22 agosto 2018

Sussurros do Infinito - Por: Emerson Monteiro


Esses sons que percorrem o Universo também atravessam os ouvidos das pessoas e os objetos na mesma intensidade, ocasionando diversas interpretações de tudo em volta. Delas, das interpretações, advêm modos variados de comportamento, o que enche as páginas e os livros, os becos e as vilas. Quais murmúrios de origem na própria pele das palavras, blocos de significados preenchem o tempo e em seguida denominam memórias, lembranças, e regressam às mentes e criam novos sons e significados. Quais sendo assim, há círculos de visões e audições a produzir que resolvam classificar a vida consciente. Isso se demora, depois, nos hábitos e costumes, alimenta as mentalidades e os períodos, as modas e os valores. Pois bem, daí nascem pensamentos e mentalidades, crenças e poderes.

Viajar nesse motivo das civilizações demonstra o quanto frágeis são a formações e o nível das percepções; as leis e os ordenamentos; os pecados e as instituições. Balizamentos quase que naturais, exigem forte determinação de vencer tais barreiras e criar novas formulações, necessárias ao crescimento de outras possibilidades. Ficar presos nos vagões do Destino nisso parece corresponder os gestos ditos inteligentes das criaturas, só raramente superados nos momentos críticos. A acomodação representa, destarte, o quadro típico da história durante todo tempo.

As massas fogem assustadas de alternativas que exigem maiores conhecimentos, renúncia e esforço. Deitam e rolam nos braços de aventureiros de plantão quase que abandonando, jogando ao mero acaso, soluções e providências preciosas. Sobremodo isto acontece nos turnos eleitorais, fases definidoras do futuro dos grupos sociais. A raça humana, que desenvolve os instrumentos da política, por vezes simplesmente faz vista grossa da importância da participação nas escolhas, e atira pela janela o bem fundamental da oportunidade, qual ignorando por inteiro os sussurros do Infinito a lhe oferecer mensagens coerentes de selecionar os bons representantes e aprimorar a prática administrativa da sociedade onde vive e aguarda melhores momentos.

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)



O poeta Zé de Matos

As cidades são feitas de poesias e de pessoas”, diz um velho adágio. A ser verdade este aforismo, está explicado porque, ainda hoje, a memória de Zé de Matos continua presente em Crato e no Cariri. Dele pouco se sabe. Exceto que era analfabeto, pobre e boêmio. Sequer se sabe a data e o lugar do seu nascimento, embora ele dissesse que veio ao mundo em Crato. Faleceu em 1904. Provavelmente em Caririaçu. Restaram dele a tradição oral de suas improvisações poéticas, sempre inspiradas quando estava sob o efeito de conhecido produto dos alambiques caririenses. Abaixo duas delas:

‘Terra boa é o Cariri,
tem mangaba e tem pequi,
tem muita moça bonita
e cabra bom no fuzi.
Mas arredó de sete légua
tem cabra fi duma égua,
que nega até um pequi”

Noutra ocasião, Zé de Matos versejou sobre as “famílias tradicionais”

“Nunca vi Teles valente
nem Quezado trabalhador,
Pinheiro inteligente
e Alencar rezador
da Família dos Bezerra
só o Zeca dos Currais
mesmo assim não é certo,
dá prá frente e dá prá trás”

As reservas fossilíferas do Cariri

    A Chapada do Araripe, caracterizada por sua rica biodiversidade, foi pioneira na criação da primeira floresta protegida do Brasil. Há mais de setenta anos – quando não se falava em ecologia ou biodiversidade – através do Decreto n° 9.226, de 02 de maio de 1946, o Governo Federal criou a primeira reserva florestal do Brasil: a Floresta Nacional do Araripe. Em 1997, ela foi ainda mais protegida, desta feita com a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe.
        Lá fica, também, outra riqueza que remonta a milhões de anos: as maiores jazidas fossilíferas do período cretáceo em todo o planeta. São os fósseis de peixes e até de pterossauros. A Bacia Sedimentar da Chapada do Araripe é considerada um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.

A verticalização de Juazeiro do Norte


    Até o início do presente século, poucos eram os grandes edifícios existentes na conurbação Crajubar. Capitaneada por Juazeiro do Norte, as construções de grandes prédios residenciais se alastram pelas áreas citadinas do Crajubar. Maior cidade do Cariri, Juazeiro do Norte passa por um processo de verticalização. Esta cidade se tornou um polo de desenvolvimento de uma das mais ricas regiões do Ceará. A Terra do Padre Cícero conta com uma boa infraestrutura atendendo às diversas áreas, como educação, saúde, malha aeroportuária e rodoviária, dentre outras. A economia de Juazeiro do Norte exerce hoje influência sobre uma população estimada em três milhões de habitantes, espalhada por municípios limítrofes do Cariri com os estados da Paraíba, Pernambuco e Piauí e todas as cidades do centro-sul do Ceará.

O livro do mês de agosto


  Raro é o mês do ano que não temos lançamento de um novo livro em Crato. No último dia 14 de agosto – data do Jubileu de Prata da ordenação episcopal de Dom Fernando Panico – amigos deste bispo lançaram o livro “Corações ao alto”. Uma publicação com depoimentos e testemunhos sobre o edificante ministério deste bispo, nas duas dioceses de onde foi titular: Oeiras–Floriano (PI) e Crato (CE). Organizado por Enoque Fernandes de Araújo e publicado pela Gráfica JB, de João Pessoa (PB), o livro tem 174 páginas e 9 capítulos. Cada um escrito por Armando Lopes Rafael, Pe. Acúrcio de Oliveira Barros, Madre Maria Aparecida Couto (Abadessa do Mosteiro Beneditino de Juazeiro), Eduardo Henrique Valentim, Aroldo Braga, Irmã Annette Dumoulin e Maria do Carmo Pagan Forte.
 
    São revelados, no livro, detalhes pouco conhecidos de Dom Fernando Panico, destacando sua fidelidade ao Evangelho, o serviço aos pobres, aos romeiros do Padre Cícero e ao compromisso com uma Igreja orante e missionária, onde é realçado o perfil da ação evangelizadora do atual Bispo-emérito de Crato.

O livro do mês de setembro

      Abaixo, o convite para o lançamento do livro póstumo de Manoel Patrício de Aquino (Nezinho) que ocorrerá na noite do próximo dia 6 de setembro, na sede do  Instituto Cultural do Cariri.

Missão Velha e a “Proclamação da República”

A belíssima igreja-matriz de São José de Missão Velha

  Leitor de “Caririensidade”, o historiador missãovelhense João Bosco André escreveu-nos para concordar com a nota (publicada na coluna da semana passada), sobre o mandonismo dos “coronéis”, novos detentores do poder municipal, após o golpe militar de 15 de novembro de 1889.  Aquela quartelada derrubou a monarquia constitucional do Brasil e impôs – sem apoio popular – o regime republicano na nossa pátria.   No livro que João Bosco André escreveu (“Documentos para a história de Missão Velha”, na página 114) ele resgata o fato de a Câmara de Vereadores, daquela cidade, a exemplo da de Crato, só reconhecer o novo governo republicano 1 (um) mês e 5 (cinco) dias depois da queda da monarquia.

     Qual o motivo dessa demora? João Bosco André dá sua versão:  “Vê-se claramente que os vereadores de Missão Velha estavam reticentes (em cima do muro) com medo de o novo regime republicano não dar certo”. Não só isto. O historiador missãovelhense complementa o comentário: “O Vereador Róseo Jamacaru, renunciou (ao mandato) em 13 de fevereiro de 1890 (três meses depois do golpe militar), alegando que seus colegas vereadores eram mais monarquistas do que republicanos”.

Escritores do Cariri: Raimundo de Oliveira Borges

   Nasceu na vila de São Pedro do Crato – depois São Pedro do Cariri, (hoje Caririaçu) – em 02 de julho de 1907.Faleceu com mais de 102 anos, em 10 de julho de 2010. Jurista, historiador e escritor. Foi diretor das 3 Faculdades pioneiras de Crato: a de Filosofia, a de Ciências Econômicas e a de Direito. Presidente, em vários mandatos, do Instituto Cultural do Cariri. Escreveu cerca de 30 livros sobre os mais variados temas, frutos de meticulosas pesquisas, a exemplo de “O Coronel Belém de Crato, um injustiçado”; “Memória Histórica da Comarca do Crato”; “O Padre Cícero e a Educação em Juazeiro”; “Serra de São Pedro”; “Crato intelectual”.
   Foi Secretário da Prefeitura de Crato; Promotor Público em várias comarcas e, depois de aposentado, advogou por várias décadas. Foi político. Presidente, diversas vezes, da Expocrato; do Rotary Clube de Crato e da Associação dos Criadores de Crato. Prestou relevantes serviços à região Sul-cearense, a exemplo da Campanha de Eletrificação do Cariri.
   Ao falecer, seus filhos transformaram sua residência (localizada no centro de Crato, em frente à Reitoria da URCA) no “Memorial Raimundo de Oliveira Borges”. Um grande escritor, um exemplar cidadão e chefe de família; um homem de bem a toda prova!

História: Quem fundou Juazeiro do Norte? A opinião de Amália Xavier de Oliveira


Juazeiro Primitivo - óleo sobre tela de Assunção Gonçalves.
A casa grande, à esquerda, pertencia ao Brigadeiro Leandro.À
direita,a capelinha  de Nossa Senhora das Dores.

     A educadora e historiadora Amália Xavier de Oliveira sempre defendeu que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador de Juazeiro do Norte. Num dos livros que escreveu (“O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro do Norte”, 3ª edição, Editora Massangana, 1981, página 33) Amália afirmou:

Com o falecimento do Brigadeiro, ocorrido em 1831, as terras onde havia sido edificada a capelinha de Nossa Senhora das Dores e as que foram destinadas ao patrimônio da mesma, passaram aos herdeiros do Brigadeiro, ficando no espólio de dois de seus filhos: Gonçalo Luiz Teles de Menezes e Joaquim Antônio Bezerra de Menezes. Estes doaram aquelas terras ao patrimônio de Nossa Senhora das Dores conforme ainda hoje existe e cuja escritura está no Cartório de Crato. Estas duas certidões cujas cópias tenho em meu poder e poderão ser vistas no original do 1º Cartório de Crato, são suficientes para confirmar que o fundador do Povoado de Juazeiro, iniciado com a construção da Capelinha, foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e os primeiros povoadores foram os seus descendentes, existindo ainda hoje muitos deles aqui representados pela família Bezerra de Menezes espalhada em todo o Ceará e ainda em diversos estados do Brasil"(Grifos meus).