19 setembro 2018

Daqui da janela - Por: Emerson Monteiro



De um lado, nós. Do outro, o Infinito. O nada. O TUDO. Absoluto das horas que seguem feitas velocidade nas perenes ladeiras do destino. Noites e dias, dias e noites, tudo enfim. E nós, folhas secas suspensas no ar das condições; pobres, ricos, inúteis, úteis mortais criaturas da continuidade; astros de tantas oportunidades desperdiçadas; pouco aproveitadas. Claro que componentes dessas eras em movimento; partes móveis integrantes da Criação. Sem tirar, nem acrescentar; meros valores essenciais da fertilidade dos quintais. Valores permanentes da imensidade informe; flores dos jardins das nuvens esquecidas na solidão.

Fôssemos reunir tais experiências largadas no espaço lá de antes de existir, bem restaria só a força viva de tocar em frente, o sentido das indagações, de resolver este grande enigma que o somos, barqueiros das marés da ilusão e senhores da transformação mais pura que há, dentro do ser menor a um Ser maior, da fertilização da Consciência nas consciências. E ninguém nunca saberá de plenitude, em função das respostas que as elaboramos, conquanto depois nem disso permaneçamos, na vez de sair que chegará; e saber a que viemos, pouco importa. Porém nesses momentos sujeitos ficar presos nos erros e passados, fugitivos da razão; talvez andemos à busca da real felicidade.

Desse lugar e ver a Lua crescente no céu das almas e no teto misterioso, na face inefável de todas as liberdades que um dia imaginamos possuir. Moléculas de humanas ausências, eles bem que desejaram, no entanto, conhecer as respostas na música do Tempo. E quem passa mesmo somos nós, que nem as mudanças disseram de longe saber e praticar, participar das realizações. Na verdade, meras dores do parto da Eternidade vagando soltas entre os meteoros e distâncias, fagulhas dos fogos imaginários; daqui contemplamos os vastos campos da imortalidade, espectadores da luz que transportam em si os mensageiros da Paz definitiva.