04 dezembro 2018

Onde localizar o memorial do Padre Antônio Vieira? – por Antônio Morais


O homem

           Pe. Antônio Batista Vieira nasceu em 14 de junho de 1919 no sítio Lagoa dos Órfãos, no sopé da Serra dos Cavalos, município de Várzea Alegre (CE). Era filho de Vicente Vieira da Costa e Senhorinha Batista de Freitas. Faleceu em 2003. Foi um dos mais importantes filhos do Ceará. Concluídos os estudos de Filosofia e Teologia foi ordenado sacerdote na cidade de Crato, em 27 de dezembro de 1942. 

             Durante muitos anos foi professor polivalente do Seminário São José e construiu a igrejinha de São Francisco, imponente prédio localizado no Barro Vermelho (hoje bairro Pinto Madeira, na cidade de Crato). Em 1964 graduou-se em Economia e Planejamento pela Universidade da Califórnia, na cidade de Los Angeles. 

               Publicou – nos jornais de Crato e Fortaleza – dezenas de centenas de artigos, onde primava pela objetividade e observação, características visíveis da sua privilegiada inteligência. Deixou, pelo menos, quinze livros publicados. Em meio às suas atividades como Vigário da cidade de Icó (CE) foi eleito deputado federal, em 1967 pelo MDB (partido de oposição ao regime militar implantado no Brasil em 1964). Teve seu mandato arbitrariamente “cassado”. Deixou Brasília e foi lecionar na cidade do Rio de Janeiro, aonde – entre 1970 e 1974 – cursou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, licenciando-se, ainda, em Filosofia, Ciências e Letras. Foi fundador do Clube Mundial do Jumento e sócio da Associação Cearense de Imprensa.

O Memorial do Padre Antônio Vieira

              Ao falecer, o Padre Antônio Vieira deixou um grande acervo de anotações, livros, diplomas, condecorações, objetos de uso pessoal, enfim, uma riqueza de fragmentos materiais que se constituem numa narrativa da sua própria existência. Lamentavelmente, as autoridades da cidade de Várzea Alegre não tiveram sensibilidade de reunir num imóvel apropriado esse rico acervo, os quais se constituem num motivo de honra e orgulho para qualquer cidade civilizada, que teve o privilégio de incluir no rol de filhos ilustres uma pessoa do porte do Pe. Antônio Vieira. Está claro que as autoridades de Várzea Alegre desconhecem a grandeza do seu filho ilustre.  Uma figura universal.  Pois, se assim não fosse, já teriam disponibilizado um local apropriado, na sede do município, para preservar a memória do Pe. Vieira.

                 Sabemos que o acervo deixado pelo Pe. Antônio Vieira se encontra no sitio Cristo Rey, propriedade da sua família.  Consta que esses familiares pretendem transformar esse valioso patrimônio num memorial, com o objetivo de preservar a história daquele famoso sacerdote. Convenhamos que um memorial localizado na zona rural, distante vários quilômetros do centro citadino não atrairá, como deveria, a visita das pessoas, principalmente das novas gerações, a quem mais interesse usufruir desse pequeno museu.

Por que não trazer esse memorial para Crato?

                   Agora o desfecho lógico deste escrito. Pe. Antônio Vieira viveu longos anos da sua existência na cidade de Crato. Aqui foi estudante, sacerdote, diretor do jornal “A Ação” da Diocese, construiu igreja, foi professor de várias gerações tanto no Seminário São José, como nos colégios particulares de Crato. Sabemos que ele tinha muita consideração por esta cidade. Sabemos que Crato se orgulha de se auto intitular, “Capital da Cultura”, embora seja pobre no setor de memoriais/museus. Pelos serviços que  o Pe. Antônio Vieira   prestou à cidade e a Diocese de Crato, julgo que já é tempo de as forças vivas da “Cidade de Frei Carlos” iniciarem um movimento – através das suas instituições mais importantes: Prefeitura/Secretaria de Cultura/Departamento Histórico da Diocese de Crato/ Clubes de Serviços/ Fundações – para trazer para Crato o futuro memorial do Pe. Antônio Vieira. Não fariam nada mais do que  justiça a esse notável homem.

              Sabemos que em 2019, o Governador Camilo Santana iniciará a construção do Centro Cultural do Cariri, na cidade de Crato. Quem sabe uma ala daquela instituição não viria a abrigar o rico acervo deixado pelo Pe. Antônio Vieira? Com a palavra as lideranças políticas, a Prefeitura Municipal, o Instituto Cultural do Cariri, a Universidade Regional do Cariri, a secretaria de Cultura do Crato, para que iniciem, o quanto antes, um movimento a fim de sediar na “Princesa do Cariri” o Memorial Padre Antônio Vieira!

Antônio Morais

Cariri pode se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade

Fonte: Diário do Nordeste”, por  Roberta Souza

No Cariri, não se pensa pequeno. E se a ideia vem, também não se perde muito tempo para executar. Nos últimos dois anos, por exemplo, Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, começou a conversar com o secretário da Cultura do Estado, Fabiano Piúba, sobre a possibilidade de tornar a região Sul do Ceará um Patrimônio Cultural da Humanidade. Nesta segunda-feira (19) pela manhã, durante a abertura do Seminário Arte e Pensamento, na 20ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, o projeto tornou-se público e os trabalhos oficiais também.

A mesa de abertura contou com a participação de dois pesquisadores portugueses: a arqueóloga Conceição Lopes (Universidade de Coimbra) e o arquiteto Tiago Mota Saraiva, além da mediação de Quindins e contribuição de Piúba. O intercâmbio de experiências além-mar serviu como panorama de fundo para a discussão regional.

Em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares, o secretário de Cultura do Estado adiantou que o diálogo com as instituições já está acontecendo. “Estamos conversando com o Iphan sobre o Cariri como patrimônio cultural na perspectiva de território, e juntando os fios, envolvendo instituições como a URCA, a UFCA, universidades particulares, o próprio Sesc e a Fundação Casa Grande, a Secretaria de Cultura do Estado e as dos municípios, na perspectiva de que o Cariri possa ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural”, afirmou.

Para a portuguesa Conceição Lopes, dois passos são fundamentais nesse processo: enxergar o patrimônio como algo vivo – não apenas como memória -, e trabalhar a convergência das comunidades, mostrando para o mundo o “valor universal e as diversidades específicas da região”, tais como culinária, manifestações culturais e a própria fauna caririense.

“A gente entende que é um debate muito importante. Estamos falando de uma região que tem patrimônio cultural e natural formidáveis. Pensar em patrimônio cultural para o Cariri tem que estar associado ao patrimônio natural”, reforçou Piúba. O secretário afirmou ainda que um dos planos para a integração desses bens é um metrô de superfície que conecte Juazeiro do Norte e Crato, a partir do Aeroporto Regional do Cariri.

Ainda na tarde desta segunda-feira, os integrantes da mesa devem se reunir para discutir a construção de um dossiê que viabilize o reconhecimento da região pela Unesco. Um seminário internacional também já está previsto para acontecer em junho do ano que vem, no Cariri, com o objetivo de reforçar a ideia.

Para Alemberg, faz-se necessária uma “coroação do Cariri”. “Vamos colocar a coroa na cabeça da Chapada do Araripe”, ressaltou. Da plateia, cerca de 150 pessoas, incluindo estudantes do 1º e do 2º ano do Ensino Médio da Escola Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, no Crato, acompanhavam o Seminário como testemunhas de um futuro-presente que eles mesmos ajudarão a construir.

Livro resgata personalidades e Associação Comercial de Juazeiro


O crescimento do segmento de cervejas artesanais no Cariri

Loja Mestre Cervejeiro em Juazeiro do Norte: 
nova opção para os apreciadores de cervejas artesanais

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam para um crescimento de 37,7% no número de cervejarias artesanais registradas no Brasil em 2017. Em números absolutos, os dados revelam 187 cervejarias a mais do que 2016, saltando de 493 para 679. Outra informação interessante: 8,9 mil produtos foram registrados por estes negócios em 2017. Uma média de 13 para cada marca. Esses números são indicativos do excepcional crescimento do setor, acrescido do fato de que as cervejarias artesanais e independentes, que não têm relação com grupos econômicos internacionais, estão conscientizando o consumidor sobre a degustação da bebida, além de contribuírem para a cultura gastronômica local.

O Cariri é uma das regiões onde este segmento de bebidas tem tido uma significativa alavancada, tanto no ramo da produção como do comércio. Essa nova realidade fez com que o Senac-CE levasse seu curso de sommelier de cervejas à unidade de Juazeiro do Norte, e motivou a abertura de uma franquia da rede Mestre Cervejeiro na cidade, inaugurada em julho por três jovens empreendedores: Dário Gledson, Carlos Porto e Tiago Bantim (foto à direita).

Mestre Cervejeiro é a maior rede de lojas de cervejas artesanais do Brasil, com mais de 60 unidades em operação. Em Juazeiro, funciona diariamente das 10 as 22 horas, localizada no polo gastronômico, bairro Lagoa Seca.

Duas outras iniciativas também merecem destaque: a criação do grupo Cervejeiros Cariri, que reúne apreciadores com o intuito de divulgar e fomentar a cultura cervejeira na região; e da cervejaria Kurato, que carrega a história e a cultura do Cariri desde o seu nome, inspirado na história da cidade do Crato.

Para o empresário Tiago Bantim, diante deste promissor cenário, com perspectiva de que o setor seja ainda mais incrementado, aliado a uma maior exigência do consumidor, com paladar cada vez mais depurado, - a tendência é de que haja uma maior qualificação dos produtos, com ampliação da diversidade de marcas e tipos de cervejas.