25 outubro 2018

Caririensidade (por Armando Lopes Rafael)


História do Cariri: Dona Matildes, a inimiga que protegeu Bárbara de Alencar
 Casa de Dona Bárbara de Alencar, localizada na praça da Sé, em Crato . O imóvel foi destruído para dar lugar ao atual prédio da Coletoria de Rendas da Secretaria da Fazenda do Ceará

   O episódio que, de forma resumida, relato abaixo está – com mais detalhes – nas páginas 70 e 71 do livro “As Quatro Sergipanas”, do sacerdote e historiador Mons. Francisco Holanda Montenegro.
     Dona Bárbara de Alencar tinha com Dona Matildes Telles, esposa do Capitão Manoel Joaquim Telles e mãe do Juiz Ordinário de Crato, este destituído do cargo pelos membros da família Alencar, líderes da Revolução Pernambucana de 1817, no Cariri cearense – uma intriga e rivalidades antigas por causa de política. Não se entendiam, não se cumprimentavam e nem se falavam.

       Rechaçada a Revolução, pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, os filhos de Dona Bárbara foram presos e ela escondeu-se dos inimigos pensando escapar da prisão.  Na madrugada de 21 de maio de 1817, Dona Bárbara encontrava-se escondida nas imediações do Sítio Pau Seco, propriedade sua, onde passou o dia oculta num canavial. À noite saiu do esconderijo, e tendo perdido a esperança de ver voltar seu fiel escravo, o negro Barnabé, seguiu vagando sem destino pelas matas que existiam à época em torno da Vila Real do Crato. Na sua andança veio parar no Sítio Miranda, mais precisamente nos fundos da casa de sua inimiga, Dona Matildes. Soube que estava ali porque viu uma escrava da casa apanhando água. A escrava reconheceu Dona Bárbara e foi avisar a sua patroa.

           Dona Bárbara apresentou-se a Dona Matildes. Esta última, com o coração aberto a tantos sofrimentos porque passava a família Alencar, abraçou a sua inimiga com lágrimas de ternura e num gesto magnânimo de generosidade, respeito e fidalguia levou-a para abriga-la na sua casa. Fez mais Dona Matildes. Mandou chamar seu filho, o Juiz Ordinário do Crato, que tinha sido readmitido no cargo, e disse a ele:

– Mande queimar todos os papéis e atas arquivados pelos contrarrevolucionários que comprometam Dona Bárbara e seus filhos

     Tempos depois, o futuro Senador e Presidente da Província do Ceará, José Martiniano de Alencar, filho de Dona Bárbara, preso nos cárceres do litoral teria afirmado: “Sem provas nós não poderíamos ser licitamente condenados à morte”.

A Chapada do Araripe é um mundo

        O texto abaixo abre o site do Geopark Araripe:
      “A Chapada do Araripe é uma grande muralha que divide os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Em seu entorno há inúmeras fontes de água, graças às rochas que a formam, e que têm uma função similar à de uma esponja. Com água farta, está sempre verde, mesmo em tempos de seca persistente. Com um bioma predominante de caatinga, e áreas de cerradão e mata atlântica, possui como símbolo uma espécie endêmica de pássaro (só encontrada por lá), o pequeno Soldadinho do Araripe, com sua crista vermelha que parece um quepe”.

Flores da Chapada do Araripe

     A arquiteta Maria Elisa Costa – filha do urbanista Lúcio Costa, que ajudou a planejar Brasília – era amiga da ex-reitora da URCA, Violeta Arraes. Esta convidou Elisa para projetar os jardins da reitoria da Universidade Regional do Cariri, em Crato. Ainda hoje Elisa guarda boas recordações do trabalho que fez aqui. Entrevistada pela revista Veja, Elisa declarou: "Descobri um Brasil que o litoral não conhece. Quem imaginaria, por exemplo, que há tantas flores no Crato?".  
   
    Informamos que o Guia de Plantas da Floresta Nacional (Flona) do Araripe-Apodi está disponível no site do The Field Museum, de Chicago (EUA). O endereço virtual hospeda guias de plantas, animais, algas, fungos e liquens de várias regiões do mundo.

A foto acima, com flores da Chapada do Araripe foi feita por Dihelson Mendonça.
Flor do maracujá. Foto de Jackson Bantim
Um valoroso caririense: Huberto Cabral
      As cidades são feitas primeiramente pelas pessoas. Pois seus moradores falam mais à alma do que os prédios e os cartões-postais. Uma das pessoas mais presentes na vida da cidade de Crato é o radialista, jornalista, memorialista e historiador Francisco Huberto Esmeraldo Cabral. Desde 1947, quando tinha dez anos idade, Cabral começou a participar dos acontecimentos da cidade natal, um dos enlevos da sua vida.

     Na sua trajetória profissional, Huberto Cabral exerceu inúmeros cargos, dentre eles o de Assessor de Imprensa da Prefeitura de Crato, Câmara de Vereadores e Assessor de Comunicação no início da Universidade Regional do Cariri. Ao longo da sua existência ele tem sido animador e organizador de inúmeras promoções de caráter cultural que se realizam em Crato desde o início da década 50 do século passado.

       Huberto Cabral sempre participou ativamente da organização da “ExpoCrato” o maior evento econômico-social do interior nordestino. São milhares as crônicas escritas e divulgadas por ele através dos meios de comunicação, as quais – se reunidas e publicadas – constituiriam o resgate das efemérides históricas, políticas e educacionais de Crato e do Cariri. Desde 1958 contribui com o Departamento de Jornalismo da Rádio Educadora do Cariri, hoje de forma voluntária e abnegada para difundir o Crato e o Cariri.

        Huberto Cabral é, merecidamente, mercê de seus dotes de espírito e prestimosidade uma biblioteca ambulante ou um professor sem cátedra da história do Sul do Ceará.  Atualmente, aos 81 anos de existência, contrariando uma tendência natural de que – com o avanço da idade ocorre um arrefecimento de ânimo, força ou disposição do ser humano ao trabalho – Huberto Cabral continua firme no seu “sacerdócio” cotidiano de prestar serviços à comunidade caririense. Serviço de boa qualidade, sem preocupação de colher louros, a não ser aqueles que venham beneficiar a todos incondicionalmente. Por essa história de vida, totalmente devotada à causa pública e ao progresso material e intelectual de nossa região, Huberto Cabral é merecedor de todo o nosso respeito e gratidão.

Avança causa de beatificação de Benigna

     As ruas de Santana do Cariri foram tomadas, no último dia 24 de outubro de 2018, por uma multidão calculada em 30 mil pessoas, que reverenciou a memória da Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva. A solenidade foi presidida pelo Bispo Diocesano de Crato, Dom Gilberto Pastana de Oliveira. Este, anunciou ao povo que a Comissão de Teólogos do Vaticano aprovou o processo de pedido de beatificação de Benigna Cardoso da Silva.

    Agora a próxima etapa é a avaliação dos Cardeais componentes da Congregação para a Causa dos Santos, cujo resultado será levado ao Papa. Este dará a palavra final para a beatificação de Benigna, filha de Santana da Cariri e primeira cearense com chance de galgar os altares da Igreja Católica.

      Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, em  Santana do Cariri. Foi assassinada em 24 de outubro de 1941,  na mesma cidade,  ao defender-se do assédio sexual por parte de um jovem da mesma idade, que, enfurecido, golpeou-a com um facão. Desde então, a menina Benigna se  tornou alvo de devoção por parte da população caririense  que a considera uma “mártir da castidade”.

         Em 2011, a Diocese do Crato deu início ao seu processo de beatificação. Em 2013, a causa foi aceita pela Congregação para a Causa dos Santos, e Benigna foi declarada Serva de Deus. Agora em 2018, o processo de beatificação de Benigna foi aprovada pela Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

 O mais antigo engraxate de Crato
     Seu nome completo é Francisco das Chagas Amorim Damasceno. Mas se procurarem este nome na Praça Siqueira Campos, centro de Crato ninguém saberá informar. Já “Chaguinha”, o engraxate, não só é muito conhecido, como é figura popular na Cidade de Frei Carlos, onde nasceu e exerce sua profissão há cerca de 70 anos. 

     Um dos grandes presidentes da República brasileira – o visionário e injustiçado Juscelino Kubitschek – também foi engraxate, na sua infância pobre em Diamantina (Minas Gerais) sua cidade natal. Já o “Chaguinha de Crato” tem, o orgulho de ter lustrado os sapatos do Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, quando este era ainda General, Comandante da 10ª Região Militar, com sede em Fortaleza,  e veio a Crato, pela primeira vez, em 1953. 

       Castello Branco foi, posteriormente, Presidente do Brasil, ou seja, foi Chefe de Estado e Chefe de Governo desta república, entre 1964 e 1967.

25 de outubro: Dia Santo Antonio Galvão, o Primeiro Santo nascido no Brasil


   O primeiro santo nascido no Brasil, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, conhecido como São Frei Galvão é comemorado no dia 25 de outubro. Nasceu no dia 10 de maio de 1739 em Guaratinguetá – SP, em uma numerosa família que possuía muitas posses. Posses essas que abandonou para tornar-se religioso.

    Entrou no convento dos filhos de São Francisco no Rio de Janeiro aos 16 anos. Em 1762 foi admitido à ordenação sacerdotal, foi então enviado para o Convento de São Francisco, em São Paulo, para os estudos de filosofia e teologia.

    Frei Galvão fundou em 1774 o conhecido Convento da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição, e em 1811 o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba (SP). Já com a saúde debilidade, Frei Galvão passou a residir no convento da Luz até 1822, quando veio a falecer no dia 23 de dezembro.

     São João Paulo II o beatificou 25 de outubro de 1998 e Bento XVI o canonizou em 11 de maio de 2007. Sobre a fama de santidade de Frei Galvão, a Irmã Célia Cadorin, postuladora da sua causa de canonização, ressalta que não faltaram as provas e documentos. “O processo inteiro comportou quase 10 mil páginas, contendo um relato sintético de mais de 8 mil graças alcançadas”. Entre as numerosas graças recebidas pela intercessão de Frei Galvão destacam-se, pela simplicidade e pela maravilhosa confiança na Mãe de Deus que encerram, as pílulas miraculosas.