25 julho 2018

Dor e realidade - Por: Emerson Monteiro


Isto porque a ausência de realidade leva a sentir dor; na dor, a ilusão de quando se desfazem as paixões; por exemplo, quanto preço, quanto preço cobra o mercado das ilusões. O freguês espera, que virá sempre e nunca mais... Mais cedo, menos cedo, chega a conta dos vacilos numa bandeja de latão. Vem acima, vai abaixo, e há de carregar o preço do que consumiu às vezes dentro das tremendas irresponsabilidades, ao sabor do sofrimento alheio. Da ausência de respeito pela dor alheia. Quanto acontece a todo instante nesse mar de sargaços em que virou a velocidade dos dias nos tabuleiros das horas.

Achar que pimenta nos olhos dos outros é refresco gera isso de sadomasoquismo das sacanagens humanas. Escondidos da consciência, erram que nem podiam ser. Da Justiça ninguém escapará, nem os reis, nem os barões. Tempos além, chega às malhas dos tribunais da eterna sapiência de tudo, e respondem ao furor das tentações a que cederam no jogo pálido das relações de cidadão a cidadão. Pouco senso, pouco siso, imaginar passar impune. Pouca inteligência, nenhuma prevenção de saúde moral, espiritual. Daí, deixar o cipó de aroeira romper as fraquezas e despertar a realidade extrema que nasceu no fugir das gerações.

Às vezes nos pegamos a estudar um jeito de romper as amarras aos ditames da perfeição, e inevitavelmente resulta de responder aos erros, quando não desta vida, das vidas anteriores. Nenhum foge ao seu destino, porquanto no Universo tudo cabe, ruge, desde séculos sem fim, amém. Assim, depois das contas ajustadas no juízo das histórias virá a bonança, custe o que custar. A dor tem esse condão de ser o ajuste dos pesos na balança da Eternidade. Aí não fosse desse modo, e perder-se-ia nos lixões da inutilidade. Porém o peso justo das eras soma e subtrai, revelando a beleza da imortalidade da alma da gente. Amiga dor; bendita realidade.