18 agosto 2018

25 anos da sagração episcopal de Dom Fernando Panico – por Armando Lopes Rafael

Livro lançado no último dia 14, para marcar a passagem
dos 25 anos de ordenação episcopal de Dom Fernando

      No último dia 11 de agosto, a população católica do Sul do Ceará  comemorou o jubileu de prata da sagração episcopal do 5º Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico. A solenidade ocorreu às 17:00 horas, constando de uma Santa Missa celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Penha.

      Decorridos quase dois anos, desde que Dom Fernando Panico tornou-se bispo-emérito da nossa diocese, e passando ele a residir na cidade de João Pessoa, já se vislumbra uma análise serena e imparcial da sua passagem como Bispo da Diocese de Crato. Dom Fernando reservou seu lugar na história desta Diocese, graças à consecução – junto à Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano – da reconciliação histórica da igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Esta era uma ferida que ficou aberta por longas décadas. Até que Dom Fernando Panico conseguiu cicatriza-la.

       Mas não só isso.  Dom Fernando foi um dos mais dinâmicos bispos dentre os que sentaram no Sólio Episcopal de Crato. Durante dezesseis anos e meio, período que foi Bispo de Crato, Dom Fernando valorizou as romarias e priorizou o acolhimento aos romeiros do Padre Cícero, com novas atitudes e um cuidado pastoral para com esses romeiros.

         Dom Fernando realizou as Santas Missões Populares, preparadas ao longo de três anos, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese, tendo como sede a cidade de Juazeiro do Norte. Conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Criou treze novas paróquias e quatro novos Santuários Diocesanos.

         Outra grande realização de Dom Fernando Panico foi a construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ele também deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

            No seu fecundo episcopado dom Fernando Panico ordenou sessenta e oito novos padres para a nossa diocese. Foi também ele quem instituiu o Diaconato Permanente, tendo ordenado trinta e nove diáconos permanentes.  Também foi iniciativa de Dom Fernando Panico a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri. Deve-se a ele a criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, formando sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba.

             Foi abrangente a ação de Dom Fernando! Foi dele a iniciativa de entregar a administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como veio a ocorrer com várias instituições hospitalares do Cariri.

               Outra iniciativa de Dom Fernando foi a construção dos dois blocos que hoje compõem a nova Cúria Diocesana. Deve-se também a ele a construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Grangeiro, em Crato.

                O “bispo italiano”, como era chamado por alguns, realizou muitas outras coisas, mas ficaria longo enunciá-las. Resta lembrar que durante o seu episcopado – a exemplo do que ocorreu com dom Vicente Matos –, Dom Fernando também sofreu uma campanha de incompreensões e maledicências, por parte de uma minoria. Diante delas ele agiu com equilíbrio e superioridade. Nunca revidou com a mesma moeda. O máximo que Dom Fernando fez em sua defesa foi recorrer – como uma pessoa civilizada – à Justiça dos homens, pedindo a retratação dos seus acusadores. Ou divulgando manifestos de solidariedade que recebia de importantes segmentos da sociedade brasileira, dos fiéis diocesanos e de destacados irmãos de episcopado.

              O tempo é o Senhor da razão, diz o adágio. Passados aqueles tempos, serenados os ânimos; feito um balanço equilibrado da administração episcopal de Dom Fernando Panico – à frente da Diocese de Crato –, constata-se que ele foi um grande bispo. E é isto que ficará registrado para a história da Diocese de Crato...

Crônica do domingo: A monarquia segue forte e popular na Espanha


     Nós, brasileiros, infelizmente sabemos bem: A monarquia tem feito imensa falta no Brasil, desde o golpe republicano de 15 de novembro de 1889. Somente se ocorrer a restauração da Monarquia Constitucional o Brasil poderá alcançar a verdadeira grandeza à qual foi destinada pela Divina Providência. Pois teríamos, novamente, um Imperador velando sobre o bom funcionamento das instituições e inibindo as más-tendências dos homens e mulheres públicos. E a Família Imperial serviria como espelho e exemplo das melhores virtudes do povo brasileiro

      De acordo com recente pesquisa de opinião, encomendada pelo jornal “ABC España”, o Rei Dom Felipe VI da Espanha conta com a aprovação de quase 8 entre cada 10 espanhóis, totalizando cerca de 75% da população do País, o maior índice de aprovação popular alcançado pelo Soberano desde a restauração da Monarquia Constitucional na Espanha, em 1975.
A pesquisa também indicou que os outros membros adultos da Família Real Espanhola – a atual consorte, a Rainha Dona Letizia, e os pais do Soberano, o Rei Dom Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Dona Sofía (nascida Princesa da Grécia e Dinamarca) – também possuem bons índices de aprovação popular.

     Tendo ascendido ao Trono em 2014, após a abdicação de seu pai, o Rei Dom Juan Carlos I, também muito popular e venerada por seu povo, justamente por ter trazido a democracia – a verdadeira democracia, coroada – para a Espanha, o atual Monarca tem sido visto pelos espanhóis como o principal garantidor da estabilidade institucional do País, tendo recentemente enfrentado, de forma muito bem sucedida, a tentativa de golpe de Estado das lideranças separatistas da região da Catalunha – a exemplo de seu pai, que, em 1981, rechaçou uma tentativa de golpe militar.

      Além desses fatores, o Soberano também é visto como símbolo de continuidade – trazendo consigo o milenar legado dos Reis e Rainhas que governaram a Espanha mesmo antes de sua unificação, no século XV, ao mesmo tempo em que encarna o presente e prepara o futuro da venerabilíssima instituição monárquica, na pessoa de sua primogênita e herdeira, a Princesa das Astúrias, Dona Leonor de Bourbon, de 12 anos de idade – e de unidade – permanecendo acima das paixões políticas e das querelas partidárias, representando a totalidade do povo espanhol, seus valores e costumes.

Foto abaixo: O Rei Dom Felipe VI da Espanha.

Começa neste sábado, 18, a Festa de Nossa Senhora da Penha


 O Santuário da Penha de França
Por: Padre Raimundo Elias
(Matéria publicada originalmente, neste Blog, em agosto de 2010)

Por ocasião dos Festejos de N. Senhora da Penha em Crato

"Meu caro Dihelson,
 Por ocasião do início da Festa de Nossa Senhora da Penha, previsto para o dia 21 deste, e por saber que as origens dessa devoção, aí em Crato, encontram-se na Penha de França, aqui na Espanha, estou lhe enviando este artigo, acompanhado de algumas fotos de quando lá estive, ano passado. Por gentileza, peço que você veja e, naturalmente, se julgar útil e oportuno, publique no 'nosso' (afinal, abro todos os dias) Blog do Crato.
  Atenciosamente,
Pe. Raimundo Elias."

AFINAL, A PENHA DE FRANÇA FICA NA ESPANHA
 Vales e montanhas vistos a partir do Santuário de Penha
O Santuário de Penha de França, propriamente dito
A serra da Penha de França
Chegada ao santuário da Penha
A imagem atual da Penha
A subida ao santuário da Penha

   A Penha de França é uma montanha que se ergue a 1.723 metros de altura, situada ao sul da província de Salamanca, na Espanha. É, sem dúvida, a montanha mais elevada da Serra de França, na qual foi edificado o santuário mariano mais alto do mundo. Conhecida pela sua “Virgem Negra” e seu imponente santuário, a Penha de França é praticamente inacessível no inverno, por causa da neve e, por outro lado, tem grande afluência de turistas nos meses de verão na Europa. Dispõe de uma grande hospedaria, além do convento onde residem os frades dominicanos, desde o ano de 1437.

   Aliás, segundo conta a história, é em torno dessa data que o bispo de Salamanca, ao ver que a montanha da Penha estava sendo objeto de fortes disputas de poder entre alguns proprietários locais, cede ao provincial dos dominicanos os direitos sobre a ermida construída naquele monte. Alguns meses depois, uma comunidade de cinco frades dominicanos assume canonicamente a ermida em causa. Em pouco tempo, o número de religiosos da comunidade estabelecida na Penha, cresceu rapidamente e fincou raízes naquela região. Nos primeiros anos do século XVI (entre 1500 e 1510), a comunidade dominicana já contava com mais de vinte religiosos, dos quais muitos partiram como missionários pelo mundo afora, sobretudo, para América e Extremo Oriente. Foram eles, portanto, os principais impulsionadores da devoção da Penha naquelas terras.

    Ora, não deixa de ser estranho o nome de Penha de França que se dá a serra e à montanha onde se descobriu a imagem da Virgem. Afinal, são terras espanholas e não francesas. O motivo deste nome, porém, não se sabe ao certo. O que se sabe é, tão somente, da existência de uma colônia francesa que figura dentre aqueles que repovoaram a província de Salamanca no século XI, a exemplo do que ocorreu mais tarde com outras cidades, tais como: Toledo, Córdoba e Sevilla. Isto, talvez, explique o motivo pelo qual tenha sido dado o nome de “França” àquela Penha.

A origem da imagem da Virgem da Penha de França

    A imagem original da Virgem da Penha foi encontrada pelo francês Simón Vela em 19 de maio de 1434. Tratava-se de uma escultura de estilo românico, provavelmente do século XII, que representava a Virgem sentada, segurando o filho em suas mãos e que, supostamente, havia sido escondida por trás do penhasco, no alto da Penha de França, na época das lutas entre mouros e cristãos. A escultura original permaneceu no santuário até o dia 17 de agosto de 1872, data em que foi roubada, aproveitando a situação de abandono em que se encontrava o santuário. Porém, em dezembro de 1889, os ladrões devolveram a imagem aos dominicanos de Santo Estêvão, em Salamanca. E por ter sido devolvida em estado irrecuperável, o bispo da Diocese de Salamanca encomendou ao escultor José Alcoberro, uma nova imagem que incorporasse a ela os restos da primeira, em forma de relíquia. E assim foi feito. Portanto, a segunda imagem, feita por este citado escultor, é a que atualmente se venera no santuário da Penha.

A história da Tradição Religiosa da Penha de França.

    Houve um tempo em que nada de importante acontecia no mundo sem que uma vidente o anunciasse e um homem santo o sonhasse. Na descoberta da Virgem da Penha de França, não foi diferente. A vidente era Joana e o santo sonhador, Simón Vela. Conta a lenda e a tradição, que uns dez anos antes que fosse encontrada a imagem da Virgem da Penha, em um povoado que fica a uns vinte e cinco quilômetros da Serra da Penha, chamado Sequeros, vivia uma jovem piedosa de nome Joana. Quando esta jovem, em consequência de uma longa e grave enfermidade, parecia ter morrido e todos já choravam a sua morte, inesperadamente, voltou a si e começou a anunciar aos seus pais as calamidades que sofreriam por conta das muitas injustiças que praticaram e das propriedades por eles mal adquiridas. Depois, dirigindo-se a sua mãe, como que buscando consolá-la, disse-lhe: “volta o teu rosto para a Penha de França, põe-te de joelhos e com fé e devoção, reza três Ave Marias em honra e reverência a uma Virgem que lá está escondida há duzentos anos. E logo sentirás descanso em teu coração. Dita imagem, em pouco tempo, há de ser manifestada e, por meio dela, Nosso Senhor fará muitos milagres e maravilhas. E depois que a imagem tiver sido revelada, virão muitas pessoas de todas as nações, reverenciá-la naquela montanha.”

Além disso, a vidente anunciou que no Dia da Santa Cruz, ao por do sol, apareceriam três cruzes, uma delas sobre a Penha de França, “de onde a gloriosa imagem haverá de revelar-se a um homem bom e, em homenagem à Mãe de Deus, se construirá um Mosteiro da Ordem dos Pregadores (dominicanos), que será um lugar de muita devoção.” A memória da Vidente de Sequeros perdurou no tempo, sendo recordada por todos como a “Moça Santa de Sequeros”.

Por outro lado, Simón Vela nasce em Paris no ano de 1384. Seus pais, Rolán e Bárbara, eram nobres e ricos. Mortos estes, juntamente com sua única irmã, Simón, que tinha apenas 17 anos, aplica todo o seu patrimônio familiar em obras de caridade e beneficência e se refugia em um mosteiro franciscano. Ali, recebe as primeiras informações sobre uma suposta imagem da Virgem oculta na Penha de França. Depois de deixar o mosteiro e procurar, sem êxito, por nove anos seguidos, a Penha de França em seu país, se une a um grupo de peregrinos que viaja a Santiago de Compostela, na Espanha. De lá, segue para Salamanca, onde se hospeda por algum tempo.

    Um belo dia, em uma Praça de Salamanca, escuta a conversa de uns serranos sobre a Penha de França e resolve segui-los. Depois de dedicar alguns dias à procura da imagem, entre os campos e penhascos da Penha, é surpreendido por uma tormenta no alto da montanha e uma pedra, desprendida por um raio, o fere na cabeça. Estando velando com sua habitual oração, ouviu uma voz que lhe disse: “Simón, vela e não durmas”. Na noite seguinte, viu um grande resplendor e uma Senhora Belíssima que lhe disse: “aqui cavarás e o que encontrares o colocarás no mais alto do penhasco e farás uma majestosa casa.”

    Simón, volta a casa onde estava hospedado e, no dia seguinte, regressa à Penha acompanhado de cinco vizinhos. Lá chegando, começam a separar algumas rochas no lugar onde Simón havia tido a visão e descobrem, por detrás delas, a imagem da Virgem. Prontamente, ajudado por pessoas da vizinhança, Simón ergue uma pequena cabana no lugar onde haviam encontrado a imagem. Três meses depois, inicia a construção da capela no alto do penhasco, para onde a levam. Sabe-se que, desde 19 de maio de 1434, quando foi encontrada a imagem, até 11 de março de 1438, quando do seu falecimento, Simón Vela trabalhou incansavelmente na construção do novo santuário mariano. Nesse meio tempo, em 1437, os frades dominicanos vieram assumir a responsabilidade sobre a Penha de França e foram eles as testemunhas da morte de Simón Vela e depositários de sua última mensagem: “depois da minha morte, se manifestarão na Penha as imagens de Santiago, Santo André, Santo Cristo, Santa Catarina e um sino”. (Até o momento, só as suas primeiras foram encontradas).

    Uma formidável expansão alcançou o culto à Virgem da Penha, entre os séculos XVI e XVIII, obedecendo, fundamentalmente, a dois fatores. Por um lado, ao apoio que o santuário recebeu, desde o início, tanto das autoridades civis como das religiosas e, por outro, à impetuosa corrente de religiosidade popular que despertou a devoção em torno da imagem aparecida no mais alto daquele penhasco. E, assim, reis e papas não pararam de promover e incentivar a imensa devoção popular que suscitou a imagem encontrada por Simón Vela.

    A proteção oficial e a religiosidade popular provocaram uma verdadeira enchente de donativos, possibilitando a construção do santuário, do convento, da hospedaria e, depois, no começo do século XVI, a edificação de outras magníficas instalações que vieram completar a obra arquitetônica que chegou aos nossos dias. Inclusive, a lista de posses e joias que o santuário foi acumulando através destes séculos de esplendor, preenche muitas e muitas páginas de algumas histórias que sobre ele se escreveram ao longo dos anos. Todavia, de acordo com inúmeros testemunhos, o santuário sempre buscou administrar tão rico patrimônio, procurando reverter as suas rendas em favor dos peregrinos que o visitavam e dos numerosos pobres da região. Oxalá que assim o seja!

(Do texto em espanhol: “Peña de Francia”, de autoria de Ángel Pérez Casado. )

Fotos, Tradução e Adaptação do texto: Pe. Raimundo Elias Filho