10 novembro 2018

O silêncio das flores - Por: Emerson Monteiro


Tardes assim, mornas, silenciosas, enquanto, sobranceiro, ele, o tempo, percorrer tudo quanto habita os mundos em volta. Que paz em corações ansiosos, no entanto. Amor de braços dados circula pelas entranhas do Universo e indica o sentido absoluto à alma da gente. De algum lugar, de todos os lugares, pousos e jornadas intermináveis.

Um senso de plena beleza e essa luz das existências na consciência calma à força da necessidade; à imposição dos destinos. Palavras quietas depois de conhecer a razão que tudo rege. Só um silêncio forte grita mais alto e pede leveza às nuvens lá longe vagando pelos céus. Vontade imensa de permanecer ajoelhado diante dos santuários da verdade mais pura e poder exercitar esse equilíbrio que principia dominar o espaço e sustentar a fragilidade dos elementos em festa.

São só pensamentos, as angústias que ainda doem por dentro, contudo nada além disso, que permite desvendar e viver. Por que, então, se render na perdição dos sofrimentos, das saudades e insatisfações, vez existir a firmeza de sonhar o céu e amar o Sol?!

Vez ser de tal maneira as aflições do desespero, há de haver meios de salvação a todo instante... Agir no âmbito das individualidades e crescer ao prumo das possibilidades, matriz das religiões e braços do mistério e das revelações.

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Pois bem, é isto o silêncio das flores. Admitir as certezas inevitáveis do tempo e suas atitudes sem par. Buscar conhecer a si mesmo e ler nas entrelinhas dos dias, feitos autores dos planos da humana felicidade. Traçar os argumentos de séculos perdidos e acender a luz Realização do ser. Senhor das estações também dos corações, Ele transita entre nós e abraça o momento das histórias que hão de vir nas malhas da esperança. E saber que plantar guarda esta convicção, de todas as respostas exatas da eterna Justiça.