13 novembro 2018

CARTA AO FUTURO - Dihelson Mendonça.


Olhando a cidade às 2h da manhã, todos dormem placidamente. Apenas as luzes acesas para um espetáculo sem platéia. Enquanto isso, pude pensar nas milhares de pessoas enterradas nos cemitérios que um dia já tiveram uma vida, sonhos, conquistas, poder, fama, glória, e que hoje ninguém mais se lembra...

Olhei a cidade do alto, e imaginei ser transportado no tempo, para o ano de 1820: A lua brilhava alta na madrugada; A terra ainda sem energia elétrica, pessoas a dormir, sonhando com o dia seguinte... Alguns, pensando em começar uma nova plantação, outros, em uma forma de ganhar mais dinheiro, já outro, na venda de animais... Todos eles não existem mais, foram levados ao esquecimento, bem como todos aqueles que conhecemos um dia nessa vida e se foram, partiram ao "sempre"; Foram esquecidos, como nós também seremos, quando enfim, nossa consciência se apagar; Voltaremos ao estado em que éramos, antes de vir a este mundo. E diante de tão funesta imagem, me pergunto: De que valeram tantas conquistas, tanta luta, tanto idealismo, tanto trabalho ? De que servem os frutos desse trabalho ? "Aqui na terra somos meros guardiões de tesouros alheios": Um planta e outro colhe. O passado se resume a lembranças, que logo serão apagadas; O futuro pertence ao mundo dos sonhos; A única coisa que nos resta e nos leva à frente é a esperança e a vida baseada no hoje, no aqui, no agora; A esperança de que nossa vida, de alguma forma, não esteja se passando em vão; A esperança de que possamos transcender a este mundo horrível.

O mais sábio dos homens parece mesmo ter sido aquele que criou a idéia de vender o maior bem possível: A imortalidade. A idéia de que se continuará a viver mesmo após a morte. Pois sabemos que a morte é o terror dos que vivem. A morte tira de nós todas as conquistas, todos os projetos, todos os bens. O homem que mais sofre nesta vida é o homem de posses, porque ele sabe que não poderá salvar uma mísera moeda !

Ah ! Quão difícil deve ser aceitar que se perderá todo um império, os tesouros guardados e as suas glórias ! Quão difícil é aceitar que todo o trabalho e o seu fruto não valem absolutamente nada diante do túmulo !

E o que nos resta então ? Qual o sentido da vida, afinal, se nada do que vemos se manterá, se nada do que possuímos sobreviverá ? Se tudo é impermanente ? Creio que poucos acordaram para o sentido real dessa existência mundana, que é simplesmente: VIVER CADA SEGUNDO. Temos um início de existência X e um final, Y, e entre esse espaço, que possamos ter a consciência de que cada segundo conta, de que cada dia passado pertence ao esquecimento. Que ao fim do dia, ao invés de dizer: "Mais um dia", possamos ter a consciência e a certeza de dizer: "Menos um dia"... Só assim, passaremos a valorizar mais o HOJE, o PRESENTE, que é verdadeiramente, a única coisa que temos. Pois todo o resto é apenas poeira na história.

Tenha sempre em mente que a principal pessoa que assiste e vive o teu drama, é tu mesmo ! Quando te fores, serás lembrado por breve tempo por aqueles que te conheceram, e depois que esses se forem também, ninguém mais se lembrará de ti e dos teus tesouros, assim como hoje, nós também não sabemos quem foram as milhões ou bilhões de pessoas que viveram antes de nós.

O homem que acordou para essa realidade, percebe ao mesmo tempo a insignificância e a grandeza da vida. Seu caminhar poderá se tornar pesaroso. O preço da verdade, é muitas vezes, a grande tragédia humana. Mas ao mesmo tempo em que descobrimos a sua efemeridade, podemos passar a valorizar cada momento dessa fugaz existência. A maior lição, talvez seria: Viva o hoje, como se fosse viver para sempre, pois muitas vezes, toda a eternidade pode caber em um punhado de alguns momentos felizes !

Dihelson Mendonça - 11/11/2018


José Dirceu, ex-Chefe da Casa Civil de Lula: 'Bolsonaro tem apoio e vai durar anos'


Ex-ministro, que lança livro em São Paulo, afirma que a derrota do PT na última eleição não foi apenas "política, mas ideológica"

Fonte: UOL, por Ricardo Galhardo e Marcelo Godoy – atualizado em 13/11/2018 às 07h23

O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou nesta segunda-feira, 12, que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) deve durar muito anos, pois tem base popular. "É uma luta de longo prazo, não nos iludamos, não é de curto prazo. É um governo que tem base social, muita força e muito tempo." O petista afirmou que a derrota do partido na última eleição não foi apenas "política, mas ideológica".

José Dirceu em noite de autógrafos, no teatro Tuca, nessa segunda-feira (12/11/2018)
Foto: SANDRO DE SOUZA/FRAMEPHOTO / Estadão Conteúdo 

Dirceu estava no Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), lançando seu livro de memórias. Começou sua palestra com uma autocrítica. "Muitas vezes nós nos desviamos. Temos que ter a coragem de dizer isso e eu tenho." Sua autocrítica se estendeu a práticas petistas no governo. Disse que o partido se distanciou do cotidiano da população nos 13 anos em que esteve no poder. Completou sua crítica às relações da sigla com o combate à corrupção - Dirceu está condenado a 30 anos e 9 meses de prisão na Lava Jato.

Lembrou o uso político que esse combate teve no passado. "Digo isso não porque não tenhamos que combater a corrupção, porque não precisemos rever nossos erros principalmente sobre o sistema de financiamento de campanhas."

Por fim, classificou o momento em que o País passa como uma contrarrevolução. "Uma regressão cultural e política." Para ele, as forças de oposição não devem se perder em debates que as dividem. "Cada um tem de cumprir seu papel. Lá na frente a gente se encontra."