27 agosto 2018

Sabor das palavras - Por: Emerson Monteiro


Chegar aos outros através desses recursos, sons e significados, que muitos silenciam na escuta de dentro do instrumento que habitamos, corpos de carne que tantos nem de longe imaginaram donde vem e aonde irá. E as multidões param a fim de ouvi-las, se as questionam quem sabe? Caladas, quietas permanecem de olhos fixos nas cavernas dos próprios céus interiores. Que transmitem sentimentos além de pensamentos sabem os que fixam atenção naquilo que falam ou presenciam.

Quantas vezes nas músicas, transformadas em saudades e sonhos, vagando soltas no universo das pessoas, ao ritmo das cantigas vindas das outras gentes lá de fora, contudo nascidas nalgum lugar do firmamento. Assim a longa esteira dos humanos, que espelha o tempo e segue o credo das gerações, sustenta que sabe o quanto vale conhecer os conteúdos e essas palavras levadas ao vento ao lombo dos animais largados nas selvas.

Há de perguntar os incrédulos quais os que justificam aceitar e confortar a si o balanço das horas ao sabor das palavras, porém que existem milhões espraiados nos países daí a fora nem de longe duvidar. Santos, fiéis criaturas do desconhecido, quedam assim as esperanças nos braços da certeza de que tantos desanimam e eles seguram suaves nos trilhos da alma.

Nisso desejam a firmeza da fé e teimam consigo no igual conhecimento das palavras sempre novas, ao gosto da consciência dos que aceitam de bom grado o bem de luz na consciência. Dizer dessa maravilha aos que nunca abrem mão dos pontos de vista da incredulidade é entregar ao léu os meios de salvação de como transmitir a esses o que eles jamais quiseram saber até agora, certezas que fogem impenitentes sem, no entanto, reconhecer o poder perene que elas têm.

Perante as contradições das criaturas restam tão somente admitir que o paladar com que recebem as palavras reflete o limite no padrão das possibilidades individuais, sujeitos a leis diversas que restringem o senso ao quanto de sua igual proporção.