27 novembro 2018

Explicações - Por: Emerson Monteiro


A sede intensa de conhecer, de descobrir o mistério da existência, perguntas perdidas no vazio de respostas desencontradas, isto bem que significa o valimento das filosofias e das civilizações. Alguns dos que mostram alguma sabedoria expendem assim o desejo de saber mais e considerar aonde vão os limites dos raciocínios ansiosos. Tratados se sucedem, pois, no trilho dos deuses e das suas versões desencontradas. Eles plantam nisso o futuro das sementes e dos pensamentos e rendem às tecnologias os poderes materiais da indústria. Somam lucros e armam países. Destroem e constroem à medida do que obtêm no passar da teoria à prática, pouco importando danos em termos dos resultados antinaturais na vida vegetal do Planeta.

Horas a fio elaboram explicações do quanto poderia ser houvesse consistência nos conceitos que formaram. Cavam longos e profundos túneis à buscam de fugir da penitenciária da história, nas soltas dos humanos. Ficções bem elaboradas do ponto de vista das literaturas querem, com isso, a todo custo, justificar os investimentos que nelas fazem os donos do capital junto da Natureza. São vidas, muitas vidas, largadas ao vento dos milênios tornadas escombros, fantasias, ilusões, dores e prejuízos.

Doutro lado, no entanto, há os místicos, que praticam o senso da observação através do que chamam meditação, contemplação, ioga. Silenciam às asas de descobrir na simplicidade pura, e avançam por meio do ser, invés das avaliações unicamente da inteligência física. Acalmam o desespero, a angústia das interrogações, o fastio da ignorância. Numa espécie de rendição às impossibilidades e das considerações que pudessem ter lá de fora, varrem no sentimento o desejo dos desertos. Vagam perdidos pelas entregas do anonimato e repousam nos oásis das almas em flor.

Duas posições antagônicas que, igualmente, buscariam tocar o Infinito; cientistas e santos. Relatórios imensos de palavras abrem as portas dessa busca por vezes de frutos bons, sadios, contudo reais só na experiência dos seus autores, porquanto depois apenas propagam alternativas e exemplos ao dispor da tradição de novos atores e sobejos entre Tudo e Nada.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Nos 70 anos... A festa no Cariri – por Jorge Carvalho


    Após a Segunda Grande Guerra Mundial, o empresariado brasileiro, com o objetivo de levar ao trabalhador, saúde, cultura, formação e lazer, faz surgir ao país o Sistema FECOMERCIO. Em 1948, portanto, há 70 anos, o Sistema chega ao Ceará. Em nosso Estado, o Serviço Social do Comércio (SESC) transforma vidas em, 7 Espaços Culturais, 1 Unidade Hoteleira, 12 Bibliotecas, 6 Unidades Móveis, 6 Escolas Educar Sesc, 5 Centros Educacionais, 6 Restaurantes, 2 Núcleos de Saúde, 3 Clínicas Odontológicas, 6 Unidades Operacionais.

         Em 20 edições da Mostra Sesc Cariri de Culturas, o Serviço Social do Comércio, possibilita ao espaço geográfico da Região Metropolitana do Cariri, o grande “rebuliço”, a enorme movimentação humana, econômica, social e fraterna, “sacudindo”, “cutucando”, “fervilhando” um imenso caldeirão cultural nas mais diversificadas performances artísticas. Em coincidência com o Dia Nacional da Consciência Negra, a noite da terça-feira (20), foi mais emotiva, mais caririense, mais brasileira em uma autêntica simbiose cósmica: Milton, estrelas, lua, cor.

          A voz, a referência a Nelson (Mandela), Zumbi, Marielle, Anderson, acalentou corpos humanos presentes ao Centro Cultural do Araripe, sensibilizou a criança, o jovem, o cidadão sexagenário, a vovó, o vovô. Uma pérola de início de noite e princípio de uma inesquecível madrugada. Eu, tava lá. Sim estive na sexta, lá no teatro Patativa, no credenciamento da imprensa, no sábado, pela manhã, no Iu-á Hotel, fazendo a entrega da comenda Honra ao Mérito ao Sistema FECOMERCIO, em nome da imensa Região Metropolitana do Cariri, numa atitude, imagino eu, de gratidão a esta instituição pela “Festa”, sim a “Festa” que proporciona aos caririenses, aos céus, ar, e solos do Verde Vale.

            Participei do Seminário Arte e Pensamento, em duas manhãs e duas tardes que, possibilitaram-me maior aperfeiçoamento profissional, empolgante convívio fraterno e um amplo conhecimento antropológico, paleontológico, cultural em atenta função auditiva. A festa acabou? Não. A Festa continua, os mestres mais conhecedores de seus valores artísticos, as vozes dos nossos habitantes musicais, mais divinas, o pequeno, intermediário e grande empresário caririense mais empolgado, mais otimista. O povo feliz.