06 agosto 2018

Missa pelos 25 anos da sagração episcopal de Dom Fernando Panico


    No próximo 11 de agosto, um dia de sábado, a população católica do Sul do Ceará vai comemorar o jubileu de prata da sagração episcopal do 5º Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico. A solenidade ocorrerá às 17:00 horas, constando de uma Santa Missa, a ser celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Penha.

Decorridos quase dois anos, desde que Dom Fernando Panico tornou-se bispo-emérito da nossa diocese, e passando ele a residir na cidade de João Pessoa, já se vislumbra uma análise serena e imparcial da sua passagem como Bispo da Diocese de Crato. Dom Fernando reservou seu lugar na história desta Diocese, graças à consecução – junto à Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano – da reconciliação histórica da igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Esta era uma ferida que ficou aberta por longas décadas. Até que Dom Fernando Panico conseguiu cicatriza-la.

       Mas não só isso.  Dom Fernando foi um dos mais dinâmicos bispos dentre os que sentaram no Sólio Episcopal de Crato. Durante dezesseis anos e meio, período que foi Bispo de Crato, Dom Fernando valorizou as romarias e priorizou o acolhimento aos romeiros do Padre Cícero, com novas atitudes e um cuidado pastoral para com esses romeiros.

         Dom Fernando realizou as Santas Missões Populares, preparadas ao longo de três anos, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese, tendo como sede a cidade de Juazeiro do Norte. Conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Criou 13 novas paróquias e 4 novos Santuários Diocesanos. Organizou as comemorações dos 100 anos de criação da Diocese de Crato, quando veio até nós o enviado do Papa Francisco, o cardeal Dom João Braz Aviz. Antecedendo à festa, foram construídas -- entre 2012 e 2014 - 142 novas capelas no território da Diocese. A meta era construir 100 capelas, meta que atingiu quase ,150% do planejado.

         Outra grande realização de Dom Fernando Panico foi a construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ele também deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

            No seu fecundo episcopado dom Fernando Panico ordenou 68 novos padres para a nossa diocese. Foi também ele quem instituiu o Diaconato Permanente, na Diocese de Crato,  tendo ordenado 39 diáconos permanentes.  Também foi iniciativa de Dom Fernando Panico a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri. Deve-se a ele a criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, formando sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba.

             Foi abrangente a ação de Dom Fernando! Foi dele a iniciativa de entregar a administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como veio a ocorrer com várias instituições hospitalares do Cariri.

               Outra iniciativa de Dom Fernando foi a construção dos dois blocos que hoje compõem a nova Cúria Diocesana. Deve-se também a ele a construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Granjeiro, em Crato.

                O “bispo italiano”, como era chamado por alguns, realizou muitas outras coisas, mas ficaria longo enunciá-las. Resta lembrar que durante o seu episcopado – a exemplo do que ocorreu com Dom Vicente Matos –, Dom Fernando também sofreu uma campanha de incompreensões e maledicências, por parte de uma minoria. Diante delas ele agiu com equilíbrio e superioridade. Nunca revidou com a mesma moeda. O máximo que Dom Fernando fez em sua defesa foi recorrer – como uma pessoa civilizada – à Justiça dos homens, pedindo a retratação dos seus acusadores. Ou divulgando manifestos de solidariedade que recebia de importantes segmentos da sociedade brasileira, dos fiéis diocesanos e de destacados irmãos de episcopado.

                   O tempo é o Senhor da razão, diz o adágio. Passados aqueles tempos, serenados os ânimos; feito um balanço equilibrado da administração episcopal de Dom Fernando Panico – à frente da Diocese de Crato –, constata-se que ele foi um grande bispo. E é isto que ficará registrado para a história da Diocese de Crato...

(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)