01 setembro 2018

Uma festa de puro requinte, educação e beleza como há muito não se via - Valdemir Correia de Sousa - 80 anos de vida.


Uma festa simplesmente espetacular que reuniu a nata da sociedade Cratense. Assim foi a comemoração dos 80 anos do grande empresário Valdemir Correia de Sousa na última sexta, dia 31 de agosto.










O evento aconteceu no maior e melhor buffet da cidade, o Lagarta Pintada, e contou com a presença de juízes, promotores, desembargadores, políticos e outras autoridades que vieram especialmente da capital do Estado para prestigiar o evento. Animada pela melhor orquestra de bailes do Cariri, e uma das melhores do Ceará, a Orquestra Sonata, a festa foi uma demonstração de requinte, bom gosto e uma educação como não se vê mais nos dias de hoje. Com músicas cuidadosamente selecionadas, pratos luxuosos e um requinte de quem só comemora 80 anos de existência uma vez em cada vida.


O empresário Valdemir Correia é um dos mais bem-sucedidos da região do Cariri. Com extensa folha de serviços prestados, por suas inúmeras empresas passaram centenas de funcionários que hoje possuem seu próprio negócio, e suas atividades comerciais já estiveram entre as principais para a economia local. Todos os dias, mesmo aos 80 anos, Valdemir trabalha das 8 da manhã às 6 da tarde sem faltar um único dia, e este, segundo ele é o segredo do seu sucesso: Trabalho, trabalho, trabalho. Ainda segundo Valdemir, "Muitas pessoas querem vencer na vida, mas não tem coragem para enfrentar as dificuldades. Os problemas sempre irão existir, mas é preciso que nós tenhamos a coragem, a paciência e pedir a Deus inteligência para descobrir a solução para cada um deles".


No evento, foi apresentado um vídeo com a sua história de vida num telão, desde a origem humilde no distrito de Dom Quintino, depois trabalhando como vendedor, até conseguir abrir o seu próprio negócio. Casado com Sônia Rolim, mulher igualmente empreendedora e inteligente, o casal tem vários filhos, todos bem sucedidos, que hoje seguem as suas carreiras de forma independente. O mais velho, Valdemir filho é empresário de muito sucesso em Fortaleza. 


Ainda no evento, a participação de jornalistas, fotógrafos, médicos, amigos do empresário, a exemplo do prefeito Zé Ailton Brasil, amigo de infância, de quem tem grande aprêço. Estiveram presentes ainda vereadores, deputados, candidatos a deputado, juízes e os desembargadores Haroldo Máximo e o ilustre Durval Aires Filho, que além de desembargador, é também escritor, entre diversas outras autoridades.


A festa deste sábado no buffet lagarta pintada serviu para demonstrar que apesar de todo o caos do mundo moderno e da inversão de valores que vemos nos dias atuais, ainda existe uma classe de pessoas, independente de padrão econômico, que preza pelos grandes valores, pela educação de berço, primorosa, pelo falar o português correto, por grandes ideais, por metas, por trabalho e resultados. E o melhor de tudo, foi poder se deliciar com música de qualidade como há muito não se via, para um público seleto, para uma platéia de pessoas inteligentes, que sabem apreciar o que é bom, e a arte eterna que sempre será bela. 


Parabéns, Valdemir Correia. Seus 80 anos foram regados acima de tudo, por bom gosto como há muito não se via. Seus amigos lhe desejam muita felicidade, paz, saúde, e que continue sendo sucesso, seja no livro que ora escreve, seja no exemplo de vida, de trabalho, que certamente ainda há de influenciar as gerações futuras.




Por: Dihelson Mendonça - Texto e Fotos

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As janelas da Consciência - Por: Emerson Monteiro


Há esse lugar aonde, nalgum dia, todos irão chegar, sede da Paz, a Consciência, destino do Infinito, lá onde as paralelas se encontrarão numa manhã de festa e fogos. Os instrumentos dessa longa jornada, dentre muitos outros, são a Razão e o Coração, primos e irmãos que moram na mesma residência individual. Esses passos lembram os livros, também janelas abertas de lugar acolhedor de tudo quanto houver espalhado pelo Chão, pelo Cosmos, nas avenidas do espaço sideral.

Ler, verbo de plenitude e força. Nas visões de todos existem diferentes espécies de caminhos; os músicos, que buscam o som universal; os pintores, que vislumbram as imagens do Paraíso; os arquitetos, que constroem as casas e os monumentos da história em forma e linhas; as pitonisas, que conversam com os deuses; os dançarinos, que bailam ao som universal; as mães, que trazem no ventre a esperança nos dias melhores da Humanidade; os escritores, que migram feitos aves, através da imaginação, aos pomos férteis da Eternidade, largando de si, aos pedaços, restos de vidas que aqui permanecem grudadas em papel nas estantes quais luzes na escuridão dos humanos; etc. e tantos.

Quem descobre a felicidade dos livros ganha toda a herança de pensamento e sentimento do quanto ficou pelas encostas rudes dos destinos, existências afora, ao furor das tempestades da alma. Raros, talvez só raríssimos desfrutam disso, do mistério da leitura, porta aberta dos livros, de par em par ao calor do Sol. Pois ler vai mais além do que trocar letras e palavras por significados que carreguem no bisaco das páginas. Mergulham, sim, dentro dos tempos na luz dos olhos, e viajam milênios a fio nas profundidades inatingíveis dos oceanos da Civilização.

Poder é querer, conquanto estenda mãos e escarcaviem as tralhas e os monturos dos livros, pedras preciosas escavadas dos solitários em suas masmorras de sensações e arte. Conhecer por meio da concentração que a palavra escrita propicia; vislumbrar o panorama de antes em lances atuais e vivos, privilégio dos poucos iniciados. Quem quer saber, pergunte aos Céus.

A origem da rivalidade entre Crato e Juazeiro do Norte

Fonte: "Diário do Nordeste", 1º/09/2018. -- Antonio Rodrigues - Colaborador
Seminário São José formou muitos intelectuais cratenses ( Fotos: Antonio Rodrigues )
A população urbana de Crato, na década 1940, já era menor do que a de Juaeiro. Isso acirrou a rivalidade.

Crato/Juazeiro do Norte. Alguns historiadores mostram que, antes do milagre, já havia um movimento de pastoral social comandado pelo Padre Cícero que agregava muitas pessoas de fora, prestando não só conforto espiritual, mas material. Na época, pouco mais de 2 mil pessoas viviam no vilarejo. Isso tudo mudou quando a hóstia se dissolveu em sangue na boca beata Maria de Araújo, em 1889. Este fenômeno religioso intensifica a rivalidade entre Crato e seu então povoado, Joaseiro.

Com a chegada das romarias, Juazeiro se transforma rapidamente num distrito habitado por muitas pessoas de fora, enquanto as elites do Crato, na segunda metade do Século XIX, defendiam condutas para o Município que aproximavam da civilização europeia. "Ou seja, estava vivendo um processo civilizador, com investimento em tudo que era bens culturais: jornais, rede de escolas, associações e até no início do século XX, teve o primeiro cinema do Cariri", explica a professora e pesquisadora Otonite Cortez.

No momento que eclode o movimento de romarias em Juazeiro, a configuração social daquela população se acumulou em torno do Padre Cícero e aquilo assustou o padrões estéticos e civilizatórios dos intelectuais cratenses. "Eles nominaram como um ergástulo de delinquentes, de fanáticos, de broncos, analfabetos", conta a pesquisadora. Há, portanto, uma espécie de terror do Crato em relação ao seu distrito.

Por outro lado, tudo isso passa a compor um discurso de superioridade do Crato sobre Juazeiro estimulado pelos seus intelectuais, na medida que cresce a religiosidade popular. A própria figura do Padre Cícero era tido como embusteiro. "A espontaneidade da religiosidade popular fugia do padrão estético desenhado pelos intelectuais cratenses", explica Otonite. Os romeiros são tidos como incivis, atrasados e, por outro lado, surge a "cidade da cultura". "Antes do fenômeno de Juazeiro, eu não encontrei nenhum discurso, nenhum texto em que os cratenses se referiam ao Crato como 'Cidade da cultura'. Eles se referiam como 'Princesa do Cariri', 'Cabeça de comarca', 'Capital do Cariri'", completa a professora.

A construção do Crato como "cidade da cultura" nasce para se estabelecer uma distinção em termos hierárquicos numa época em que o "fanatismo" era considerado uma doença. Nos jornais cratenses da época, o Município é tratado como lugar "adiantado", "civilizado", "ordeiro", "pacífico", enquanto seu distrito era um lugar "atrasado", "fanático". Do lado de Juazeiro, a posição dos padres em não crer e professar o "milagre" por ordem da Igreja incomodava a população.

Emancipação

Em 1907, Juazeiro do Norte teve seu primeiro movimento emancipacionista, mas que fracassou. Naquele momento, o distrito era formado por dois grupos: os naturais da terra, e os adventícios, romeiros que fixaram moradia no povoado. E logo se tornaram rivais. Isso aconteceu, primeiro, pela questão religiosa, pois quando Roma condenou o milagre, os ricos fazendeiros naturais da terra passaram a descrer no evento. Segundo, os comerciantes de fora eram mais bem-sucedidos que os nascidos aqui.

O major João Bezerra de Meneses, fazendeiro e descendente da família de Juazeiro, convocou o movimento pela separação de Crato, mas o conflito entre os grupos, acabou não tendo tanta adesão. "Apenas em 1909 com a participação do Padre Cícero na campanha, a fundação do jornal O Rebate e as alianças formadas com Floro Bartolomeu e o padre Alencar Peixoto, a campanha emancipacionista de Juazeiro ganharia outro status, unindo os dois Juazeiros em prol da sua independência", explica o jornalista Cícero Dantas, que pesquisou a disputa simbólica dos jornais "O Rebate", de Juazeiro do Norte, e "Correio do Cariry", de Crato, no período que antecedeu a emancipação.

O Correio do Cariry descrevia Juazeiro como uma terra de "embusteiros", "fanática" e ameaçador da ordem moral. "O próprio universo de seguidores do padre Cícero alimentou essa descrição. Haviam também criminosos foragidos, bandidos e cangaceiros legendários da história do cangaço no Nordeste", explica Cícero. E esse discurso chegava aos jornais do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e de Fortaleza que emitiram notas de reprovação as atitudes e comportamentos presenciados em Juazeiro.

Considerado o primeiro jornal de Juazeiro,"O Rebate", fundado em 18 de junho de 1909, surge como um marco civilizatório, que alavancaria o nível social da população juazeirense. "A fundação do jornal foi enaltecido como uma conquista e início de progresso", descreve Cícero. No periódico, a Terra do Padre Cícero apresentava o distrito como um lugar moderno, civilizado e divulgava seu desenvolvimento econômico, como as construções de escolas, mercado e iluminação pública. No entanto, sua função mais importante era desmentir as notícias falsas circuladas no "Correio do Cariry" que publicou muitas notas contando sobre possíveis invasões armadas a cidade do Crato e agressões físicas a suas personalidades, por exemplo.

"Eu considero que O Rebate acelerou a emancipação. Antônio Luiz, prefeito do Crato na época, não tinha a menor intenção de conceder a independência de Juazeiro. Tanto é que negou o projeto por duas vezes na Assembleia Legislativa do Estado nos anos de 1909 e 1911. A emancipação de Juazeiro traria prejuízos à cidade do Crato, perdendo terras e uma boa fonte de impostos que ajudava no progresso da cidade", narra Cícero Dantas.

Pouco antes da emancipação, houve um boicote econômico ao Crato, quando juazeirenses deixaram de trabalhar e visitar a cidade. Isso prejudicou a economia cratense, principalmente, com o não pagamento de impostos. Isso só mudou quando representantes das duas localidades firmaram um acordo de paz que, entre as suas cláusulas, havia o encerramento da discussão entre o Correio do Cariry e O Rebate. "Só por isso percebe-se o peso que as publicações desse jornais tiveram naquela refrega política", exalta o pesquisador.

No dia 30 de agosto de 1910, houve um manifesto em Juazeiro, logo após Antônio Luiz negar, pela segunda vez, a elevação do distrito a vila independente. Mais de 15 mil pessoas foram as ruas em protesto, ou seja, mais da metade da população que, na época, era 25 mil pessoas. No dia 22 de julho de 1911, quase um ano depois, a emancipação é concedida. Porém, os conflitos com o Crato continuaram por décadas.

Hoje é a festa de Nossa Senhora da Penha – por Armando Lopes Rafael


    Hoje, 1º de setembro de 2018, os cratenses  comemoram o Dia de Nossa Senhora da Penha,  Rainha e Padroeira desta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos. Os festejos dedicados à Mãe da Penha são realizados há 250 anos. E se constituem na mais tradicional e longeva manifestação religiosa popular feita nesta cidade.
      A mais antiga referência a esta festa tem a data de 1838. Foi feita por George Gardner, naturalista, botânico memorialista, intelectual, pesquisador, escritor, ensaísta e cientista escocês, que esteve em Crato naquele distante ano. Autor do livro “Viagem ao Interior do Brasil”, publicado em Londres em 1846 (e somente traduzido para o português e editado no Brasil quase cem anos depois) George Gardner descreveu – no livro citado – a festa da Padroeira de Crato, da qual destacamos o seguinte trecho:

“Durante minha estadia em Crato foi celebrada a festa de N. Senhora da Conceição, (Gardner equivocou-se quanto à invocação da Virgem Maria patrona da Cidade de Frei Carlos, pois o certo é Nossa Senhora da Penha) precedida de nove dias de divertimentos, cujas despesas correm por conta de pessoas designadas para conduzi-los; enquanto durou a novena, como é chamada, os poucos soldados que havia na vila não cessaram quase, dia e noite, de dar tiros e as procissões, iluminações, girândolas de foguetes e salvas, com um pequeno canhão em frente da igreja, trouxeram ao lugar um constante alvoroço”.

       A crônica histórica de Crato guarda ainda o registro de que o primeiro Intendente deste Município, após o advento da República – cargo que hoje corresponde ao de Prefeito – o cidadão José Gonçalves da Silva, durante 29 anos seguidos (de 1900 a 1929) foi o coordenador da Festa de Nossa Senhora da Penha. Consta que estando uma vez no Rio de Janeiro, ao embarcar no navio que o traria de volta ao Ceará o Sr. José Gonçalves da Silva, homem de pequena estatura, caiu no mar e na hora da aflição pediu o auxílio de Nossa Senhora da Penha para não morrer afogado.

       Retirado das águas fez um voto de assumir a coordenação da festa da Padroeira de Crato, o que cumpriu até sua morte, ocorrida em 4 de julho de 1930. O certo é que em dois séculos e meio de realização, os festejos a Nossa Senhora da Penha, têm importância não só na tradição religiosa desta cidade, mas servem como instrumento de socialização e divulgação da capacidade empreendedora e artística da sociedade cratense. Basta lembrar que a cada 22 de agosto, véspera do início do novenário em louvor à Virgem da Penha, que coincide com o Dia do Folclore, dezenas de grupos da tradição popular se encontram na Praça da Sé para homenagearem sua padroeira.

       Em face disso, os festejos a Nossa Senhora da Penha também contribuem para a conservação da cultura popular com suas festas, brincadeiras, danças, cantigas de roda, crenças, superstições, lendas, histórias, ritos e mitos do Homem Cariri. No dia 1º de setembro – data consagrada a Nossa Senhora da Penha – a procissão com a imagem da excelsa padroeira dos cratenses leva milhares de pessoas às ruas da cidade. Mantendo uma velha tradição as famílias ornamentam com flores, velas e imagens as janelas de suas residências para reverenciar a passagem da sagrada imagem. Trata-se de um momento rico de piedade cristã, uma manifestação pública da fé do povo cratense.
Em 20 de outubro de 2014, data do centenário de criação da Diocese de Crato, a imagem histórica de Nossa Senhora da Penha foi coroada pelo Cardeal João Braz de Aviz, enviado especial do Papa Francisco.As duas coroas (da Santíssima Virgem e do Menino Jesus) foram confeccionadas em Roma e ofertadas à Rainha e Padroeira de Crato, pelo 5º Bispo de Crato, Dom Fernando Panico.