiro, sob a liderança do Rei de Portugal, Brasil e Algarves, Dom João VI.

        Aqui chegando, o seminarista Alencar procurou logo a mais importante liderança desta região, o fidalgo e grande proprietário rural Leandro Bezerra Monteiro, à época Comandante do Regimento de Cavalaria de Milícias de Crato. José Martiniano acenou para Leandro  com vantagens para este aderir à Revolução. Sobre Leandro Bezerra Monteiro, assim se referiu Gustavo Barroso literalmente: “Homem equilibrado e sensato, nunca deixou de ser fator ponderável de equilíbrio social, naturalmente defendendo o que se chamava conservadorismo”. Não contava, pois, o jovem seminarista Alencar deparar-se com a solidez dos princípios religiosos e a lealdade que o Comandante das Milícias de Crato sempre tivera para com a Monarquia e a Dinastia dos Bragança. 

         Em resumo, assim descreveu o historiador Joaquim Dias da Rocha sobre o final da visita de abordagem feita pelo seminarista José Martiniano de Alencar a Leandro Bezerra Monteiro, numa das propriedades rurais deste último:
“O entusiasta propagandista esgotou em pura perda o arsenal de argumentos que trazia aparelhados; e desanimou quando, afinal, se resumiu o velho monarquista:

–“Padre José – disse Leandro Bezerra – é ainda cedo para a nossa emancipação; quanto à república, ela me terá sempre como acérrimo inimigo".

Revolução Pernambucana de 1817 em Crato. No Cariri o movimento foi feito pela família Alencar e seus agregados

2 – A Guerra do Pinto
Casa existente em 1834, na Praça da Sé, em Crato, onde foi julgado e condenado à força o Coronel Pinto Madeira. A sentença foi comutada, depois,  para fuzilamento do réu. Parte desta casa ainda existe,  na esquina da Praça da Sé com Rua Dom Quintino.

       Abordemos, agora, outro episódio da nossa histórica. Em 1832, o Cariri seria sacudido por outro movimento, desta feita liderado por Joaquim Pinto Madeira, que era, à época, o Capitão de Ordenanças e Coronel de Milícias de Crato, o qual, no auge do seu prestígio, era chamado – pelo povo – de Governador do Centro do Ceará. Isso porque a influência de Pinto Madeira se espalhava desde  a cidade de Quixeramobim, no Sertão Central até as terras do Cariri, numa distância de quase 400 Km.  Afeiçoado por índole às coisas da Monarquia e à Dinastia dos Bragança, Pinto Madeira lutou ativamente contra os que promoveram os movimentos republicanos da Revolução Pernambucana, em 1817 e da Confederação do Equador, em 1824.  A esse respeito assim escreveu o historiador Irineu Pinheiro: “Nunca perdoaram os Alencares e os liberais cratenses a ação de Joaquim Pinto Madeira naquelas duas agitadas fases da nossa história”. 

      Pois bem, quando Dom Pedro I renunciou ao trono brasileiro, em 1831, Pinto Madeira não se conformou, pois acreditava, erroneamente, que o gesto do nosso primeiro imperador teria sido forçado a isso pelos liberais. Pinto Madeira pegou em armas, invadindo várias cidades do Sul do Ceará, com o objetivo de permitir a continuidade do Reinado de Dom Pedro I. No entanto, os tempos eram outros, bem diferentes de 1817 e 1824. Estávamos já na época das Regências que governaram o Brasil até a maioridade do Imperador Pedro II. E o governador do Ceará não era outro, senão o Padre José Martiniano de Alencar, aquele antigo seminarista revolucionário de 1817, inimigo de Pinto Madeira. Em resumo: tudo terminou com o fuzilamento de Pinto Madeira, fato ocorrido em 1834, na cidade de Crato. 

   Quando a primeira saraivada de bala o abateu, Pinto Madeira ainda teve forças para gritar:
    – Valha-me o Santíssimo Sacramento.
   Passou à história do Ceará como “O Mártir da Monarquia”.
Em 1834, o Presidente da Provincia do Ceará Grande era o Padre José Martiniano de Alencar, o antigo seminarista que fez a Revolução de 1817 em Crato.


Irmã Annete, Doutora Honoris Causa da URCA


     Neste dia 1º de fevereiro, às 15 horas, tendo como local o Círculo Operário São José de Juazeiro do Norte, Irmã Annette Dumoulin receberá – da Universidade Regional do Cariri-URCA –, o título de Doutora Honoris Causa, que lhe foi concedido por aquela instituição. Nascida em Liége, no Reino da Bélgica, em 14 de julho de 1935, Annette Dumoulin viveu parte de sua primeira infância no seu país de origem. No entanto, por causa da Segunda Guerra Mundial, sua família teve de emigrar para o Sul da França, onde seu pai – que era médico –prestava assistência às vítimas do conflito que atingiu praticamente toda a Europa.

       Ainda jovem, ela se sentiu atraída pela vida religiosa, sendo admitida na Congregação de Nossa Senhora (mais conhecida como Cônegas de Santo Agostinho). Consta no seu face book que: “Em 1955, a jovem Annette formou em educação física na Bélgica e em 1958 graduou-se em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Louvain, seguida também da formação em Psicologia da Religião, obtendo os títulos de mestre e doutora em Ciência da Educação com especialidade em Psicologia da Religião pela mesma Universidade Católica de Louvain”.

      Transferida para o Brasil, Annette Dumoulin reside há 45 anos em Juazeiro do Norte, sendo hoje a maior conhecedora das histórias das romarias do Padre Cícero. E foi ao ‘Padim” que ela dedicou a maior parte da vida e todo o seu talento intelectual e vocação humanitária. “Eu deixei Pai e deixei Mãe. Deixei todos os meus Irmãos. E cheguei no Juazeiro, para servir ao romeiro.” Afirmou Irmã Annette. Sua voz marcante se tornou referência na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, durante as romarias ao Padre Cícero. 

          Já escreveu alguns livros sobre o Padre Cícero e o fenômeno das romarias. Mereceu com justiça o reconhecimento do seu trabalho concretizado com a concessão do título de Doutora Honoris Causa, que lhe foi concedido pela URCA.

Número especial da revista Itaytera


        No próximo dia 13 de abril será lançado o primeiro número especial da revista “Itaytera”, órgão do Instituto Cultural do Cariri, que tem sede em Crato. Esta edição abrirá a série de “números especiais” que serão editados – a partir de agora – juntamente com as edições normais de “Itaytera”.

          O número 1 especial de Itaytera, homenageará o professor José do Vale Arraes Feitosa por ocasião do centenário de nascimento deste mestre. José do Vale  lecionou, durante décadas, em educandários cratenses, dentre os quais: Colégio Diocesano de Crato, Colégio Estadual Wilson Gonçalves, Escola Agro-Técnica Federal de Crato, Ginásio Municipal Pedro Felício Cavalcanti.  

             Nascido no sertão dos Inhamuns, em 11 de abril de 1919, a fecunda vida do Prof. “Zé do Vale” – como era mais conhecido – iniciada no primeiro quartel do século XX e findada praticamente no final desse mesmo século, muito significou para a comunidade cratense e para sua família. José do Vale Arraes Feitosa foi um homem dotado de virtudes e qualidades, de marcante personalidade e de nobreza, no trato com seus semelhantes. Em 1968, José do Vale obteve graduação em Letras, pela antiga Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri–URCA. Ele frequentou os bancos do ensino superior, apenas para oficializar o título. Não precisava dele. Nunca precisou. Mais do que um autodidata, José do Vale foi um “professor-aluno” daquela Faculdade, onde recebia o respeito tanto dos mestres como dos colegas.
No bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco) ergue-se uma das maiores escolas de Crato, denominada Escola Professor José do Vale Arraes Feitosa

30 janeiro 2019

A tartaruga - Por; Emerson Monteiro


Certa manhã, quando Chuang Tzu pescava solitário nas águas de um rio profundo de sua terra natal, vieram procurá-lo dois serviçais do príncipe de Chu, a província onde habitava. Eles vinham cumprir as formalidades de propor ao sábio a incumbência de ser o administrador do tesouro da corte.

Silencioso, tranquilo qual o leito daquele rio, o discípulo de Lao Tzu apenas ignorou a presença dos visitantes e seguiu concentrado no seu ofício, indiferente aos acontecimentos em volta.

Preocupados com o tratamento recebido, os funcionários reais insistiram e, de novo, mais veementes, transmitiram a proposta do soberano. Nesse momento, reverencioso, Chuang Tzu cumprimentou aqueles embaixadores para, em seguida, afirmar:

– Um dia chegou ao meu conhecimento existir na capital da província o casco de uma tartaruga sagrada, morta há mais de 300 anos. E que Sua Alteza conserva essa relíquia debaixo de sete chaves, numa arca de ouro instalada no altar mor do templo, costume já originário dos seus ancestrais.

Os dois funcionários balançaram a cabeça em confirmação ao que ouviam, enquanto aguardavam o desfecho das palavras do sábio.

- Pois bem, ouvindo esse convite do soberano destas terras, quero fazer uma pergunta aos senhores: Caso houvessem dado a essa tartaruga outra oportunidade, no lugar de ela morrer e virar instrumento de veneração, que pudesse continuar vivendo e arrastando o rabo no lodaçal dos pântanos, será que escolheria o sacrifício ao qual se viu submetida?     Os emissários nem careceram de muita demora até responderem quase numa só voz:

– Asseguramos, sem duvidar, que, se pudesse, ela preferiria continuar vivendo e arrastando o rabo no lodaçal dos pântanos.

– Eu imagino também que desse modo escolheria – retrucou o mestre, acrescentando:

– Por isso, desejo aos senhores que retornem e transmitam ao príncipe meus agradecimentos pelo honroso convite. Pois também pretendo seguir vivo e permanecer aqui em meu lugar, arrastando o rabo na lama escura destes sítios felizes onde vivo!

29 janeiro 2019

As dimensões da memória - Por: Emerson Monteiro



Por mais que haja essa disposição de esquecer os traumas da existência, o que predomina sobremodo significará memórias persistentes, essa energia advinda nas formações, senso de dominação que finca raízes e acontecimentos, e marca o andamento dos seres em tudo quanto existe. Em ondas e partículas, a memória tange o tempo no frigir dos objetos e das pessoas. Desde a memória mais original das primeiras formações minerais, vegetais e animais, até os níveis da transcendência da matéria aos mundos superiores, a isto que aqui nos encontramos.

Memória, memórias, caligrafia dos astros nos tantos detalhes dos quadros da Natureza. Há um código universal que assim prevalece e determina que aconteçam. Bem que muitos gostariam que fosse diferente, e que bem pudessem delimitar as ações, sem a sujeição inevitável às leis do grande todo. Que o poder dos humanos tivesse a condição de reverter normas e obedecer aos caprichos pessoais. No entanto, ledo engano. Força maior impõe e os fenômenos ocorrem no sabor de valores abstratos, desconhecidos, na linguagem comum.

Destarte, dever de submissão, representa sabedoria e rendição aos fatores determinantes do quanto seguimos desses códigos da Eternidade. Em tudo, pois, resta gravada a essência do Ser, do Autor que cria e rege a valsa do instante. Senhor absoluto das circunstâncias, jamais desconhecerá a consciência das ocorrências e segue seus andamentos, seja dentro das criaturas, seja no conjunto dos seres em movimento.

Eis a virtude da memória em suas inúmeras dimensões, que representam o plano da realidade visível. Enquanto que, mesmo sob as limitações da inteligência, ninguém dispõe de poder que supere o sonho do existir e permita mergulhar no mistério tenebroso disso. Depois, sós, lembranças vagas respondem silenciosas ao desespero de conhecer o outro lado das imagens que logo passam na tela das consciências, deixando apenas restos soltos de sentimentos guardados na imaginação do que fora e de onde jamais regressarão outra vez.

(Ilustração: Juazeiro da Bahia, foto de Emerson Monteiro). 

Mudaram os tempos: Engenheiros são presos em ação que apura responsabilidade de tragédia de Brumadinho


Fonte: Estadão

 Mar de lama: Barragem se rompeu na última sexta-feira em Brumadinho(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)

Uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) os Ministérios Públicos de Minas Gerais e São Paulo, e as Polícias Civis dos dois estados, acontece na manhã desta terça-feira. Os alvos da ação são engenheiros que atestaram a segurança da barragem B1, que se rompeu na última sexta-feira em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo as investigações, os funcionários atestaram o laudo da barragem que se rompeu. Eles deram parecer dizendo que a estrutura não apresentava risco de rompimento. Segundo a Polícia Civil, dois homens presos em São Paulo serão transferidos para Minas Gerais ainda nesta terça-feira. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também houve prisões de três funcionários da Vale.

Foram presos, durante a operação em Minas Gerais, César Augusto Paulino Grandshamp, Ricardo Oliveira, e Rodrigo Arthur Gomes de Melo, que seriam funcionários da Vale. Em São Paulo, foram presos dois engenheiros: André Jumyassuda e Makoto Mamba.

28 janeiro 2019

O shopping center de luxo que virou centro de tortura de presos políticos na Venezuela


Fonte: BBC, 28-01-2019.

No centro de Caracas, a capital da Venezuela, um edifício parece ter saído de um filme de ficção científica. O Helicóide foi projetado para ser um símbolo das ambições da Venezuela. O Helicóide - El Helicoide - foi idealizado como símbolo de um país rico e promissor.
Atualmente, no entanto, abriga uma das prisões mais violentas da Venezuela e retrata o declínio de uma nação que está à beira do colapso. O Helicóide foi construído nos anos 1950, quando a Venezuela, empurrada pelo lucro das exportações de petróleo, sonhava alto.

Por anos, grande parte do edifício permaneceu vazia. Mas, nos anos 80, o governo começou a transferir algumas agências para o Helicóide, sendo a mais importante o SEBIN (Serviço Bolivariano de Inteligência).
A reportagem da BBC Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com ex-prisioneiros, familiares de detentos, advogados, ONGS e também dois ex-agentes penitenciários para reconstruir pela primeira vez seu interior. Eles nos pediram para proteger suas identidades porque têm medo de represália do governo.
Edificio do Helicóide, no centro de Caracas

 Quando chegou ao Helicóide, em 2014, Mantilla diz que só havia 50 detentos. Dois anos depois, já eram 300. Com o aumento no número de detentos, os guardas tiveram de improvisar mais espaço. Salas comerciais, banheiros, escadas e espaços projetados para serem lojas foram convertidos em celas. Os prisioneiros as batizaram com nomes como Aquário, Tigrito e Infernito.
Mas a pior de todas era Guantánamo (em alusão à prisão que os Estados Unidos mantêm em Cuba). "Era um antigo depósito de documentos", lembra-se Víctor, outro agente penitenciário que trabalhou no Helicóide. "Tinha 12 m² e abrigava cerca de 50 presos". Era quente, apertada e claustrofóbica. "Não havia luz, água, privada, nenhuma infraestrutura sanitária ou camas", diz Mantilla. "As paredes eram manchadas de sangue e excremento".

O carcereiro Victor disse à BBC News Mundo que os prisioneiros podiam passar semanas ali sem tomar banho, urinando em garrafas e defecando em sacolas plásticas - que eles chamavam de "barquinhos". Mas os maus-tratos não eram o único motivo para ter medo no Helicóide. Todos os ex-prisioneiros e ex-agentes penitenciários que falaram com a BBC News Mundo sobre suas experiências descreveram o uso sistemático de tortura que o SEBIN empregava para obter confissões. Carlos, um ex-detento, diz: "Eles cobriram minha cabeça com uma sacola. Fui violentamente agredido, chutado e levei choques elétricos na cabeça, nos testículos e no estômago".
"Senti uma humilhação imensa, impotência, vergonha e indignação".

Abusos de direitos humanos 

Os dois ex-agentes penitenciários que falaram com a BBC confirmaram a ocorrência de tortura, mas negaram ter participado. "Vi pessoas sendo agredidas, amarradas, suspensas por seus punhos em um corrimão de uma escada e com os pés mal tocando o chão", diz Víctor. "Eles usavam um carregador de bateria de carro com dois cabos conectados à pele dos detentos para dar choques elétricos", acrescenta Manuel. "A tortura era sistemática", acrescenta. "Era uma prática normal". Muitos desses casos foram documentados por organizações de direitos humanos internacionais e, em fevereiro de 2018, a Corte Penal Internacional abriu uma investigação preliminar sobre violações de direitos humanos cometidas durante os protestos.

O brasileiro é um povo sem memória – por Armando Lopes Rafael



   Algum de vocês ainda se lembra daquele bispo católico que, em 2007, fez uma greve de fome, alertando para a preservação do Rio São Francisco? Há doze anos, Dom Luís Flávio Cappio, ainda hoje Bispo Diocesano de Barra (BA) denunciou: o chamado Rio da Integração Nacional passava por inúmeros problemas ambientais, incluindo o assoreamento resultando aquele curso de água ficar, a cada dia que passa, mais raso. Dom Flávio Cappio dizia que o projeto faraônico (hoje também comprovado: projeto corrupto destinado a fornecer propinas para figurões políticos que usufruiam do poder) projeto da transposição das águas do Rio São Francisco corria o risco de naufragar devido ao pouco volume de água.

     Dom Flávio Cappio tinha razão. Naquele ano a “petralha” ainda tinha força e manipulava a opinião pública. Petistas e puxa-sacos de plantão caíram em cima do Bispo que sofreu toda espécie de ataques. Muitos escreveram que Dom Cappio era um desumano, que não queria dividir a água com os sertanejos do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Foi um Deus nos acuda...

     Mas o fato era que, antes de desviar as águas do rio para a transposição, o governo precisava de um projeto paralelo de recuperação ambiental com o objetivo de melhorar a qualidade da água daquela bacia hidrográfica. Outra providência que se impõe é o reflorestamento das margens na tentativa de recuperação da mata ciliar, impedindo a erosão, que em muitos pontos está entupindo os canais, gerando assoreamento, causando problemas para a navegação e diminuindo a concentração de espécies nativas. Outra iniciativa que precisa ser feita é a coleta e tratamento das águas dos esgotos das cidades ribeirinhas na Bahia e Pernambuco, na tentativa de diminuir a poluição hoje presente no rio.

   “O tempo é o Senhor da Razão” diz um ditado português. O dado concreto é que a transposição – 15 anos depois de iniciada – ainda se arrasta sem perspectivas de conclusão. Denúncias de desvios de recursos naquela obra chegaramm a centenas. Lula (e muitas autoridades daquela época) estão na cadeia. No ano passado, o PT levou uma "surra" de votos, fato  inimaginável em 2007,  e perdeu o poder para um deputado pouco conhecido, capitão da reserva do Exército Brasileiro, que não teve tempo na televisão, nem fez campanha de rua;  que não chegou a gastar o dinheiro necessário para eleger um deputado estadual no Ceará... mas ganhou a eleição presidencial   – com folga – nos centros mais politizados do Brasil. São as voltas que o mundo dá...

Padre Cícero pensou ser missionário na China -- por Armando Lopes Rafael

 
A repórter Elizângela Santos, em matéria divulgada em 18 de março de 2009 no antigo “Diário do Nordeste” (nos dias atuais, este jornal adotou o formato de tabloide.  Isso me fez perder o atrativo pela leitura do “Diário do Nordeste”) publicou que, entre os livros remanescentes da biblioteca do Padre Cícero, consta um exemplar de um “dicionário Português–Chinês.

     À primeira vista trata-se de uma coisa estranha. Padre Cícero interessado, em um idioma da China?

      Mas para quem já leu um pouco sobre a vida daquele sacerdote, este fato não surpreende. No primeiro capítulo do seu livro “O Patriarca de Juazeiro”, à página 23, (2ª edição, Editora Vozes Ltda., 1969) o Padre Azarias Sobreira escreveu:

“Nos dois últimos anos que precederam sua ordenação de presbítero, o clérigo Cícero Romão Batista andou lendo jornais e revistas do Velho Mundo, que pintavam, de maneira impressionante, os esforços titânicos da Igreja, através da “Propaganda Fide”, para a evangelização dos chineses. E tais entusiasmos a grandiosa perspectiva gerou em sua alma, que, sem mais hesitar, deliberou oferecer-se, como voluntário, para as temerosas missões da China. 

Já estava acertando o projeto da partida, quando João Brígido, amigo particular de sua família, no Crato, veio a tomar conhecimento daquela inesperada e atordoante resolução.
Foi quanto bastou para que o desabusado e indomável panfletário, conhecido, já então, pelo seu agnosticismo, perdesse a calma e se desentranhasse em protestos furibundos, aptos para desnortear uma vontade resoluta.

– Não sei (teria dito João Brígido) não sei que religião é essa, que vocês aprendem no seminário. Religião contraditória, que manda amar o próximo, como a si mesmo, e bate palmas a um filho que vai abandonar a mãe viúva, tendo nele o seu único arrimo e cuja única fortuna são duas filhas órfãs. Arrenego desse seu espírito missionário, que se larga, assim, para ensinar o cristianismo aos pagãos do fim do mundo, quando nós temos um milhão de selvagens sem batismo e milhões de batizados que não conhecem a Deus e ainda menos o abecê. O plano de evangelizar o Oriente caiu por terra, não resta dúvida” (...)

     A matéria publicada no “Diário do Nordeste”, ainda acrescenta: “(segundo o padre José Venturelli) alguns dos livros (da biblioteca do Pe. Cícero) são do período em que o sacerdote era estudante”. Ele supõe isto, já que a assinatura nos livros não consta o costumeiro “Pertence ao Padre Cícero”.  Fica explicado a razão de o Padre Cícero possuir em sua biblioteca um dicionário Português-Chinês, remanescente do tempo quando ainda era estudante....

Justiça superior - Por: Emerson Monteiro


Quem engana se engana, qual diz o saber das populações. Ledo engano pensar que fica impune quem pisar na bola dos praticados e atingir outros com  atitudes precipitadas no erro. Raciocínio simples por demais. E tantas vezes pensar que correm do destino ao meter os pés pelas mãos. Jesus bem que disse, com a medida com que medirdes, medir-vos-ão também a vós.

Isso em tudo por tudo, nos transes deste chão das almas em crescimento. Imaginar o quanto de perfeição existe sempre nas mãos da Natureza e ainda querer fugir pela tangente, espécie de atitude às avessas que em nada corresponde ao tanto que recebemos desde os inícios desses acontecimentos. São assim tantos de nós, vivemos largados na correnteza, soltos no ar, vagando nas aventuras toscas, feitos pavões de fantasia, atirando dados nas roletas da sorte descabida de cobres e penitências.

Há, no entanto sobranceira justiça, a do Poder sem igual, na luz viva das consciências. Ninguém queira inventar a roda duas vezes. Do mesmo jeito que a gente impera, de volta leis imperam sobre a gente. Leis magnéticas, monumentais, de ação e reação, de retorno, exatidão matemática e ordem suprema do Universo. Esconder de quem existem não alternativas, porquanto a luz da transparência é a luz das existências. Daí, correr em busca do sentido mais puro da Justiça inexpugnável, donde todos viemos e aonde iremos regressar, sobremodo, vestidos no manto definitivo da coerência mãe.

Importa, pois, a calma diante dos desafios... Aceitar crises com grandeza invés de constranger o sentimento e cair nos desesperos. Ao sabor das sementes que plantar, nele saciaremos a fome de paz, tão logo o tempo assim o determine na face dos valores sem igual. Firmar na certeza nossos passos, tenha disto o nome que melhor queira de conhecer a Verdade absoluta, senhora dos mundos e das horas.

24 janeiro 2019

Fragmentos - Por: Emerson Monteiro


Cascalhos dessa velha estrada dos tempos que restam em pequenos indícios do que passaram nas outras caravanas, diante do sentido único do correr dos dias, fiapos das existências. Cacos permanecem largados, agarrados folhas, nos garranchos, nas encostas, feitos meros pedaços da história nos quais há que se ler os escritos da humanidade e suas tantas intenções. Por vezes bem sucedidas intenções; noutras, só experimentos de inutilidade e amenas oportunidades engolidas no seio da ilusão.

Reza a tradição dos judeus que a tribo de Dã, um dos doze filhos de Abraão, mantinha de costume permanecer atrás das outras caravanas, quando iam fazer longas jornadas. A orientação seria na disposição de recolher os restos que as outras tribos fossem deixando pelas estradas, inclusive as sobras das orações balbuciadas, que lhes serviam de acréscimos aos rituais que também realizavam.

Quase nunca os derradeiros imaginam a virtude dos que caminham no final das longas caminhadas, dispostos que estejam de chegar primeiro na beira do poço, qual dizem, quem vai na frente bebe água limpa. Mas no transcorrer das epopeias humanas há valores discutíveis nos tempos e costumes. Porquanto, também o dizem, a pressa é inimiga da perfeição. Valorosos contrastes deste chão. As cenas que se sucedem e a história que repete os feitos da ambição. Sob os conceitos místicos, correr dificulta a compreensão daquilo a que viemos buscar.

E nisso examinar os fragmentos fala alto às consciências face dos embates apressados e vitórias dos que imprudentes. As páginas voam e as lições ficam bem guardadas nos astros e nas criaturas. Quantos quebram a cara no dizer e perder logo além. Agoniados habitantes do Chão. Senhores das angústias e de correr aos precipícios de nada permanecer quando cruzar as horas e triturar os bens imagináveis...

Fragmentos do inútil desejo, fagulhas de paixões e sobejos da sorte nas mãos do destino. A pressa, essa inimiga figadal da Perfeição. Resta ler nas entrelinhas do horizonte o segredo que vive esperto escondido na alma de tudo o que sempre viverá.

22 janeiro 2019

Uma lenda norueguesa

Uma antiga lenda norueguesa narra este episódio sobre um homem chamado Haakon, que cuidava de uma ermida à qual muita gente vinha orar com devoção. Nesta ermida havia uma cruz muito antiga, e muitos vinham ali para pedir a Cristo que fizesse algum milagre. 

Certo dia, o eremita Haakon quis também pedir-lhe um favor. Impulsionava-o um sentimento generoso. Ajoelhou-se diante da cruz e disse:

– Senhor, quero padecer por vós. Deixai-me ocupar o vosso lugar. Quero substituir-vos na Cruz.

E permaneceu com o olhar pendente da cruz, como quem espera uma resposta. O Senhor abriu os lábios e falou. As suas palavras caíam do alto, sussurrantes e admoestadoras:

– Meu servo, cedo ao teu desejo, mas com uma condição.

– Qual é, Senhor? – perguntou com acento suplicante Haakon. É uma condição difícil? Estou disposto a cumpri-la com a tua ajuda!

– Escuta-me: Aconteça o que acontecer, e vejas tu o que vires, deves guardar sempre o silêncio.

Haakon respondeu:

– Prometo-o, Senhor!

E fizeram a troca sem que ninguém o percebesse. Ninguém reconheceu o eremita pendente da cruz; quanto ao Senhor, ocupava o lugar de Haakon. Durante muito tempo, este conseguiu cumprir o seu compromisso e não disse nada a ninguém.Certo dia, porém, chegou um rico. Depois de orar, deixou ali esquecida a sua bolsa. Haakon viu-o e calou. Também não disse nada quando um pobre, que veio duas horas mais tarde, se apropriou da bolsa do rico. E também não quando um rapaz se prostrou diante dele pouco depois para pedir-lhe a sua graça antes de empreender uma longa viagem.

Nesse momento, porém, o rico tornou a entrar em busca da bolsa. Como não a encontrasse, pensou que o rapaz se teria apropriado dela; Voltou-se para ele e interpelou com raiva: - Dá-me a bolsa que me roubaste! O jovem, surpreso, replicou-lhe: - Não roubei nenhuma bolsa! - Não mintas; devolve-me já! - Repito que não apanhei nenhuma bolsa! O rico arremeteu furioso contra ele. Soou então uma voz forte:

– Pára! O rico olhou para cima e viu que a imagem lhe falava. Haakon, que não conseguiu permanecer em silêncio diante daquela injustiça, gritou-lhe, defendeu o jovem e censurou o rico pela falsa acusação.

Este ficou aniquilado e saiu da ermida. E o jovem saiu também porque tinha pressa para empreender a sua viagem.

Quando a ermida ficou vazia, Cristo dirigiu-se ao seu servo e disse-lhe:

– Desce da Cruz. Não serves para ocupar o meu lugar. Não soubeste guardar silêncio. – Mas, Senhor, como podia eu permitir essa injustiça?

O Senhor continuou a falar-lhe:

– Tu não sabias que era conveniente para o rico perder a bolsa, pois trazia nela o preço de uma injustiça. O pobre, pelo contrário, tinha necessidade desse dinheiro; quanto ao rapaz que ia receber os golpes, a suas feridas o teriam Impedido de fazer a viagem que, para ele, foi fatal: faz uns minutos que o seu barco acaba de soçobrar e que ele se afogou.

Tu também não sabias isto; mas Eu sim. E por isso me calo. E o Senhor tornou a guardar silêncio. 

Muitas vezes nos perguntamos por que Deus não nos responde. Por que Deus se cala?

Muitos de nós gostaríamos que nos respondesse o que desejamos ouvir, mas Ele não o faz: responde-nos com o silêncio. Deveríamos aprender a escutar esse silêncio. O Divino Silêncio é uma palavra destinada a convencer-nos de que Ele, sim, sabe o que faz. Com o seu silêncio, diz-nos carinhosamente: "Confia em mim, sei o que é preciso fazer!

21 janeiro 2019

Poema de eleição - Por: Emerson Monteiro


Pois não é que, sem mais, nem menos, Janaína me perguntou, numa mensagem, qual seria o poema de que mais gosto... Isso que me colheu de repente, e fiquei meio assustado de nunca haver pensado nisto. Mas viajei na surpresa e busquei entre os cacarecos da memória pedaços de lembranças dos tantos e tantos poemas que me tocam, eu que já declamei alguns no Jogral Pasárgada, à época do Colégio Diocesano.

Poesia clássica, romântica, moderna, de vanguarda, sertaneja, traduções, o que quer que fosse, que valha a pena nesta hora. Versos, reversos; poemas livres; rimados, metrificados; conhecidos, desconhecidos; em prosa; concretos; abstratos; tristes, alegres; venturosos, místicos; tradicionais, recentes?! Andei, que andei; olhei as prateleiras do juízo, isso num ritmo breve, porquanto não aceitaria nunca não ter um poema de predileção, eu detentor do prazer das palavras, espécie de virador das folhas secas dos livros, heranças inevitáveis dos dias, assim qual cão farejador dos inspirados autores.

Até no sentido de livrar a cara de mim mesmo, numa chamada à responsabilidade pelo tempo aplicado no filão das letras, e tratei logo de achar a resposta que devesse à filha indagadora.

Andei na seara dos confidentes das horas de solidão, nas caladas dos volumes e das horas. Drummond. Vinícius de Moraes. Raul Bopp. Mário Quintana. Castro Alves (Vozes d’África). Cecília Meireles. Murilo Mendes. Ihhh, Fernando Pessoa, monstro sagrado da expressão portuguesa. Bertolt Brecht. Sonetos de Machado de Assis. Olavo Bilac, o perscrutador das estrelas. Raimundo Correia. Padre Antônio Tomás. Ferreira Gullar. Hummm, tarefa das arábias me fora trazida a queima roupa. Os amigos daqui, de valor inestimável, Patativa do Assaré, Luciano Carneiro, Edésio Batista...

Bom, ainda que cheio de empáfia de conhecer desse povo de tamanha inspiração, haveria de achar a joia rara dessa coroa dos versos no meu gosto que desafiava o senso de apreciação. Então aflorou, sim, em flagrante súbito quando firmei os pensamentos. O poema que aprecio incondicionalmente, Janaína, é de Manuel Bandeira, Profundamente: Quando ontem adormeci / Na noite de São João / Havia alegria e rumor / Vozes cantigas e risos / Ao pé das fogueiras acesas. / No meio da noite despertei / Não ouvi mais vozes / nem risos / Apenas balões / Passavam errantes / Silenciosamente / Apenas de vez em quando / O ruído de um bonde / Cortava o silêncio / Como um túnel. / Onde estavam os que há pouco / Dançavam / Cantavam / E riam /Ao pé das fogueiras acesas? // — Estavam todos dormindo / Estavam todos deitados / Dormindo / Profundamente. // Quando eu tinha seis anos / Não pude ver o fim da festa de São João / Porque adormeci. // Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo / Minha avó / Meu avô / Totônio Rodrigues / Tomásia / Rosa 
/ Onde estão todos eles? / — Estão todos dormindo / Estão todos deitados / Dormindo / Profundamente.

20 janeiro 2019

Em paz na consciência - Por: Emerson Monteiro


Ida sem volta vive a vida, sentido exclusivo de todas as gerações, das que passaram e das outras que aqui também passarão. Nem adianta confrontar opiniões perante os metais consistentes dos seguimentos eternos, porquanto habitaremos o solo das almas na força da certeza de quanto receberemos, sempre nas luzes da Natureza definitiva do poder além dos objetos que se desfazem à medida que sustentam o projeto da História.

Raiz da aceitação, pois, comungar das bênçãos de sobreviver a tudo, eis o destino único dos mares, das luas, no firmamento e nas cores. Seres e senhores dos valiosos sonhos, toquemos passo a passo a espera infinita, porquanto somos entes imortais a circular nas veias esplendorosas do Sol.

Nalgumas ocasiões, frutos dourados das águas da existência, aceitamos o dever conosco mesmos, andarilhos das estrelas às portas da Salvação. Arautos do bem, instrumentos da realidade presente na força das convicções, tracemos, a todo instante os sinais indeléveis da perfeição.

Isso acalma as tempestades donde vieram os dias de felicidade, e construiremos verdade maior no seio das gentes, autores dos livros da redenção e da paz. Na certeza dessas palavras firmes de quem deseja concretizar planos de solidariedade entre os laços da Criação, vamos nós à busca incessante dos valores da grande transformação.

Tantos iguais aos mistérios que ainda somos aqui irão de junto aos campos iluminados da esperança, e próximos estaremos dos dias em que os Céus abrir-se-ão aos sentimentos naquilo que seja belo, simples e bom. Significa isto o processo de equilíbrio das graças supremas na idealização do Ser de que fazemos parte, composição da essência de tudo quanto há.

Assim, através dos caminhos do coração, edificaremos de amor mundos de plenitude, sob a tranquilidade universal da música das esferas, senhores absolutos da fiel aceitação do Criador em nossos corações em festa.

17 janeiro 2019

Um mundo que se desfaz... - Por: Emerson Monteiro


... E se refaz logo em seguida, mundo este nosso mundo onde mourejamos à busca de libertação definitiva da condição sob que existimos. Laço de incompreensões e portal das maravilhas, nele traçamos o decorrer dos dias aqui onde aguardamos os Céus no direito de saber antes o que virá. Quando chegam respostas textuais, até aceitamos a forma, no entanto carecemos de maiores esclarecimentos que justifiquem a outros setores racionais da consciência animal, que sirvam de explicações e preencham os espaços do entendimento.

As horas sucedem o tempo e o Sol ilumina caminhos... No vazio de momentos deste presente que ronda o inesperado, nuvem de sombras cobre os horizontes e raramente revelam maior conformação, porquanto a ninguém foi dado saber de tudo além das existências atuais. Estágio primitivo, pois, de sentimento dos valores do Universo, apenas um mínimo de pequenas estampas fere o senso num tanto mais de futuro, porém, de acordo com o limite do insondável às constatações humanas, seres audazes que permanecem soltos no ar entre súplicas e misericórdias.

Todos, sem exceção, bem anseiam descortinar os degraus do Paraíso, outrossim submetidos ao determinismo da espécie no transcorrer frio das eras. Luzes que acedem de raro em raro e tocam sonhos e esperanças, e atônitos vão a sós face a face com o relativismo do conhecimento geral.

Isso, pois, de perguntar sacode as noites, prevalece nas crises de viver... Reúne mostras de interpretações dos sábios e deixa que acalmem pensamentos ansiosos, todavia no prazo do conforto e das satisfações, o que some como que por encanto ao primeiro obstáculo. Adiante reagem de armas em punho ao frigir das angústias e das dúvidas, e sofrem com isto quais guerreiros perdidos pelas escuras cavernas da ignorância.

Bom, quisemos assim demonstrar aspectos do teorema das ausências de claridade na alma até quando, um dia, vislumbremos alvoradas de rara beleza que nos reservam Amor, depois das muitas existências nas escolas deste Chão.

16 janeiro 2019

A Banda do Companheiro Mágico - Por: Emerson Monteiro


Dentre as lembranças inesquecíveis que guardo comigo dos tempos quando vivi em Salvador, na década de 70, este marca um momento rico das boas recordações baianas: 

Fora convidado por Boanerges de Castro, amigo músico e colega de banco, a realizar documentário de uma festa de que ele anualmente participava, no sudoeste da Bahia, no povoado de São Gonçalo da Canabrava, próximo à Serra da Mangabeira, na Chapada Diamantina. Prometera ao santo padroeiro que, todo ano, compareceria às suas festividades e, juntamente com mais dois amigos músicos, acompanharia a procissão pelo vilarejo, inclusive a executar os hinos em sua homenagem, em meio às atividades do lugar. E naquele ano eu iria com ele a fim de fazer o registro cinematográfico da sua presença naquele ano.

Antes, porém, passaríamos pela Ilha de Itaparica, quando iria participar, integrando um grupo de metais que formava com mais onze outros músicos, do I Festival de Música de Mar Grande. Assim o fizemos. Chegamos com alguma antecedência e acompanhamos os dois dias do evento, naquela vila, uma das tantas que formam a Grande Itaparica.

No derradeiro dia, domingo, acordamos cedo e os músicos saíram da casa onde estávamos e foram ensaiar a céu aberto, ao sol intenso da manhã. Juntamente conosco estava Edgard Navarro Filho, um cineasta baiano, também meu amigo. Enquanto ensaiavam, pedi a Edgard sua câmara e cuidei de fazer algumas tomadas do grupo, que, por sua vez, se motivou e seguiu pelas ruas de Mar Grande a executar o repertório da apresentação da noite; no decorrer do trajeto gravaria novos enquadramentos de cena.

A película virgem na câmera, uma Chinon, super-8, era, no entanto, restrita tão só a poucos minutos, e fui gastando o cartucho à medida em que andávamos pelas ruas. Nisso, avistei um pequeno circo das imediações, já na praça da vila; convidei os músicos a entrar e tocar no picadeiro. Nessa hora nos acompanhava número expressivo de populares trazidos pelo ritmo cativante das melodias, ao som febril dos metais, frequência que cresceu ao chegarmos no circo. 

As músicas do grupo, repertório de qualidade exemplar, animado aos moldes da alegria baiana, motivava todos a dançar numa total animação, ocasionando evento improvisado e espontâneo. E eu a filmar, convidando as pessoas a participar da película improvisada. 

Isto já com mais de vinte minutos de função, Edgard, descalço, pulando no calor do asfalto quente, ficou admirado de tanto tempo de filmagem; então me perguntou se o cartucho ainda resistia naquilo tudo. Eu respondi que de há muito gastara a película, e mesmo assim não quis interromper a gravação impossível, face ao fenômeno que verificado no entusiasmo daquela gente. 

Daí, seguimos até o porto das barcas de Mar Grande, a dirigir a multidão,  por volta de cem ou mais pessoas, no ritmo acalorado. Mais um, mais um Bahia, mais um título de glória...

Desceríamos até a praia e persistimos naquela fantástica produção cinematográfica durante alguns outros instantes complementares. Nessa hora, daria sinal a todos de que o cartucho do filme terminara, e saímos, os músicos e eu, de volta à casa onde estávamos. Eles tocavam e os populares, da praia, embevecidos, acenavam em despedida. 

Apenas imaginário como um todo, o que só Edgard e eu sabíamos, tenho certeza que aquele filme e aquela manhã inusitada permanecerão para sempre na memória dos que dela participaram sob tanto fervor e tamanha felicidade.

Na sequência, tomaríamos estrada através da Ponte do Funil, na BR-101, e buscaríamos a localidade aonde fizemos o curta-metragem São Gonçalo da Canabrava, de minha autoria, sob a produção de Boanerges de Castro. 

(Agora recente avistei o seu endereço no Messenger e envie minhas notícias, 44 anos depois: – Lembra do nosso filme de São Gonçalo? 1975. Banda do Companheiro Mágico. – Oi Emerson, claro que sim! Que bom ter notícias suas! Feliz ano novo!).

15 janeiro 2019

O tempo - Por: Emerson Monteiro




O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira.                                            

                                                                                              Provérbio africano

Uma vez ouvi, lá na Bahia, que Tempo é dos mais importantes dos orixás das religiões afro-brasileiras. Logo em frente das grandes casas do candomblé, por exemplo, com ênfase em Salvador, há grande árvore de gameleira branca de raízes salientes envoltas com um alá (pano branco), sendo este um IROKO, de fundamental necessidade numa casa do culto. Por isso admirado, venerado com fervor. São por vários os sinais da sua valia no fremir dos acontecimentos deste Chão. E há uma história que narra a lenda do Tempo:

Diz o mito que no princípio de tudo, a primeira árvore nascida foi Iroco. Iroko era capaz de muita magia, tanto para o bem quanto para o mal, e se divertia atirando frutos aos pés das pessoas que passavam. (comunidademensageirosdaluz.blogspot.com)

Senhor das verdades absolutas, desliza ao sabor do movimento dos astros, fagueiro e livre, dominador das esferas e provedor dos alimentos. Ele, silencioso, firme nos páramos eternos, testemunha o fluir das luas e o reviver dos sóis entre nuvens e flores, qual donatário único da esperança e administrador das vidas e renascimentos.

Desde sempre o Tempo aqui esteve, origem das origens e fonte do equilíbrio da justiça. Ainda no blog acima citado lê-se: É também a permanência dentro da impermanência e impermanência na permanência. O ciclo vital, que não muda com o transcorrer da eternidade. A infinita e generosa oferta que a natureza nos faz, desde que saibamos reverenciá-la e louvá-la.

Dado o respeito sob o qual essa existência definitiva permanece diante das determinações das existências, assim reina e impera, flui e permanece, independente das pobres vontades humanas e das meras ocorrências virtuais que persistirão acima dos bens passageiros. Em tudo por tudo, ali está Iroko, escriturário de valores e sonhador das virtudes.

Aos gregos, detinha o título de Cronos, aquele que pare e devora os próprios filhos, autor dos dias e ceifador das eras sem fim, amém.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro),

11 janeiro 2019

Voz da experiência - Por: Emerson Monteiro


Nem sempre fica só no dizer e no fazer, há que conhecer e dominar o conhecimento, fugir do puro instinto das determinações inconsequentes. Isso o que denominam sabedoria, de sustentar as normas pela experiência adquirida no passar inevitável dos dias e das gerações. Reunir as reações às nossas oportunidades de vida e aprender com a prática. Todos têm disso a cada época. Sem mais, nem menos, ninguém possui todos os elementos de substituir as peças de reposição dos pensamentos apenas ao sabor das crises anteriores. Antes que aconteça o tal exercício do poder pessoal difícil responder aos desafios.

Bom, quis contar da importância de toda fase de vida, as épocas dos aprendizados constantes de evoluir diante da sociedade, da ética, da moral, dos costumes. Criar um banco de dados que possa corresponder aos programas atuais e posteriores. Ninguém, portanto, amadurece fora do prazo.

Entre os dois programas que nos são oferecidos durante a existência, quais sejam: exercitar os sentidos e adotar o prazer por consequência, ou reconhecer através dos sentidos a necessidade progressiva da consciência rumo aos pendores de uma libertação. Isto noutros patamares além da matéria. Homem carnal versus homem espiritual. Iniciar a compreensão tão só aqui e aqui dar por terminada, ou aceitar o sacrifício qual motivo de revelar outra compreensão além da morte inapelável do corpo de carne.

Experimentar as forças do destino e poder dominá-las em prol de melhores dias, ao instante de existir. Nada, pois, entre essas duas correntezas, uma que desgasta as energias físicas e propende ao final melancólico do ente que morre, ou trabalhar a lição dos místicos, que tanto insistem no princípio da libertação da matéria, no sentido da abstração de quase tudo deste Chão.

No meio de ambas essas correntes persistirão nos seus valores, conquanto adquiridos pelo transcorrer das experiências, síntese dos princípios deste mundo e fator determinante de todo o Universo. 

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Com ida a Caracas, PT demonstra continuar refém da sua ala mais sectária

Fonte: "Folha de S.Paulo" -- por Mathias de Alencastro (*)

Talvez a maior especificidade do avanço ultraconservador no Brasil tenha sido o engessamento do principal partido da social-democracia. Se os trabalhistas britânicos lançaram as bases de uma refundação e os socialistas franceses entraram em via de extinção, o PT continua tendo a maior bancada, mas segue avesso a qualquer tipo de renovação. É o pior dos dois mundos.

O presidente Nicolas Maduro discursa durante cerimônia de posse do seu segundo mandato - ADRIANA LOUREIRO/ REUTERS

A história contará como a atual cúpula petista manipulou um drama nacional a detenção da maior liderança da era democrática e deslegitimou a campanha do seu maior agente renovador:_Fernando Haddad, para assegurar a sua sobrevivência.

Os líderes do Congresso Nacional Africano, referência mitológica dos dirigentes do PT, jamais se esconderam entre as pernas de Nelson Mandela. A identidade do partido sempre foi maior do que a do seu símbolo, tendo sido possível substituí-lo sem perder força política. Décadas se passaram desde a presidência de Madiba, e a CNA continua um viveiro de lideranças.

Para o campo progressista, a consequência mais imediata da obtusidade burocrática foi a de juntar a ofensa à derrota histórica e às angústias sobre o que vem pela frente. Especificamente, a ofensa de ver os dirigentes apresentarem, na sua primeira missiva pós-eleitoral, uma visão que glorifica o seu próprio desempenho e coopta os eleitores não petistas, essa coalizão heteróclita e improvável de psolistas a tucanos cujos apelos por uma maior abertura foram rigorosamente desdenhados durante a campanha.

Soma-se a ofensa de ver pavonear figuras ultrapassadas como José Dirceu que, em recente entrevista, ousou falar de “nós”, como se tivesse um resquício de autoridade para palpitar sobre o futuro.

A ofensa maior que representa a ida da presidente do partido à posse de Nicolás Maduro é o sinal que faltava para uma insurreição dos progressistas.

Ao aterrissar em Caracas, Gleisi Hoffmann realiza a fantasia daqueles que buscam por todas as formas etiquetar o PT como antidemocrático, agrava o distanciamento com a social-democracia europeia --unânime na condenação do regime de Maduro-- e relembra aos brasileiros que o partido continua refém da sua ala mais sectária. A ida a Caracas será lembrada como o ponto de ruptura dos atuais dirigentes com todos os princípios que nortearam a história do partido.

Numa palestra a poucas semanas da eleição, Márcio Pochmann, entre uma sonolenta digressão sobre a burguesia industrial e uma delirante interpretação da reforma da previdência, comoveu-se com o destino do Partido Socialista Francês, obrigado a vender a sua sede depois da debacle de 2017.

A sede do PT continua de pé --mas a que custo? Os atos e declarações recentes dos dirigentes são mais uma camada de cimento que fazem dessa sede um bunker em que ninguém entra --e as rachaduras, cada vez maiores, tornam o risco de desabamento iminente.

(*) MATHIAS DE ALENCASTRO é doutor em ciência política na Universidade Oxford.

DA VERGONHA À INDIGNAÇÃO -- por Rafael Moia Filho (*)


     Recentemente, um jovem advogado discutiu dentro de um avião com um dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) dr. Ricardo Lewandowski, dizendo em alto e bom tom que o órgão era uma vergonha nacional. O ministro pediu que a comissária de bordo chamasse um agente da Polícia Federal. A seguir, o rapaz foi levado à sala da PF para interrogatório e o assunto ganhou as ruas e as redes sociais no País.

     A questão que ficou é a seguinte: Devemos sentir vergonha do STF ou não? Ao colher alguns números sobre aquela Corte máxima da Justiça nacional, confesso que passei do sentimento de vergonha para o de completa indignação. São números astronômicos incompatíveis com a situação do trabalhador brasileiro que beira a penúria.

     Os dados a seguir demonstram que algo fugiu do controle e, com certeza, não são os benefícios concedidos aos aposentados nem aos trabalhadores da iniciativa privada. Não vejo nada no horizonte que possa me fazer acreditar numa mudança drástica que levasse à redução destes gastos nababescos protagonizados justamente pelo único poder que tem a obrigação de zelar pela ordem moral e legal.

    Vamos aos números que assombram: o STF é constituído de 11 ministros indicados pelo presidente da República, com vencimentos médios de R$ 47 mil dentro de um orçamento que gira em torno de meio bilhão de reais ao ano (R$ 544 milhões). Essa quantia, maior que a maioria dos orçamentos das cidades brasileiras, serve para poder manter uma estrutura que tem, entre outras coisas: 2.442 servidores (média de 222 por ministro, sendo 85 secretárias, 194 recepcionistas, 24 copeiros, 27 garçons, 293 vigilantes, 116 serventes de limpeza, 7 jardineiros, 6 marceneiros, 19 jornalistas, 5 publicitários, 10 carregadores de bens, 10 encadernadores, 58 motoristas para 87 veículos). Isso faz com que o STF tenha gastos de R$ 9,2 milhões com veículos, R$ 15,7 milhões com despesas médicas e odontológicas e R$ 12,7 milhões com alimentação.

     Tudo isso acontecendo no mesmo Brasil que tem aproximadamente 30 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, sem saneamento, emprego, educação e saúde. No mesmo país de 50 milhões de analfabetos e semialfabetizados, que não conseguem entender ou receber informações sobre o mundo maravilhoso em que vivem os 11 ministros do STF. No Brasil de mais de 60 mil assassinatos ao ano, estes números servem para matar a esperança de dias melhores para a nossa sociedade.

(*)Rafael Moia Filho
E-mail: rmoiaf@uol.com.br

10 janeiro 2019

URGENTE: Justiça acata pedido de Intervenção Federal na gestão petista da Bahia



A Bahia, estado administrado pelo PT, está prestes a sofrer Intervenção Federal por descumprimento reiterado de decisão judicial. Descumprir, não cumprir, ignorar ou afrontar ordem judicial é uma prática contumaz dos petistas.

Na Bahia, parece que uma birra pessoal do governador Rui Costa levou o caso a esse extremo. O tenente-coronel Arik Bispo dos Santos impetrou Mandado de Segurança requerendo que lhe fosse concedida promoção a que tinha direito, a patente de Coronel.
O direito lhe foi assegurado no Mandado de Segurança. A ordem judicial foi exarada, mas o governador
simplesmente não cumpriu. As decisões favoráveis ao militar foram pronunciadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e reconfirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive, com aplicação de multa diária proferida pelo ministro relator Dias Toffoli. Rui Costa, o infame petista, ignorou. Diante disso, decisão desta quarta-feira (9), do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, requer a Intervenção Federal no estado. O requerimento de intervenção do TJBA será encaminhado ao STF para as providências.

Fonte: Jornaldacidade
Via Blog do Crato


09 janeiro 2019

O rabi e o alfabeto - Por: Emerson Monteiro


Eles, rabi e discípulo, faziam longa viagem quando foram surpreendidos por violenta tempestade às costas de uma ilha distante. Náufragos impenitentes daquele navio, quis o Ser Maior que ambos restassem vivos junto daquelas praias desertas.

Dias passavam inclementes, alimentados que foram dos frutos de árvores e de pescar como podiam, enquanto viviam de esperar o inesperado dalguém que viesse ali existir ou passar naquelas plagas distantes. Viesse quem viesse, ora que foram, então, surpreendidos, certa noite, à luz da fogueira que lhes aquecia, por bando desalmado que os levaria prisioneiros até aldeia no interior da ilha.

Nesses instantes aterrorizantes, mestre e discípulo, atados e tocados de toscas apreensões, iniciaram diálogo que pudesse mitigar as necessidades de conforto e esperança. O discípulo perguntou ao rabi o que podiam rezar naquela situação que lhes trouxesse o socorro divino, e qual não foi a surpresa do devoto ao saber que o mestre esquecera por completo o quer que fosse de orações e litanias, porquanto apenas restos de escuridão invadira sua memória gasta de aflição.

Ao buscar também dentro de si os frutos do aprendizado que vivera junto do mestre, o discípulo logo reconheceria que de nada recordava das lições religiosas estudadas, e de imediato, mesmo naquela urgência, apegados de vez lhe foram os pensamentos.

Ainda que assim houvesse, o rabi insistiu com o discípulo que ele sendo mais jovem possuiria memória mais acesa, e que recordasse oração que pudesse revivê-los e, através de pedido sincero, merecessem do Poder a liberdade.

De tanto insistir junto do discípulo, este disse ao mestre que de algo ainda recordava, as letras do alfabeto, apenas. Daí ambos seguiram repetindo baixinho o som das letras do alfabeto, e com isso galgariam pureza e concentração suficientes de erguer a alma a Deus e merecer a libertação, pois não tardaria a chegar expedição que ali surgira e levaria os dois de volta à civilização.

08 janeiro 2019

Do outro lado - Por: Emerson Monteiro


As normas do destino têm disso, das outras oportunidades de encontrar a clareza dos meios que as façam apresentar face de tranquilidade, logo ou demoradamente, pouco importando os limites aparentes das ocasiões. Percursos originais formados entre o tudo e o nada, de modo exclusivo a todo vivente do Chão, sejam através dos fenômenos naturais, nos trechos íngremes das estradas, sejam nos gestos dos humanos que demonstram o que existe de possibilidades exigindo apenas iniciativa e confiança. Isto é, desesperar jamais.

Sempre haverá formas mil de recriar os resultados das cenas, quando nisso contamos de nosso lado com a certeza das iniciativas, e que existe uma Lei universal justa e perene, queiram ou não seres pensantes por vezes afeitos aos abismos da ingrata sorte. No entanto o preço da virtude demonstra derradeiras esperanças vivas, em tudo por tudo.

Tão próximo daqui quanto a exatidão das matemáticas persiste o céu de cores que alimentam os quadros vivos do eterno sonho. Pensar em excesso, que produza negatividade, gera isso de amargura, enquanto o pensamento significa o instrumento de busca incessante, sobremodo nos grotões da alma da gente. Do jeito que pode levar ao escurecimento, também ocasiona fórmulas mágicas de nortear os passos ainda que nas ausências de solução.

Em situações as mais severas, de dúvidas e aflição, há decerto nos lenitivos dos elementos da cura, do sonho, das notas claras da salvação, o que remonta tempos humanos vindos no bojo da trajetória de nós conosco mesmos, autores do renascimento e das revelações. Porquanto bem aqui no âmbito de mim persistem laços que indicam o sentido da real definição de viver. Somos, por isto, senhores das horas e parceiros da Criação, ombros das gerações e atores e diretores de nossos filmes. A mágica de existir a tudo indica quais longas histórias produzimos e que trarão só finais felizes.

07 janeiro 2019

As máquinas de rezar - Por: Emerson Monteiro



Ainda que eu falasse a linguagem dos anjos, se não tivesse amor, seria como um sino que não tem badalo.                                                                            Paulo de Tarso.



Máquinas de rezar, ou o risco do formalismo impuro, o que significa a mesma expressão; o sacerdotismo infiel às letras santas; a intenção de determinar o sagrado sob o mandonismo dos donatários temporais. Isso que lembra as máquinas de rezar dos templos budistas do Himalaia, onde os devotos fazem girar instrumentos que emitem sons de guizos e ficam rodando durante algum tempo enquanto dirigem o pensamento nas orações.

Depois, os profitentes das religiões que abraçam seus credos a ponto de se tornarem doutores da Lei, no entanto formalistas ao extremo, mais intelectuais do que profetas ou fieis praticantes daquilo que transmitem, às vezes com exatidão matemática, na linguagem dos anjos, talvez, sem, contudo, a prática correspondente no mundo das ações. Ter de Deus a ciência e retê-la só consigo, largando de lado a oportunidade principal do exercício na realidade dos acontecimentos.

Esses tais equipamentos de sintonizar o sagrado, ainda que humanos, de carne e osso, sujeitam ser os vendilhões do templo de almas cheias de impurezas e alvejado por fora. Silenciosamente emitem sons de guizos, porém longe de chegar aos níveis da consciência, porque a serviço da fama, da fortuna, das profissões religiosas, todavia sem o traje nupcial de que fala Jesus.

Isso impera sobremodo em tempos de muita teoria e pouca, ou nenhuma prática, das horas de uma civilização empacotada. Instrumentos de transmissão de pensamento e valores, entretanto ausentes de conteúdo, quais conhecemos nas lojas de hoje. Resta aguardar conteúdo de criatividade e bom gosto em igualdade de condições ao progresso tecnológico, quando espiritualidade há de corresponder aos avanços antes obtidos nas máquinas, e que propiciem aos povos a luz no coração.

05 janeiro 2019

Minha homenagem a nova Primeira Dama -- por Éden A. Santos (*)

 
    Não só os especialistas, mas nós, leigos leitores, temos nos debruçado para analisar, avaliar e comentar o fenômeno Jair Bolsonaro, muitos fazendo previsões, outros sugerindo cautela e mais tempo para conclusões.

     O certo, contudo, é que ninguém ficou indiferente, exceto o pessoal da esquerda, sobretudo o PT, que está aguardando, como soe acontecer, o primeiro tropeço do governo eleito para colocar a cabeça de fora e fazer suas proverbiais críticas. 

   Felizmente, a estrutura democrática brasileira tem se comportado de forma exemplar e a todos é permitido emitir seus conceitos. Dentro desse clima, gostaria de lembrar que somos latinos e, como tais, herdeiros das suas qualidades e defeitos. Somos apaixonados e arrebatados, seja na religião, no esporte ou na política, a ponto de haver uma máxima popular recomendando que estes assuntos nunca devam ser discutidos. Nesse contexto, porém, não podemos esquecer que somos também sentimentais, extremamente sentimentais. 

    Por isso mesmo não custa nada voltar a falar da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A lição que deixou para todos no dia da tomada de posse é a de que, seja qual for o clima político, o amor tem predominância em todas as circunstâncias. Sua meiguice ao tratar do tema das pessoas portadoras de deficiência, não só os surdos e mudos, mas os de todo tipo, leva-nos a uma reflexão que permeia tanto o "Velho" quanto o "Novo Testamento", a de que nada é construtivo se não for fundamentado no amor. 

     Muitos podem entender que tratar da questão num clima destes pode revelar certa ingenuidade. Enganam-se, porém, tais pessoas. Basta lembrar que este é também assunto de poetas de todos os tempos e matizes. Que dona Michelle seja inspiradora para toda a pátria. No meio de tantas vozes masculinas e clima marcial, a primeira-dama apresentou suas armas.

(*) Éden A. Santos
e-mail: densantos@uol.com.br

Presidente Bolsonaro apresenta nova marca do Governo Federal pelo Twitter


Fonte: O POVO Online
PÁTRIA AMADA BRASIL é o slogan do novo governo


Último verso do hino nacional, a frase "Pátria Amada Brasil" fará parte da nova marca do governo Jair Bolsonaro, que é acompanhada de uma ilustração estilizada da bandeira. O anúncio foi feito pelo próprio Bolsonaro, no Twitter, na noite de ontem.

O presidente ressaltou que o material foi feito pela Secretaria de Comunicação (Secom) e que a divulgação através das redes sociais resultou em economia de mais de R$ 1,4 milhão.

"Um competente trabalho da Secom onde expõe a nova logo marca do Governo Federal. A parte mais importante é que a divulgação está sendo lançada na internet com custo zero, economizando mais de R$ 1,4 mi aos cofres públicos, se a ação fosse realizada pelos canais tradicionais de TV", anunciou Bolsonaro na rede de microblog.

Para o anúncio, Bolsonaro divulgou um vídeo que diz que o seu governo foi eleito para "resgatar o Brasil". "Em 2018, não fomos às urnas apenas para escolher um novo presidente. Fomos às urnas para escolher um novo Brasil, sem corrupção, sem impunidade, sem doutrinação nas escolas e sem a erotização de nossas crianças. Fomos às urnas para resgatar o Brasil."

Antes do anúncio, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que a divulgação em redes sociais representa "uma forma inovadora de fazer comunicação".

03 janeiro 2019

Domar a imaginação - Por: Emerson Monteiro


É bem isso, de conter o furor uterino da imaginação e conquistar o momento dos pensamentos; é centrar o pensamento num só objeto claro e preciso. Conduzir esse instinto de busca aos valores fundamentais da clareza. Aprimorar o senso da percepção da realidade imediata. Essa prática exigirá persistência a fim de permitir tocar adiante setores imperceptíveis ao próprio conhecimento. Esta a grande intenção da maioria dos peregrinos em jornadas diárias. Saber firmar o foco numa compreensão clara, precisa.

Postulantes a saber um dia caminhar os passos que lhes convêm; deixar por vezes abandonarem-se ao movimento das ondas de tantas horas bravias, e nisso sujeitar desconhecer a força dos elementos, invés de utilizar os recursos ao seu dispor feitos joguetes da sorte vaga nas mãos do destino; correr o risco de esquecer a história a quem deve escrever o que passou.

Já é diferente de acalmar o coração, pois imaginação funcionará sob a égide sórdida dos pássaros silenciosos nas noites abissais. Tontos de viver domínios rígidos e ânsias materiais, neurônios dispersos exigem agora a libertação e agem expandidos nas florestas escuras do Inconsciente. Presas dos princípios totalitários dos modelos prontos, eles explodirão de cores nos dias ensolarados, e determinarão o sacrifício das eras através de outros moldes criativos. Esvairão as reservas de certezas e largarão as limitações aos mantos de razão inesperada.

Deter, portanto, a nave incandescente pelos céus do Universo significará ir além das sombras e despertar os recursos que tem a Natureza de trazer meios a uma sobrevivência até então imprevisível à espécie dos homens. Virem seres desconhecidos recolher aqueles que assim o mereçam e sair daqui face dos inesperados acontecimentos porvindouros, e serem levados a outros níveis de compreensão ainda não despertados agora. Serão arrebatados a mundos exóticos, arrastados que forem na voragem dos mistérios que a raça ignorava, e para sempre desaparecer nos infinitos corredores cósmicos.

01 janeiro 2019

Aonde - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca de resposta os rios correm cá dentro das criaturas humanas; aonde chegar, no entanto? A que finalidade isso tudo espalhado pelo mundo invisível das horas nas emoções largadas aos trilhos e destinos individuais? Sim, dentro de toda roupa da carne habita um ser vivo, pessoa igual às demais, tangendo mesmos sonhos de sonhos e vivendo mesmos questionamentos... Alguns até respondem com alegria o crepitar dos corações, porquanto meio outro impossível seria. Que fronteiras físicas existem e são a fim de superar as distâncias, vez que somos do tanto suficiente de precisar saber aonde chegar, ali, isto, principalmente, pesa que nem dores e credos incrustrados no cérebro. Nas faces as interrogações do sentimento, vez por todas revelando a si a função de pisar e sacudir a poeira dos passados de raças e culturas.

Dúvidas persistem nesse trocar de passadas, depois dalgumas contradições, e imaginar que fosse do jeito que imaginavam, noutras avaliações e possibilidades, mas nem sempre se apresentam no horizonte e fazem um frio de silêncio a percorre de tremores o corpo, ânsias de encontrar a resposta do desejo febril nas entranhas adormecidas. Parar um pouco e estudar isso dos resultados daquilo que antes existia e agora nunca mais existirá. Examinar os movimentos internos da matéria, células, moléculas, bactérias, pensamento, que ocupam os espíritos e percorrem as florestas virgens e desconhecidas quais aventureiros da alma em crescimento. Olha daqui, olha dali, e param na face dos barrancos das rudes de jornadas heroicas, e aceitam, porquanto, nenhuma outra condição que não seja essa de apresentar alternativas nascidas no fogo dos segredos a si revelados de todos ainda somos mistérios adormecidos.

Mudar de parágrafo e animais vivos inclementes preenchem a tela da memória e pedem compreensão a todo momento. Máquinas de pensar que, de vez em quando, também sentem, e sorriem, e amam.