01 dezembro 2018

Lembrando o general Mourão Filho – Armando Lopes Rafael



O falecido general Olympio Mourão Filho não era apenas um homem inteligente e visionário. Era um profeta! Pensando nele, me vêm agora à lembrança dois provérbios: “O tempo é mesmo o Senhor da razão” (como diz a Bíblia) e “Nada como um dia atrás do outro”, como diziam nossos avós...

Esta semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fez um pronunciamento no Senado da República, mostrando que a solidão do cárcere (e veja que Lula já recebeu mais de 500 visitas, desde que foi preso em abril pela Polícia Federal); os achaques da idade e o ostracismo a que foi legado, poderão leva-lo à depressão e até à morte.

E fiquei a imaginar quanta bajulação foi feita em torno da pessoa do ex-presidente Lula! Basta lembrar de que, na sua última passagem por Crato, a Universidade Regional do Cariri–URCA entregou a Lula o título de “Doutor Honoris Causa”, debaixo de muitos e relevantes protestos,  de pessoas que viam naquele “puxa-saquismo” exagerado e insincero, uma afronta aos que já tinham sido distinguidos com o mesmo  título. Naquela ocasião li, na Internet, um manifesto do Movimento Conservador do Cariri, contrário à concessão do título, o qual dizia a certa altura:

“A expressão latina doutor honoris causa, traduzida “por uma questão de honra” representa uma condecoração acadêmica destinada a alguém de notório valor público, cuja instituição dispensou os requisitos essenciais para tal reconhecimento usual: matrícula, estudo e aprovação nos exames vinculados. A palavra honra por sua vez, denota vários significados, todos eles unânimes em sua apreciação e aceitação: elevados valores morais e intelectuais. Algo condicionado a alguém virtuoso”.

Tudo isso me fez lembrar, naquela ocasião,  o livro “A verdade de um Revolucionário”, publicado em 1978, de autoria do general Olympio Mourão Filho, que escreveu: "Ponha-se na Presidência da República qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".

Daí porque entendemos  – e lamentamos  – o ostracismo a que  foi relegado uma pessoa, a qual, num passado próximo, recebeu todas as mesuras e homenagens imerecidas de uma nação como que anestesiada e só, anos depois, despertada de um sono pleno de pesadelos.

CARIRIENSIDADE (por Armando Rafael)


Rio de Janeiro ganhará primeiro monumento ao Padre Cícero

     Desde 28 de dezembro de 2016, Dom Fernando Panico deixou a função de Bispo Diocesano de Crato, passando, automaticamente, à condição de “Bispo-Emérito” desta diocese. Mas seu novo status, ou seja, sua condição atual, não o impediu de continuar participando de diversos eventos realizados em memória do Padre Cícero Romão Batista. No início deste mês de novembro, Dom Fernando viajou para a cidade do Rio de Janeiro, onde pregou retiro para o clero da Arquidiocese de São Sebastião da antiga capital brasileira.

     Durante o retiro, o Pároco da Paróquia de São João Batista, de Rio das Pedras (zona oeste do Rio de Janeiro), Pe. Marcos Venício, convidou Dom Fernando Panico a celebrar uma missa para os devotos do Padre Cícero, residentes naquele subúrbio carioca. Foi uma festa! Muitos fiéis já conheciam Dom Fernando por informações. Outros já o tinham visto pessoalmente. Uma surpresa aguardava Dom Fernando: a notícia de que, no próximo dia 09 de dezembro de 2018, o Cardeal Dom Orani João Tempesta celebrará missa e inaugurará a Praça Padre Cícero, em Rio das Pedras, logradouro que terá uma estátua do “Padim Ciço”, a primeira construída no Estado do Rio de Janeiro.

Manifestação católica em Rio das Pedras, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro

Maceió festeja 148 anos da ordenação do Padre Cícero

        Esta semana Dom Fernando Panico esteve em Maceió, aonde foi a convite do Arcebispo da capital de Alagoas, Dom Antônio Muniz, para celebrar nos festejos pelos 148 anos de ordenação sacerdotal do Padre Cícero. Em Alagoas, Padre Cícero é sempre lembrado e amado pelos fiéis católicos. É comum nas procissões comemorativas às festas dos padroeiros(as) das cidades alagoanas contarem com um segundo andor (geralmente ricamente ornamentado com flores) com a imagem do Padre Cícero Romão Batista.


 O primeiro colégio para mulheres criado no Cariri

 Colégio Santa Teresa de Jesus, em Crato. Foto do início da década 50 do século passado

        A criação do Colégio Santa Teresa de Jesus resultou de um sonho, dos vários sonhos alentados e concretizados por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro Bispo de Crato. Àquela época, as escolas secundárias funcionavam separadamente para homens e mulheres. Inexistiam as escolas mistas como é praxe, nos dias atuais. E, neste Estado, as poucas escolas de segundo grau para mulheres só funcionavam na capital cearense, distante mais de 600 km de Crato, num tempo quando não havia estradas regulares, nem facilidade de comunicação. 

       Os contatos entre o Cariri e Fortaleza eram feitos unicamente por telegramas e cartas. Por isso, no território da nova Diocese de Crato, somente as moças pertencentes às famílias bem afortunadas financeiramente podiam se deslocar para a cidade de Fortaleza, a fim de estudar. Assim, depois de criar um Ginásio para homens (atual Colégio Diocesano de Crato) e reabrir as portas do Seminário São José para formar novos padres, Dom Quintino procurou a Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, possuidora de um colégio na cidade de Fortaleza, para abrir uma filial no Cariri. As tratativas não chegaram a bom termo. Não desanimou o bispo de Crato. Uma segunda tentativa foi feita junto às Irmãs Ursulinas, que tinham uma casa em Salvador (BA). No final de 1922, a diretora das Irmãs Ursulinas escreveu a Dom Quintino mostrando a impossibilidade de enfrentar o desafio que lhe fora proposto pelo Bispo de Crato.

            Mas Dom Quintino conhecia uma senhorita, residente na cidade de Jardim, dortada de muita fé e muita disposição para enfrentar desafios. Era Anna Álvares Couto (a futura Madre Ana Couto), mais conhecida como Naninha Couto que aceitou o desafio que lhe foi proposta pelo Bispo de Crato.     
   
Surge o Colégio Santa Teresa de Jesus de Crato

 Madre Ana Couto, co-fundadora da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus

          No dia 04 de março de 1923, às 5 horas da manhã, a população do Crato foi acordada com uma estrepitosa salva de fogos, anunciando o início das atividades de um novo colégio na antiga Vila Real do Crato. Dom Quintino havia atingido dois coelhos com uma só cajadada, pois concretizou dois dos seus mais alentados sonhos: o de criar uma congregação religiosa feminina (Filhas de Santa Teresa de Jesus) destinada a acolher jovens vocacionadas da sua diocese; e fundar – no Sul do Ceará –, o primeiro colégio para educação de mulheres. Dois pioneirismos de magnitude, considerando o fato de a Região do Cariri cearense – ainda atrasada em relação aos distantes centros evoluídos do litoral nordestino – ter passado a sediar as duas instituições acima citadas.


Dom Quintino, primeiro Bispo de Crato

Algumas alunas ilustres

          Milhares foram as alunas que passaram pelos bancos escolares do Colégio Santa Teresa de Jesus. Muitas ganharam destaque. Citá-las nos levaria a incorrer em graves omissões. No entanto, vêm-me agora à lembrança algumas ex-alunas: a atual deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo– a maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo; Maria Alacoque Bezerra, nascida em Juazeiro do Norte, a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República; Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaseau, que foi Secretária de Cultura do Ceará e Reitora da Universidade Regional do Cariri e Madre Feitosa, uma das mais respeitadas educadoras do Ceará. Esta além de aluna foi também diretora daquele colégio.  

Existe potencial para criar a  “Paisagem Cultural”  no entorno da Catedral de Crato

Entorno da Catedral de Crato em 1914, ano de criação da Diocese de Crato

     Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura– UNESCO: “O patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e o transmitimos às futuras gerações. Nosso patrimônio cultural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade”. Acrescenta ainda a UNESCO que “O patrimônio cultural é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas”.

    Entre algumas exigências da UNESCO, para que um edifício, ou conjunto de edificações, se constituam em bens culturais, exige-se que esses bens “devem estar associados diretamente ou tangivelmente a acontecimentos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, ou com obras artísticas ou literárias de significado excepcional”.

      Em qualquer uma dessas exigências se enquadra perfeitamente o conjunto da edificação da atual Catedral de Nossa Senhora da Penha e o seu entorno, localizado no centro da cidade de Crato.


      Pode-se agregar ainda à riqueza desse patrimônio cultural – oriundo das edificações e das atividades humanas da Catedral de Nossa Senhora da Penha – todas as manifestações populares – danças, folguedos, grupos folclóricos, apresentações cênicas, coreografias, músicas etc. – conservadas ao longo de sucessivas gerações, e ainda hoje repassadas às novas gerações –, por ocasião de comemorações e datas festivas, pois elas se constituem no Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível. 

      Ressalte-se, por oportuno, que essas manifestações da tradição popular – que compreendem uma gama de expressões de vida de grupos e indivíduos do município de Crato e adjacências – estão sendo objetos de catalogação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. 

        Diante de tudo acima exposto, preocupado com a destruição sistemática que vem sendo feita ao Patrimônio Arquitetônico e Cultural da cidade de Crato, imbuído da responsabilidade como Cura da Sé–Catedral de Nossa Senhora da Penha, Pe. José Vicente Pinto Alencar da Silva, estuda enfrentar o desafio de salvaguardar a paisagem cultural no entorno da Sé Catedral de Crato.

As voltas que o mundo dá: Globo volta a perder liderança na quinta e emissora estuda reformas com urgência

Record e SBT atropelaram talk show, noticiários e novelas

Fonte: Folha de S.Paulo, 01/12/2018

São Paulo – A Globo voltou a sofrer sucessivas derrotas ao longo da última quinta (29). Isso já determina mudanças relevantes em estudo para o início do ano. A emissora perdeu a liderança durante o Jornal Hoje, Vídeo Show, Malhação, Os Melhores Anos de Nossas Vidas, Jornal da Globo, Conversa com Bial, Empire e Corujão.
A Record liderou a audiência com Balanço Geral e A Fazenda. O SBT ficou com o 1º lugar com A Praça é Nossa, The Noite, Roda Roda (reprise) e SBT Notícias, na madrugada. Isso foi na Grande São Paulo, região mais importante para a TV. Em Goiânia e Salvador, a Record liderou na média das 7h à 0h.

Foi-se o tempo em que os trabalhadores dependiam dos sindicatos para se mobilizar e obter benefícios e reajustes salariais


Fonte: O Estado de S.Paulo, 01 Dezembro 2018 


A Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior agremiação sindical do País, lançou um plano de demissão voluntária com o objetivo de reduzir sua folha de pagamentos. O motivo é conhecido: sem o dinheiro fácil da obrigatoriedade da contribuição sindical, em boa hora extinta pela reforma trabalhista aprovada em 2017, e diante da crescente sangria de filiados, a CUT e outras entidades do gênero estão cortando na carne para não perecerem.

De fato, parece haver uma relação direta entre o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical e a penúria dos sindicatos, mas o fato incontornável é que o dinheiro obtido pela cobrança daquele imposto vinha servindo somente para manter um modelo de mobilização trabalhista que está em acelerada decadência. Ou seja, retirada a contribuição, ficou explícito que esses sindicatos não dispõem mais da capacidade – que no passado já foi imensa e temida – de liderar os trabalhadores em suas reivindicações.

Foi-se o tempo em que os trabalhadores dependiam dos sindicatos para se mobilizar e obter benefícios e reajustes salariais. Como mostrou recente reportagem da revista The Economist, as redes sociais vêm substituindo as assembleias como forma de decidir a pauta de reivindicações e combinar um protesto ou uma paralisação. A reportagem cita o exemplo de uma greve de professores em Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. O sucesso desse movimento foi garantido por uma página no Facebook que centralizou as discussões. Nada menos que 70% dos professores do Estado se cadastraram na página.

Na França, cidadãos de classe média vêm se mobilizando a partir das redes sociais para protestar contra o aumento dos combustíveis, num movimento que começa a ser levado a sério no país – no fim de semana passado, 280 mil franceses foram às ruas para protestar, muitos com coletes refletivos amarelos, obrigatórios para motoristas na França e que se tornaram o símbolo do protesto. Não há líderes conhecidos, não há partidos ou sindicatos envolvidos, e a pauta é difusa.

Fenômeno semelhante ocorreu no Brasil em maio, com o movimento grevista de caminhoneiros autônomos. A paralisação, de grandes proporções, não foi liderada nem organizada pelas entidades que dizem representar esses profissionais – houve até um momento em que essas associações fecharam um acordo com o governo pelo fim da greve, mas os caminhoneiros, mobilizados pelas redes sociais, rejeitaram o acerto e mantiveram o protesto. Ficou claro que os sindicatos de caminhoneiros haviam se tornado dispensáveis.

Tudo isso talvez ajude a explicar por que os sindicatos brasileiros perderam 1,5 milhão de associados somente nos últimos dois anos, conforme recente pesquisa do IBGE. Apenas 14,4% dos trabalhadores do País são sindicalizados.

Mas outro aspecto fundamental, também relacionado aos recentes avanços tecnológicos, tanto na área de comunicação como na indústria, deve ser levado em conta para entender a decadência do antigo modelo sindical: o próprio trabalho está passando por profundas transformações. Empregos tradicionais, especialmente na indústria – berço do movimento sindical –, vêm sendo substituídos pela robotização. Além disso, a tecnologia tem permitido que trabalhadores atuem por conta própria, especialmente na área de serviços.

O “sindicato” desses trabalhadores está nas redes sociais, onde compartilham experiências e, quando é o caso, se organizam para protestar – já há até empresas de serviços digitais especializadas em organizar esses grupos. Tentando adaptar-se aos novos tempos, grandes sindicatos europeus, como o alemão IG Metall, começaram a oferecer seus préstimos também para trabalhadores autônomos, dada a crescente terceirização da mão de obra.

Nada disso significa que o poder de negociação dos trabalhadores será igual ao que tinham quando os grandes sindicatos imperavam. No entanto, os sindicatos “virtuais” vêm se provando dinâmicos o bastante para que as reivindicações dos trabalhadores sejam levadas em conta.