30 julho 2018

Sentido de viver II - Por: Emerson Monteiro


Quando falamos da incapacidade de mudar uma situação, enfrentamos o enorme desafio de mudar a nós mesmos.
                                                                                   Viktor E. Frankl

A finalidade disto, de estar aqui, no desvendar do mistério de existir. Lição principal, vez que defronte dela nos vemos a todo instante. Malas prontas à continuar vidas afora, razão essencial de levar adiante o sentido de somar os elementos que motivam viver. A isto denominam sentido. Há um autor, Viktor Emil Frankl, judeu austríaco que esteve prisioneiro em três dos campos de concentração nazistas na Segunda Grande Guerra, que trabalhou a necessidade deste sentido de viver, a justificar o objetivo das ações dos humanos enquanto neste chão. Doutra vezes, noutra ocasião, eu falara disto, desses estudos, a que seu autor converteu numa técnica, a Logoterapia, a terapia do Sentido.

Antes da guerra, ele buscava essa importância de todos termos uma razão principal que justifique cruzar a barreira do tempo e seus desafios e jamais perder a fleuma de levar em frente o comboio da existência. Este sentido interior oferece força suficiente a ultrapassar dificuldades e criar consistência de vencer os limites da personalidade, no tempo e no espaço. Seja a realização de uma obra social, a concretização de um talento, os amores, os sonhos, a família, a religião, as ideias, os ideais, as produções empresariais, as viagens, os reencontros, as justificativas de revelar a que vale a pena ser feliz.

Daí a importância dos credos, das leis, dos grupamentos e das vontades que norteiam o domínio do ser sobre a natureza, traços do invisível na história das criaturas, em que todos lá um dia descobriremos, no justo fator de tocar mais além, o desejo soberano de sobreviver às intempéries dos dias e sustentar  apego de encontrar a Verdade superior através de nós e do mundo.

Isto em forma de ciência traz sabor de religiosidade e respeito uns pelos outros, conquanto isto em vista de anotar o trilho aonde evoluir e chegar às revelações daquilo a que viemos e devemos viver até construir um caráter definitivo.

Lifanco - Por: Emerson Monteiro


Quero falar a propósito de um músico contemporâneo de nossa Região, Francisco Macário da Silva Filho, Lifanco Kariri, nascido em Juazeiro do Norte a 14 de julho de 1955, que desde cedo que descobriria a vocação musical. A primeira vez que ouvi Beatles, a música tornou-se minha companheira inseparável. Aos 15 anos me aventurava mundo afora vendendo cítara, um pequeno instrumento que fabricavam em Juazeiro. Já sabia alguns acordes que aprendi graças a um vizinho que, vendo minha atenção, não se negou a me emprestar seu violão enquanto estava no trabalho.

Nas suas andanças pelo mundo, aonde chegava procurava se enturmar com os músicos locais, resultando fazer parte de bandas de baile e apresentações autorais, formas que achava de ajudar financeiramente a família.

De volta ao Cariri, continuou a tocar em bandas e a participar de festivais de música, tendo, inclusive, obtido boas colocações em festivais de outros estados. Passaria a frequentar os grupos da cidade de Crato, envolvendo-se na cultura local e trabalhado com seus artistas, dentre esses Abidoral Jamacaru, de quem cuidou da direção e dos arranjos de várias das suas músicas, o que lhe abriria portas a que fizesse trilhas de peças de teatro, de curtas metragens, e trabalhasse com outros compositores e intérpretes.

Daí, Lifanco se integrou à cultura cratense e hoje reside na cidade e a adotou como segunda pátria, iniciando atividade na comunidade da Vila Lobo com crianças dessa área, em manifestações populares infantis junto ao Reisado do Mestre Aldenir, e gravaria CD independente com músicas compostas a partir das histórias contadas pelas próprias crianças, pessoas e mestres da cultura popular. Adiante mudaria o nome do trabalho para Reisado Nação.

Na produção desse artista existem mais CDs gravados, dentre eles Alpendres do Brasil e, mais recentemente, Valores, estes ainda sem um lançamento oficial. É também da criação de Lifanco os arranjos de compacto duplo realizado nas homenagens dos 80 anos do poeta Patativa do Assaré, 80 anos de luz, patrocinado pela Universidade Regional do Cariri.

Conheço Lifanco Kariri há bom tempo, face à sua presença nos movimentos artísticos regionais, o que evidencia o quanto de talento possui e que o manifesta entre nós, a promover espetáculos nas oportunidades quando manifesta boa vontade e dedicação ao que realiza, exemplo aos tantos músicos das novas gerações.

30 de julho: aniversário da Princesa Isabel, a Redentora


Fonte: Instituto Cultural D. Isabel I,  a Redentora 

D. Isabel em imagem inédita.
Atelier Boissonnas & Taponier.
Rue de la Paix, Paris (c. 1919)

     Há 172 anos nascia, em São Cristóvão, no Paço da Imperial Quinta da Boa Vista, a filha e herdeira de D. Pedro II do Brasil. O Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora--IDII tem a grata satisfação de divulgar que será lançado, provavelmente em outubro próximo, o maior livro já escrito sobre a personagem.

     Em Alegrias e tristezas: estudos sobre a autobiografia de D. Isabel do Brasil, os textos autobiográficos são reunidos às análises de dois especialistas sobre a governante: a historiadora e arquivista Maria de Fátima Moraes Argon, presidente do Instituto Histórico de Petrópolis e pesquisadora-chefe do Arquivo Histórico do Museu Imperial e o historiador e advogado Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, fundador do IDII e indigenista da Funai. Fátima Argon trabalha a escrita de si e a interseção no percurso biográfico daquela que teria sido D. Isabel I na transição do século XIX para o XX, enquanto Antunes de Cerqueira analisa as implicações teóricas que a história da historiografia da personagem aportam aos estudos sobre esse período de transição. O livro traz ainda a Cronologia isabelina e isabelista e uma tabela com todos os homens e mulheres que D. Isabel nobilitou, pessoalmente ou por vias transversas.

    A regente do Império que sai da pesquisa, encetada pelos dois autores durante os últimos 20 anos, nada tem a ver com a personagem minimizada pela historiografia convencional, assim como se distancia do pálido e eventualmente caricato objeto de culto do abolicionismo monarquista. De outro lado, a catolicidade de D. Isabel é esmerilhada até o ponto em que se torne possível a compreensão de uma "rede de sentidos" para uma hipotética canonização dela por parte da Santa Sé.

O prefácio e a contracapa são, respectivamente, de Teresa Malatian e Isabel Lustosa. A obra, com mais de 600 páginas, recheada de fotos inéditas, é mais uma parceria entre o IDII e a Linotipo Digital Editora e Livraria, de São Paulo.