07 setembro 2018

A real situação de dois museus de Crato

Excertos de matéria publicada no “Diário do Nordeste”, em 07-09-2018 – texto e  fotos de Antônio Rodrigues 

Museu do Crato padece com os efeitos do tempo
 O segundo piso do prédio abrigava algumas peças do antigo Museu de Artes Vicente Leite, que está fechado há mais de 12 anos
O Museu passou quase dez anos fechado por problemas no prédio. Na época, houve um início de reforma e foi colocado, inclusive, um forro de gesso, mas teve que ser retirado.

     Crato. O Museu Histórico do Crato J. Figueiredo Filho, localizado na parte térrea do edifício (abriga) também algumas peças do antigo Museu de Artes Vicente Leite, que funcionava no andar de cima do prédio e está fechado há mais de 12 anos.  Segundo as informações do Secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, havia um processo de reforma de gestões passadas, que precisou ser encerrado, refazer a prestação de contas e devolver o dinheiro. A empresa contratada iniciou (a restauração do prédio) e, quando não foi paga a primeira parcela, abandonou a obra. "Descobri que o prédio sequer tinha documento. Hoje, está todo no nome da Prefeitura. Em fevereiro, recebemos", informa o secretário.

      Apesar de não ser tombado em âmbito nacional, o Iphan tem processo aberto de estudo no local. Por isso, Dedê conta que foi até o a Superintendência do Órgão, em Fortaleza, e se reuniu três vezes para tentar a liberação para a reforma. "Até descobri que eles têm uma planta arquitetônica carimbada e aprovada. Tive que fazer um pedido de doação desse documento ao Município. Na semana que vem vou buscar essa documentação. Com isso, não tem tanta burocracia", garante.

    Com o projeto em mãos, segundo ele, agora é tentar buscar recursos para a restauração do prédio, mas isso só deve acontecer a partir de março de 2019. " De 2017 para cá, nunca parei de tentar resolver isso", conta Dedé. Além disso, a empresa contratada para realizar a restauração tem que ser especializada e, no Ceará, existem apenas duas aptas para o serviço.

Importância do imóvel
    O prédio é tombado em níveis estadual e municipal, mas, desde a década de 1940, o local já era estudado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No pavimento superior, funcionaram as primeiras sedes da Câmara Municipal e da Prefeitura. Já no térreo, ficava a Cadeia Pública do Crato. Como peculiaridade, o prédio é uma das poucas construções que possui uma enxovia em forma de abóbada, onde ficavam os presos mais perigosos.

     Há 15 anos, algumas peças do Museu de Artes foram furtadas. Na época, um inquérito policial foi instaurado e parte delas foi recuperada. O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da Promotoria da Comarca do Crato, tem um procedimento aberto, desde 2013, sobre os itens que sumiram. No entanto, ingressou com uma Ação Civil Pública que deve ser protocolada até a próxima segunda-feira. "São questões de estrutura, acervo, reorganização e requalificação. Alguns pontos estão em andamento", conta o promotor Thiago Marques Vieira.

A visão de um  especialista em patrimônio histórico
      Segundo o arquiteto Waldemar Arraes, a edificação se destaca por ser uma das poucas Casas de Câmara e Cadeia em pé no Estado do Ceará. "É importante para a história da Cidade, do Estado e do Brasil. Essa casa tem características que outras não têm", explica Arraes. Na sua opinião, o local precisa ser restaurado para se manter em pé. Mas adverte que a obra é muito cara. "É um projeto complexo. Envolve equipe multidisciplinar, profissionais de diversas áreas, incluindo historiadores, engenheiros e arquitetos, entre outros, para se produzir um projeto de custo elevado, que exige fiscalização de diversos órgãos. É complicado, complexo. Não é qualquer pessoa que faz", acrescenta o arquiteto.

     Waldemar Arraes, por sua vez, acredita que não é tão simples iniciar o processo de restauração. Tem que fazer um estudo histórico, documental. Entender o entorno do edifício, o que se passava ao redor, como está hoje em dia. "Às vezes, com alguma escavação, tem que parar porque esbarra em algum achado. Daí, é preciso fazer todo o estudo arqueológico. Inclusive, tem os projetos de adaptação à acessibilidade, combate a incêndio, instalação hidrossanitária e reforço de estrutura, se for preciso", explica. O arquiteto acredita que o ideal seria a obra ser tocada pela Secretaria de Cultura do Estado e pelo próprio Iphan, mas também depende das políticas públicas locais e do interesse do Município.

Acervo
     No Museu Histórico do Crato, é possível conhecer alguns artefatos originais dos índios Kariris, encontrados durante as escavações da reforma da Praça da Sé. Há mãos de pilão, armas de corte, machados e uma igaçaba (urna funerária). Lá, há também objetos antigos que pertenceram a pessoas importantes do Cariri cearense, como espingardas usadas por cangaceiros e uma sala sacra, com objetos doados pela Diocese. Ano passado, cerca de 5 mil pessoas visitaram o equipamento e a maioria é formada por pessoas de outras cidades.

07 setembro 2018

 Só uma profunda restauração poderá salvar o prédio que abriga os dois museus em Crato – por Armando Lopes Rafael




“As lembranças se apoiam nas pedras das cidades”
– Ecléa Bosi

    A matéria acima –  publicada na edição de hoje do “Diário do Nordeste”–  trouxe algumas informações úteis, apesar de constar algumas discrepâncias históricas. Uma delas: a de que o prédio teria sido construído em 1817. Ledo engano. Aquela vetusta construção foi construída em 1877, por ordem do Imperador Dom. Pedro II, dentro do plano de ajuda às populações nordestinas vítimas da terrível seca daquele ano.

   Mas vamos ao que considerei “informações uteis”. A primeira, foca as declarações do Secretário de Cultura de Crato, as quais nos parecem verdadeiras. Mostrou ele, as extremas dificuldades para restaurar o prédio do antigo Senado da Câmara/Cadeia Pública de Crato. Na verdade, este sério problema já vem de duas outras administrações municipais passadas, coisa de doze anos atrás. Caiu nas mãos do atual Secretário da Cultura, a batata quente! E sabemos que Cultura não é propriedade nem de governantes no nível federal/estadual. Imagine de um prefeito municipal sem visão da importância de um museu.

    Ademais, a restauração não é necessária apenas na parte interna. A parte externa (principalmente a platibanda) que também já foi descaracterizada. Basta que se diga uma única coisa. Na platibanda, virada para a atual Rua Senador Pompeu, foi colocada a “estrela republicana” (que não representa sequer o brasão adotado no golpe militar de 15 de novembro de 1889) . Sabe-se que, na conclusão do prédio, em 1877, foi colado na platibanda, o brasão do Império do Brasil. Em 1930, início da longa ditadura de Getúlio Vargas, mandaram retirar o bonito escudo Imperial, substituindo-o pela feia estrela republicana. Quem fez a estrela foi um amador, dada a inexpressividade do desenho. Isso também ocorreu no prédio do Senado da Câmara/Cadeia Pública, de Barbalha.

        Então, só nos resta ficar torcendo para que – pelo menos –, a parte interna do prédio do Senado da Câmara/Cadeia de Crato seja beneficiado com a recuperação interna e que as autoridades tragam técnicos em museologia para reimplantar o Museu Histórico de Crato e o Museu de Artes Sinhá d’Amora. Antes que aconteça aqui o que aconteceu no último dia 2, no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

E o que restou? Independência ou Morte! – por José Luís Lira (*)




   Algumas vezes sonhamos acordados. Noutras desejamos que a realidade fosse um pesadelo, assim, ao acordarmos a realidade seria a mesma. A primeira parte, do sonho, vivi neste dia 5 de setembro, data em que, há 196 anos, Dom Pedro I deixava São Paulo rumo ao Rio de Janeiro naquela que se tornou a viagem da Independência do Brasil.

 O então Príncipe Real fora apaziguar os ânimos na Província de São Paulo. Durante essa viagem, chegou ao Rio de Janeiro ordens para que ele, Dona Leopoldina e os filhos seguissem para Portugal, sede do Reino. A Princesa, nomeada regente na ausência do marido, naquele 2 de setembro de 1822, convocou o Conselho de Ministros e foi aprovada a Independência do Brasil. A Princesa assinou o Decreto. Dom Pedro decidiria se proclamaria ou não a independência do Brasil. Ele, corajosamente, aos 24 anos incompletos (completaria no dia 12/10/1822), proclamou a Independência quando alcançava as margens do Rio Ipiranga, já distante da capital paulista, na época.

    Pois no dia 5 de setembro de 2018, no Museu Histórico Nacional, na Praça Marechal Âncora, Centro do Rio de Janeiro, tive a emoção de, representando a equipe que trabalhou na reconstrução facial do Imperador, por mim coordenada, composta além de mim, pelo designer 3D Cícero Moraes e pelo perito do IML do Rio, Dr. Marcos Paulo Sales, e da equipe que idealizou o busto de Dom Pedro em tamanho real, assinar o termo de doação dessa peça ao Museu Histórico Nacional. O busto foi impresso pela empresa dOne 3D, de Ribeirão Preto (SP), teve a pintura realizada pela artista plástica Mari Bueno e contou com o apoio da Wiki Educação Brasil, representada por Rodrigo Padula de Oliveira. Foi um dia memorável. Pareceu um sonho.

    A segunda parte, se deu no domingo passado, 2 de setembro, data exata da assinatura do Decreto da Independência, por Dona Leopoldina. Eu estava em deslocamento de Fortaleza para Sobral quando vi na Internet que um incêndio atingira o Palácio Imperial de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. No local residiram o Rei Dom João VI e Dona Carlota Joaquina, os Imperadores do Brasil, Dom Pedro I e Dona Leopoldina, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina. No Palácio nasceram Dona Maria (Rainha de Portugal com o nome de Maria II) e seu irmão, Dom Pedro II e, ainda, a Princesa Isabel, espaço da assinatura do Decreto da Independência, prefalado, e da outorga da primeira Constituição do Brasil e que, após o golpe republicano de 1889, sediou a Assembleia Nacional para elaborar a primeira Constituição da República, transformado, depois em Museu Nacional. Toda essa imaterialidade dentro do material, foi devorada pelo fogo. Parecia um pesadelo e quisera mesmo que fosse. [

    Não foi apenas a destruição da memória de nossa fundação enquanto Nação, o que já foi prejuízo incalculável, mas, a destruição de um pedaço importante da História da Humanidade que ali estava. Por mais que se reconstrua o prédio (e isso é extremamente necessário que a classe política que negligenciou a manutenção do importante acervo e prédio faça), seu acervo jamais será recomposto. A tragédia nos mostrou o descaso com que se trata nossa História e o patrimônio cultural brasileiro e, ainda, deu-nos um alerta para que tal situação não se repita.
       Deus salve a Pátria!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Suspensão dos “bandeiraços” que os monarquistas iriam realizar hoje, 7 de setembro



Comunicado da Casa Imperial do Brasil

     Lamentando profundamente o pérfido atentado sofrido pelo Sr. Jair Bolsonaro, que não só atinge o candidato à Presidência da República, mas fere profundamente a índole bondosa e pacífica do povo brasileiro e tende a abalar a normalidade institucional tão almejada por todos, a Pró Monarquia, atendendo orientação do Chefe da Casa Imperial do Brasil, Sua Alteza Imperial e  Real Dom Luiz de Orleans e Bragança, recomenda que sejam suspensos os “bandeiraços” programados, que tradicionalmente os monarquistas realizam nos dias em que se comemora a Independência do Brasil.

     Ao mesmo tempo, convida todos a que se unam em orações a Deus Nosso Senhor pelo pronto restabelecimento da vítima.

São Paulo, 6 de setembro de 2018.