22 novembro 2018

Noites impávidas - Por: Emerson Monteiro



Esses tempos só de luta, horas mil de aflições e dúvidas, mais de ficção de horror que das doces comédias dos antigamente quando a humanidade atravessava turnos de egoísmo, interesses exclusivos de poderosos, diante dos sóis menos quentes. Horas de incertezas, águas turvas e feras assustadas, no entanto das largas perguntas quanto aos motivos de aandar aqui, cidadãos do Infinito. - Senhores de longas histórias, a quê viver tudo isso face ao desconhecido?

Estradas abertas a todas as possibilidades, nos resta o sentido de aonde chegar perante as ásperas montanhas lá dos céus. Somos eles, os argonautas, caçadores da arca perdida, conquistadores de mares abertos em nós, a alma da consciência, detentores da Criação maravilhosa. A própria resposta viva dos séculos, eles, os gladiadores do depois.

Sequiosos, pois, do encontro consigo mesmos, a nau sem rumo parece viajar na deriva, contudo plena de razões de ser, mostra das cores do futuro e sinais de salvação. Horas mil de ficções inevitáveis, certezas da pura incerteza, a significar a razão principal de andarmos no frio invisível das horas ao som do silêncio absoluto. Sujeitos das visões do Paraíso, assim tangemos o rebanho dos dias feitos abandonados dos esquecimentos.

Bem isto, a existência dos humanos, indagações em forma de alimárias do destino. Sacudidos pelas águas turvas do furor das gerações, meras fagulhas dos pulsares e quasares, arrastamos pés na lama e na poeira da jornada ocasional da vida, e chorar e rir e preservar o nada ao sabor dos acontecimentos. Indagações abertas do esquecimento, escafrunchamos a lata do lixo cotidiano e nutrimos de sobrevivência os trapos que, farrapos, passam ao vento.

Centremos nisso, nessa interrogação, de porta em porta, os planos das civilizações, e daí cuidemos de achar no coração a resposta definitivamente. Perlustrar a securas dos calores e o drama dos insetos da forma clássica de viver com honra e seguir o mistério da fé soberana. Tenhamos paz, alimentemos amor na trilha dos bárbaros e sejamos Um enquanto as luas se sucedem no íntimo das pessoas.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Querer grandeza -- por Ernesto Araújo (*)


    Uma equivocada interpretação das tradições diplomáticas brasileiras tenta impor-nos, há muitos anos, a visão de que o Brasil é simplesmente um país grande: desistimos de ser um grande país. No universo da diplomacia pós-moderna, que infelizmente nos apressamos a copiar a partir de modelos externos, não existe grandeza. Não existe vontade ou paixão. Não existe orgulho.

    O desejo de grandeza é o que de mais nobre pode haver numa nação que se coloca diante do mundo.

     Mas alguém decidiu definir a presença do Brasil no mundo por sua adesão aos “regimes internacionais”, por sua obediência à “ordem global baseada em regras”. O Brasil assim concebido quer ser apenas um bom aluno na escola do globalismo. Não quer nem mesmo ser o melhor aluno, pois isso já seria destacar-se demais, já envolveria um componente de vontade e grandeza que repudiamos.

    Quando eu era criança, pela metade dos anos 70, ficava horas folheando um livro chamado “Atlas das Potencialidades Brasileiras” cheio de mapas de reservas energéticas e minerais, produção industrial e agrícola, etc. O subtítulo do livro dizia: “Brasil Grande e Forte”. Hoje, querem colocar nas mãos das crianças livros sobre sexo, mas se vissem uma criança lendo um livro chamado “Brasil Grande e Forte” prenderiam os pais e mandariam a criança para um campo de reeducação onde lhe ensinariam que o Brasil não é nem grande nem forte, mas apenas um país que busca a justiça social e os direitos das minorias.

    Antes fosse. Se houvesse uma alternativa excludente entre grandeza e força, de um lado, justiça social e direitos das minorias, de outro, seria até válido optar por estas últimas. Mas não há excludência. O que há é uma ideologia manipuladora que cria uma histeria permanente sobre justiça social e minorias, sem fazer absolutamente nada concreto nem pelas minorias nem pela maioria, sem nenhum compromisso em melhorar a vida real de ninguém, e que veste o manto da justiça social para roubar e tentar sair com o produto do roubo, desrespeitando tanto a justiça social quanto a justiça propriamente dita. Essa ideologia faz de tudo para destruir qualquer poder mobilizador autêntico que ela não controle, e por isso dedica-se a sufocar o desejo de grandeza associado ao sentimento nacional.

     A grandeza mobiliza e organiza um povo, cria sentido e gera energia humana, sabidamente a mais preciosa forma de energia. Nada pior para os planos da ideologia esquerdista. A esquerda não tem o menor interesse em justiça social, mas utiliza esse conceito para contaminar a água da nação, para criar pessoas raivosas e ignorantes e assim desmobilizar o povo, proibi-lo de ter ideais, separá-lo de si mesmo, desligar a energia criativa. Justiça social, direitos das minorias, tolerância, diversidade nas mãos da esquerda são apenas aparelhos verbais destinados a desligar a energia psíquica saudável do ser humano.

     A aplicação dessa ideologia à diplomacia produz a obsessão em seguir os “regimes internacionais”. Produz uma política externa onde não há amor à pátria mas apenas apego à “ordem internacional baseada em regras”. A esquerda globalista quer um bando de nações apáticas e domesticadas, e dentro de cada nação um bando de gente repetindo mecanicamente o jargão dos direitos e da justiça, formando assim um mundo onde nem as pessoas nem os povos sejam capazes de pensar ou agir por conta própria.

     O remédio é voltar a querer grandeza. Encha o peito e diga: Brasil Grande e Forte. Milhares de pequenos esquerdistas imediatamente te atacarão como formigas quando você chuta o formigueiro, mas se você resistir e não recuar eles ficarão desorientados e se dispersarão na sua insignificância, deixando aberto o campo para construirmos um país de verdade.

(*) Ernesto Araújo, diplomata de carreira. Convidado pelo Presidente-eleito Jair Bolsonaro para o exercer o cargo de Ministro das Relações Exteriores do Brasil no governo que terá início em 1º de janeiro de 2019.