17 janeiro 2019

Um mundo que se desfaz...


... E se refaz logo em seguida, mundo este nosso mundo onde mourejamos à busca de libertação definitiva da condição sob que existimos. Laço de incompreensões e portal das maravilhas, nele traçamos o decorrer dos dias aqui onde aguardamos os Céus no direito de saber antes o que virá. Quando chegam respostas textuais, até aceitamos a forma, no entanto carecemos de maiores esclarecimentos que justifiquem a outros setores racionais da consciência animal, que sirvam de explicações e preencham os espaços do entendimento.

As horas sucedem o tempo e o Sol ilumina caminhos... No vazio de momentos deste presente que ronda o inesperado, nuvem de sombras cobre os horizontes e raramente revelam maior conformação, porquanto a ninguém foi dado saber de tudo além das existências atuais. Estágio primitivo, pois, de sentimento dos valores do Universo, apenas um mínimo de pequenas estampas fere o senso num tanto mais de futuro, porém, de acordo com o limite do insondável às constatações humanas, seres audazes que permanecem soltos no ar entre súplicas e misericórdias.

Todos, sem exceção, bem anseiam descortinar os degraus do Paraíso, outrossim submetidos ao determinismo da espécie no transcorrer frio das eras. Luzes que acedem de raro em raro e tocam sonhos e esperanças, e atônitos vão a sós face a face com o relativismo do conhecimento geral.

Isso, pois, de perguntar sacode as noites, prevalece nas crises de viver... Reúne mostras de interpretações dos sábios e deixa que acalmem pensamentos ansiosos, todavia no prazo do conforto e das satisfações, o que some como que por encanto ao primeiro obstáculo. Adiante reagem de armas em punho ao frigir das angústias e das dúvidas, e sofrem com isto quais guerreiros perdidos pelas escuras cavernas da ignorância. 

Bom, quisemos assim demonstrar aspectos do teorema das ausências de claridade na alma até quando, um dia, vislumbremos alvoradas de rara beleza que nos reservam Amor, depois das muitas existências nas escolas deste Chão.

16 janeiro 2019

A Banda do Companheiro Mágico - Por: Emerson Monteiro


Dentre as lembranças inesquecíveis que guardo comigo dos tempos quando vivi em Salvador, na década de 70, este marca um momento rico das boas recordações baianas: 

Fora convidado por Boanerges de Castro, amigo músico e colega de banco, a realizar documentário de uma festa de que ele anualmente participava, no sudoeste da Bahia, no povoado de São Gonçalo da Canabrava, próximo à Serra da Mangabeira, na Chapada Diamantina. Prometera ao santo padroeiro que, todo ano, compareceria às suas festividades e, juntamente com mais dois amigos músicos, acompanharia a procissão pelo vilarejo, inclusive a executar os hinos em sua homenagem, em meio às atividades do lugar. E naquele ano eu iria com ele a fim de fazer o registro cinematográfico da sua presença naquele ano.

Antes, porém, passaríamos pela Ilha de Itaparica, quando iria participar, integrando um grupo de metais que formava com mais onze outros músicos, do I Festival de Música de Mar Grande. Assim o fizemos. Chegamos com alguma antecedência e acompanhamos os dois dias do evento, naquela vila, uma das tantas que formam a Grande Itaparica.

No derradeiro dia, domingo, acordamos cedo e os músicos saíram da casa onde estávamos e foram ensaiar a céu aberto, ao sol intenso da manhã. Juntamente conosco estava Edgard Navarro Filho, um cineasta baiano, também meu amigo. Enquanto ensaiavam, pedi a Edgard sua câmara e cuidei de fazer algumas tomadas do grupo, que, por sua vez, se motivou e seguiu pelas ruas de Mar Grande a executar o repertório da apresentação da noite; no decorrer do trajeto gravaria novos enquadramentos de cena.

A película virgem na câmera, uma Chinon, super-8, era, no entanto, restrita tão só a poucos minutos, e fui gastando o cartucho à medida em que andávamos pelas ruas. Nisso, avistei um pequeno circo das imediações, já na praça da vila; convidei os músicos a entrar e tocar no picadeiro. Nessa hora nos acompanhava número expressivo de populares trazidos pelo ritmo cativante das melodias, ao som febril dos metais, frequência que cresceu ao chegarmos no circo. 

As músicas do grupo, repertório de qualidade exemplar, animado aos moldes da alegria baiana, motivava todos a dançar numa total animação, ocasionando evento improvisado e espontâneo. E eu a filmar, convidando as pessoas a participar da película improvisada. 

Isto já com mais de vinte minutos de função, Edgard, descalço, pulando no calor do asfalto quente, ficou admirado de tanto tempo de filmagem; então me perguntou se o cartucho ainda resistia naquilo tudo. Eu respondi que de há muito gastara a película, e mesmo assim não quis interromper a gravação impossível, face ao fenômeno que verificado no entusiasmo daquela gente. 

Daí, seguimos até o porto das barcas de Mar Grande, a dirigir a multidão,  por volta de cem ou mais pessoas, no ritmo acalorado. Mais um, mais um Bahia, mais um título de glória...

Desceríamos até a praia e persistimos naquela fantástica produção cinematográfica durante alguns outros instantes complementares. Nessa hora, daria sinal a todos de que o cartucho do filme terminara, e saímos, os músicos e eu, de volta à casa onde estávamos. Eles tocavam e os populares, da praia, embevecidos, acenavam em despedida. 

Apenas imaginário como um todo, o que só Edgard e eu sabíamos, tenho certeza que aquele filme e aquela manhã inusitada permanecerão para sempre na memória dos que dela participaram sob tanto fervor e tamanha felicidade.

Na sequência, tomaríamos estrada através da Ponte do Funil, na BR-101, e buscaríamos a localidade aonde fizemos o curta-metragem São Gonçalo da Canabrava, de minha autoria, sob a produção de Boanerges de Castro. 

(Agora recente avistei o seu endereço no Messenger e envie minhas notícias, 44 anos depois: – Lembra do nosso filme de São Gonçalo? 1975. Banda do Companheiro Mágico. – Oi Emerson, claro que sim! Que bom ter notícias suas! Feliz ano novo!).

15 janeiro 2019

O tempo - Por: Emerson Monteiro




O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira.                                            

                                                                                              Provérbio africano

Uma vez ouvi, lá na Bahia, que Tempo é dos mais importantes dos orixás das religiões afro-brasileiras. Logo em frente das grandes casas do candomblé, por exemplo, com ênfase em Salvador, há grande árvore de gameleira branca de raízes salientes envoltas com um alá (pano branco), sendo este um IROKO, de fundamental necessidade numa casa do culto. Por isso admirado, venerado com fervor. São por vários os sinais da sua valia no fremir dos acontecimentos deste Chão. E há uma história que narra a lenda do Tempo:

Diz o mito que no princípio de tudo, a primeira árvore nascida foi Iroco. Iroko era capaz de muita magia, tanto para o bem quanto para o mal, e se divertia atirando frutos aos pés das pessoas que passavam. (comunidademensageirosdaluz.blogspot.com)

Senhor das verdades absolutas, desliza ao sabor do movimento dos astros, fagueiro e livre, dominador das esferas e provedor dos alimentos. Ele, silencioso, firme nos páramos eternos, testemunha o fluir das luas e o reviver dos sóis entre nuvens e flores, qual donatário único da esperança e administrador das vidas e renascimentos.

Desde sempre o Tempo aqui esteve, origem das origens e fonte do equilíbrio da justiça. Ainda no blog acima citado lê-se: É também a permanência dentro da impermanência e impermanência na permanência. O ciclo vital, que não muda com o transcorrer da eternidade. A infinita e generosa oferta que a natureza nos faz, desde que saibamos reverenciá-la e louvá-la.

Dado o respeito sob o qual essa existência definitiva permanece diante das determinações das existências, assim reina e impera, flui e permanece, independente das pobres vontades humanas e das meras ocorrências virtuais que persistirão acima dos bens passageiros. Em tudo por tudo, ali está Iroko, escriturário de valores e sonhador das virtudes.

Aos gregos, detinha o título de Cronos, aquele que pare e devora os próprios filhos, autor dos dias e ceifador das eras sem fim, amém.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro),

11 janeiro 2019

Voz da experiência - Por: Emerson Monteiro


Nem sempre fica só no dizer e no fazer, há que conhecer e dominar o conhecimento, fugir do puro instinto das determinações inconsequentes. Isso o que denominam sabedoria, de sustentar as normas pela experiência adquirida no passar inevitável dos dias e das gerações. Reunir as reações às nossas oportunidades de vida e aprender com a prática. Todos têm disso a cada época. Sem mais, nem menos, ninguém possui todos os elementos de substituir as peças de reposição dos pensamentos apenas ao sabor das crises anteriores. Antes que aconteça o tal exercício do poder pessoal difícil responder aos desafios.

Bom, quis contar da importância de toda fase de vida, as épocas dos aprendizados constantes de evoluir diante da sociedade, da ética, da moral, dos costumes. Criar um banco de dados que possa corresponder aos programas atuais e posteriores. Ninguém, portanto, amadurece fora do prazo.

Entre os dois programas que nos são oferecidos durante a existência, quais sejam: exercitar os sentidos e adotar o prazer por consequência, ou reconhecer através dos sentidos a necessidade progressiva da consciência rumo aos pendores de uma libertação. Isto noutros patamares além da matéria. Homem carnal versus homem espiritual. Iniciar a compreensão tão só aqui e aqui dar por terminada, ou aceitar o sacrifício qual motivo de revelar outra compreensão além da morte inapelável do corpo de carne.

Experimentar as forças do destino e poder dominá-las em prol de melhores dias, ao instante de existir. Nada, pois, entre essas duas correntezas, uma que desgasta as energias físicas e propende ao final melancólico do ente que morre, ou trabalhar a lição dos místicos, que tanto insistem no princípio da libertação da matéria, no sentido da abstração de quase tudo deste Chão.

No meio de ambas essas correntes persistirão nos seus valores, conquanto adquiridos pelo transcorrer das experiências, síntese dos princípios deste mundo e fator determinante de todo o Universo. 

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Com ida a Caracas, PT demonstra continuar refém da sua ala mais sectária

Fonte: "Folha de S.Paulo" -- por Mathias de Alencastro (*)

Talvez a maior especificidade do avanço ultraconservador no Brasil tenha sido o engessamento do principal partido da social-democracia. Se os trabalhistas britânicos lançaram as bases de uma refundação e os socialistas franceses entraram em via de extinção, o PT continua tendo a maior bancada, mas segue avesso a qualquer tipo de renovação. É o pior dos dois mundos.

O presidente Nicolas Maduro discursa durante cerimônia de posse do seu segundo mandato - ADRIANA LOUREIRO/ REUTERS

A história contará como a atual cúpula petista manipulou um drama nacional a detenção da maior liderança da era democrática e deslegitimou a campanha do seu maior agente renovador:_Fernando Haddad, para assegurar a sua sobrevivência.

Os líderes do Congresso Nacional Africano, referência mitológica dos dirigentes do PT, jamais se esconderam entre as pernas de Nelson Mandela. A identidade do partido sempre foi maior do que a do seu símbolo, tendo sido possível substituí-lo sem perder força política. Décadas se passaram desde a presidência de Madiba, e a CNA continua um viveiro de lideranças.

Para o campo progressista, a consequência mais imediata da obtusidade burocrática foi a de juntar a ofensa à derrota histórica e às angústias sobre o que vem pela frente. Especificamente, a ofensa de ver os dirigentes apresentarem, na sua primeira missiva pós-eleitoral, uma visão que glorifica o seu próprio desempenho e coopta os eleitores não petistas, essa coalizão heteróclita e improvável de psolistas a tucanos cujos apelos por uma maior abertura foram rigorosamente desdenhados durante a campanha.

Soma-se a ofensa de ver pavonear figuras ultrapassadas como José Dirceu que, em recente entrevista, ousou falar de “nós”, como se tivesse um resquício de autoridade para palpitar sobre o futuro.

A ofensa maior que representa a ida da presidente do partido à posse de Nicolás Maduro é o sinal que faltava para uma insurreição dos progressistas.

Ao aterrissar em Caracas, Gleisi Hoffmann realiza a fantasia daqueles que buscam por todas as formas etiquetar o PT como antidemocrático, agrava o distanciamento com a social-democracia europeia --unânime na condenação do regime de Maduro-- e relembra aos brasileiros que o partido continua refém da sua ala mais sectária. A ida a Caracas será lembrada como o ponto de ruptura dos atuais dirigentes com todos os princípios que nortearam a história do partido.

Numa palestra a poucas semanas da eleição, Márcio Pochmann, entre uma sonolenta digressão sobre a burguesia industrial e uma delirante interpretação da reforma da previdência, comoveu-se com o destino do Partido Socialista Francês, obrigado a vender a sua sede depois da debacle de 2017.

A sede do PT continua de pé --mas a que custo? Os atos e declarações recentes dos dirigentes são mais uma camada de cimento que fazem dessa sede um bunker em que ninguém entra --e as rachaduras, cada vez maiores, tornam o risco de desabamento iminente.

(*) MATHIAS DE ALENCASTRO é doutor em ciência política na Universidade Oxford.

DA VERGONHA À INDIGNAÇÃO -- por Rafael Moia Filho (*)


     Recentemente, um jovem advogado discutiu dentro de um avião com um dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) dr. Ricardo Lewandowski, dizendo em alto e bom tom que o órgão era uma vergonha nacional. O ministro pediu que a comissária de bordo chamasse um agente da Polícia Federal. A seguir, o rapaz foi levado à sala da PF para interrogatório e o assunto ganhou as ruas e as redes sociais no País.

     A questão que ficou é a seguinte: Devemos sentir vergonha do STF ou não? Ao colher alguns números sobre aquela Corte máxima da Justiça nacional, confesso que passei do sentimento de vergonha para o de completa indignação. São números astronômicos incompatíveis com a situação do trabalhador brasileiro que beira a penúria.

     Os dados a seguir demonstram que algo fugiu do controle e, com certeza, não são os benefícios concedidos aos aposentados nem aos trabalhadores da iniciativa privada. Não vejo nada no horizonte que possa me fazer acreditar numa mudança drástica que levasse à redução destes gastos nababescos protagonizados justamente pelo único poder que tem a obrigação de zelar pela ordem moral e legal.

    Vamos aos números que assombram: o STF é constituído de 11 ministros indicados pelo presidente da República, com vencimentos médios de R$ 47 mil dentro de um orçamento que gira em torno de meio bilhão de reais ao ano (R$ 544 milhões). Essa quantia, maior que a maioria dos orçamentos das cidades brasileiras, serve para poder manter uma estrutura que tem, entre outras coisas: 2.442 servidores (média de 222 por ministro, sendo 85 secretárias, 194 recepcionistas, 24 copeiros, 27 garçons, 293 vigilantes, 116 serventes de limpeza, 7 jardineiros, 6 marceneiros, 19 jornalistas, 5 publicitários, 10 carregadores de bens, 10 encadernadores, 58 motoristas para 87 veículos). Isso faz com que o STF tenha gastos de R$ 9,2 milhões com veículos, R$ 15,7 milhões com despesas médicas e odontológicas e R$ 12,7 milhões com alimentação.

     Tudo isso acontecendo no mesmo Brasil que tem aproximadamente 30 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, sem saneamento, emprego, educação e saúde. No mesmo país de 50 milhões de analfabetos e semialfabetizados, que não conseguem entender ou receber informações sobre o mundo maravilhoso em que vivem os 11 ministros do STF. No Brasil de mais de 60 mil assassinatos ao ano, estes números servem para matar a esperança de dias melhores para a nossa sociedade.

(*)Rafael Moia Filho
E-mail: rmoiaf@uol.com.br

10 janeiro 2019

URGENTE: Justiça acata pedido de Intervenção Federal na gestão petista da Bahia



A Bahia, estado administrado pelo PT, está prestes a sofrer Intervenção Federal por descumprimento reiterado de decisão judicial. Descumprir, não cumprir, ignorar ou afrontar ordem judicial é uma prática contumaz dos petistas.

Na Bahia, parece que uma birra pessoal do governador Rui Costa levou o caso a esse extremo. O tenente-coronel Arik Bispo dos Santos impetrou Mandado de Segurança requerendo que lhe fosse concedida promoção a que tinha direito, a patente de Coronel.
O direito lhe foi assegurado no Mandado de Segurança. A ordem judicial foi exarada, mas o governador
simplesmente não cumpriu. As decisões favoráveis ao militar foram pronunciadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e reconfirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive, com aplicação de multa diária proferida pelo ministro relator Dias Toffoli. Rui Costa, o infame petista, ignorou. Diante disso, decisão desta quarta-feira (9), do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, requer a Intervenção Federal no estado. O requerimento de intervenção do TJBA será encaminhado ao STF para as providências.

Fonte: Jornaldacidade
Via Blog do Crato


09 janeiro 2019

O rabi e o alfabeto - Por: Emerson Monteiro


Eles, rabi e discípulo, faziam longa viagem quando foram surpreendidos por violenta tempestade às costas de uma ilha distante. Náufragos impenitentes daquele navio, quis o Ser Maior que ambos restassem vivos junto daquelas praias desertas.

Dias passavam inclementes, alimentados que foram dos frutos de árvores e de pescar como podiam, enquanto viviam de esperar o inesperado dalguém que viesse ali existir ou passar naquelas plagas distantes. Viesse quem viesse, ora que foram, então, surpreendidos, certa noite, à luz da fogueira que lhes aquecia, por bando desalmado que os levaria prisioneiros até aldeia no interior da ilha.

Nesses instantes aterrorizantes, mestre e discípulo, atados e tocados de toscas apreensões, iniciaram diálogo que pudesse mitigar as necessidades de conforto e esperança. O discípulo perguntou ao rabi o que podiam rezar naquela situação que lhes trouxesse o socorro divino, e qual não foi a surpresa do devoto ao saber que o mestre esquecera por completo o quer que fosse de orações e litanias, porquanto apenas restos de escuridão invadira sua memória gasta de aflição.

Ao buscar também dentro de si os frutos do aprendizado que vivera junto do mestre, o discípulo logo reconheceria que de nada recordava das lições religiosas estudadas, e de imediato, mesmo naquela urgência, apegados de vez lhe foram os pensamentos.

Ainda que assim houvesse, o rabi insistiu com o discípulo que ele sendo mais jovem possuiria memória mais acesa, e que recordasse oração que pudesse revivê-los e, através de pedido sincero, merecessem do Poder a liberdade.

De tanto insistir junto do discípulo, este disse ao mestre que de algo ainda recordava, as letras do alfabeto, apenas. Daí ambos seguiram repetindo baixinho o som das letras do alfabeto, e com isso galgariam pureza e concentração suficientes de erguer a alma a Deus e merecer a libertação, pois não tardaria a chegar expedição que ali surgira e levaria os dois de volta à civilização.

08 janeiro 2019

Do outro lado - Por: Emerson Monteiro


As normas do destino têm disso, das outras oportunidades de encontrar a clareza dos meios que as façam apresentar face de tranquilidade, logo ou demoradamente, pouco importando os limites aparentes das ocasiões. Percursos originais formados entre o tudo e o nada, de modo exclusivo a todo vivente do Chão, sejam através dos fenômenos naturais, nos trechos íngremes das estradas, sejam nos gestos dos humanos que demonstram o que existe de possibilidades exigindo apenas iniciativa e confiança. Isto é, desesperar jamais.

Sempre haverá formas mil de recriar os resultados das cenas, quando nisso contamos de nosso lado com a certeza das iniciativas, e que existe uma Lei universal justa e perene, queiram ou não seres pensantes por vezes afeitos aos abismos da ingrata sorte. No entanto o preço da virtude demonstra derradeiras esperanças vivas, em tudo por tudo.

Tão próximo daqui quanto a exatidão das matemáticas persiste o céu de cores que alimentam os quadros vivos do eterno sonho. Pensar em excesso, que produza negatividade, gera isso de amargura, enquanto o pensamento significa o instrumento de busca incessante, sobremodo nos grotões da alma da gente. Do jeito que pode levar ao escurecimento, também ocasiona fórmulas mágicas de nortear os passos ainda que nas ausências de solução.

Em situações as mais severas, de dúvidas e aflição, há decerto nos lenitivos dos elementos da cura, do sonho, das notas claras da salvação, o que remonta tempos humanos vindos no bojo da trajetória de nós conosco mesmos, autores do renascimento e das revelações. Porquanto bem aqui no âmbito de mim persistem laços que indicam o sentido da real definição de viver. Somos, por isto, senhores das horas e parceiros da Criação, ombros das gerações e atores e diretores de nossos filmes. A mágica de existir a tudo indica quais longas histórias produzimos e que trarão só finais felizes.

07 janeiro 2019

As máquinas de rezar - Por: Emerson Monteiro



Ainda que eu falasse a linguagem dos anjos, se não tivesse amor, seria como um sino que não tem badalo.                                                                            Paulo de Tarso.



Máquinas de rezar, ou o risco do formalismo impuro, o que significa a mesma expressão; o sacerdotismo infiel às letras santas; a intenção de determinar o sagrado sob o mandonismo dos donatários temporais. Isso que lembra as máquinas de rezar dos templos budistas do Himalaia, onde os devotos fazem girar instrumentos que emitem sons de guizos e ficam rodando durante algum tempo enquanto dirigem o pensamento nas orações.

Depois, os profitentes das religiões que abraçam seus credos a ponto de se tornarem doutores da Lei, no entanto formalistas ao extremo, mais intelectuais do que profetas ou fieis praticantes daquilo que transmitem, às vezes com exatidão matemática, na linguagem dos anjos, talvez, sem, contudo, a prática correspondente no mundo das ações. Ter de Deus a ciência e retê-la só consigo, largando de lado a oportunidade principal do exercício na realidade dos acontecimentos.

Esses tais equipamentos de sintonizar o sagrado, ainda que humanos, de carne e osso, sujeitam ser os vendilhões do templo de almas cheias de impurezas e alvejado por fora. Silenciosamente emitem sons de guizos, porém longe de chegar aos níveis da consciência, porque a serviço da fama, da fortuna, das profissões religiosas, todavia sem o traje nupcial de que fala Jesus.

Isso impera sobremodo em tempos de muita teoria e pouca, ou nenhuma prática, das horas de uma civilização empacotada. Instrumentos de transmissão de pensamento e valores, entretanto ausentes de conteúdo, quais conhecemos nas lojas de hoje. Resta aguardar conteúdo de criatividade e bom gosto em igualdade de condições ao progresso tecnológico, quando espiritualidade há de corresponder aos avanços antes obtidos nas máquinas, e que propiciem aos povos a luz no coração.

05 janeiro 2019

Minha homenagem a nova Primeira Dama -- por Éden A. Santos (*)

 
    Não só os especialistas, mas nós, leigos leitores, temos nos debruçado para analisar, avaliar e comentar o fenômeno Jair Bolsonaro, muitos fazendo previsões, outros sugerindo cautela e mais tempo para conclusões.

     O certo, contudo, é que ninguém ficou indiferente, exceto o pessoal da esquerda, sobretudo o PT, que está aguardando, como soe acontecer, o primeiro tropeço do governo eleito para colocar a cabeça de fora e fazer suas proverbiais críticas. 

   Felizmente, a estrutura democrática brasileira tem se comportado de forma exemplar e a todos é permitido emitir seus conceitos. Dentro desse clima, gostaria de lembrar que somos latinos e, como tais, herdeiros das suas qualidades e defeitos. Somos apaixonados e arrebatados, seja na religião, no esporte ou na política, a ponto de haver uma máxima popular recomendando que estes assuntos nunca devam ser discutidos. Nesse contexto, porém, não podemos esquecer que somos também sentimentais, extremamente sentimentais. 

    Por isso mesmo não custa nada voltar a falar da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A lição que deixou para todos no dia da tomada de posse é a de que, seja qual for o clima político, o amor tem predominância em todas as circunstâncias. Sua meiguice ao tratar do tema das pessoas portadoras de deficiência, não só os surdos e mudos, mas os de todo tipo, leva-nos a uma reflexão que permeia tanto o "Velho" quanto o "Novo Testamento", a de que nada é construtivo se não for fundamentado no amor. 

     Muitos podem entender que tratar da questão num clima destes pode revelar certa ingenuidade. Enganam-se, porém, tais pessoas. Basta lembrar que este é também assunto de poetas de todos os tempos e matizes. Que dona Michelle seja inspiradora para toda a pátria. No meio de tantas vozes masculinas e clima marcial, a primeira-dama apresentou suas armas.

(*) Éden A. Santos
e-mail: densantos@uol.com.br

Presidente Bolsonaro apresenta nova marca do Governo Federal pelo Twitter


Fonte: O POVO Online
PÁTRIA AMADA BRASIL é o slogan do novo governo


Último verso do hino nacional, a frase "Pátria Amada Brasil" fará parte da nova marca do governo Jair Bolsonaro, que é acompanhada de uma ilustração estilizada da bandeira. O anúncio foi feito pelo próprio Bolsonaro, no Twitter, na noite de ontem.

O presidente ressaltou que o material foi feito pela Secretaria de Comunicação (Secom) e que a divulgação através das redes sociais resultou em economia de mais de R$ 1,4 milhão.

"Um competente trabalho da Secom onde expõe a nova logo marca do Governo Federal. A parte mais importante é que a divulgação está sendo lançada na internet com custo zero, economizando mais de R$ 1,4 mi aos cofres públicos, se a ação fosse realizada pelos canais tradicionais de TV", anunciou Bolsonaro na rede de microblog.

Para o anúncio, Bolsonaro divulgou um vídeo que diz que o seu governo foi eleito para "resgatar o Brasil". "Em 2018, não fomos às urnas apenas para escolher um novo presidente. Fomos às urnas para escolher um novo Brasil, sem corrupção, sem impunidade, sem doutrinação nas escolas e sem a erotização de nossas crianças. Fomos às urnas para resgatar o Brasil."

Antes do anúncio, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que a divulgação em redes sociais representa "uma forma inovadora de fazer comunicação".

03 janeiro 2019

Domar a imaginação - Por: Emerson Monteiro


É bem isso, de conter o furor uterino da imaginação e conquistar o momento dos pensamentos; é centrar o pensamento num só objeto claro e preciso. Conduzir esse instinto de busca aos valores fundamentais da clareza. Aprimorar o senso da percepção da realidade imediata. Essa prática exigirá persistência a fim de permitir tocar adiante setores imperceptíveis ao próprio conhecimento. Esta a grande intenção da maioria dos peregrinos em jornadas diárias. Saber firmar o foco numa compreensão clara, precisa.

Postulantes a saber um dia caminhar os passos que lhes convêm; deixar por vezes abandonarem-se ao movimento das ondas de tantas horas bravias, e nisso sujeitar desconhecer a força dos elementos, invés de utilizar os recursos ao seu dispor feitos joguetes da sorte vaga nas mãos do destino; correr o risco de esquecer a história a quem deve escrever o que passou.

Já é diferente de acalmar o coração, pois imaginação funcionará sob a égide sórdida dos pássaros silenciosos nas noites abissais. Tontos de viver domínios rígidos e ânsias materiais, neurônios dispersos exigem agora a libertação e agem expandidos nas florestas escuras do Inconsciente. Presas dos princípios totalitários dos modelos prontos, eles explodirão de cores nos dias ensolarados, e determinarão o sacrifício das eras através de outros moldes criativos. Esvairão as reservas de certezas e largarão as limitações aos mantos de razão inesperada.

Deter, portanto, a nave incandescente pelos céus do Universo significará ir além das sombras e despertar os recursos que tem a Natureza de trazer meios a uma sobrevivência até então imprevisível à espécie dos homens. Virem seres desconhecidos recolher aqueles que assim o mereçam e sair daqui face dos inesperados acontecimentos porvindouros, e serem levados a outros níveis de compreensão ainda não despertados agora. Serão arrebatados a mundos exóticos, arrastados que forem na voragem dos mistérios que a raça ignorava, e para sempre desaparecer nos infinitos corredores cósmicos.

01 janeiro 2019

Aonde - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca de resposta os rios correm cá dentro das criaturas humanas; aonde chegar, no entanto? A que finalidade isso tudo espalhado pelo mundo invisível das horas nas emoções largadas aos trilhos e destinos individuais? Sim, dentro de toda roupa da carne habita um ser vivo, pessoa igual às demais, tangendo mesmos sonhos de sonhos e vivendo mesmos questionamentos... Alguns até respondem com alegria o crepitar dos corações, porquanto meio outro impossível seria. Que fronteiras físicas existem e são a fim de superar as distâncias, vez que somos do tanto suficiente de precisar saber aonde chegar, ali, isto, principalmente, pesa que nem dores e credos incrustrados no cérebro. Nas faces as interrogações do sentimento, vez por todas revelando a si a função de pisar e sacudir a poeira dos passados de raças e culturas.

Dúvidas persistem nesse trocar de passadas, depois dalgumas contradições, e imaginar que fosse do jeito que imaginavam, noutras avaliações e possibilidades, mas nem sempre se apresentam no horizonte e fazem um frio de silêncio a percorre de tremores o corpo, ânsias de encontrar a resposta do desejo febril nas entranhas adormecidas. Parar um pouco e estudar isso dos resultados daquilo que antes existia e agora nunca mais existirá. Examinar os movimentos internos da matéria, células, moléculas, bactérias, pensamento, que ocupam os espíritos e percorrem as florestas virgens e desconhecidas quais aventureiros da alma em crescimento. Olha daqui, olha dali, e param na face dos barrancos das rudes de jornadas heroicas, e aceitam, porquanto, nenhuma outra condição que não seja essa de apresentar alternativas nascidas no fogo dos segredos a si revelados de todos ainda somos mistérios adormecidos.

Mudar de parágrafo e animais vivos inclementes preenchem a tela da memória e pedem compreensão a todo momento. Máquinas de pensar que, de vez em quando, também sentem, e sorriem, e amam.