10 agosto 2018

250 anos de criação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha

  Criada em 4 de janeiro de 1768, pelo 8º Bispo de Pernambuco – Dom Francisco Xavier Aranha –   a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, de Crato, foi desmembrada da Paróquia de São José, de Missão Velha. Naquele tempo o Ceará pertencia à Diocese de Olinda.

   Originou-se a matriz cratense de uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, construída – por volta de 1740 – pelo capuchinho italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara. Este frade foi o fundador do aldeamento da Missão do Miranda, núcleo inicial da atual cidade de Crato. A “missão” foi criada para abrigar e prestar assistência religiosa às populações indígenas que viviam espalhadas ao Norte da Chapada do Araripe.

   Em janeiro de 1745, Frei Carlos Maria de Ferrara colocou na igrejinha uma placa de pedra, oficializando a consagração que fizera do templo a Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha e, em segundo plano, a São Fidelis de Sigmaringa, este último oficializado – em 2014 – como co-padroeiro de Crato.

    Em 1914, com a criação da Diocese de Crato, a matriz de Nossa Senhora da Penha foi elevada à categoria de Sé, ou seja, tornou-se a Catedral e Igreja-Mãe; o templo mais importante da diocese, pois é lá que fica a cátedra (cadeira) do bispo (também chamada Sólio Episcopal). 

    Nos dias atuais, a Catedral de Nossa Senhora da Penha é o espaço sagrado e histórico mais importante da cidade de Crato. É o lugar-sinal de comunhão e da unidade da Diocese e também da comunhão com a Igreja Universal. A Catedral de Crato possui um rico patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso que é um orgulho para a população de todo o Cariri.
Catedral de Crato na década 1930

A cura milagrosa da Princesa Isabel


Foto da Princesa Isabel, tirada no exílio. A Família Imperial Brasileira teve
o mais longo exílio já imposto a brasileiros, nos 518 anos da existência
de nossa pátria

Estando a Família Imperial do Brasil forçosamente exilada desde o golpe republicano de 15 de novembro de 1889, a Princesa Dona Isabel, a Redentora, tendo se tornado Chefe da Casa Imperial do Brasil, e seu marido, o Conde d’Eu, estabeleceram-se na França, passando parte do ano no Palacete de Boulogne-sur-Seine, nos arredores de Paris.

Ali, em um ritmo muito mais cosmopolita, a vida social era mais intensificada, alterando-se um tanto em relação ao ritmo bucólico da vida no Castelo d’Eu, na Normandia, onde a Família Imperial passava a outra parte do ano. Em Boulogne, a Redentora recebia ainda maior número de brasileiros residentes em Paris, ou que por lá passavam (a residência era uma espécie de “embaixada informal” do Brasil), e, por sua vez, visitava sua numerosa parentela, como também hospitais e instituições de caridade, que dependiam do seu apoio financeiro.

Certa feita, a Chefe da Casa Imperial visitou, na Rue du Bac, a célebre capela em que Nossa Senhora apareceu, em 1830, a Santa Catarina Labouré, e lhe revelou a Medalha Milagrosa – devoção que rapidamente se espalhou pelo mundo inteiro. Na capela, as freiras quiseram que Sua Alteza se sentasse em uma cadeira objeto de especial veneração: a mesma em que a própria Santíssima Virgem se sentara!

A Redentora, por humildade, recusou a oferta, dizendo que não era digna de tamanha honra, mas as religiosas insistiram a tal ponto que Sua Alteza, depois de se persignar, sentou-se um só momento... E logo se levantou, curada de umas incômodas dores, que havia muito a atormentavam. A Chefe da Casa Imperial chegou a depor oficialmente no processo de beatificação da vidente, dando testemunho dessa e de outras graças recebidas.

(Baseado em trecho do livro “Dom Pedro Henrique – O Condestável das Saudades e da Esperança”, do Prof. Armando Alexandre dos Santos).

Outra vez aqui - Por: Emerson Monteiro


E nisso regressar sempre mais perto ao ponto em que, nalguma ocasião, o sentimento criara raízes e ferira de morte a solidão. Bem no âmago de si, no auge das cordilheiras da alma, e mergulhar os abismos da consciência numa espécie de atitude presente em tantos chamamentos. Quando a disposição de reviver o momento refaz essa disposição interior de seguir solto nas ondas desse mar imenso, alheio que seja aos sentidos só aparentes da realidade das sombras. Admitir existisse vida em tudo, ainda que as marcas deixadas pelo desespero insistissem guardar na desistência os valores da Eternidade presente.

Sucumbir no tom ácido dos objetos em decomposição, entretanto ciente das certezas em dias menos bizarros, quais atores imbatíveis das aventuras, mocinhos de novas histórias, andarilhos das florestas imaginárias aonde há uma luz que nos aguarda... Nessas horas, chegam antigas dívidas, restos das paixões alucinadas, feiticeiras das noites de sábado. Contudo elas andam pelas calçadas que transformam.

Crescem nisso as nuvens e marcas dos astros que percorrem o trilho das possibilidades, sinais indicativos de grandiosas mudanças logo ali adiante de erros que nesse lugar um dia se deram. Foram muitas as oportunidades, no entanto largadas no querer das massas. Preencheram o fastio das madrugadas em jeito de duras equações de prazer no trinco das contradições. Dormiram todos e jamais reviverão passados remotos que alimentavam de amores tortos através de dores profundas.

Até este dia, hora de rever as paisagens da infância e sorrir lá dentro por meio dos animais, olhar nos raios de sóis infinitos, persistentes, constantes, de memórias que resistem ao tempo, ou são partes do poder de querer no seio da vontade. Olhos acesos nas saudades vivas no coração e na paz dos seres, a força do inesperado toma conta de tudo em volta.