19 outubro 2018

Bolsonaro, um segundo Ronald Reagan? – por Armando Lopes Rafael



      Tenho para mim que, caso seja eleito – no próximo dia 28 – como Presidente da República, Jair Bolsonaro vai ser para o Brasil o que Ronald Reagan foi para os Estados Unidos. Reagan ainda hoje é considerado como um dos maiores presidentes dos Estados Unidos. Isso, apesar dos seus adversários políticos terem ridicularizado a sua pouca cultura. Os opositores de Ronald Reagan o definiam como o “caubói inculto”. No entanto, por suas posições firmes, pela coragem que tinha ao se definir sobre um problema, sem se preocupar com o julgamento da mídia, pelo apoio que deu à iniciativa privada, Reagan foi responsável por uma das melhores fases da economia americana e, quando deixou o governo, sua popularidade superava mais de sessenta por cento.

 
   Semelhante a Reagan, Bolsonaro não é nenhum, intelectual. Ele pretende reestruturar a área econômica, através dos dois organismos vitais, o novo Ministério da Economia e o Banco Central, atuando ambos formais e politicamente independentes. Bolsonaro promete fazer uma reforma da Previdência, prevendo a mudança do sistema atual de repartição (pagamento dos aposentados que é feito pelos trabalhadores ativos) pelo modelo de contas individuais de capitalização (cada trabalhador contribuirá durante a vida para sustentar seu benefício previdenciário). Anunciou que vai privatizar mais de oitenta empresas estatais deficitárias. Dentre elas a Eletrobrás, que além dos prejuízos sucessivos não dispõe de um centavo para novos investimentos. E o que dizer dos Correios que leva mais de um mês para entregar uma carta dentro do Brasil, e enfrenta sucessivos prejuízos além de viver fazendo outras tarefas que nada tem a ver com a sua finalidade?

             São medidas simples, como redução dos ministérios dos 40 atuais para 15. Acabar com a política da “base de sustentação do governo”, ou seja, o “toma lá, dá cá”. E a entrega de instituições federais a políticos incompetentes, quando elas deveriam ser administradas por técnicos preparados. Se Bolsonaro fizer o que promete, chegará ao fim do seu governo, como Reagan chegou ao término de sua administração.

         De fato, ao deixar a Presidência dos EUA, Ronald Reagan deixou seu nome marcado na história política norte-americana. Mais do que isso, ele imprimiu na administração pública daquela nação um novo modo de fazer política. Seu estilo foi sendo imitado pelos presidentes que o sucederam. Ele tornou-se sinônimo de conservadorismo e nacionalismo. Ronald Reagan dividiu opiniões, foi amado por uns e odiado por outros. Mas foi coerente com o que pregava e não decepcionou os que votaram nele.

O fascismo da esquerda hipócrita -- por Catarina Rochamonte (*)

A Luta Contra o Fascismo Começa Pela Luta Contra o Bolchevismo. Este é o título de um panfleto escrito pelo marxista alemão Otto Rühle em 1939, em um dos mais difíceis momentos da luta de resistência contra o fascismo alemão: o nazismo.
   O referido texto coloca a Rússia na primeira linha dos estados totalitários e como modelo para os países constrangidos a renunciar ao sistema democrático para se voltarem para a ditadura. Afirma Rühle que "a Rússia serviu de exemplo ao fascismo". O panfleto, desde o tão vigoroso título, escancara uma verdade incômoda à esquerda majoritária brasileira de hoje, que se agrupa sob a liderança do corrupto presidiário ex-presidente Lula e se representa na candidatura do fantoche Fernando Haddad a presidente da República.

       Onde está, porém, o incômodo dessas denúncias antigas para a campanha PT/Haddad? Está em que o bolchevismo é uma das matrizes doutrinárias do PT e vários de seus dirigentes o declaram orgulhosamente, donde se vê que é contrassenso que a principal linha estratégica do PT e seus satélites para esta campanha consista em insultar seus adversários de "fascistas" e sob essa alegação pretenderem criar uma "frente democrática" para conter seu avanço. Vê-se também quão hipócrita foi a fala de Fernando Haddad quando - um dia após o resultado das urnas que o levaram para o segundo turno - apresentou-se como um candidato social-democrata. Como diz o ditado: "quem não te conhece que te compre".

        O fato é que foi como lobo em pele de cordeiro que o PT iniciou a campanha de segundo turno. No dia 9 de outubro a Folha de S. Paulo trazia uma entrevista com o governador do Ceará, o petista Camilo Santana, na qual se lia, sobre Haddad, que ele "tem de afastar um pouco essa marca do PT." O conselho parece ter sido acolhido, pois já nos deparamos com uma nova logomarca da campanha do ex-(pior)prefeito: logo esta sem vermelho, sem Lula e com as cores do Brasil.

       Eis aí os principais elementos do teatro tétrico destas eleições: o partido de origem bolchevique, que nunca teve respeito às instituições, que se considera acima da lei e abaixo apenas do seu líder (que lhe dita as ordens da cadeia); esse partido populista que comprou o congresso, que respondeu pelo maior caso de corrupção da história - o PT do mensalão e do petrolão -; esse partido que promove ideológica e financeiramente ditaduras como a cubana e a venezuelana coloca-se hipocritamente como arauto e defensor da democracia.

        A elite pseudointelectual - usar esse termo me custou caro! - muito bem apelidada de "esquerda caviar", cujos principais representantes estão no meio acadêmico e artístico reproduzem, por sua vez, essa farsa insuflando os jovens a uma batalha quase intergaláctica e apocalíptica contra o fascismo. Reitores emitem notas públicas contra a "onda conservadora" que coloca em risco a "democracia", expondo desavergonhadamente seu viés político-partidário em total desrespeito ao pluralismo acadêmico e ao princípio de neutralidade das instituições públicas.

      Certo mesmo estava Cid Gomes, pelo menos no seu último rompante: quem criou o Bolsonaro foi o PT, que fez muita besteira, que aparelhou as repartições públicas, que achou que era dono do País, que não fez mea culpa, que não admitiu erros e que por isso vai perder a eleição.

-- E o Lula?

-- "Lula o quê?! O Lula tá preso, babaca. Vocês vão perder. E é bem feito." 

 (*) Catarina Rochamonte é Doutora em Filosofia e professora da Universidade Estadual do Ceará - Uece 

E-mail: catarina.rochamonte@gmail.com