08 novembro 2018

A dança das horas- Por: Emerson Monteiro



Pequeninas partículas de infinito eis que circulam soltas neste mar de circunstâncias, isto que significam os seres diante do eterno que vem e logo desaparece a olhos vistos. Eles, meros acasos suspensos no ar feitos faíscas e pétalas. Folhas esquecidas ao vento. Tempo. Ausências de permanência definitiva. Vazios. Só o estridente senso de antes nas curvas de depois, e nunca mais. Balanço de horas bem guardadas na barriga do impossível no passado inexistente. E nisso, nesse palco de proporções invisíveis, os elementos em queda livre vagam no vácuo; sonhos deixados sob as camadas de matéria orgânica do que foi e o sabor das existências findas. 

Meros senhores do inútil, protagonistas circulam de olhos presos nas saudades de ontem que ainda persistem na memória de amanhã, nem existem no entanto, se é que existiram lá um dia qualquer. Vaidades desfeitas nas ilusões e máquinas de incertezas certas, portas abertas ao teto do desconhecimento que permanecerá junto da alma dos que se forem.

Nesses desenhos de giz no azul do céu, vamos nós as alimárias da desconstrução, seguindo a festa da felicidade impermanente sob os passos firmes da Natureza. Mesmo assim, há que trabalhar sempre, aprender, elaborar as palmas da dança do Tempo, pai e criador, escultor das encruzilhadas, dos momentos e acontecimentos, normas e contradições, na escola do único aprimoramento humano.

Autores da consciência de si, dormem debaixo da glória do que viveram e aceitam as aventuras e os jogos, enquanto passa o nada em flor e tudo permanecerá durante a presença dos atores, milenária sinfonia das multidões, ação e mecanismo das possibilidades individuais. Ora são palavras; outras, emoções de não caber dentro nessas pessoas que assistem filmes da existência, e admitem flutuar nas ondas do firmamento. A orquestra executa suas partículas de mistério e adormece suavemente ao carinho dos filhos entre estrelas e naves longes pelo espaço inevitável de estar aqui.