18 novembro 2019

Rachel de Queiroz – por José Luís Lira (*)



Neste dia 17, a cearense Rachel de Queiroz, primeira imortal da Academia Brasileira de Letras, faria 109 anos. Inicia-se, portanto, o caminho preparatório dos 110 anos de nascimento dessa notável escritora que tão bem retratou o Nordeste em sua arte literária.
Muito já escrevi e falei sobre Rachel, mas, nada pode servir para mensurar a importância dela para a literatura, para o Brasil.

A quem conheceu Rachel e com ela conviveu é fácil dessa importância e que ela não se reconhecia desse modo. Ela sempre pertenceu à vanguarda. No Ceará, ainda quase menina-moça, frequentava os Cafés onde os literatos se reuniam na Praça do Ferreira para trocar ideias. Ela diz em seu “Tantos Anos”, escrito em parceria com sua irmã Maria Luiza de Queiroz Salek que era respeitada nesses locais e tida como colega daqueles mestres, incluindo-se aquele que ela considerava seu padrinho literário, Antônio Sales.

Rachel de Queiroz, nasceu no centro da capital cearense, Fortaleza, em 17/11/1910. Na viagem para Quixadá, onde foi criada, passou por Pacatuba; ali seus avós tinham propriedades e na igreja de Pacatuba foi batizada. Compôs a primeira turma de normalistas do Colégio da Imaculada Conceição, de Fortaleza, em 1925. Do Colégio guardou grandes memórias. Embora se confessando agnóstica, ela nunca desrespeitou qualquer tipo de religião, sendo de sua autoria um dos mais belos artigos que conheço sobre São Vicente de Paulo, fundador da Congregação das Irmãs responsáveis pelo Colégio ou a “Santa Gaiola”, como ela chama em texto, as Filhas da Caridade de São Vicente.

Toda a Literatura de Rachel é voltada para o Nordeste. Publicou seu primeiro romance aos 19 anos, em 1930. N’O Quinze, conta uma história de amor tendo por pano de fundo os dramas da seca. Rachel tinha menos de 5 anos quando ocorreu a seca de 1915. Este trabalho firmou a Literatura Regional na Literatura Brasileira. Um só de seus romances é ambientado fora do Ceará, mas, ainda assim, com características nossas. Seus grandes clássicos, “O Quinze”, “Dôra Doralina” e “Memorial de Maria Moura”, reproduzem retrato de épocas distintas no Nordeste, especialmente no Ceará.

Sua alma mater, expressão empregada pelos poetas latinos para designar pátria, foi o Ceará. O leitor que não conhecer sua biografia terá a impressão de que ela nunca saiu do Ceará, pois, estando em qualquer lugar, o Nordeste e o Ceará a acompanharam. Em seu último livro, “Falso Mar, Falso Mundo”, ela, estando em Berlim Ocidental, descobre “– quem diria? –” indaga ou indica ela, “a caatinga nordestina em réplica, como gêmeos univitelinos”. A crônica é datada de 25/12/1993. Rachel diz: “... tive até um choque. Me vi de repente no Ceará, tal como deve ele estar agora, a caatinga em plena seca”.

Rachel de Queiroz faleceu em 2003, 13 dias antes dos 93 anos. Partiu dormindo, em rede levada do Ceará, no seu apartamento do Leblon, Rio de Janeiro, edifício Rachel de Queiroz. Essa rede forrou o caixão que levou seu corpo vestido com o fardão de imortal da Academia Brasileira à última morada.
Para quebrar o tom narrativo desta coluna, nesta data querida, envio a Rachel que está “… naquela quintessência de excelências que só o céu pode dar”, meu abraço de parabéns e agradecimento por sua existência!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

15 novembro 2019

Ministro Weintraub sobre data de 15 de novembro: "O que diabos estamos comemorando?"


Fonte: Site Terra

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez elogios à Monarquia e questionou as comemorações em homenagem à Proclamação da República, que completa 130 anos nesta sexta-feira, 15.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub -- Foto: Wilson Dias/Agência Brasil / Estadão Conteúdo 

"Não estou defendendo que voltemos à Monarquia mas...O que diabos estamos comemorando hoje?", questionou, em uma sequência de posts no seu perfil no Twitter. Segundo o ministro, a proclamação foi uma "infâmia" contra o então imperador D. Pedro II, a quem classificou como um dos melhores gestores e governantes da história mundial.

Dom Pedro II cedeu o comando do Brasil em 15 de novembro de 1889 a Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do País.

Weintraub também provocou o movimento feminista, convidando-o a uma reflexão: "O Império teve seus dois principais atos assinados por mulheres educadas, inteligentes e honestas! Elas nos governaram bem antes de Dilma (Rousseff)", escreveu, em referência a Imperatriz Maria Leopoldina e a Princesa Isabel.

Em um terceiro post, Abraham Weintraub divulgou foto na qual aparece em reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. "Qual a melhor forma de 'comemorar' o primeiro golpe de estado no Brasil? TRABALHANDO!", afirmou.

15 de novembro: que volte a monarquia – por Armando Lopes Rafael



   Todo ano é a mesma coisa: o 15 de novembro é feriado nacional por determinação da legislação brasileira. Desde 14 de janeiro de 1890, foi emitida a primeira lei reconhecendo o aniversário do primeiro golpe militar (que impôs, sem participação popular, a República no Brasil) como feriado.  O feriado também foi imposto –através do Decreto nº 155-B – determinando este dia para celebrar a “pátria brasileira”.

     Deu no que deu. A tal data nunca foi comemorada pelo povo, o qual, aliás, sequer sabe a razão do tal “feriado”. Ademais, hoje é consenso geral que o golpe republicano foi ilegítimo.  Segundo o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP): “A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo". Tem razão o deputado.

      Com o golpe de 15 de novembro de 1889, ao invés de “Império do Brasil”, o país passou a ter o nome oficial de “República dos Estados Unidos do Brasil” (uma imitação servil aos Estrados Unidos da América–EUA). No festival de constituições promovido pela República (foram 6 constituições republicanas contra uma única de toda a Monarquia) a de 1967, mudou, mais uma vez, o nome oficial da nação para “República Federativa do Brasil”.

        Segundo o jornalista e escritor Jorge Fernando dos Santos: “Muita gente deve se perguntar por que o Brasil não dá certo. Além da corrupção e da impunidade, a problemática nacional tem muitas outras causas (...) “Para piorar o quadro, emanciparam-se dezenas de arraiais improdutivos, que até então eram ligados às chamadas cidades-polo. Na sua maioria, os novos municípios funcionam como currais eleitorais, com direito a prefeitura e câmara municipal sustentadas com verbas do estado. Este, por sua vez, repassa as receitas para Brasília, de onde retornam minguados recursos. Isso talvez explique a falência generalizada dos estados brasileiros. O atraso no repasse aos municípios e no pagamento da folha funcional não decorre apenas da incompetência ou má vontade dos governadores eleitos. Na verdade, a União suga boa parte das riquezas geradas pelos estados”.  

         Razão teve Glauco Paludo Gazoni quando escreveu: “Ao que tudo indica, a vida do republicanismo no Brasil não seguirá a ordem natural das coisas. A República tupiniquim nasceu velha e vai morrer nova”. Noutras palavras, em meio a tantas crises sucedendo outras crises (igual à parábola de Cristo do cego guiando outro cego, quando ambos cairão no abismo) um dia o povo brasileiro cansará de tantos desacertos e pedirá: “que volte a monarquia”.



13 novembro 2019

Caririense concluiu doutorado pela Universidade de São Paulo–USP


Dra. Thais Callou entre sua mãe, Benigna e seu pai, Dr. Lívio Callou, no dia que 
recebeu o seu doutorado

    A Dra. Thais Callou, médica, oftalmologista e especialista em Córnea e Cirurgia Refrativa, concluiu seu Doutorado em Oftalmologia na Universidade de São Paulo-USP. A solenidade de conclusão do doutorado ocorreu na última quinta-feira, dia 07 de novembro de 2019.

      Thais, nasceu em Crato, e descende de tradicionais clãs familiares do Cariri cearense.  Seu pai é o Dr. Lívio Callou, médico e empresário, com origens na cidade de Barbalha e atuação profissional em Juazeiro do Norte. Sua mãe é a senhora Maria Benigna Arraes, filha do Sr. César Pinheiro Teles (in memoriam) e dona Almina Arraes de Alencar Pinheiro. A avó de Thais, dona Almina Arraes, é uma pessoa muito conhecida e respeitada na cidade de Crato, mercê sua atuação voltada para ajudar as pessoas necessitadas das mais humildes camadas sociais, além da sua inteireza moral exemplar. 


     Thais Callou, hoje médica vitoriosa, conta que sempre recebeu estímulo e apoio infindáveis dos seus pais para o seu crescimento profissional. Ela diz que tem como referência, desde menina, seu pai e seu avô paterno, este último o Dr. Antônio Lyrio Callou (in memoriam). Dr. Lyrio construiu uma admirável trajetória como médico na região do Cariri. Ainda jovem, partiu de Barbalha, cidade onde nasceu, e formou-se na primeira faculdade de medicina do Brasil, localizada em Salvador (BA). Retornou à Barbalha, já formado, onde representou um exemplo de cidadão íntegro, dotado de determinação e empreendedorismo.
Sobre Thais

    Casada com o médico cirurgião plástico Dr. Bruno Sena, Thais tem orgulho de ter se tornado exemplo para outras mulheres. O primeiro filho do casal nasceu durante o curso da pós-graduação e Thais fez a conclusão e defesa da sua tese de doutorado, grávida do segundo filho. “Unir vida pessoal e profissional foi um grande desafio”, comenta ela.

     A Dra. Thais Callou faz parte do corpo cirúrgico da Clínica de Cirurgia Refrativa View Center Laser, num dos maiores complexos de oftalmologia da cidade de Juazeiro do Norte, a Clínica de Olhos do Cariri. No seu dia-a-dia, recebe seus pacientes ao lado de uma equipe composta por outros seis oftalmologistas, que ela considera como um presente na sua vida: Dr. Lívio Callou, seu pai, um dos maiores nomes da oftalmologia da região; Dra. Clarice e Dr. Eduardo Callou, seus irmãos; Dr. Ricardo Mendes e Dra. Bruna Costa Callou, seus cunhados, e Dr. Paulo Sampaio, seu primo.

     Além de trazer seus conhecimentos para atender melhor a população, a Doutora Thais pretende ingressar na carreira acadêmica, lecionando nas universidades. “Minha meta é trazer o conhecimento que adquiri não só para a rotina do consultório, mas também transferir esse aprendizado para os alunos do nosso Cariri”, afirma Thais. Para ela, a educação e a pesquisa são a base para o desenvolvimento de qualquer país. E diz acreditar que faz a sua parte para o crescimento e evolução do Cariri na área em que atua.

Postado por Armando Lopes Rafael

10 novembro 2019

O STF contra o povo e a favor do crime



    Os brasileiros de bem estão mais uma vez indignados com o Supremo Tribunal Federal, que por 6 votos a 5 pôs fim à prisão após condenação em segunda instância, com o objetivo de tirar da cadeia o ex-Presidente Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas, junto com Lula, voltarão às ruas 85 mil criminosos da pior espécie, pondo a população em risco.

    Votaram para salvar Lula, a favor do crime e contra o povo os Ministros Marco Aurélio de Mello, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o próprio Presidente da Corte, Dias Toffoli, (ex-)advogado do PT. O que esses Ministros devem ao ex-Presidente? Não sabemos. O que é certo é que eles jantaram lagostas e brindaram com champanhe após a votação, tudo pago com o nosso dinheiro.

     A Constituição Imperial de 1824, em seus Artigos 101 e 154, dava ao Imperador, através do uso do Poder Moderador, a prerrogativa de suspender os Magistrados por queixas contra eles feitas, após ouvir os acusados, reunir as informações necessárias e se consultar com o Conselho de Estado. Não há dúvida alguma de que, restaurada a Monarquia no Brasil – e esperamos que isso ocorra em breve –, a execução desses Artigos estará entre os primeiros itens da ordem do dia.

Fonte: Facebook Pró Monarquia

09 novembro 2019

A República Golpista



    Por mais que alguns republicanos tentem provar que o povo brasileiro não queria mais a  Monarquia Constitucional;  que a República era um anseio popular dos brasileiros e que o movimento que resultou em sua proclamação estava organizado até os ínfimos detalhes, os fatos foram bem diferentes.

O Imperador Dom Pedro II e a Princesa Dona Isabel eram respeitados e admirados pela gente humilde, que, no ano anterior, deixara de ser escrava. O Partido Republicano havia conseguido eleger apenas dois Deputados nas eleições de agosto de 1889, e, nas ruas, as simpatias que conseguia angariar eram episódicas e pouco eficazes.

(Baseado em trechos do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier)

02 novembro 2019

Finados – por José Luís Lira (*)




     O quarto Príncipe dos Poetas Cearenses, Artur Eduardo Benevides, disse em poema que, “em poesia, o que não for saudade é liturgia”. A data religiosa e cívica que se vivencia neste sábado, une saudade e liturgia, posto que todos temos alguém que já faleceu e de quem sentimos saudades e que por ela celebramos, seja na esfera religiosa ou pessoal.

  O Dia dos Fiéis Defuntos (defunctus - latim, aquele que cumpriu sua missão), Dia de Finados ou Dia dos Mortos é celebrado na Igreja Católica, no dia 2 de novembro, se constituindo data cívica pelo feriado.

   O costume de rezar pelos mortos, vem desde o século II, quando os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires. No século V, a Igreja dedicou um dia do ano para se rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Consta que no século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015), determinaram a dedicação de um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1º de novembro é a Festa de Todos os Santos.

   Na América a mais destacada celebração é a do México, onde o Dia dos Mortos tem origem indígena e começa no dia 31 de outubro. É tão próprio e de tão grande alcance o Dia dos Mortos do México que a UNESCO o declarou Patrimônio Imaterial da Humanidade.

    Existem passagens bíblicas que mostram a oração pelos mortos Em Tobias 12,12, lemos “Quando tu e Sara fazíeis orações, era eu que apresentava vossas súplicas diante da Glória do Senhor e as lia; eu fazia o mesmo quando enterravas os mortos”; em II Macabeus 12,44-46: “De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado”; outros trechos do Velho Testamento e do Novo Testamento têm inúmeras reflexões acerca. Lembremo-nos de que Jesus orou por Lázaro e o ressuscitou e lembrou que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Paulo, apóstolo, afirma que “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor”.

    A nós ocidentais, ainda é muito difícil encarar a morte, a separação, o adeus. Por isso iniciei essa coluna lembrando Artur Eduardo Benevides sobre saudade e liturgia na poesia. Os orientais fazem festa para seus mortos no rito de despedida. Lembro-me de Antonio Olinto contando sobre essas tradições. Fica a saudade, mas, a tristeza não deve se fazer presente, embora que nem sempre a controlemos.

    Jesus Cristo, ao ressurgir dos mortos, deu-nos a certeza da ressurreição. Um dia todos nós ressurgiremos e ingressaremos no local ao qual nossas ações humanas na terra nos conduziram. Mas, ainda assim, existe a misericórdia de Deus e ela é maior que tudo. Um dia, com Cristo, diremos que a morte não existe.

    Rezemos por nossos falecidos, exaltemos seus méritos, até choremos, porque somos humanos, mas, lembremos de que a Vida continua, pois, quem crê em Cristo, ainda que esteja morto, viverá!
    Que a Luz Perpétua os ilumine!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

26 outubro 2019

Capela de Santa Teresa de Jesus: importante patrimônio histórico de Crato – por Armando Lopes Rafael


O Cardeal João Braz Aviz, Prefeito da Congregação para os Religiosos,  visitou a capela de Santa Teresa, de Crato, em 21 de outubro de 2014


   Há quase cem anos era inaugurada, na cidade do Crato, a capela de Santa Teresa de Jesus. Felizmente esta igrejinha está conservada, mantendo sua originalidade, até os dias atuais.  A pequena capela foi entregue ao povo católico da “Cidade de Frei Carlos”, num dia 31 de outubro, aniversário de nascimento e de sagração episcopal de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo de Crato, coordenador da construção deste templo.

      Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente em Crato, fundada em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, Padre Quintino, o qual, um ano depois, seria eleito primeiro bispo da nossa diocese.

     A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos resta as gratas lembranças e os registros históricos...

    Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artesão cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, foi este cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos seis bispos da Diocese do Crato.

    As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino.

    Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé! Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar o sentimento católico da população daquele tempo.

      A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da Rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas ideias de modernismo, que tiveram seu auge na medíocre década 60, após a construção de Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978.

      Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da Diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade.
Altar-Mor da Capela de Santa Teresa de Jesus, em Crato


Brasil: 130 anos sob a forma de governo republicana – por Armando Lopes Rafael



 
          É sempre assim. Entra ano e sai ano. Todo 15 de novembro, a população brasileira usufrui do esquisito feriado comemorativo à “Proclamação da República”. E sempre, anualmente, repórteres das emissoras de televisão saem às ruas perguntando aos transeuntes: “Você sabe qual o motivo deste feriado de 15 novembro?”. Praticamente a totalidade desconhece o motivo.

   Em Crato não é diferente do restante do Brasil. Apesar de pouquíssimas pessoas ainda insistirem numa tal de “tradição republicana” nesta Cidade de Frei Carlos. Trata-se de uma falácia. O leitor me conceda só um tempinho, para eu justificar meu raciocínio. Começo por lembrar: o aniversário do golpe militar, que implantou a República no Brasil – em 15 de novembro de 1889 – nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de Setembro, 21 de Junho, 1º de Setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de Março (São José), sem falar nas datas consagradas a São Francisco, a Nossa Senhora Aparecida, dentre outras. Agora, “comemoração” no dia 15 de Novembro nunca se viu por essas bandas...

     E por que isso acontece? Ora, Crato, durante 149 anos, de 1740 (quando foi fundado, até1889 (quando houve o golpe militar que empurrou goela abaixo da população a forma de governo republicana) viveu sob a Monarquia. Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo. Basta lembrar dos 70 anos quando o comunismo dominou a Rússia sob o chicote e a baioneta. O comunismo ruiu, no leste europeu, em 1989. E nenhuma herança ficou da propaganda do socialismo ateu. Por isso, no imaginário popular, persiste ainda a ideia de que a Monarquia é algo de elevado nível– uma forma de governo respeitosa, honesta e boa.

     Tanto isso é verdade que, ainda hoje, quando o povo reconhece numa pessoa certos méritos ou qualidades acima do comum, costuma dar-lhe o título de “Rei” ou “Rainha”. Por isso temos “O Rei Pelé”, “O Rei Roberto Carlos”, “O Rei do Baião”, “O Príncipe dos Poetas Populares” (o repentista Pedro Bandeira) etc. E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da Exposição”? e de nomes de lojas como “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”? Ou nomes como “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?

     Vê-se, pois, que é um mito sem consistência essa alardeada “tradição republicana” de Crato. No duro – no duro mesmo – “República” para o nosso povo continua a nos remeter à lembrança de “república de estudante", ou seja, uma casa bagunçada, desorganizada, sem ordem. Igualzinha ao que que tem sido nossa pátria nos últimos 130 anos. 

18 outubro 2019

Bem dentro de mim - Por: Emerson Monteiro


Nesses corredores daqui de dentro, entre painéis e luzes incessantes, vou mundo afora rumo desses desconhecidos enigmáticos do futuro. Tanjo os sonhos quais folhas soltas viradas no calendário do Destino. Por vezes, prego peças a mim mesmo, diante dos desejos de ser feliz. No entanto, de comum, busco incessante as fagulhas que iluminem erros do passado, isso através dos espasmos da religiosidade, que mantêm intacto o instinto de sobrevivência durante todo tempo. São aos deuses gravados nos tais painéis que ilustram as salas e os corredores que recorro nos momentos de solidão, a bater nas portas da escuridão que pede luz.

Quase que adormecido sob os ponteiros do relógio das horas, insisto em contar as histórias da tradição de quantos nos trouxeram até hoje nos braços estafados de depois, e resistimos a qualquer preço, no mercado das condições humanas. Firmo pés nos barrancos escarpados e transmito aos outros o poder de alimentar antigas visões. Conquanto dotado dos meios necessários a reviver, nas manhãs, os ideais que morreram na véspera, nalguns amanheceres ainda doem as cicatrizes dessa batalha de viver.

Há, igualmente, o pulsar pertinente do coração, olhos postos no amor das criaturas, talvez o valor inestimável que arrasta todos aos campos de produção. Cercados de espiões da vigilância, somos espécies de trabalhadores forçados da lide imensa. Desconfiados, apressados e submissos, cabeças baixas às determinações do inexplicável, cá iremos nós ao foco dos céus. Sísifos a rolar pedras ao cimo das montanhas, silenciosos, presenciamos nascer o Sol e deixamos escorrer o suor das almas rios abaixo, nas ladeiras do Universo.

A isso, porém, de amar e ser amado, eis a única razão de ser e estar em quaisquer das circunstâncias. De nada adiantaria o que quer que fosse não existisse amar e ser amado, viver e continuar em frente, face as bordas do abismo e das eras.

13 outubro 2019

FIQUE POR DENTRO ! Por Maria Otilia

 A EEF Dom Quintino, utilizando este espaço maravilhoso do Blog do Crato, vem divulgar para toda a comunidade , que está entre as 15 escolas da rede municipal do Crato, que terão alunos e professores premiados, por obterem bons indicadores nas provas da Avaliação Externa do SPAECE 2018 (Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará). Todas as escolas que serão premiadas, estão divulgadas no Diário Oficial do Município do Crato.
E para nossa comunidade escolar Dom Quintino, é muito importante este premio por se tratar da valorização  do trabalho de todos os envolvidos, mas em especial  os professores e estudantes . Valendo ressaltar  também nossa gratidão para toda a equipe da SME,que tão bem nos acolheu desde o ano de 2018 e atualmente  nas pessoas da professora Germana Brito ( Secretária de Educação) e Tamy Ferreira  (Secretária Adjunta), por todo o apoio necessário para com a nossa escola 
. Posto abaixo um pequeno resumo extraído do site da Prefeitura, de que se trata a Lei/Decreto que institui a premiação para escolas com melhores resultados no SPAECE. .

 Decreto Nº 1110001/2019 - GP que regulamenta a Lei n° 3.574/2019 de 03 de julho de 2019.

A referida lei foi proposta pelo Executivo Municipal, Prefeito José Ailton Brasil, visando estimular a melhoria da qualidade da educação básica nas escolas da Rede Pública Municipal de Ensino e, nesse mister, reconhecer os resultados obtidos nas avaliações do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará - SPAECE.
A discussão sobre a conveniência de se instituir uma premiação para alunos, professores, professores formadores da equipe MAIS PAIC, servidores técnico-administrativos, núcleos gestores e escolas das turmas de 2° ano, 5° ano e 9° ano, teve início em 2017, e o projeto n° 2017.0601.018 foi cadastrado no Sistema de Monitoramento de Acompanhamento dos Projetos Prioritários – MAPP da administração municipal.
A premiação não conta para a composição dos vencimentos dos servidores, não estabelecendo, portanto, diferenciação vencimental no seio das categorias funcionais. Trata-se de um prêmio, cuja inciativa representa um marco importante para a Educação Municipal no tocante à valorização dos principais agentes responsáveis pelo bom êxito educacional.
      
         #somosprotagonistasdaeducação

12 outubro 2019

Como surgiu o Reino de Portugal – por Armando Lopes Rafael



Batalha de Ourique -- 25 de julho de 1139

      Em Portugal, a figura de Dom Afonso Henriques assume o papel de formador inicial da nação lusitana, sendo, portanto, chamado de Fundador de Portugal. Esta nação nasceu de uma aparição de Jesus Cristo ao então conde de Portugal, Dom Afonso Henriques. Este, após o episódio, foi aclamado como o primeiro rei português.

     Naquela época os habitantes do então condado Portucalense (ainda não existia a nação portuguesa), em geral, tinham uma mentalidade bastante religiosa e uma forte devoção a Maria Santíssima, lá chamada carinhosamente de Santa Maria.  Existia, apenas, o condado de Portugal, uma espécie de feudo no extremo da Península Ibérica, o qual foi invadido pelos mouros. O Conde Afonso Henriques estava acampado numa localidade conhecida por Ourique. Estava prevista para a manhã seguinte a batalha definitiva contra os mouros invasores. Transcrevemos abaixo parte de um artigo escrito pelo atual Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Chanceler Ernesto Araújo:

“Na noite antes da batalha de Ourique, em 25 de julho de 1139, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu numa visão a Dom Afonso Henriques, então ainda conde de Portugal, que se preparava para enfrentar cinco reis mouros contra ele coligados. Conta Afonso Henriques, num relato possivelmente autêntico, registrado alguns anos depois:

“E subitamente vi, à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente, indo-se pouco a pouco clarificando; cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi, de repente, no próprio raio, o sinal da cruz mais resplandecente que o sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais, creio que seriam os Santos Anjos. Vendo, pois, essa visão, pondo à parte o escudo e a espada, me lancei de bruços e, desfeito em lágrimas comecei a rogar pela consolação de seus vassalos, e disse sem nenhum temor.

"– A que fim me apareceis, Senhor? Quereis, porventura, acrescentar fé a quem já tem tanta? Melhor é, por certo, que vos vejam os inimigos, e creiam em vós, que eu, que desde a fonte do Batismo vos conheci por Deus verdadeiro, filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos reconheço agora.
E continua o depoimento de Afonso Henriques:

"A cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados. O Senhor, com um tom de voz suave, que minhas orelhas indignas ouviram, disse:

" – Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito. E fundar os princípios de teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja; e te pedirá que entres na batalha com o título de rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto pedirem, lhes concede facilmente. Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti, e em teus descendentes, fundar para Mim um império por cujo meio seja Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas.”

Afonso Henriques foi proclamado Rei no campo de batalha e triunfou. Graças à sua fé e sua espada estamos aqui, e conhecemos o nome do Salvador. “E aquele que conhece o meu nome, eu também conheço o seu nome”, diz um texto cristão dos primeiros séculos”.

Antiga bandeira do Reino de Portugal

11 outubro 2019

Em procissão, em romaria... – por José Luís Lira (*)


  
   O título dessa coluna é o início do cântico “Lá no Altar de Aparecida”, do Pe. Zezinho. E segue o grande sacerdote, “... romeiro ruma para a casa de Maria. Em procissão feliz da vida, romeiro vai buscar a paz de Aparecida”. Estamos no 285º dia do ano de 2019, no calendário gregoriano. Faltam 80 para acabar o ano. O calendário cívico aponta o dia do descobrimento da América, dia da criança, dia nacional da leitura e por aí vai. Mas, o mais importante é a festa de nossa Padroeira. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

    A Lei Federal 6.802, de 30 de junho de 1980, declara “Feriado Nacional o Dia 12 de outubro, Consagrado a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”. Houve, desde a criação, quem questionasse o feriado, mas, é um reconhecimento não só a um povo, mas, a grande símbolo da fé deste povo que em sua grande maioria professa o catolicismo. Maria Santíssima foi a ponte que Deus usou para trazer seu Filho que também é Deus, Jesus, à terra. Só isso já justifica uma grande homenagem, mas, ela é muito mais. Sempre digna de homenagens. E o mesmo Padre Zezinho nos dá a solução. “O povo te chama de Mãe e Rainha, porque Jesus Cristo é o Rei dos Céus... Não és deusa, não és mais que Deus, mas, depois de Jesus, o Senhor, neste mundo ninguém foi maior”.

   É dia de celebrar a Mãe Aparecida, padroeira. Em Aparecida multidões passam diante da imagem de terracota com riso esboçado no rosto, a mesma imagem que em Lujan, na Argentina é padroeira deles. A imagem lá tem uma coloração clara, pois, não ficou cerca de 100 anos imersa no rio Paraíba do Sul que nem a nossa. Maria nos fala, nos dá sua mensagem de silêncio, de obediência e de humildade. Ela é bem-aventurada entre homens e mulheres, mas, ainda assim, nos orientar a fazer tudo o que Ele, o Senhor, disser.

   No entardecer deste dia, a nossa Diocese fará a “IV Caminhada com Maria – 2019”. A concentração será na Igreja de Fátima, no bairro Sinhá Sabóia, nesta cidade que tem a Imaculada Conceição por padroeira, Imaculada Conceição que também é Aparecida. Será um belo momento de demonstração de fé a Deus e de amor a Sua Mãe, a Excelsa Virgem Maria! A concentração será às 16 horas e de lá se fará caminhada pelas ruas da cidade até se chegar à Casa de Maria, a Catedral de Sobral.

   Neste 13 de outubro, domingo, o Brasil que é tão unido ao Vaticano, por laços de fé e de amor, ocupará boa parte da Praça de São Pedro. A Santa da caridade e do amor ao próximo será inscrita no Livro dos Santos: a querida Irmã Dulce dos Pobres, nome pelo qual conhecemos Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, uma unanimidade nacional. Treze de outubro assinala a última aparição de Nossa Senhora em Fátima. A festa continua a ser mariana, pois, a Santa Dulce é freira da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Sua vida, nós brasileiros sabemos, foi uma prova do cuidado de Deus e de Sua Mãe para com todos! Com sua canonização, o mundo a conhecerá e poderá reverenciá-la por sua vida e, acima de tudo, pela caridade na qual viveu e deu testemunho de Deus.

   É festa no céu e na terra! E por crer, a festa é plena para o Cardeal Serafim Fernandes, que cumpriu sua missão e agora está na glória de Deus!
    Salve Maria Imaculada Conceição Aparecida!


(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

A Monarquia é um regime natural




   A Monarquia é o regime que mais se aproxima da ordenação geral posta por Deus na Criação. Desde o microcosmo – onde os núcleos atômicos têm ao seu redor os elétrons – até o macrocosmo dos sistemas estelares – onde os satélites gravitam em torno dos planetas, os quais, por sua vez, gravitam em torno das estrelas, que se ordenam em imensas galáxias. Por toda parte está presente o princípio monárquico.

   Entre os animais gregários, vemos este mesmo princípio; para falarmos apenas de um dos exemplos mais característicos, lembremos que as abelhas e as formigas têm, em suas colmeias e formigueiros, suas rainhas, mães de todo o seu “povo”.

    A própria ordenação interna do homem é hierárquica e, portanto, monárquica. Temos uma alma e um corpo; a primeira – segundo a velhíssima teoria hilemórfica de Aristóteles – informa e individualiza o segundo. Na alma, as três potências – inteligência, vontade e sensibilidade – também se ordenam hierarquicamente, sob a direção da primeira delas. No corpo, todos se ordenam em torno de um sistema nervoso central, comandado pelo cérebro e vitalizado continuamente pelo coração.

    Se observarmos a Criação, em seu conjunto e em suas várias partes, facilmente veremos que em tudo está presente uma ordenação hierárquica, com um ponto central que afirma e representa o princípio monárquico. Esta é a lei geral da natureza criada por Deus.

(Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira, com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, do Professor Armando Alexandre dos Santos).

Ilustração abaixo: Casamento de Suas Majestades Imperiais o Imperador Dom Pedro I e a Imperatriz Dona Leopoldina do Brasil.

06 outubro 2019

Fim dos tempos? ante a falência dos governos tradicionais, já se fala em futuros governos de gigantes multinacionais – por Luiz Augusto Casseb Nahuz (*)




    Os governos, com algumas exceções, vêm mostrando desempenho deficiente no mundo todo. Tenho até ouvido previsões sobre o desaparecimento dos governos em seus modelos atuais, vindo o mundo a ser governado por 30 ou 40 gigantes multinacionais, que já estariam ensaiando novos rumos para a economia, até com novos tipos de moeda e novas formas de distribuição dos bens e serviços.

     Será que teremos uma reforma social gigante nas próximas décadas, com um sistema que, ancorado no grande desenvolvimento tecnológico, venha a suprir as necessidades da sociedade, desde as primárias e essenciais até os desejos mais efêmeros? Pode ser um sonho ou um pesadelo. Mas tem verossimilhança!

(*) Luiz Augusto Casseb Nahuz – e-mail: luiz.nahuz@gmail.com

Diferenças e semelhança entre o Crato do Alentejo (Portugal) e o Crato do Cariri (Brasil) – por Armando Lopes Rafael – 1ª Parte



(Excertos da palestra proferida no 1º Seminário da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar” realizado em Crato, nos dias 3 e 4 de outubro de 2019)

1.    Sobre: Portugal, Alentejo, Crato

 Castelo existente na vila de Crato (Portugal)

       Embora não existam laços de proximidade entre os habitantes do Crato de Portugal e do Crato do Brasil, todo cratense do Cariri, ou seja, os aqui nascidos ou residentes, temos simpatia pela cidade portuguesa do Alentejo, que também carrega o nome de Crato.

         Aliás, este próprio evento, que estamos a realizar (o “1º Seminário da disciplina “Etnoconhecimento e Educação Escolar” com o título "O Crato Caririense e o Crato Alentejano: História, Cultura e Educação” é uma prova do que afirmo. Os cratenses brasileiros, de um modo geral, gostam de Portugal e dos portugueses.

          Na verdade, são apenas dados comparativos entre os dois Crato, que reuni, após ligeira pesquisa, para compartilhar com vocês. A conferir.

    Nunca é demais lembrar que Portugal é um pequeno país; o mais ocidental do continente europeu, pois fica localizado no início da península Ibérica. Em Portugal fica o Alentejo, uma região do centro-sul daquele país. O Alentejo tem uma área de 31.551,2 km² e cerca de 760 mil habitantes. Se compararmos a região do Alentejo com as regiões brasileiras, aquela porção de terra portuguesa torna-se, pequena para nós, brasileiros.  No entanto, o Alentejo é a maior região de Portugal em termos de área.

     No Brasil, um país continental, a divisão da federação se resume a estados, Distrito Federal e municípios. No total temos 26 estados e 5.565 municípios. Em Portugal há uma pequena diferença em relação a divisão territorial brasileira. Portugal conta com 18 distritos, 308 concelhos e 4.260 freguesias. Faço uma sumária explicação do que é isso.

       Distrito, em Portugal é diferente dos distritos brasileiros. Aqui distritos são pequenas vilas, existentes nas zonas rurais dos municípios.  Em Portugal, Distrito é um território de uma divisão administrativa daquele país. Exemplificando: O Estado do Ceará é dividido em 8 Macrorregiões de Planejamento, 2 Regiões Metropolitanas e 18 Microrregiões. Se fosse em Portugal, essas regiões do Ceará seriam chamadas “Distritos”.  

        Ou seja, se fosse em Portugal, o nosso Cariri seria um distrito. E o que é Concelho, em Portugal? É um pequeno território dentro de um distrito, ou seja, seria um município aqui no Brasil. Já Freguesia, em Portugal, é um conjunto de ruas, casas de uma vila ou cidade. Freguesia poderia ser o que chamamos de bairros no Brasil. Para se ter uma ideia melhor: Lisboa – capital de Portugal –tem 24 freguesias, ou seja, 24 conjuntos urbanos, que congregam um ou mais bairros de Lisboa.

Centro da vila de Crato (Portugal) 

        O Crato português  é uma pequena  vila, localizada no Distrito de Portalegre, na região do Alentejo. Crato alentejano é sede de um município com 398,07 km² de área e com cerca de quatro mil habitantes. Oficialmente o Crato português é uma vila, sede de Concelho (ou seja, tem foros de cidade) possuindo quatro freguesias (ou seja, possui quatro bairros), e fica localizada no Distrito de Portalegre (ou seja, na divisão administrativa de Porta Alegre) situada na região do Alentejo.

      O Alentejo possui três distritos: Portalegre, Évora e Beja e mais: a metade sul do distrito de Setúbal e parte do distrito de Santarém. Existem naquela região 58 conselhos, ou seja,58 municípios. Desses conselhos alentejanos, 22 localidades possuem a categoria de cidade e 36 são consideradas vilas, inclusive o Crato.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael