11 novembro 2018

Francisco José de Brito - Por: Emerson Monteiro


No âmbito das comemorações dos 65.° aniversário do Instituto Cultural do Cariri, recebemos em Crato a visita de Francisco José de Brito, filho natural do município e repórter da Rede Globo de Televisão. Filho do Cel. Francisco José de Brito (Chico de Brito), um ilustre personagem da história regional, Chico José nasceu nos brejos da Batateira, próximo do núcleo urbano, aqui permaneceu até dez anos de idade, indo desenvolver formação na cidade do Recife, em Pernambuco. (Em Crato estudara no vetusto Seminário São José durante dois anos, nas séries do Curso Primário).

Hoje Francisco José representa um olimpiano na classificação dos tempos atuais quanto aos que estabelecem forte imagem pessoal através dos meios de comunicação de massa e participam cotidianamente no dia-a-dia das populações, espécie de entes mágicos e platinados. Exerce há mais de 40 anos destacada figuração através de reportagens notáveis da Rede Globo de larga audiência. Inteligente, carismático, audaz, conhece como poucos o mundo inteiro. Visita em atividades lugares de todos os continentes a destacá-los em brilhantes documentários pela mídia televisiva, coberturas inéditas e arriscadas. Sem sombra de dúvidas, exímio jornalista e competente no que desenvolve em sucesso reconhecido décadas a fio.

Porém o que veio evidenciar junto aos seus conterrâneos, nesta visitação de três dias, foram características de uma personalidade humana afetuosa, agradável, simples, espontânea, o que demonstrou nos momentos a quantos puderam privar da sua presença nessa hora.

À noite da sexta-feira, dia 09 de novembro, no calendário das festividades do aniversário do ICC, no qual preenche cadeira na Seção de Artes e Ofícios, juntamente com os ex-membros Manoel Patrício de Aquino e José de Paula Bantim, estes in memoriam, o jornalista viu-se agraciado pela Comenda Irineu Pinheiro, do órgão de cultura. Isto ocorreu logo na abertura de festa dançante adrede promovida no Crato Tênis Clube. Francisco José de Brito recebeu a comenda diretamente das mãos de Jales Figueiredo, filho de José de Figueiredo Filho, um dos fundadores do Instituto Cultural do Cariri.

Assim, registramos este que consideramos ponto alto das nossas homenagens ao primeiro sodalício cultural da Região caririense que demonstra vitalidade e cumpre a missão de preservar os feitos históricos desta heroica coletividade.

Grato, Francisco José, pelo carinho de sua presença entre os que preservam a nossa cultura. 


Existem motivos para se comemorar o 15 de novembro? Não, claro que não! (por Gerhard E. Boehme)


Gerhard E. Boehme desenvolve o assunto numa resposta que redigiu aos comentários feitos pelo Coronel Amarcy de Castro e Araújo Pens. O Brasil perdeu muito tempo com a quartelada que destronou a Família Imperial e interrompeu o processo de crescimento da nação. Restaurar a Monarquia é recuperar o tempo perdido. 



Prezado Sr. Coronel:

     De longe a Monarquia traz maiores vantagens para a gestão de um povo, como bem nos mostram os resultados do que foi o Brasil na sua época, e não tivemos a necessidade de uma Guerra Civil nas proporções que tiveram os norte-americanos. A questão é que o Brasil parou no tempo, senão retrocedeu após 1889, basta ver as nossas ferrovias, as quais estão somente agora ocupando sua devida importância graças à excelente gestão da ALL – América Latina Logística.

   Em todo o mundo a monarquia constitucional apresentou e apresenta mais vantagens que o presidencialismo, uma vez que este somente teve sucesso nos países ditos germânicos e onde o federalismo se faz presente (Alemanha, Áustria Suíça e Estados Unidos).
A questão não é a volta ao passado, mas a busca de um futuro que nos foi tirado.
Defender a monarquia é uma forma de sairmos do buraco em que nos encontramos, é reconhecer a importância do poder moderador, e a possibilidade de termos um parlamentarismo correto e não às avessas, como atualmente, já que atualmente primeiro elegemos o “primeiro-ministro”, para ele então compor a base aliada, ou melhor a “base afilhada”. Temos um país ingovernável.

    Tivéssemos um Duque de Caixas ainda vivo, a quartelada, que foi a “Proclamação da República”, não teria ocorrido. Concordo contigo que a realidade da época era diferente da atual. Mas veja que 8 das 12 maiores economias são monarquias constitucionais. Quanto a uma maioria expressiva de incultos, infelizmente nada mudou, também não tivemos a possibilidade de ação de um dos mais ilustres brasileiros de então, o qual seguramente seria um dos homens do III Império: Engenheiro André Pinto Rebouças.

    Não devemos pôr a culpa nos portugueses, índios e negros, a questão é a forma de gestão.
   Devemos comemorar com fervor o 7 de setembro, mas quanto ao 15 de novembro, nada a comemorar. A “Proclamação da República” foi uma quartelada que não contou com o apoio, nem mesmo dos militares. Na Marinha encontrou tão somente forte oposição. Seus primeiros anos foram caracterizados por uma profunda perseguição que não teve paralelo em nossa história, nem mesmo durante seus dois mais conhecidos períodos de exceção: O Estado Novo e o Regime Militar. E para tal é fundamental conhecê-la.

    O Brasil não nasceu República, com uma quartelada que hoje denominamos de “Proclamação da República” – um golpe, hoje vivemos uma grave distorção, tornamo-nos uma ré-pública (…, ou seria rês-pública? Ou república?) sem a concordância de qualquer referendo, adiado por cem anos de memórias perdidas e sem a oportunidade de um debate consistente em 1993. No plebiscito de 21 de abril de 1993 a monarquia recebeu, aproximadamente, sete milhões de votos (13% dos votos válidos} e, nesta época uma pesquisa do Datafolha mostrava que 21% da população era monarquista ou simpatizante.

Quinta-feira próxima – 15 de novembro – "Proclamação da República": uma data para não comemorar – por André Araújo

    Único Império das Américas, uma trajetória completamente diferente de todos os demais países da América Latina, um Império progressista muito à frente das “Repúblicas” caudilhescas da América Ibérica, País único pela sua formação nacional, um Império Habsburgo nos trópicos, o Brasil jogou fora sua magnifica História para se transformar em uma vulgar república de chefetes de aldeia. A proclamação da República foi um erro histórico cujo custo não foi pago até hoje pela população brasileira.

     Uma monarquia constitucional representava um Estado unitário com comando centralizado sob um soberano de primeira linha, culto, sóbrio, íntegro, interessado no progresso da ciência e das invenções, respeitado na Europa e nos Estados Unidos. A revisão histórica do período imperial nos revela um Dom Pedro II como monarca de primeira água, melhor que o pai, melhor que a maioria dos monarcas europeus da época, que pena que o Brasil jogou fora um modelo institucional que nos serviria muito melhor que uma República de caudilhos regionais.

      Uma nova safra de boas obras sobre o período monárquico nos revela um Dom Pedro sob uma luz que só melhora sua imagem, que sempre foi boa. Recomendo o livro de Laurentino Gomes “1889” e o de Lilia Schwartz “As Barbas do Imperador”, obras que documentam uma fotografia mais nítida de Dom Pedro, sua época e as circunstâncias obscuras e desconhecidas da derrubada inesperada  de uma monarquia popular e apoiada pelos mais pobres.

       Laurentino revela que Dom Pedro II pagava de seu bolso cientistas para desenvolverem pesquisas, o desenvolvimento científico era um dos seus interesses maiores, por curiosidade quer conhecer Graham Bell, o inventor do telefone, com quem se encontrou nos EUA. Fantástico é também lembrar que Dom Pedro II esteve no Líbano, então província turca, incentivando a imigração libanesa para o Brasil, que se tornaria a maior diáspora daquele País no mundo, isso no longínquo tempo de longas viagens de navio. Dom Pedro já tinha a visão da construção nacional pela imigração, também foi grande incentivador da imigração italiana e alemã, atraída para um País que tinha um governo e instituições sólidas.

       A República foi um “downgrade”, um rebaixamento de estatura do Brasil, o que antes era exclusivo, único, virou banal, comum. O Império caiu sem uma explicação razoável à época e depois da época. Não houve uma causa-mãe, um razão fortíssima, um motivo detonador.

      O monarca foi simplesmente colocado em um navio e despachado. Morreu no exilio, pobre e sozinho, sem aceitar sequer um estipêndio que a Republica lhe ofereceu para morrer dignamente. Laurentino Gomes mostra a “não razão” da deposição do Monarca, a falta de motivos lógicos, o engano que foi oferecido à população atônita, afinal era um regime de quase sete décadas com o mesmo homem à frente. O povo encarava o Imperador como imutável e imortal, era parte da coluna mestra do País, sua queda não era esperada ou desejada, especialmente após a Lei Aurea de 1888 que engalanou a Monarquia.

       Na Europa a deposição do Monarca foi recebida com enorme surpresa, o regime era considerado sólido, o “status” do Brasil era muito alto enquanto Império. Um único País queria o Brasil República: os Estados Unidos, que apesar de respeitar o Imperador, único Chefe de Estado convidado nas Américas à Exposição Universal de Filadélfia, em 1876, como hóspede de honra do Presidente Ulysses Grant.

       Os Estados Unidos via com desagrado uma Monarquia de raiz europeia, Orleans com Habsburgo, sendo os Orleans primos dos Bourbons, quer dizer o mais puro sangue europeu, numa parte do mundo que já consideravam como sua área de influência. O célebre historiador Rocha Pombo na sua “História do Brasil” em cinco volumes registra minuciosamente a queda da Monarquia e seus desdobramentos diplomáticos, mostrando o “lobby” dos EUA pela República, que já nasceu copiando o nome “República dos Estados Unidos do Brasil”, a constituição e as Instituições norte-americanas. Os EUA foram o único grande País a receber com alegria a instauração da República no Brasil, um evento que foi com choque e desalento na Europa onde a reputação do Império do Brasil era infinitamente superior às repúblicas caudilhescas sucessoras da Espanha.

       Uma nova releitura das circunstâncias do fim do Império do Brasil nos dará uma melhor compreensão desse terrível e decisivo acontecimento que está na raiz de muitos de nossos males atuais.