31 dezembro 2019

Em 2022, o Brasil comemorará o bicentenário da nossa Independência


 

   Em 2022, o Brasil comemorará o bicentenário de sua Independência. Até agora não consta a existência de qualquer iniciativa do Executivo, através do Ministério de Turismo e do Congresso Nacional, que importasse em conferir ao dia 7 de setembro de 2022 a importância que mereça ter.

    Em 1922, no governo de Epitácio Pessoa, o nosso país enfrentou inúmeras turbulências. O movimento dos tenentes, que passou à história como sendo “Os dezoito do Forte de Copacabana”, não impediu que a efeméride fosse marcada por acontecimentos de repercussão interna e externa.

    Não menos expressiva foi a Exposição Internacional do Centenário da Independência, que reuniu 14 países, com 6.300 expositores dos três continentes. A exposição foi anunciada com seis anos de antecedência e pregava a necessidade de se festejar este marco glorioso, assegurando-lhe maior relevo.

  
  Coube ao senador Paulo de Frontin a iniciativa de propor ao Congresso Nacional a emissão de cem mil contos para financiar o evento. O acontecimento compreendia as principais atividades brasileiras, como lavoura, pecuária, pesca, indústria fabril e indústria extrativa. Em 1922, os portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral empreenderam a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, sendo efusivamente recebidos em sua chegada ao Brasil.

    Estamos a menos de três anos do bicentenário. Cabe uma indagação: se o governo Bolsonaro está realmente empenhado em valorizar o que é nosso, por que não instituir um programa de comemoração do bicentenário?

(Excertos de matéria publicada por Aristoteles Atheniense Advogados)

 Primeiro Imperador do Brasil: Dom Pedro I
Na foto, a verdadeira face de Pedro I, 
reconstituida, cientificamente, por iniciativa do escritor José Luís Lira

Símbolos da decadência da “Ré – pública” brasileira – 1


No Palácio de São Cristóvão, terreno das antigas Cavalariças Imperiais abriga hoje uma cracolândia
 Fonte: jornal “O Globo” – por Giselle Ouchana e Leonardo Sodré

Dependentes químicos se instalaram no terreno das antigas Cavalariças Imperiais, em São Cristóvão Foto: Domingos Peixoto / O Globo 

RIO — Numa área histórica de São Cristóvão, o terreno das antigas Cavalariças Imperiais, próximo à Quinta da Boa Vista, passou a abrigar dependentes químicos e barracos improvisados. Quem passa pela cracolândia é obrigado a desviar de colchões, sofás, construções de madeira e de plástico. A maior parte da área de 60 mil metros quadrados foi doada no ano passado pela Secretaria de Patrimônio da União ao Museu Nacional, que pretende instalar laboratórios e um centro de visitação no espaço. Os dez mil metros quadrados restantes foram cedidos ao governo estadual, que quer erguer a Casa da Mulher Brasileira, voltada para prestar assistência a vítimas da violência.

Enquanto nada disso sai do papel, pelo menos cinco barracos já foram levantados entre a Avenida Bartolomeu de Gusmão e os muros da estação ferroviária. Anteontem, a equipe do GLOBO flagrou um homem levando um colchão para um dos abrigos improvisados e outro finalizando a construção do que seria um telhado. Os usuários de crack, segundo moradores da região, costumam lavar roupas em uma tubulação que fica acima do Canal do Mangue.

Como era o Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista (Rio de Janeiro), onde moraram os dois Imperadores do Brasil e onde nasceram Dom Pedro II e a Princesa Isabel

Como se encontra hoje o Palácio de  São Cristóvão, depois do incêndio de 2018

28 dezembro 2019

A Centelha -- por J.Flávio Vieira


     Um dia , ouvindo uma saudação minha a um ex-professor, ela confidenciou a amigos que gostaria que fosse  eu o escolhido par saudá-la em alguma solenidade. Achou, em meio a minhas palavras laicas, mas banhadas de poesia, que havia alguma coisa de sagrado nelas, afinal a poesia é sempre  um tipo de  prece, de oração .
O tempo passou, encontramo-nos tantas e tantas vezes, pelas ruelas da vida e, infelizmente, o momento da saudação nunca chegou.
Hoje, ela partiu e as palavras já não ressoam e já não parecem ter força ou sentido.

       A rigor, diante de uma vida tão longa e pródiga, nem deveríamos ter motivos para blues e tristezas, mas para celebração pela dádiva de uma existência tão fulgurante. Nossa madre foi uma criatura ímpar. Profundamente espiritualizada,  dirigiu os destinos de muitas gerações de caririenses, sem ranço, com profunda compreensão dos conflitos de idade, usando sempre o amor como mola mestra do educar.

      Soube acompanhar os tempos e suas mudanças,  vezes cataclísmicas e estonteantes, sem estardalhaço, com os pés fincados sempre no chão da sua religiosidade, mas com os olhos fitos no futuro.  Lembro que convidado para fazer uma palestra no seu colégio, sobre Gravidez na Adolescência, alguns professores preocuparam-se sobre a necessidade de apresentar imagens anatômicas e meios anticonceptivos, temendo mexer com sua susceptibilidade.

         Madre Feitosa assistiu a toda a apresentação com uma tranquilidade monástica, em nenhum instante demonstrou qualquer excessivo pudor ou mostrou-se incomodada  com as fotografias e as imagens projetadas. Sabia que, no fundo, o amoral reside na alma das pessoas e nas suas disformes relações com o mundo e não em frágeis palavras ou meras ilustrações.

           Sempre imaginei que a possibilidade de melhorarmos o planeta depende do nosso esforço em ampliar o sentido de família. Quando o homem conseguir entender que somos parte de uma imensa parentela, muito além do simples clã sanguíneo, e que nossa casa chama-se Terra, que somos todos irmãos, independentemente de cor, de raça, de reino, de religião, de condição social, a sobrevivência sustentável do planeta estará assegurada. Nossa Madre  não teve filhos biológicos, mas tornou-se uma invejável matrona bíblica, pelo simples fato de adotar  milhares de alunos como rebentos seus.

         Cuidou-os e orientou-os utilizando o mais poderoso instrumento pedagógico: a compreensão substituindo a punição; o diálogo aberto ao invés do autoritarismo; a força do exemplo  antepondo-se ao vazio das palavras. Não bastasse isso, nossa Madre Feitosa fez-se o esteio espiritual de muitos pais e amigos, orientando vidas, mostrando caminhos, confortando e amparando pessoas nas fases mais tenebrosas de suas trajetórias. Próximo dela tínhamos a certeza de que sua espiritualidade fluía das regiões mais abissais da sua alma. Não era um simples verniz, um mero adereço. Era uma pessoa de muitas certezas e poucas dúvidas.  A autoridade saltava do seu sorriso, das suas palavras doces, pausadas e medidas. E foi, certamente, esta centelha interior  que a manteve lépida, atuante, vívida por quase um século.

          Queria ter dito todas estas palavras antes da solenidade final a que todos um dia estaremos sujeitos. Mas teimo em encontrar no meio do desapontamento da perda, motivos de celebração e de regozijo. Turva-me a tristeza da impermanência, mas louvo e congratulo-me com vida por nos ter privilegiado por tanto tempo com sua presença. Destituídos da couraça material, sobrevivemos nas obras que edificamos.

        Alguns esculpem na lâmina das águas, poucos na dureza magmática das rochas. Madre Feitosa burilou almas, lavrou na seara do espírito. Seu sorriso e seu doce continuarão vivos , fulgurantes em todos aqueles que um dia dela se acercaram. A luz com que ela iluminou nossos caminhos era um mero reflexo da centelha do divino que dela se irradiava.

Crato, 28/12/2019

27 dezembro 2019

Educação do Crato de Luto - Por Maria Otilia


Hoje, o nosso município recebe com tristeza a noticia do falecimento de Madre Maria Carmelina Feitosa, ou simplesmente Madre Feitosa. Uma mulher de voz baixa, suave e de muita escuta.Sábia, de bom senso e que foi gestora com muita competência do Colégio Pequeno Príncipe e Madre Ana Couto (extinto).Deixa um grande legado como mulher educadora e evangelizadora. 

“Fonte única da vida, [...]
Tenha vida em vosso Reino
vossa serva, que Jesus,
consagrou no Santo Espírito
e a guiou da fé à luz.”
(Hino do Ofício das Leituras dos fieis defuntos)


PROGRAMAÇÃO - VELÓRIO DO CORPO DA REVERENDA
 MADRE FEITOSA - FILHA DE SANTA TERESA DE JESUS
                        
HORÁRIOS DAS CELEBRAÇÕES EUCARÍSTICAS

Capela Santa Teresa de Jesus
DIA 27 de dezembro (sexta-feira)
16h: Saída do corpo da Funerária Anjo da Guarda em Juazeiro do Norte para a Capela Santa Teresa de Jesus - Crato, em frente ao Palácio Episcopal
17h: Eucaristia – Pe. José Vicente
18h:Terço mariano – Missão Resgate
21h: Eucaristia – Pe. Ivo
DIA 28 de dezembro (sábado)
7h: Eucaristia – Pe. Ricardo na Capela Santa Teresa de Jesus -
 e TRANSLADO para o Auditório do Colégio Pequeno Príncipe
HORÁRIOS DAS CELEBRAÇÕES EUCARÍSTICAS – Auditório do Colégio Pequeno Príncipe
10h: Eucaristia no Auditório – Pe. Adelino
15h: Terço da Misericórdia
19h: Eucaristia – Dom Edimilson
DIA 29 de dezembro (domingo)
9h: Eucaristia de Exéquias na Sé Catedral – Dom Gilberto Pastana de Oliveira
10h: Sepultamento na Capela da Casa de Caridade

Madre Feitosa, uma unanimidade

 
Carlos Rafael Dias

Uma frase, atribuída ao dramaturgo Nelson Rodrigues, é recorrentemente usada para expressar a necessidade do contraditório nas relações sociais:  toda unanimidade é burra!

Tido como um dos maiores nomes da crônica brasileira, incluindo aquela inspirada no mais profundo cotidiano urbano, Nelson Rodrigues é muito pouco contestado quando se trata dessas contundentes tiradas. Mas, no objetivo que me leva hoje a escrever, tenho que discordar do genial escritor. Às vezes, a unanimidade é um pertinente qualitativo para se referir a pessoas extraordinariamente belas e boas. É o caso de madre Feitosa, uma unanimidade pela sua irretorquível passagem terrena, espelhada na mais pura e legítima filosofia de vida cristã.

Tive o privilégio de conviver com a madre e por ela ser ajudado. Recém-casado, recém-formado e desempregado, bati-lhe à porta para entregar um minguado curriculun vitae. Almejava ser professor do colégio por ela fundado e dirigido. Na sua sabedoria e generosidade, madre Feitosa talvez tenha percebido que eu não estava ainda devidamente preparado para assumir o magistério. O contrário talvez tivesse encerrado minha carreira de professor precocemente. Ela não me contratou para o que eu pretendia, mas, lembro bem, o que ela me disse naquela ocasião, com sua voz serena e angelical: “você vai ficar na biblioteca por enquanto, preparando-se para na hora certa ser um bom professor”.

O trabalho de bibliotecário era a mais leve das funções do colégio. Passei lá o restante do ano, estudando e preparando-me para o magistério, o qual se tornou realidade logo depois, quando me tornei professor universitário.

Outra dádiva que dela recebi ocorreu em um dos momentos mais cruciantes da minha vida, quando enviuvei. E veio na forma de palavras sábias que serviram de bálsamo para a dor e ânimo para reconstruir a vida.

Tenho diversos outros motivos para devotar-lhe reconhecimento, admiração e gratidão, a exemplo do dia em que, depois de ouvir pacientemente minhas reclamações a respeito dos dissabores de um cargo de confiança que exercia, ouvi dela palavras que faltavam para que tomasse a crucial decisão de não mais assumir tais funções: “tem cargos que são verdadeiras cargas”.

Hoje madre Feitosa transcendeu, depois de uma longa, profícua e bondosa existência, deixando a humanidade órfã de suas caridades, do seu amor e da sua dedicação incondicional ao próximo. Entretanto, o sentimento que se percebe nos depoimentos e tributos que se multiplicam nos meios de comunicação, não é de tristeza, mas de júbilo, pela certeza de seu súbito regresso ao Supremo.

Que ela deixará uma lacuna difícil de preencher, não resta dúvida. Mas, essa existência material é transitória e o seu maior desafio é cumprir a missão tão simples e ao mesmo tempo tão complexa de fazer o bem, amando o próximo e contribuindo para tornar o fardo terreno mais leve.

Madre Feitosa, sempre terna e agora eterna, dobrou esta meta.

A ignorância da maioria dos brasileiros sobre o tema "Monarquia" – por Armando Lopes Rafael


Imperador Dom Pedro I
Fundador do Império do Brasil

   A imensa maioria dos brasileiros não sabe a diferença entre “forma” e “sistema” de governo. Não obstante, um plebiscito -- aqui realizado -- em 1993, quando a população brasileira deveria optar, conscientemente, (o que não aconteceu) por uma nova forma e novo sistema de governo para o Brasil. Prevalece ainda -- após aquele plebiscito --  uma  crassa ignorância, por parte da sociedade brasileira, no tocante a tão relevante matéria. Ignorância mais acentuada, notadamente,  nos ambientes das universidades públicas

     As formas de governo são duas: República e Monarquia.  Essas formas abrigam, quando se trata da República,  dos   dois sistemas: Presidencialismo e Parlamentarismo. Segundo a Doutrina Social da Igreja Católica, ambas as formas são legítimas, desde que atendam ao bem comum. (Será que a atual República vem atendendo ao bem comum da população brasileira?)

     Ao longo da sua existência, o Brasil já foi governado sob as duas formas e os dois sistemas acima citados. Nossa Pátria viveu sob a forma monárquica de governo, desde o seu descobrimento, ou seja, de 1500, até 1889.  O Brasil foi monarquia, durante 389 anos, os quais – na feliz expressão do Prof. Denizard Macedo – vivenciaram “... todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo”.
      
       Após a nossa independência de Portugal, o Brasil continuou sob a forma de governo   monárquico-parlamentarista. E sob ela funcionou (e funcionou muito bem) durante 67 anos, de 1822 a 1889. Somente em 15 de novembro de 1889, foi implantada – por meio de um golpe militar, sem consulta ao povo e sem apoio popular – a atual república presidencialista, ora vigente. Deu no que deu.  


A monarquia brasileira foi o período áureo da nossa história

      O atual Chefe da Casa Imperial Brasileira, Príncipe Dom Luiz de Orleans de Bragança, sintetizou – em 1989 – muito bem o que foi o vasto e grandioso Império do Brasil. Disse ele. “Cem anos já se passaram, e os contrastes entre o Brasil atual e o Brasil Império só têm crescido. No tempo do Império, havia estabilidade política, administrativa e econômica; havia honestidade e seriedade em todos os órgãos da administração pública e em todas as camadas da população; havia credibilidade do País no exterior; havia dignidade, havia segurança, havia fartura, havia harmonia”. 

   O Império Brasileiro era tão democrático, estável e respeitoso para com os seus cidadãos que o então presidente da Venezuela,  Rojas Paul, ao saber do golpe militar de 15 de novembro de 1889, no Brasil, declarou: “Foi-se a única República (“Res publica” , ou seja “coisa pública”) que funcionava no Hemisfério Sul.”

   Nos reinados de Dom Pedro I e de Dom Pedro II, o Brasil passou por um grande surto de progresso. No tempo do Império, o Brasil tinha uma moeda estável e forte (o “Real”) que correspondia a 0,9 (nove décimos) de grama de ouro, e era equivalente ao dólar e à libra esterlina. No período monárquico, o nosso Parlamento era comparado com o da Inglaterra. E a diplomacia brasileira era uma das mais importantes do mundo de então. Diversas vezes, o Imperador Dom Pedro II foi chamado para ser o árbitro de questões envolvendo a Itália, França e Alemanha.      Sob a monarquia, o Brasil possuía a segunda Marinha de Guerra do mundo. E foi o primeiro país do continente americano a implantar a novidade dos Correios e Telégrafos.

   Tivemos, sob a monarquia, uma inflação média anual de apenas 1,58%. A título de ilustração, transcrevemos o que publicou o jornal “O Globo”, edição  de 14.11.2011 (sob a manchete: “O país que domou a inflação de 13,3 trilhões por cento”): “13 trilhões e 342 bilhões por cento (13.342.346.717.617,70%) foi a inflação acumulada, pela República Brasileira, nos 15 anos que antecederam o Plano Real, em 1994” (grifo nosso).

    Em 130 anos, sob a nova forma de governo de  República, o Brasil já teve 9 moedas, algumas que não duraram nem 1 ano de existência. Fato inédito na história dos povos. Aliás, numa dessas mudanças, o “Real” voltou a ser o nome de nossa moeda, a partir de  1994...

Bandeira Imperial Brasileira, criada por Dom Pedro I.
O verde representa a  cor da Casa dos Bragança, de Dom Pedro I,
O amarelo representa a cor da Casa dos Habsburgo,
 de onde procedia a Imperatriz Leopoldina.


26 dezembro 2019

Chapada do Araripe, patrimônio para a humanidade

Carlos Rafael Dias
(Professor de História da Universidade Regional do Cariri e secretário do Instituto Cultural do Cariri)



 Foto: Heládio Teles Duarte

A ideia é tão simples como sublime: tornar a chapada do Araripe, nos próximos dois anos, um patrimônio da humanidade, com a chancela da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO.
A iniciativa  partiu de Alemberg Quindins, diretor e fundador da Fundação Casa-Grande - Memorial do Homem Kariri, e teve de imediato a adesão do Sistema Fecomércio, através do Serviço Social do Comércio – SESC; do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria de Estado da Cultura - SECULT e da Universidade Regional do Cariri - URCA; e do Instituto Cultural do Cariri – ICC, além de uma grande coletividade de pessoas integrada por artistas, militantes culturais, professores, intelectuais e ambientalistas.

A CHAPADA DO ARARIPE, MONUMENTO NATURAL E HISTÓRICO – A chapada do Araripe é considerada um dos maiores destaques da paisagem do sertão nordestino, cobrindo uma área aproximada de 180 km de comprimento no seu eixo de maior comprimento (leste-oeste) e medindo de 30 a 50 km de largura (eixo norte/sul). No topo, sua área é de 7,5 mil km². Sua altitude fica entre 850 a 1.000 metros.
Ao lado do impacto paisagístico, acarretado pela monumentalidade da visão oferecida, a chapada do Araripe é inicialmente destacada pela sua estratégica função na configuração de duas importantes bacias hidrográficas do sertão central nordestino. Isto ocorre porque a chapada é dotada de um imenso reservatório de água que é distribuído através de centenas de fontes que jorram de suas encostas e irrigam os vales que a circundam. 
O fato do Cariri cearense ser recorrentemente descrito como um ‘oásis do sertão’ é motivado justamente por isso, possibilitando, mesmo em meio às constantes estiagens que assolam a região, uma produção agrícola minimamente suficiente para evitar, em períodos de seca, a tragédia tão comum às áreas do seu entorno. Ademais, a chapada Araripe é um espaço dotado de grande diversidade natural, haja vista sua diversificada flora, rica em espécies de grande potencial extrativista, como ocorre com as plantas que contém óleos essenciais, látex e outras substâncias utilizadas para os mais diversos fins. A Chapada guarda também outro tesouro: minérios, a exemplo da gipsita, matéria-prima para a produção de gesso e um dos minerais mais explorados no país.
Vale destacar também que na porção cearense da Bacia Sedimentar do Araripe encontram-se vestígios de importantes capítulos da história da natureza e da humanidade, através de registros paleontológicos e arqueológicos entre 150 milhões e 9 mil anos atrás, apresentando um excepcional estado de preservação.
De acordo com o historiador cratense Irineu Pinheiro, parafraseando o grego Heródoto, “o Cariri é um presente da chapada do Araripe e caririenses os que lhe bebem as águas da nascente.” A analogia da montanha araripense com o rio Nilo e da região caririense com o Egito pode e deve ser aplicada à toda região da Bacia do Araripe, que engloba a parte mais ao sul do Estado do Ceará, o noroeste do Estado de Pernambuco e o leste do Estado do Piauí.
Alvo de diversos processos humanos de migração e colonização desde tempos imemoriais, a chapada do Araripe serviu de lugar de passagem de coletividades que deixaram como legado uma cultura pujante e plural. Sua importância se reveste de grande e crucial importância para a formação de comunidades estáveis que desenvolvem relações de afetividade para com ela e a tem como um suporte de proposições identitárias. A chapada é tida como dispensadora das condições de sobrevivência real e simbólica das populações que habitam seus vales.
A chapada do Araripe adquire, assim, contornos históricos e culturais pelas suas funcionalidades de ordem material e simbólica, passando a se constituir em um ícone da identidade territorial das regiões do Araripe e do Cariri cearense. Para além de seus aspectos puramente físicos, ela ocupa um relevante espaço no imaginário da população, tida como um elemento imagético de convergência dos olhares, afetos e sensibilidades. Entretanto, para alcançar essa dimensão cultural, a chapada deve ser classificada como um monumento que reúne elementos de ordem natural e histórica, integrada e ao mesmo tempo saliente no complexo paisagístico regional.
Assim, a sua importância extrapola a dimensão física e adentra fortemente os campos simbólico e do imaginário, constituindo-se em forte elemento de referência das projeções identitárias regionais. A abundância de água dispensada pela chapada, por exemplo, não torna férteis somente os espaços destinados à produção material da sociedade, mas também os espaços da sua produção imaterial. Não é à toa a proliferação de mitos, lendas e histórias fabulosas que têm a água como elemento central e que povoam o inconsciente coletivo regional. No sistema de crenças dos povos kariri, que em dado momento migraram para as áreas próximas da chapada do Araripe, a água é um dos principais elementos cosmogônicos, o que ensejou a elaboração de narrativas míticas que ainda hoje exercem forte influência no imaginário da população.
   
O PROJETO - O propósito de reconhecer institucionalmente a chapada do Araripe como patrimônio da humanidade perpassa a necessidade de compreender o território como motriz de relações sociais, tendo a natureza e a cultura como eixos. Assim, uma paisagem, conceito-chave para a compreensão e análise do território na sua dimensão física, perceptual e cultural, tem o poder de movimentar os gestos e as memórias, assim como o seu reconhecimento vem a acrescenta valores e sentidos à história.
Para isso, é preciso conservar e proteger o patrimônio da chapada do Araripe, levando em consideração as necessidades ambientais, sociais e econômicas para um desenvolvimento sustentável regional. Neste sentido, o esforço de conscientização pela educação é mais eficiente que os também necessários dispositivos legais. Estrategicamente, o projeto se propõe articular as diversas esferas formadoras das sociedades civil e política: o poder público, a iniciativa privada e o terceiro setor.



Comitê Consultivo Intersetorial

AÇÕES E ESTRATÉGIAS - O reconhecimento da Chapada como patrimônio da humanidade vem se encaminhando passo a passo. O primeiro foi a realização do I Seminário Internacional Patrimônio da Humanidade Chapada do Araripe, ocorrido de 6 a 9 de agosto de 2019, na região do Cariri cearense. No evento, foram discutidas coletivamente estratégias iniciais e assinado um termo de compromisso com o projeto.
Mais recentemente, neste mês de dezembro, foi criado e empossado o Comitê Consultivo Intersetorial da campanha, com o objetivo principal de promover, articular, garantir, coordenar e executar programas, projetos e ações em torno da proposta da candidatura da Chapada do Araripe como patrimônio cultural e natural da humanidade pela UNESCO.


Comissão Técnica

Além do Comitê, foi formada uma comissão técnica com o propósito de elaborar e sistematizar informações necessárias para o dossiê de patrimonialização da chapada que será submetido à UNESCO. A Comissão realizou sua primeira reunião no último dia 20 de dezembro, quando procurou avançar na definição das ações e estratégias que venham subsidiar o propósito pretendido. A grande preocupação a partir de agora é promover, visibilizar, preservar e proporcionar um direcionamento voltado ao desenvolvimento sustentável da Chapada do Araripe. O reconhecimento da chapada como patrimônio da humanidade deve ser uma realidade presente no cotidiano local, aceito e defendido pelas populações que dela se usufruem. Portanto, a chapada do Araripe não pode ser enquadrada nos limites conceituais de patrimônio da humanidade, mas nas amplas possibilidades de um patrimônio que gera humanidade.

Brasil: a república que não deu certo -- por Armando Lopes Rafael

“(Você) Já parou para pensar por que o país do futuro permanece no futuro? Parece que o Brasil nunca realmente anda pra frente. Sempre que dá um passo adiante, tem-se a sensação de que mais adiante o país dará dois passos atrás. Temos tudo para dar certo: talentos, conhecimento, apesar da educação ser uma porcaria, criatividade de monte, bens naturais… mas, por que o país não anda?” – Ronaldo Faria Lima

     
    Entra ano e sai ano. Daqui a cinco dias começa 2020. E a população sente na pele esta dura realidade: a atual república presidencialista brasileira, foi- nos enfiada goela abaixo, em 15 de novembro de 1889. No dia seguinte ao golpe militar, o jornalista republicano Aristides Lobo escreveu num jornal: “Os brasileiros não compreenderam e assistiram bestializados à Proclamação da República, pensando que era uma parada militar”.   A atual República foi marcada, na maior parte da sua existência, ou seja, nos últimos 130 anos, por crises políticas, golpes, conspirações, deposições de presidente e por dois longos períodos ditatoriais (1930-1945 e 1964–1984).

   Pela relação oficial do Governo Federal já tivemos 43 presidentes da República. Na verdade foram mais. Na lista não consta duas juntas militares, presidentes que assumiram no lugar dos que foram depostos, etc. Mas vá lá. Dos 43 Presidentes da República,  apenas 12 eleitos cumpriram seus mandatos; 02 sofreram impeachment (Collor de Melo e Dilma Rousseff); 7 eleitos foram depostos; 1 eleito renunciou; 1 assumiu pela força. Tivemos 2 juntas militares no lugar de um presidente; 4 vice-presidentes que terminaram o mandato de presidentes eleitos (os dois últimos foram Itamar Franco e Michel Temer); 1 eleito e impedido de tomar posse; 5 interinos, 5 presidentes em regime de exceção; 1 eleito se tornou ditador.  Nos últimos 65 anos apenas 3 presidentes civis – eleitos diretamente pelo povo – terminaram seus mandatos (Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva).

       Ao longo da fase republicana no Brasil, tivemos 12 estados de sítio (suspensão das garantias constitucionais), 17 atos institucionais (que permitem ao governante da vez violar a Constituição), seis dissoluções forçadas do Congresso, 9 golpes de estado e 6 Constituições. A atual Constituição foi promulgada, há apenas 30 anos. Também ocorreram censuras à imprensa e aos meios de comunicação, com o fechamento de jornais.

    Dói dizê-lo: O povo não confia mais nas instituições, nos políticos e nos poderes constituídos desta república. Os níveis de corrupção são alarmantes. A Transparência Internacional deu nota 3,8 ao Brasil, no ano 2011. Trata-se de uma escala de 0 a 10, sendo 10 o valor atribuído ao país percebido como menos corrupto. O Brasil é um país de analfabetos funcionais e ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados no exame internacional, o PISA. Em artigo, o Prof. Cesar S. Santos afirmou: “A República apresenta um saldo extremamente negativo. Devemos discutir outras possibilidades de regime político, pois uma conclusão se impõe: a República faliu e ameaça levar consigo o que resta dos valores e das forças positivas da nação brasileira” .

Turismo no Cariri será valorizado no próximo ano


Fonte: Diário do Nordeste, 26-12-2019

"Soldadinho do Araripe" -- ave símbolo do Cariri

O Cariri, no Sul do Estado, é uma região marcada pela rica herança cultural, herdeira das tradições de povos indígenas que ali habitaram, sobretudo os índios Kariris. “Com a miscigenação de vários povos (indígenas, europeus e africanos) e o isolamento relativo do Cariri em relação a grandes cidades brasileiras, criou-se uma identidade cultural distinta, com danças e canções folclóricas típicas e expressões religiosas e artísticas peculiares. O Cariri se tornou conhecido como um 'caldeirão cultural' que mantém vivas as tradições de seus ancestrais”, descreve a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Além disso, a região conserva um dos maiores depósitos de fósseis do Cretáceo Inferior (entre 90 e 150 milhões de anos atrás) no Brasil e no mundo. Por esse motivo, a Unesco escolheu Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri para abrigar o Geoparque Araripe, evidenciando a importância da região para a história da humanidade. O Cariri ainda abriga o município de Assaré, onde nasceu e viveu o poeta Patativa do Assaré.

Cultura e ecoturismo

E é neste “caldeirão” que você também encontra atrativos diversos com opções de turismo religioso (ligado sobretudo à figura do Padre Cícero), geoturismo, vivências de treaking, trilhas, visitas a balneários, museus, prédios antigos, observação de pássaros – como o Soldadinho do Araripe, espécie endêmica da região –, além de experiências com artistas, artesãos e mestres da cultura local, a exemplo de Espedito Seleiro e dos Irmãos Aniceto. Com toda essa riqueza histórica e cultural, a região também é a segunda com mais oferta de serviços turísticos do Estado, atrás apenas de Fortaleza, pontua Édio Callou, Analista e Gestor do Projeto de Turismo do Cariri no Sebrae Ceará.
E é buscando aproveitar todo este potencial, que o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur), juntamente com o Sebrae-CE e a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), estão trabalhando na estruturação da Rota Turística do Cariri. A expectativa da Setur é que o novo roteiro seja lançado ainda este ano e que já no próximo ano possa ser apresentado e comercializado em eventos de turismo internacionais.

Novos atrativos

Além dos atrativos já conhecidos, Édio Callou lembra que nos últimos anos o Cariri vem ganhando novos produtos turísticos, como o teleférico do Caldas, ainda em fase de testes, que deve transportar 600 pessoas por hora na subida da Chapada do Araripe. “Ele  deve ser um grande atrativo para a região e tem previsão de inauguração para o início de 2020”, frisa o gestor. Outra novidade nesse aspecto, aponta Édio Callou, é um trabalho do Serviço Social do Comércio (Sesc) em parceria com a Fundação Casa Grande (Nova Olinda) para criar um circuito de museus orgânicos. “São pequenos museus em salas nas próprias casas dos mestres da cultura. Museus distribuídos em torno da Chapada do Araripe, compondo uma rede de museus orgânicos”, explica o profissional do Sebrae.

Natal de refugiados venezuelanos em Fortaleza: "Aqui tem brisa e as pessoas são muito boas".


Fonte: jornal  “O Povo”, 26-12-2019 – Por Henrique Araújo

Natal dos Venezuelanos.(Foto: Thais Mesquita/O POVO) 

Oscar Rafael e Luís Enrique chegaram de Caracas em Fortaleza há mais de um mês. Na cidade, estranharam duas coisas: o mar não tinha (mau) cheiro, e o quilo do arroz não custava metade de um salário mínimo (como acontece na Venezuela). Na última terça-feira, véspera de Natal, as duas famílias de estrangeiros, que somam 13 pessoas ao todo, haviam preparado um bolo de chocolate. Era o primeiro em quase uma década. Longe de casa, num país estranho e sem dominar o português, estavam felizes.

"Aqui tem brisa e as pessoas são muito boas", sintetiza Enrique, um administrador que trabalhava na maior estatal venezuelana até o mês passado, quando deixou a terra natal para trás depois de perder o emprego na escalada da crise, responsável por expulsar milhares de conterrâneos em meio à escassez de itens básicos, como água e remédios. Ao lado dos três filhos e da esposa, viajou com o grupo de Oscar, um colega de profissão que também resolveu desfazer-se de tudo para tentar a sorte no Brasil.Casa, móveis e roupas foram vendidos às pressas a quem o procurasse. Não trouxe nada consigo.

Aqui, passaram por Pacaraima, Boa Vista, Belém e São Luís, antes de finalmente assentarem pouso na capital cearense. Dois fatores foram decisivos para que resolvessem estender a rede e a permanência. "Os cearenses nos tratam mais como brasileiros do que como uma pessoa estrangeira", conta Oscar. "Sabem que não falamos muito português, mas nos ajudam." Enrique tem um motivo mais urgente, todavia. "Uma das coisas que nos fizeram vir pra cá foi a saúde do meu filho. Ele é epiléptico, e o medicamento que ele toma não havia na Venezuela", justifica. "A cada dois ou três meses, eu precisava viajar até a Colômbia. E aqui tem de tudo. Ele está tomando medicamento que consegui no posto. Já estamos vendo até um neurologista pra ele."

"Esta é como nossa casa agora", interrompe Oscar, pai de Isabella, de 11 anos. O venezuelano emociona-se ao contar que, antes de chegarem a Fortaleza, a menina nunca tinha comido maçã. "Aqui as frutas são baratas", surpreende-se. E repete, os olhos molhados: "As pessoas são muito boas. Sinto muita falta de quem ficou lá, mas estamos contentes". Entre eles, a saudade se mata todo dia um pouco, recorrendo sobretudo ao Whatsapp, por onde enviam e recebem mensagens de vídeo e áudio em que ouvem uns aos outros falarem de mundos diferentes.

Assim, têm notícias dos pais e irmãos. Com a ajuda de amigos da igreja no Brasil, conseguiram um lugar para ficar. Um galpão em Caucaia, na região metropolitana, onde se dividem nas tarefas do dia a dia. Pergunto como tem sido a vida naquele espaço. "Como somos 13 pessoas, temos apenas 13 pratos, 13 colheres, 13 copos. É simples a divisão. É matemática: cada um cuida do seu", relata Oscar.

No dia em que os visitamos, o pequeno Pedro, de 8 anos, enxaguava a louça depois do almoço. Na cozinha, as esposas comiam, caladas. Os dois adolescentes assistiam TV numa área. Um dia antes, haviam reunido o que restara de dinheiro e montado uma árvore de Natal, que esperavam para iluminar durante a noite. Ainda não tinham se acostumado com a energia elétrica. "Eletricidade, água, isso quase nunca há na Venezuela. Só num dia, a energia vai e vem quase cinco vezes", conta Enrique. Alheio na terra nova, Oscar diz que aprendeu à força a conjugar uma esperança rala. "A condição do nosso país mudou muito. Há 15 anos, nosso soldo era de mais ou menos 2 mil dólares. Hoje, são 4 por mês. Não se pode morar com quatro dólares por mês", fala. Mas o venezuelano não se abate: "Se você muda para um país onde você pode vestir e comer três vezes ao dia, você vive bem. E ainda temos a brisa".

25 dezembro 2019

A origem da Catedral de Crato – por Armando Lopes Rafael


Sacrário da capela do Santíssimo Sacramento
da Catedral de Crato. Uma obra artística!
Foto de Armando Rafael

     O templo dedicado a Nossa Senhora da Penha, sede da cátedra (cadeira) do Bispo de Crato, é o edifício mais importante para a memória da região do Cariri. A atual catedral de Crato remonta a uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato, criado para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao norte da Chapada do Araripe.

    A notícia mais antiga, até agora conhecida, sobre as atividades pastorais de frei Carlos Maria de Ferrara, em Crato, tem a data 30 de julho de 1741. O historiador Padre Antônio Gomes de Araújo localizou essa ocorrência num livro de registro de batizado e casamento, pertencente à Paróquia de Icó, da qual era integrante a Missão do Miranda:

“Aos 30 dias do mês de julho 1741, de licença do Revmo. Cura Diogo Freire de Magalhães, na Igreja da Missão do Miranda, batizou frei Carlos Maria de Ferrara a Apolinário, filho de Matias Lopes de Sousa e de sua mulher Maria Lopes. Foram padrinhos: Manoel Pereira e sua irmã Inácia de Sousa, filhos de Antônio Pereira -- todos moradores nesta freguesia – João Saraiva de Araújo, Cura de Icó”.  Livro de Registro de Batizados e Casamentos, Paróquia de Icó. 1741-1783, fls. 2.

Pequena imagem da Mãe do Belo Amor, 
venerada, desde 1740,
na primitiva capelinha dedicada à Virgem 
da Penha por frei Carlos Maria de Ferrara

  Em janeiro de 1745, conforme pesquisa do historiador Antônio Bezerra, foi colocada numa das paredes da, então, capelinha de Nossa Senhora da Penha uma pedra com inscrição. Tratava-se do registro da consagração e dedicação do pequeno e humilde templo, início da atual catedral de Crato. A inscrição foi feita por frei Carlos Maria de Ferrara, e nela constava que a capelinha fora consagrada a Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e a São Fidelis de Sigmaringa, este último considerado o co-padroeiro de Crato. Abaixo, o texto constante da inscrição rupestre, infelizmente desaparecida:

Uni Deo et Trino
Deiparae Virgini
Vulgo – a Penha
S Fideli mission.º S.P.N. Fran, ci Capuccinor.m
Protomartyri de Propaganda Fide
Sacellum hoc
Zelo, humilitate labore
D. D.
Sup. Ejusdem Sancti.i Consocy F.F.
Kalendis January
Anno Salutis  MDCCXLV.

   Com o passar dos anos, diversas construções e reformas foram agregadas à capelinha construída por frei Carlos Maria de Ferrara, que resultaram no atual edifício da Sé de Crato. Este templo foi igreja-matriz, entre 1768 e 1914, ano em que foi elevado à dignidade de Catedral pela mesma bula de Ereção Canônica da Diocese de Crato, datada de 20 de outubro de 1914.

   A partir desta data, a igreja-matriz de Crato passou a ser a Sé, a Igreja do Bispo, sede da sua cátedra (cadeira), lugar-sinal de comunhão e da unidade da Diocese e também da comunhão com a Igreja Universal. A catedral é a Igreja-Mãe de uma diocese. A de Crato possui um rico patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso.

Pesquisa feita por Armando Lopes Rafael

Crediamigo do BNB para a Caixa? -- Por Egídio Serpa



Fonte: "Diário do Nordeste"

Que planos tem o governo do presidente Bolsonaro para o Banco do Nordeste? Esta pergunta não tem resposta, por enquanto. Mas ela é motivada por informações procedentes de Brasília, segundo as quais o Ministério da Economia deseja transferir do BNB para a Caixa Econômica Federal toda a carteira do Crediamigo - maior programa latino-americano de financiamento de mini e micro empreendedores.

A justificativa é esta: "A Caixa tem agências em quase todos os municípios brasileiros, e essa capilaridade precisa de ser melhor aproveitada pelo maior banco social do País", como explicou uma fonte da CEF. Bem, tirar o Crediamigo do BNB será jogar gasolina na fogueira da política nordestina. Pior: será comprar uma briga com toda a bancada federal da região, algo que certamente Bolsonaro não desejará. O bom senso sugere: Presidente, deixe o Crediamigo e seu sucesso onde eles estão.

Mensagem de Natal do Chefe da Casa Imperial do Brasil



Porém o anjo disse-lhes: “Não temais, porque eis que vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2,10-11).

Meus muito caros brasileiros,
Mais um ano chega ao fim e, como de costume, dirijo-me a meus compatriotas por ocasião do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

2019 foi ano felizmente marcado pela afirmação de boas tendências, tradições e valores que, a prevalecerem, farão o Brasil retomar as vias luminosas traçadas pela Divina Providência, de modo a ser, verdadeiramente e sempre mais, a Terra de Santa Cruz.
É com o coração cheio de alegria e renovada esperança que assisto as fileiras monarquistas engrossarem, sobretudo pela adesão dos mais jovens, e as ruas, “do Oiapoque ao Chuí”, acolherem com naturalidade, quando não com aplausos, a bandeira do Império com o Verde dos Bragança e o Amarelo dos Habsburgo.

Reflexo disso são os numerosos Encontros Monárquicos realizados em grandes capitais bem como em cidades menores, com a presença do Príncipe Imperial Dom Bertrand, do Príncipe Dom Antonio e de outros irmãos meus, e as manifestações à imprensa de meu jovem sobrinho o Príncipe Dom Rafael, com positiva e carinhosa repercussão. Assim, é com tranquilidade que vejo assegurada a sucessão dinástica, na certeza de que a Família Imperial perenizará sua missão de servir à Pátria.
O tema "Monarquia" está cada vez mais presente no panorama brasileiro. E com muita razão. Um regime que prima pela concórdia e pela convivência fraterna, tão afeitos ao temperamento nacional, há de atuar como um verdadeiro bálsamo sobre as divisões tipicamente republicanas infligidas ao nosso povo. Afinal, somos todos parte de uma grande família com um destino comum a realizar.

Diante do Presépio, rogo, pois, à Sagrada Família ― Jesus, Maria e José ― que abençoe o Brasil e guie nosso povo rumo à restauração de uma sociedade autenticamente monárquica, atendendo aos anelos de grandeza cristã que palpitam em nossos corações.

Com estes sentimentos e com esta prece, desejo a todos os brasileiros, de modo particular aos monarquistas e amigos da Família Imperial, um Santo Natal e um abençoado Ano Novo de 2020.

São Paulo, 24 dezembro de 2019.

Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil
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