30 outubro 2018

"Vem aí mais um feriado de 15 de novembro" ou "A maldição do frade" (por Armando Lopes Rafael)




   O fato abaixo está narrado no livro “A Maldição do Imperador-Cem anos de República–1889-1989", do advogado e historiador, Francisco Luiz Soares, residente no bairro Muriti, em Crato. O livro foi impresso pela Gráfica Sidil Ltda. Divinópolis-MG

“Um religioso, muito amigo e íntimo de Dom Pedro II, com quem conviveu quase toda a vida, de quem era confidente e conhecedor de todas as suas lutas, dificuldades, angústias e sofrimentos, e que no calor do movimento da expulsão de Dom Pedro II e toda a sua família, vendo a injustiça contra o Imperador sendo praticada, teria dito para que muitos ouvissem:
“Maldito seja o marechal Deodoro e todos os que o acompanharam nesse ato de injustiça, que é a expulsão do mais ilustre brasileiro, Dom Pedro II.
Malditos sejam pelo uso da espada, contra um homem velho, indefeso e doente.
Malditos sejam todos aqueles que ocuparem o cargo de governantes do Brasil sem legitimidade.
Malditos sejam os republicanos!”

     Se o fato acima é verídico, eu não sei.
     Mas que dá para desconfiar dessa maldição, lá isso dá!

     Dos 43 presidentes da República, 10 eleitos não cumpriram seus mandatos;  2 presidentes eleitos sofreram impeachment, acusados de corrupção e desvio de conduta (Collor e Dilma); 7 eleitos foram depostos; 1 eleito renunciou; 2 eleitos não tomaram posse por terem falecido; 1 assumiu pela força; 3 vice-presidentes terminaram o mandato de presidentes eleitos; 1 eleito foi impedido de tomar pose; 1 eleito se tornou ditador. Tivemos dois longos períodos ditatoriais, somando 35 anos. E nos últimos 90 anos apenas três presidentes civis, eleitos pelo povo, conseguiram terminar o mandato. Bom lembrar que o ex-Presidente Lula, considerado uma “avassaladora” liderança, nas eleições de 2002 e 2006, está preso, cumprindo pena por corrupção. E o candidato indicado por ele para concorrer às eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad, foi fragorosamente derrotado pelo Capitão Jair Bolsonaro, que sequer fez comícios nos últimos 50 dias da campanha.

      Isso sem falar nas cassações de mandatos, exílios forçados, censura à imprensa, invasões de sindicatos, vários fechamentos do Congresso Nacional, políticos despreparados, demagogos e corruptos... Mas voltando ao início desta postagem: não dá para desconfiar que a maldição pegou.

Alívio, esperanças e vigilância – por Péricles Capanema (*)


No Rio de Janeiro, comemoração da vitória em frente ao condomínio onde reside Bolsonaro 

   Pouco depois das sete horas da noite de domingo, o Brasil tomou conhecimento de que Jair Bolsonaro estava eleito. Apesar do bombardeamento pró-Haddad dos últimos dias da campanha, proveniente de todos os setores da opinião que se publica, a votação consagradora de Bolsonaro evidenciou a exasperação do sentimento antipetista e antilulista (na opinião que não se publica).

     Alívio generalizado – ufa! ¬– a brisa fresca alimentou a esperança de nunca mais termos o pesadelo macabro que assombrou a nação de 2002 a 2016. Contudo, porcentagem considerável, quase 45%, manteve-se chegada ao avantesma, cujo retorno aterroriza a maioria.

    Em linhas muito gerais, de um lado esteve o Brasil que anseia por crescer, produz, aspira a autonomias e liberdades. Passa além das fronteiras agrícolas na busca de espaços novos e ultrapassa limites difíceis na vida pessoal e profissional. Esbanja ânimo, topa enfrentar as agruras da vida, esperançado encara o futuro.

     Convém lembrar rapidamente, é o Brasil que nutre simpatias pelo princípio de subsidiariedade, quer menos Estado e mais protagonismo da sociedade. Nesse lado está também o País apavorado com a desordem, com a violência no campo e na cidade, amigo da família e da disciplina, religioso em sua maioria. É significativo, no geral as grandes cidades votaram mais pró-Bolsonaro que os núcleos do interior. É o Brasil do avanço. No que tem de melhor, mesmo que de forma inexplícita, são setores atraídos pelo crescimento, pela plenitude.

     Vamos ao outro lado. Votou na chapa do PT – PC do B o Brasil que depende do Estado, acostumado ao clientelismo, agarrado a privilégios injustificados, receoso da autonomia e da competição. A esse contingente, somaram-se grupos letrados, enquistados na alta administração (nossa Nomenklatura), no entretenimento, nas redações, na academia, nas sacristias; também em franjas de clubes grã-finos.

    No entretimento, o ambiente contestatário e libertário alimentou os apoios de Fernando Haddad. Nas sacristias, academia e redações, além de tal caldo de cultura, a escravidão a ideais coletivistas e igualitários. Contingente gigantesco que se nutre de mitos, é infecção resistente aos antibióticos da realidade. No que tem de mais preocupante, é sempre leniente com as atrofias pessoal e social, presentes nas soluções totalitárias, por vezes as namora. Como na Venezuela. Representa com autenticidade a vanguarda do atraso, o Brasil do retrocesso.

    De passagem, mais uma vez se revelou atual o livro de Julien Brenda, primeira edição de 1927, La trahison des clercs [A traição dos intelectuais], denúncia aguda da misteriosa propensão que têm os letrados, desde há muito, de se unirem ao que existe de pior na sociedade – cegos e obstinados companheiros de viagem de correntes demolidoras; vão até o precipício e nele pulam, juntamente com os fanáticos da revolução, afundando todos. Foi assim na Revolução Francesa, foi assim na Revolução Comunista, será assim aqui algum dia, se o povo não se vacinar contra os vírus que disseminam.

     Um reparo. O Brasil simples que depende do Estado não é majoritariamente esquerdista. Parte importante dele nem sabe o que é esquerda, precisa sobreviver. Fatia grande dele votou no Andrade por medo do desamparo. Tem condições de ser resgatado do rumo errado. Ajudado com critério, pode tomar rumo certo.

     Acabou a campanha, chegou a hora de pensar feridas, relevar agravos, procurar a reconciliação. Seria bom que assim acontecesse. Receio que, se vier, será superficial. As divisões na sociedade brasileira estão enraizadas. Desmobilização e descuidos serão fatais no lado que venceu as eleições. No mais profundo, uma parte do Brasil optou pelo crescimento, deseja a plenitude. A esperança deita nele suas raízes. Outra parte, infelizmente, favorece o coletivismo, não foge da atrofia. Que Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil.

(*) Péricles Capanema é escritor.

Bandidos matam homem em Fortaleza, porque ele declarou ter voltado no candidato Bolsonaro




Tiago da Silva Monteiro confessou toda a trama do crime ao chegar preso na sede do DHPP

O morador assassinado por ter votado em Bolsonaro era casado e pai de três crianças
Bandidos invasores de apartamentos do Condomínio Residencial Novo Barroso, conhecido como Babilônia, localizado no bairro Passaré, na zona Sul de Fortaleza, mataram a tiros e decapitaram um morador daquela comunidade que declarou ter votado no candidato à Presidente Jair Bolsonaro (PSL). O fato foi descoberto pela Polícia Militar na manhã desta terça-feira (30). Um dos acusados já está preso e confessou o crime quando entrava no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Fátima.

Via Blog do Fernando Ribeiro.