31 agosto 2018

Hoje é o aniversário de um grande Cratense: Valdemir Correia de Sousa completa 80 anos de vida.



O nosso amigo Valdemir está em todas. Não bastasse as suas crônicas e histórias bem-humoradas relatando episódios da sua longa vida e agora publicadas em diversos sites e Blogs, mais um capítulo começa hoje, ao completar os valorosos 80 anos de idade, com uma badaladíssima festa no Buffet Lagarta Pintada, a começar às 20h.

Parabéns, amigo Valdemir Correia. Que Deus o abençoe nos seus inúmeros empreendimentos, e na vida pessoal, com muita saúde, paz e prosperidade.

São os votos dos seus amigos, aqueles que admiram a tua linda história de trabalho, de origem humilde, e de vencedor.

Dihelson Mendonça
www.blogdocrato.com


Os livros e seus autores - Por: Emerson Monteiro


De comum a gente gosta de um ou dois livros de certo autor, nunca de todos eles escrevem. Quais relíquias, permanecem na nossa lembrança vidas afora, guardando as emoções da época da leitura e mantendo a afinidade original. Daí os grandes nomes da literatura existir na memória de livros inesquecíveis. Lembro um tanto deles, na força desta definição. Isso tem tudo a ver com as músicas e os compositores, e os cantores, e os pintores, etc. Permanecem para sempre no sentimento, guardadas aquelas que marcaram as fases de quando foram trazidas a lume; fixaram raízes dentro da cultura humana através da alma das pessoas e nunca mais querem sair.

As obras de arte são, assim, peças do que restou do que passa indecorosamente nos dias, nas gerações. Totens indeléveis, significam nosso eu no tempo que se dissolve aos nossos dedos. Chegam e vão numa velocidade impressionante. Grandes angústias daí atravessam os que as produzem, de querer mantê-las eternas, no entanto só frustradamente. Os pintores, por exemplo, anseiam descobrir pigmentos que possam suster as criações, deixando ao máximo que desenvolvam a permanência, lá depois, porém, sendo retocadas ao léu no intuito de chegar mais adiante pela sobrevivência dos museus.

Outro dia escutei na televisão que dos registros humanos apenas 3% permanecem após o transcorrer dos anos. Enquanto isto, li numa entrevista de Steve Jobs, o mago das comunicações digitais, que esta fase da história será a que menos registros deixará, tendo em vista o excesso de confiança na mídia eletrônica, pois esta finge conservar seus nos frágeis back-ups o valor da fixação, instrumentos estes que longo irão apagar e nem saudade deixarão, em flagrante contrariedade ao que antes se imaginava das invenções.

Mesmo desse modo, contudo, ficam na memória obras imortais da literatura, da música, do cinema, que se não fossemos nós já haveriam desaparecido desde tanto tempo. Isso de Eternidade perpassa a consciência do que fizemos que restou, e seremos, sim, os autores dos autores da continuação de tudo.

A crônica do fim-de-semana (por Armando Lopes Rafael)

A mídia às vezes é burra

    Que a mídia é contra Jair Bolsonaro até um cego pode ver. Não só a  mídia, também parcelas das universidades públicas, políticos corruptos, funcionários das estatais, e a "esquerdona" saudosa dos tempos do lulopetismo... Processos estão em curso contra Bolsonaro acusando-o de racista (falou no peso de um negro), machista (disse que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada), homofóbico (falou contra o Kit Gay para ensinar “ideologia de gênero” para crianças de seis anos). No meu entender, tudo frescura de operadores do Direito.

    Ora, nossos problemas são outros. E de difícil solução: corrupção generalizada, falência da saúde e segurança pública, privilégios, clientelismo, nepotismo e dezenas de outros com destaque para a violência que tomou conta do Brasil. A mídia noticia a mancheias esse caos. Todos os dias.  Ora, são  exatamente esses os problemas que o deputado Bolsonaro ataca todos os dias. O povo escuta os noticiários. Escuta as falas de Bolsonaro. Conculsão: a mídia vive a fazer propaganda para o Bolsonaro e não se dá conta disso...

       País esquisito esse Brasil! É o único do mundo onde um condenado em duas instâncias – por corrupção e lavagem de dinheiro – inelegível portanto, transforma sua cela em escritório político. Sem gastar nada, com segurança privilegiada da Polícia Federal e ainda fica debochando do Judiciário e do Ministério Público. O que, aliás, não é novidade, pois os dirigentes do PCC e CV comandam o crime organizado de dentro das prisões. E esse candidato é até incluído nas pesquisas eleitorais. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral–TSE, se arrasta –  numa vagarosidade de tartaruga –  para julgar se o presidiário sai, ou não, candidato a Presidente da República.

          A mídia é burra. Lula é esperto. Ele sabe que vale mais preso do que solto. E é isso que interessa a ele,  que se auto intitula “a alma mais honesta do mundo” e se diz “inocente”, porque não existem provas materiais da corrupção dele. Como se quem comete ilegalidade é burro para deixar rastro e ser flagrado no crime.
             É esse o "Brasil dos privilégios" que alguns segmentos políticos querem manter...

A vida eterna -- por Ivan Ângelo (*)

Wenceslau Braz
Presidente do Brasil entre 1914 a 1918

Biologicamente, vivemos milhões de anos, viemos de tetravós, trisavós, bisavós, avós, pais, e continuaremos vivos em filhos, netos, bisnetos, trinetos, tetranetos… Eternos.
    Quantos anos você quer viver? Quantos anos você pode — poderemos — viver? A ciência tem nos cutucado ultimamente com essas pegadinhas. Semanas atrás, VEJA mostrou o que tem sido feito para ampliar a durabilidade humana. Faz sete anos, um cientista apregoou a possibilidade de vivermos até os 150 anos ou mais, com a reposição de “peças” (órgãos) e outras tecnologias.

     Para que vivermos tão velhos? Qual é a graça, sem podermos correr atrás de uma bola, de um sonho, de uma garota? A juventude, enquanto a vivemos, parece eterna; não nos damos conta de que vivemos a esgotá-la; quando percebemos que se vai, ela nos parece breve e cruel. O grande feito científico seria preservar a juventude, não a velhice. A mágica do retrato de Dorian Gray. A terrível graça da juventude é que ela acaba; seu valor é o valor da beleza, do rosto liso, da agilidade, das carnes firmes — bens preciosos porque finitos, ou mais do que isso: efêmeros. Ela acaba, como acaba o dinheiro, como acaba a ingenuidade; só que o dinheiro podemos buscá-lo em alguma fonte, e não há fonte de onde jorre a juventude, a não ser na lenda.

    Uma interessante pesquisa italiana publicada recentemente na revista Science sugere que paramos de envelhecer aos 105 anos, daí para a frente seguimos funcionalmente estáveis até o dia fatal; outra pesquisa, canadense, sugere que o limite funcional humano é de 115 anos. O caso da francesa Jeanne Calment, falecida aos 122 anos, em 1997, seria exceção.

      Não vamos analisar a Bíblia, em que aparecem sete varões que viveram mais de 900 anos, dos tempos de Noé para trás, sendo Matusalém o medalha de ouro, com 969 anos; Jarede, o medalha de prata, com 962 anos; e o próprio Noé, o medalha de bronze, com 950 anos. Como pode? Talvez os escritores bíblicos precisassem que aqueles tempos, muito antigos até para eles, fossem descritos como extraordinários, e essas longuíssimas vidas seriam algumas entre as coisas extraordinárias que narraram.

     Baixando a bola: quem pode desmentir o narrador dos anais da freguesia de Caeté, em Minas Gerais, do fim do século XVIII? “No ano de 1790 faleceu Manoel de Souza, natural de Portugal, e morador no arraial do Socorro com 130 e tantos anos de idade, e em seu perfeito juízo.” Isso se lê na página 182 do Almanak Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Geraes — 1864, e na página 183: “No arraial de São Gonçalo do Rio Abaixo, existiu Domingos Homem Rosa, natural das ilhas, casado, contava 116 anos, e há pouco faleceu, e sua mulher de idade de 117 anos ainda vive com algum vigor, e sempre se mantiveram com o suor do seu trabalho”. Minha hipótese é que algumas pessoas ficam menos estragadas do que outras.

      A idade do mais longevo de todos os presidentes do Brasil, o mineiro Wenceslau Braz, foi motivo de piada. Governou o país de 1914 a 1918, e só morreu 47 anos depois, em Itajubá, onde viveu até os 98 anos. Foi nome de ruas, avenidas e cidades ainda em vida. Conta-se que saiu com seu Fordinho para dar uma volta, já bem velhinho, e bateu de leve no carro de um jovem em frente à sorveteria. Disse logo que pagaria pelos danos e deu seu cartão ao jovem. Ele leu, olhou desconfiado, leu de novo, e perguntou: “Pera aí. Wenceslau Braz que número?”.

     Carlos Drummond de Andrade disse num poema: “Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver”. É isso. Nossa perda é afetiva, social, cultural. Biologicamente, vivemos milhões de anos, viemos de tetravós, trisavós, bisavós, avós, pais, e continuaremos vivos em filhos, netos, bisnetos, trinetos, tetranetos… Eternos.

(*) Ivan Ângelo,  jornalista. Publicado na VEJA-SP, 29-08-2018.